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Infeção VIH-SIDA

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · Prevenção

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 23 perguntas neste tema

Em resumo

O vírus da imunodeficiência humana (VIH) é um retrovírus que infeta o linfócito T CD4 e integra o seu genoma no da célula. Essa integração cria um reservatório latente que nenhum fármaco atinge: o tratamento antirretroviral suprime a replicação mas não cura, e interrompê-lo faz regressar a virémia. O VIH-1 é o pandémico; o VIH-2, da África Ocidental, é mais indolente, tem em Portugal a maior prevalência da Europa e é intrinsecamente resistente aos inibidores não nucleósidos da transcriptase reversa.

A transmissão é sexual, sanguínea e vertical. Sem tratamento, a infeção passa por uma síndrome aguda semelhante à mononucleose, semanas depois do contágio, e por uma latência clínica de cerca de 10 anos em que o vírus replica e os CD4 descem, até à imunodepressão com infeções oportunistas e neoplasias. Em Portugal, mais de metade dos novos diagnósticos continua a ser tardia, e é isso que hoje mata: muitas vezes houve antes uma doença indicadora em que ninguém pediu o teste.

O diagnóstico faz-se com um teste combinado de antigénio p24 e anticorpos, confirmado por um ensaio que distingue o VIH-1 do VIH-2; na suspeita de infeção aguda com serologia negativa pede-se a carga viral. Trata-se toda a gente, logo que possível, com um inibidor da integrase de segunda geração e dois inibidores nucleósidos, sem esperar pela genotipagem. Carga viral indetetável mantida elimina a transmissão sexual, e isso faz do tratamento a medida de prevenção mais eficaz, a par da profilaxia antes e depois da exposição.

As infeções oportunistas aparecem por patamares de CD4 (Pneumocystis abaixo de 200, toxoplasmose e criptococose abaixo de 100, complexo Mycobacterium avium e citomegalovírus abaixo de 50) e esses patamares decidem as profilaxias; a tuberculose aparece com qualquer contagem. Com uma infeção oportunista ativa, o antirretroviral começa em regra nas duas primeiras semanas; adia-se 4 a 6 semanas na meningite criptocócica e até 4 semanas na tuberculosa (exceto com CD4 abaixo de 50), pelo risco de síndrome inflamatória de reconstituição imune.

Referências

  1. Fauci AS, Folkers GK, Lane HC. Human immunodeficiency virus disease: AIDS and related disorders. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. cap. 202.
  2. Garland JM, Flanigan T, Wing EJ. Human immunodeficiency virus infection. In: Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. p. 944-62.
  3. European AIDS Clinical Society (EACS). EACS guidelines, version 13.0. Bruxelas: EACS; 2025.
  4. Ambrosioni J, Levi LI, Alagaratnam J, Sempere A, Mastrangelo A, Paioni P, et al. Major revision version 13.0 of the European AIDS Clinical Society guidelines 2025. HIV Med. 2026;27(1):18-32.
  5. Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA (APECS). Recomendações de terapêutica antirretroviral em pessoas que vivem com VIH/SIDA. Lisboa: APECS; 2023.
  6. Direção-Geral da Saúde. Norma clínica n.º 1/2024: Profilaxia de pré-exposição ao VIH. Lisboa: DGS; 2024.
  7. Direção-Geral da Saúde. Circular normativa n.º 23/DSR, de 29 de dezembro de 2009: Distribuição gratuita de leite adaptado a crianças filhas de mães com infeção por VIH. Lisboa: DGS; 2009.
  8. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Direção-Geral da Saúde. Infeção por VIH em Portugal – 2025. Lisboa: INSA; 2025.
  9. European AIDS Treatment Group. European Commission authorizes twice-yearly Yeytuo (lenacapavir) for HIV prevention. Bruxelas: EATG; 2025.
  10. ViiV Healthcare. European Commission authorises Apretude (cabotegravir long-acting and tablets) for HIV prevention. Londres: ViiV Healthcare; 2023.

23 perguntas sobre Infeção VIH-SIDA

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