Infeções das vias urinárias, pielonefrite e prostatite
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 15 perguntas neste tema
A infeção do trato urinário (ITU) é, na grande maioria das vezes, uma bactéria da flora intestinal, sobretudo a Escherichia coli, que coloniza o períneo, sobe pela uretra até à bexiga e, por vezes, pelos ureteres até ao rim. Metade a quatro em cada cinco mulheres têm pelo menos uma na vida; no homem é rara até aos 50 anos e depois quase sempre se liga a obstrução prostática.
O mesmo agente dá quadros muito diferentes. A cistite é o quadro miccional sem febre: disúria, polaquiúria, urgência e dor suprapúbica. A pielonefrite junta febre, arrepios, dor lombar e vómitos, com bacteriemia em um quinto a um terço dos casos. A prostatite aguda é a infeção febril do homem com dor perineal e dificuldade miccional. A bacteriúria assintomática é urina colonizada sem queixas, e na maioria das pessoas não é doença.
Na mulher jovem, não grávida e sem outras doenças, a cistite diagnostica-se pela história e trata-se sem urocultura, com nitrofurantoína ou fosfomicina. Tudo o resto pede urocultura antes do antibiótico: a pielonefrite, a grávida, o homem, a infeção complicada e a que recidiva. Em Portugal as quinolonas não servem de tratamento empírico, porque cerca de 30% dos agentes lhes resistem; a pielonefrite ligeira trata-se em casa com ceftriaxona seguida de cefuroxima oral.
A bacteriúria assintomática só se procura e trata na grávida e antes de cirurgia urológica que atravessa a mucosa. No algaliado, no idoso e no diabético tratá-la não traz benefício e seleciona resistências.
O que não se pode falhar é o rim obstruído e infetado, que se drena de urgência porque nenhum antibiótico resolve pus sob pressão, a febre que não cede em 72 horas, que obriga a imagem à procura de abcesso ou obstrução, e a grávida com bacteriúria, que sem tratamento evolui para pielonefrite em até 30%.
Referências
- Gupta K, Trautner BW. Urinary tract infections, pyelonephritis, and prostatitis. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. cap. 135.
- Chahin A, Opal SM. Urinary tract infections. In: Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. cap. 100.
- Curhan GC. Nephrolithiasis. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. cap. 318.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 015/2011: Terapêutica de infeções do aparelho urinário (comunidade). Lisboa: DGS; 2011.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 037/2011: Exames laboratoriais na gravidez de baixo risco. Lisboa: DGS; 2011 (atualizada em 20/12/2013).
- Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco. Lisboa: DGS; 2015.
- European Association of Urology. EAU guidelines on urological infections. Arnhem: EAU Guidelines Office; 2026.
- Hooton TM, Bradley SF, Cardenas DD, Colgan R, Geerlings SE, Rice JC, et al. Diagnosis, prevention, and treatment of catheter-associated urinary tract infection in adults: 2009 international clinical practice guidelines from the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis. 2010;50(5):625-63.
- Nicolle LE, Gupta K, Bradley SF, Colgan R, DeMuri GP, Drekonja D, et al. Clinical practice guideline for the management of asymptomatic bacteriuria: 2019 update by the Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis. 2019;68(10):e83-e110.
- Evans L, Rhodes A, Alhazzani W, Antonelli M, Coopersmith CM, French C, et al. Surviving sepsis campaign: international guidelines for management of sepsis and septic shock 2021. Crit Care Med. 2021;49(11):e1063-e1143.
15 perguntas sobre Infeções das vias urinárias, pielonefrite e prostatite
Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.
Criar conta e treinar