Pneumonia aguda
Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 15 perguntas neste tema
A pneumonia é a infeção aguda do parênquima pulmonar. O diagnóstico exige duas coisas: um quadro clínico compatível, com tosse, expetoração, febre, dispneia ou dor pleurítica, e um infiltrado novo na imagem do tórax. Sem infiltrado fala-se de bronquite aguda, que é quase sempre viral e não leva antibiótico.
Classifica-se pelo sítio onde foi adquirida, porque é isso que define os agentes a cobrir. A pneumonia da comunidade é a mais frequente, e o pneumococo continua a ser o agente mais identificado, a par do Haemophilus influenzae, dos agentes atípicos (micoplasma, clamídia, legionela) e dos vírus respiratórios. A pneumonia nosocomial surge 48 horas ou mais depois do internamento, e a associada ao ventilador depois de 48 horas de ventilação mecânica; aqui pesam os bacilos Gram-negativos, a Pseudomonas aeruginosa e o Staphylococcus aureus resistente à meticilina. A pneumonia de aspiração é um ponto deste mesmo contínuo, e distingue-se da pneumonite química, que não é infeciosa.
A primeira decisão depois do diagnóstico é o local de tratamento. Em Portugal faz-se com o CURB-65, ou com o CRB-65 quando não há análises, sempre temperados pelo juízo clínico, pela saturação de oxigénio e pelo apoio em casa. A admissão em cuidados intensivos tem critérios próprios: choque com vasopressores, ventilação invasiva, ou três critérios menores.
O tratamento é empírico e começa logo. Em ambulatório, a norma portuguesa manda amoxicilina, com um macrólido ou doxiciclina quando há comorbilidades; no internamento associa-se um beta-lactâmico a um macrólido, e na pneumonia grave a associação é obrigatória e pode juntar-se hidrocortisona. A cobertura de Pseudomonas e do estafilococo resistente decide-se pelo risco individual, sobretudo o isolamento prévio destes agentes, e não pelo facto de o doente viver num lar: a categoria de pneumonia associada aos cuidados de saúde foi abandonada. Os cursos são curtos e guiados pela estabilidade clínica.
O que não se pode falhar: a pneumonia grave que fica na enfermaria até deteriorar, o derrame parapneumónico complicado que fica por drenar, e a troca de antibiótico antes das 72 horas só porque a febre ainda não cedeu ou a radiografia ainda não limpou.
Referências
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- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 013/2024, de 19/12/2024: Atualização da estratégia de vacinação pneumocócica, Programa Nacional de Vacinação e grupos de risco. Lisboa: DGS; 2024.
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