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Questões relacionadas com os doentes sob imunossupressão

Matriz PNA:MD · MecanismosD · Diagnóstico

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema

Em resumo

O doente imunodeprimido adoece com agentes que num hospedeiro normal quase nunca causam doença, adoece mais depressa e mostra menos sinais, porque grande parte da semiologia da infeção é feita pela própria resposta imunitária. A ideia que organiza o tema é que o tipo de defeito prediz o agente: a neutropenia expõe a bactérias e, quando se prolonga para lá das duas semanas, a fungos filamentosos; o défice de imunidade celular a micobactérias, Listeria, Nocardia, herpesvírus, Pneumocystis e Cryptococcus; a falta de anticorpos e a asplenia a bactérias capsuladas; o défice do complemento terminal à Neisseria.

A neutropenia febril é a emergência do doente oncológico. A febre pode ser o único sinal, e o antibiótico antipseudomonas entra na primeira hora após a triagem, depois das hemoculturas e antes de qualquer resultado. O índice da MASCC (associação multinacional de cuidados de suporte em oncologia) separa os doentes de baixo risco, que podem fazer tratamento oral em ambulatório, dos de alto risco, que ficam internados; a vancomicina só se junta com indicação precisa, e o antifúngico empírico entra se a febre persistir quatro a sete dias numa neutropenia longa.

No transplante, o tempo desde o procedimento diz o que procurar: no primeiro mês, infeções cirúrgicas, nosocomiais e do dador; entre o primeiro e o quarto mês, oportunistas e reativações, com o citomegalovírus no centro; depois dos seis meses, infeções da comunidade, salvo em quem mantém imunossupressão intensa. Nos fármacos imunossupressores e biológicos, cada alvo tem o seu risco, e antes de começar rastreia-se a tuberculose latente e a hepatite B, atualizam-se as vacinas e decide-se a profilaxia do Pneumocystis.

O asplénico tem risco vitalício de sépsis fulminante, sobretudo pneumocócica, que passa de um pródromo banal a choque em horas. Previne-se com vacinação, de preferência duas semanas antes de uma esplenectomia eletiva, antibiótico de reserva em casa e educação.

O que não se pode falhar: atrasar o antibiótico no neutropénico febril, iniciar um anti-TNF sem excluir tuberculose latente, dar rituximab sem conhecer a serologia da hepatite B, dar uma vacina viva a um doente imunodeprimido e mandar para casa um asplénico com febre.

Referências

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