Síndromes mononucleosídicas
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema
A síndrome mononucleosídica é um padrão clínico e laboratorial, não um diagnóstico: febre, faringite, adenopatias e linfocitose com linfócitos atípicos, muitas vezes com esplenomegalia e transaminases elevadas. Cerca de 90% dos casos são mononucleose infeciosa pelo vírus Epstein-Barr (EBV), sobretudo em adolescentes e adultos jovens, que o adquirem pela saliva; o citomegalovírus (CMV) é a causa mais frequente da forma com anticorpos heterófilos negativos, e a primoinfeção por VIH e a toxoplasmose são as outras que importa separar.
O EBV infeta os linfócitos B, e a doença é sobretudo a resposta dos linfócitos T CD8 que os controlam: são eles os linfócitos atípicos do esfregaço. Daí a faringite exsudativa intensa com adenopatias cervicais posteriores, a esplenomegalia em cerca de metade dos doentes e a falta de efeito do aciclovir na clínica. O CMV dá febre alta e prolongada com pouca faringite e poucas adenopatias; a primoinfeção por VIH dá exantema, úlceras mucosas e linfopenia inicial; a toxoplasmose dá adenopatia cervical sem faringite.
Confirma-se com hemograma, anticorpos heterófilos, que falham na primeira semana e na criança pequena, e serologia específica do EBV, em que o anticorpo contra o antigénio nuclear (EBNA) data a infeção. Em qualquer síndrome mononucleosídica testa-se VIH, com teste combinado e carga viral quando há suspeita de infeção recente.
O tratamento é de suporte. As decisões com consequência são poucas: evitar desportos de contacto durante pelo menos 3 a 4 semanas pelo risco de rutura esplénica, não dar amoxicilina e não rotular como alérgico quem fez exantema com ela, reservar os corticoides para as complicações, depois de excluir leucemia e linfoma, e começar terapêutica antirretroviral na primoinfeção por VIH.
O que não se pode falhar é a primoinfeção por VIH tomada por mononucleose banal, a rutura esplénica que surge sem traumatismo, a obstrução da via aérea por hipertrofia amigdalina e o linfoma que se apresenta como adenopatias com febre.
Referências
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10 perguntas sobre Síndromes mononucleosídicas
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