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Hepatites virais

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 17 perguntas neste tema

Em resumo

As hepatites virais são infeções sistémicas que atingem sobretudo o fígado, e quase todas se devem a cinco vírus, designados pelas letras A a E. Dão quadros agudos parecidos entre si, com um pródromo inespecífico, icterícia e aminotransferases nos milhares, e separam-se por duas perguntas: como se transmitem e se podem cronificar.

O A e o E transmitem-se por via fecal-oral, causam hepatite aguda autolimitada e não cronificam no imunocompetente; o E tem duas exceções que se perguntam, a gravidade no terceiro trimestre da gravidez e a cronicidade no transplantado. O B, o C e o D transmitem-se pelo sangue, pela via sexual e, no caso do B, sobretudo da mãe para o filho; podem cronificar e levar, ao fim de décadas, a cirrose e a carcinoma hepatocelular. O D é um vírus incompleto que só infeta quem já tem o B.

No vírus B, a probabilidade de cronificar depende da idade em que se adquire: cerca de 90% no recém-nascido e menos de 5% no adulto. Por isso a peça central é a prevenção, com a vacina universal desde o nascimento, o rastreio de todas as grávidas e a imunoglobulina ao filho de mãe portadora. A serologia deduz-se: o anticorpo contra o core só aparece depois de contacto com o vírus, nunca com a vacina.

No vírus C, o anticorpo serve de rastreio mas continua positivo depois da cura, e a infeção ativa confirma-se sempre com o ácido ribonucleico viral. Em Portugal testam-se todos os adultos pelo menos uma vez na vida, independentemente do risco, e o tratamento oral de 8 ou 12 semanas curou 97% dos doentes tratados no país.

O vírus B suprime-se com tenofovir ou entecavir, mas não se cura, porque o seu genoma fica guardado no núcleo do hepatócito. O que não se pode falhar é a hepatite fulminante, reconhecida pela coagulopatia com encefalopatia, a reativação do vírus B em quem é imunossuprimido sem rastreio prévio, e a vigilância do carcinoma em quem se curou já com fibrose avançada ou cirrose.

Referências

  1. Dienstag JL. Acute viral hepatitis. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. cap. 339.
  2. Dienstag JL. Chronic hepatitis. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. cap. 341.
  3. Laboratory tests in liver diseases. In: Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. cap. 40, p. 417-9.
  4. European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines on the management of hepatitis B virus infection. J Hepatol. 2025;83(2):502-83.
  5. European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines on hepatitis E virus infection. J Hepatol. 2018;68(6):1256-71.
  6. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 003/2026 de 27/07/2026: Diagnóstico e tratamento da hepatite C em adultos. Lisboa: DGS; 2026.
  7. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 007/2025 de 31/07/2025, atualizada a 15/10/2025: Estratégia de imunização contra a hepatite A. Lisboa: DGS; 2025.
  8. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 018/2020 de 27/09/2020: Programa Nacional de Vacinação 2020. Lisboa: DGS; 2020.
  9. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 037/2011 de 30/09/2011: Exames laboratoriais na gravidez de baixo risco. Lisboa: DGS; 2011.
  10. World Health Organization. Hepatitis A, B, C and E: fact sheets. Genebra: WHO; 2025.

17 perguntas sobre Hepatites virais

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