Síndromes mononucleosídicas
Atualizado em 19 de julho de 2026 · 7 perguntas neste tema
A síndrome mononucleosídica é um padrão clínico-laboratorial, não um diagnóstico etiológico: febre, faringite, adenopatias cervicais (tipicamente posteriores) e linfocitose com linfócitos atípicos, com ou sem esplenomegalia, hepatite ligeira e exantema. Interessa na PNA menos pelo tratamento — que é quase sempre de suporte — e mais pelo raciocínio diferencial por agente e pelas duas ou três decisões com consequência real. Domina quatro coisas: (1) o exantema após aminopenicilina na mononucleose por vírus Epstein-Barr (EBV) não é alergia verdadeira e não deve rotular o doente como alérgico; (2) a primo-infeção por VIH é a que nunca se pode falhar e exige carga viral ou antigénio p24, porque a serologia pode estar na janela; (3) a restrição de desportos de contacto por 3 a 4 semanas pelo risco de rutura esplénica; (4) a interpretação da serologia EBV, em que o EBNA positivo indica infeção passada. A abordagem geral da adenopatia e da esplenomegalia está no capítulo de hematologia; o VIH estabelecido tem capítulo próprio.
Passo 1 — Hemograma com esfregaço e bioquímica hepática
O hemograma é o exame que transforma uma faringite banal em síndrome mononucleosídica.
- Linfocitose: linfócitos habitualmente superiores a 50% do total de leucócitos, com leucocitose global ligeira a moderada;
- Linfócitos atípicos: mais de 10% — a combinação linfocitose >50% + atípicos >10% tem elevada especificidade para mononucleose por EBV, embora sensibilidade apenas moderada;
- Citopenias ligeiras: trombocitopenia e neutropenia ligeiras são frequentes e habitualmente benignas e transitórias;
- Linfopenia na fase inicial deve fazer pensar em primo-infeção por VIH;
- Eosinofilia deve fazer pensar em DRESS.
A bioquímica hepática deve pedir-se sempre: a elevação das transaminases é a regra na mononucleose por EBV (descrita na grande maioria dos doentes), geralmente ligeira a moderada e autolimitada, com pico na segunda a terceira semana. Icterícia franca é pouco comum. Transaminases desproporcionadamente elevadas com faringite mínima orientam para CMV ou para hepatite vírica aguda.
Passo 2 — Anticorpos heterófilos (Monospot / Paul-Bunnell)
O teste dos anticorpos heterófilos deteta IgM que aglutinam eritrócitos de outras espécies e que surgem na resposta policlonal B induzida pelo EBV. É rápido, barato e bastante específico.
A limitação — e é aqui que está a armadilha de exame — é a sensibilidade:
- Baixa na primeira semana de doença, porque os heterófilos ainda não subiram. Um teste negativo precoce não afasta o diagnóstico;
- Baixa na criança pequena (sobretudo abaixo dos 4 anos), que frequentemente não produz resposta heterófila detetável;
- Sobem tipicamente durante a segunda a terceira semanas e podem persistir positivos durante meses após a resolução, o que limita a sua utilidade para datar a infeção.
Consequência prática: perante clínica compatível e heterófilos negativos, ou se repete o teste uma a duas semanas depois, ou se avança diretamente para serologia específica.
Passo 3 — Serologia específica de EBV e a regra do EBNA
A serologia EBV assenta em três marcadores essenciais:
| Marcador | Cinética | Utilidade |
|---|---|---|
| VCA IgM (antigénio da cápside vírica) | Sobe cedo, desaparece em semanas a poucos meses | Marcador de infeção aguda |
| VCA IgG | Sobe cedo, persiste para a vida | Marca exposição, não data |
| EBNA IgG (antigénio nuclear) | Aparece só semanas a meses após a infeção, persiste para a vida | Permite datar |
A regra a memorizar: EBNA positivo indica infeção passada, porque o EBNA aparece tardiamente. Um doente com quadro agudo e EBNA já positivo tem infeção antiga por EBV e o quadro atual deve-se a outra causa — o erro clássico é atribuir a um EBV antigo uma síndrome que é na verdade CMV, Toxoplasma ou VIH.
Perfis a saber ler:
- VCA IgM +, VCA IgG +, EBNA − → infeção aguda/recente;
- VCA IgM −, VCA IgG +, EBNA + → infeção passada;
- Tudo negativo → doente suscetível; a síndrome tem outra causa.
Os anticorpos anti-antigénio precoce (EA) têm utilidade limitada na prática corrente e não devem ser a base da decisão.
Passo 4 — Investigar os outros agentes
CMV
Serologia (IgM e IgG anti-CMV) no imunocompetente. A IgM anti-CMV pode manter-se positiva durante meses e dar falsos positivos, pelo que uma seroconversão de IgG ou uma IgG de baixa avidez reforçam o diagnóstico de infeção recente. No imunodeprimido e no transplantado, a serologia é pouco útil para diagnóstico de doença ativa — usa-se PCR quantitativa (carga viral) ou antigenémia pp65, e é a carga viral que orienta o tratamento pré-emptivo (ver capítulo de imunossupressão).
Toxoplasma
IgM e IgG anti-Toxoplasma gondii. A IgM pode persistir positiva durante mais de um ano, o que gera confusão. Na grávida, o exame que resolve a dúvida é a avidez de IgG: uma avidez elevada torna improvável uma infeção adquirida nas últimas semanas a meses (o limiar depende do ensaio, mas situa-se tipicamente nas 12 a 16 semanas), o que é tranquilizador se o rastreio for feito no primeiro trimestre. A confirmação em laboratório de referência — em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) — é prática recomendada antes de decisões terapêuticas.
VIH — a regra que não se negoceia
O rastreio de VIH é obrigatório em qualquer síndrome mononucleosídica, independentemente do risco declarado. Mas há uma subtileza técnica essencial: na primo-infeção, os testes baseados em anticorpos podem ainda ser negativos (período de janela). Portanto:
- Pedir teste combinado antigénio/anticorpo de 4.ª geração (deteta antigénio p24, que positiva mais cedo do que os anticorpos);
- Se a suspeita clínica for forte (exantema, úlceras mucosas, exposição recente), pedir também carga viral de ARN do VIH, que é o primeiro marcador a positivar e que na primo-infeção está tipicamente muito elevada;
- Uma carga viral baixa deve levantar a hipótese de falso positivo e obriga a repetir.
Confirmado o diagnóstico, a infeção por VIH é doença de notificação obrigatória em Portugal — notificar através da plataforma SINAVE ou do SI.VIDA, conforme a disponibilidade no local, sem prejuízo da referenciação urgente para infeciologia. É obrigação do médico que estabelece o diagnóstico e não se delega na consulta de referenciação. Recorde-se que outros agentes deste diferencial — sífilis, rubéola e hepatites víricas A e B — são igualmente de notificação obrigatória. O algoritmo confirmatório e o seguimento estão no capítulo publicado de VIH.
Passo 5 — Os dois diagnósticos diferenciais que interessam
Faringite estreptocócica — a armadilha da aminopenicilina
A faringite por Streptococcus pyogenes partilha a febre, o exsudado amigdalino e a odinofagia. Distinguem-na as adenopatias cervicais anteriores (e não posteriores), a ausência de esplenomegalia e de astenia profunda, o curso mais curto e a ausência de linfocitose atípica.
A armadilha prática: se se assume faringite estreptocócica e se prescreve amoxicilina/ampicilina a um doente com mononucleose, surge o exantema maculopapular. Acresce que um teste rápido de deteção de antigénio (TDAR) positivo não exclui mononucleose — a colonização faríngea assintomática por S. pyogenes é frequente, sobretudo em crianças e adolescentes. Um doente com clínica muito sugestiva de mononucleose e TDAR positivo pode ser simplesmente um portador. Desde a atualização de 2025 da IDSA, a recomendação passou a ser usar um score clínico validado (Centor/McIsaac ou FeverPAIN) para identificar os doentes de baixa probabilidade e não os testar — o que reforça o argumento: testar indiscriminadamente perante clínica de mononucleose devolve sobretudo portadores. Quando é mesmo necessário tratar uma infeção estreptocócica concomitante, e uma vez que a penicilina V oral não está comercializada em Portugal, opta-se por penicilina G benzatínica intramuscular em dose única (600 000 U se <27 kg; 1 200 000 U se ≥27 kg) ou por uma cefalosporina de 1.ª geração (cefadroxil); em alergia comprovada a betalactâmicos, um macrólido. Evitam-se as aminopenicilinas.
Doença linfoproliferativa — quando parar de assumir infeção
É o diferencial de maior gravidade. Linfoma e leucemia aguda podem abrir com febre, adenopatias e alterações do hemograma. Sinais de alarme que obrigam a reavaliar e eventualmente a biopsar:
- Adenopatia persistente para além de 4 a 6 semanas, ou em crescimento;
- Gânglio duro, aderente, indolor, ou localização supraclavicular;
- Sintomas B: febre persistente, suores noturnos, perda ponderal não intencional;
- Citopenias progressivas, ou blastos no esfregaço;
- Linfocitose atípica prolongada que não resolve;
- Esplenomegalia que não regride no tempo esperado.
Quando se biopsa, a regra é biópsia excisional do gânglio inteiro — a arquitetura ganglionar é essencial ao diagnóstico histológico e a citologia aspirativa é frequentemente insuficiente. Os critérios detalhados de seleção do gânglio estão no capítulo de hematologia sobre adenopatias e esplenomegalia.
Princípio geral: a mononucleose trata-se com tempo
Na esmagadora maioria dos casos, a síndrome mononucleosídica no imunocompetente é autolimitada e o tratamento é de suporte:
- Analgesia e antipirese: paracetamol como antipirético de escolha; anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno) podem usar-se, com a ressalva habitual de prudência se houver trombocitopenia significativa ou desidratação. Não usar ácido acetilsalicílico nem outros salicilatos abaixo dos 16 anos numa doença vírica febril, pelo risco de síndrome de Reye — associação classicamente descrita com a varicela e a gripe, mas o princípio aplica-se a qualquer virose nesta faixa etária, que é justamente a do pico de incidência da mononucleose;
- Hidratação adequada — a odinofagia intensa compromete a ingestão, e a desidratação é um motivo frequente de recurso ao serviço de urgência;
- Repouso relativo, guiado pelos sintomas. Não há benefício demonstrado em repouso absoluto no leito; o doente deve retomar atividade conforme tolera, com a exceção crítica do esforço e desporto de contacto (ver adiante);
- Medidas locais para a odinofagia (gargarejos, líquidos frios).
A astenia pode arrastar-se por várias semanas e é importante antecipar isso ao doente no momento do diagnóstico: uma explicação clara sobre a duração esperada previne consultas repetidas, exames desnecessários e ansiedade.
O que NÃO fazer
Antivirais
Não há indicação para antiviral na mononucleose por EBV do imunocompetente. O aciclovir (e congéneres) inibe a replicação lítica do EBV e reduz a excreção vírica orofaríngea, mas os ensaios clínicos e as revisões sistemáticas não mostram benefício clínico consistente — não encurta significativamente a febre, a odinofagia nem a astenia.
A razão fisiopatológica é a mesma que sustenta todo o capítulo: os sintomas resultam da resposta imunitária T ao vírus, não da destruição celular direta. Travar a replicação depois de a resposta estar montada não desfaz a imunopatologia. Este é um raciocínio elegante que a PNA aprecia.
Aminopenicilinas
Evitar amoxicilina e ampicilina. Se o quadro é de faringite e se pondera antibiótico, e a mononucleose está no diferencial, a escolha não deve recair sobre uma aminopenicilina. Aqui há uma especificidade portuguesa a nomear: a penicilina V (fenoximetilpenicilina) oral não está comercializada em Portugal, e a Norma DGS 020/2012 define a amoxicilina como 1.ª linha na amigdalite aguda por Streptococcus do grupo A — ou seja, o antibiótico de 1.ª linha nacional é justamente o que provoca o exantema. Perante uma faringite com mononucleose no diferencial, a conduta é não prescrever antibiótico empiricamente; se houver indicação firme para tratar infeção estreptocócica documentada, opta-se por penicilina G benzatínica intramuscular em dose única (600 000 U se <27 kg; 1 200 000 U se ≥27 kg) ou, por via oral, por uma cefalosporina de 1.ª geração (cefadroxil).
E — o ponto de maior consequência prática — se o exantema já aconteceu, ele não é uma reação de hipersensibilidade IgE-mediada. Deve ser registado no processo como exantema no contexto de mononucleose infeciosa, e o doente não deve ser rotulado como alérgico à penicilina. Um rótulo errado de alergia a betalactâmicos acompanha a pessoa décadas, empurra-a para antibióticos de segunda linha com mais efeitos adversos, mais espetro e maior custo, e piora desfechos em situações graves.
A regra prática de maior consequência: desporto e esforço
Evitar desportos de contacto e esforço físico intenso durante pelo menos 3 a 4 semanas desde o início dos sintomas, e até à resolução da esplenomegalia.
A razão é o risco de rutura esplénica: complicação rara (habitualmente citada abaixo de 0,5% dos casos) mas potencialmente fatal, concentrada sobretudo nas primeiras três semanas de doença. O baço aumentado tem cápsula distendida e parênquima infiltrado, e torna-se vulnerável a traumatismo — ou pode romper de forma espontânea, sem trauma identificável.
Pontos de gestão prática:
- O exame físico é pouco sensível para detetar esplenomegalia ligeira; a ausência de baço palpável não garante que o baço tem tamanho normal;
- A ecografia de rotina não é obrigatória para autorizar o regresso à atividade — não existe consenso que a imponha, e o tamanho esplénico normal varia com a estatura, o que dificulta a definição de um corte. A decisão é sobretudo clínica e temporal;
- Atividade aeróbia ligeira (marcha, atividades sem contacto) pode geralmente retomar-se por volta das 3 semanas, se o doente estiver assintomático e afebril;
- Desportos de contacto, colisão e esforço intenso (rugby, futebol, artes marciais, basquetebol, halterofilia) devem aguardar pelo menos 4 semanas e, na prática, a decisão individualiza-se em atletas de competição;
- Deve dar-se ao doente instruções de alarme explícitas: dor abdominal no quadrante superior esquerdo, dor referida ao ombro esquerdo (sinal de Kehr), tonturas, síncope ou palidez → recorrer imediatamente ao serviço de urgência.
Corticoides: indicações restritas, não rotina
Os corticosteroides sistémicos não estão indicados por rotina na mononucleose infeciosa. Reduzem modestamente a odinofagia a muito curto prazo, mas sem benefício sustentado, e expõem a riscos de imunossupressão numa infeção vírica aguda.
Antes da primeira dose de corticoide, excluir leucemia aguda e linfoma. O cenário em que o corticoide é ponderado — adolescente com hipertrofia amigdalina volumosa, adenopatias e citopenias — é exatamente o cenário de apresentação de uma leucemia linfoblástica aguda ou de um linfoma. Uma única dose produz uma resposta inicial aparente, altera a morfologia e a imunofenotipagem e pode inviabilizar o diagnóstico, a classificação e o estadiamento, com impacto direto no protocolo de tratamento. Perante citopenias progressivas, blastos no esfregaço, LDH muito elevada, massa mediastínica ou adenopatia atípica, colher hemograma com esfregaço e discutir com hematologia antes de administrar corticoide. Na obstrução iminente da via aérea o corticoide não se adia — mas a colheita precede-o.
As indicações aceites são restritas e devem ser memorizadas como lista fechada:
- Obstrução iminente da via aérea superior por hipertrofia amigdalina e adenoideia — é a indicação clássica e a mais consensual;
- Anemia hemolítica autoimune grave;
- Trombocitopenia grave com hemorragia ou risco hemorrágico;
- Miocardite;
- Envolvimento neurológico grave (encefalite, por exemplo).
Na obstrução da via aérea, a abordagem inclui ainda monitorização hospitalar, posicionamento, hidratação endovenosa e, em casos refratários, intervenção sobre a via aérea. É uma situação a reconhecer precocemente pelo estridor, disfagia grave com incapacidade de deglutir saliva, e voz abafada.
Gestão específica por agente
| Agente | Conduta no imunocompetente | Quando tratar |
|---|---|---|
| EBV | Suporte apenas | Corticoide só nas indicações restritas acima |
| CMV | Suporte apenas | Ganciclovir/valganciclovir apenas em doença de órgão, imunodeprimido ou transplantado |
| Toxoplasma | Habitualmente não tratar | Sintomas graves ou persistentes, coriorretinite, grávida, imunodeprimido → na grávida, espiramicina desde a suspeita (reduz a transmissão vertical), mantida até se excluir infeção fetal; a pirimetamina é um antifolato teratogénico e não deve usar-se antes das 14-18 semanas, ficando o esquema pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico (obrigatório para prevenir a mielossupressão e não substituível por ácido fólico) reservado a infeção fetal confirmada por PCR no líquido amniótico ou a infeção materna do 3.º trimestre, já após as 14-18 semanas; evitar sulfadiazina perto do termo (risco de kernicterus). Fora da gravidez, o mesmo esquema apenas em coriorretinite, sintomas graves ou imunodepressão |
| VIH (primo-infeção) | Suporte + referenciação urgente | Início de terapêutica antirretroviral, com benefício individual e de saúde pública (ver capítulo de VIH) |
| HSV (gengivoestomatite) | Analgesia, hidratação | Aciclovir oral, com benefício se iniciado precocemente |
| Bartonella (arranhadela do gato) | Habitualmente autolimitada | Azitromicina em adenopatia volumosa ou doente imunodeprimido |
| DRESS | — | Suspender imediatamente o fármaco; corticoterapia sistémica; vigilância de envolvimento de órgão |
Seguimento e critérios de reavaliação
O seguimento deve ser combinado à partida, com pontos de reavaliação claros:
- Reavaliar se a febre persistir para além de 2 a 3 semanas — obriga a reconsiderar o agente e o diferencial oncológico;
- Repetir hemograma e função hepática se houve citopenias significativas ou transaminases muito elevadas;
- Reavaliar adenopatia que não regride em 4 a 6 semanas;
- Discutir com o doente o plano de regresso à atividade e a duração esperada da astenia.
Quanto ao isolamento: a excreção salivar do EBV mantém-se durante meses, o que torna o isolamento inútil e desnecessário. Não há indicação para afastamento escolar ou laboral para além do que os sintomas impuserem. Faz sentido aconselhar a não partilhar copos, talheres nem escovas de dentes durante a fase sintomática, sobretudo em contextos de coabitação.
Referências
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- Kimura H, Cohen JI. Chronic active Epstein-Barr virus disease. Front Immunol. 2017;8:1867.
7 perguntas sobre Síndromes mononucleosídicas
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