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Gripe

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 14 de julho de 2026 · 8 perguntas neste tema

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Em resumo

A gripe é uma infeção respiratória aguda pelos vírus influenza A (H e N; subtipos H1N1/H3N2; reservatório animal, único que causa pandemias) e B (linhagens Victoria/Yamagata), com pico sazonal de outono-inverno. A variabilidade antigénica explica tudo: o drift (mutações pontuais, A e B) gera as epidemias anuais e obriga a reformular a vacina; o shift (reassortment, só A) origina pandemias. Clinicamente distingue-se da constipação pelo início súbito com febre alta, mialgias, cefaleia e prostração sobre tosse seca. Em época epidémica o diagnóstico é clínico; quando é preciso confirmar, a RT-PCR é o mais sensível (o teste rápido de antigénio tem sensibilidade baixa, um negativo não exclui). No tratamento, os inibidores da neuraminidase (oseltamivir oral, zanamivir inalado) e o baloxavir (endonuclease, dose única) têm maior benefício nas primeiras 48 h, mas tratam-se sempre os grupos de risco, a doença grave e os hospitalizados, mesmo além das 48 h (oseltamivir de escolha). A complicação-chave é a pneumonia bacteriana secundária (padrão bifásico; S. pneumoniae, S. aureus/MRSA, Haemophilus), a par da pneumonia viral primária e da descompensação de comorbilidades. A prevenção assenta na vacinação anual (composição definida pela OMS, em transição de tetravalente para trivalente — duas estirpes A, H1N1 e H3N2, mais B/Victoria — desde que a linhagem B/Yamagata deixou de circular, em 2020, e foi excluída por recomendação da OMS), gratuita nos grupos prioritários da DGS 2025-2026 (≥60 anos, crianças 6-23 meses, grávidas, doentes crónicos, residentes/profissionais de lares e profissionais de saúde; dose alta ≥85 anos e lares), com profilaxia antiviral complementar em casos selecionados e surtos.

Mecanismos: agente, patogénese e variabilidade antigénica

A gripe é o exemplo clássico de como a estrutura de um vírus determina a sua epidemiologia. Compreender a hemaglutinina, a neuraminidase e a forma como mudam ao longo do tempo explica de uma só vez porque a doença regressa todos os anos, porque a vacina tem de ser reformulada anualmente e porque, de tempos a tempos, surge uma pandemia.

As duas glicoproteínas de superfície

O vírus influenza expõe na sua superfície duas glicoproteínas que são simultaneamente os determinantes antigénicos principais e os alvos terapêuticos:

  • Hemaglutinina (H ou HA): medeia a ligação do vírus aos recetores de ácido siálico das células do epitélio respiratório e a subsequente fusão e entrada. É o principal alvo dos anticorpos neutralizantes; a imunidade protetora é sobretudo anti-hemaglutinina.
  • Neuraminidase (N ou NA): cliva o ácido siálico e liberta os novos viriões da célula infetada, permitindo a propagação. É o alvo dos inibidores da neuraminidase (oseltamivir, zanamivir), que bloqueiam esta saída e travam a disseminação nos tecidos.

Ciclo e lesão tecidular

Após a inalação, o vírus infeta o epitélio ciliado das vias respiratórias, replica-se rapidamente e provoca necrose e descamação do epitélio, com perda da barreira mucociliar. Esta destruição do epitélio respiratório é o elo fisiopatológico central: por um lado gera a inflamação e os sintomas respiratórios; por outro, ao expor a membrana basal e comprometer a limpeza mucociliar, prepara o terreno para a sobreinfeção bacteriana, que é a complicação mais temida. A intensa resposta inflamatória sistémica, com libertação de citocinas, é a responsável pelos sintomas constitucionais desproporcionados (febre alta, mialgias, prostração) que caracterizam a gripe e a separam de uma infeção respiratória banal.

Variabilidade antigénica: drift e shift

A capacidade dos vírus influenza de mudar as suas glicoproteínas de superfície é a razão de fundo para a sua persistência. Há dois mecanismos, com escalas e consequências muito diferentes.

CaracterísticaAntigenic drift (deriva)Antigenic shift (mudança/salto)
MecanismoMutações pontuais acumuladas na H e NRearranjo (reassortment) de segmentos genéticos entre estirpes diferentes
MagnitudePequenas alterações graduaisNova hemaglutinina, subtipo completamente novo
VírusInfluenza A e BSó influenza A (precisa de reservatório animal)
ConsequênciaEpidemias sazonais anuais; obriga a reformular a vacinaPandemia (população sem imunidade prévia)
FrequênciaContínuo, todos os anosRaro, imprevisível

O drift antigénico consiste na acumulação gradual de mutações pontuais nos genes da hemaglutinina e da neuraminidase, sob pressão seletiva da imunidade populacional. As pequenas alterações resultantes permitem ao vírus escapar parcialmente aos anticorpos gerados em épocas anteriores, o que explica as epidemias sazonais e a necessidade de atualizar a composição da vacina praticamente todos os anos. Ocorre tanto no influenza A como no B.

O shift antigénico é um fenómeno abrupto e raro, exclusivo do influenza A. Como o genoma é segmentado, quando duas estirpes diferentes (por exemplo humana e aviária ou suína) coinfetam a mesma célula, os segmentos podem rearranjar-se e originar um vírus com uma hemaglutinina totalmente nova, para a qual a população não tem imunidade. É este mecanismo que gera as pandemias, como a de 2009 pelo A(H1N1) de origem suína. O reservatório animal do influenza A, que o influenza B não possui, é precisamente o que torna o shift possível.

Avaliação e diagnóstico

O diagnóstico da gripe é, na maioria dos casos, clínico e epidemiológico. Durante a época epidémica, um doente com o quadro típico tem uma probabilidade tão elevada de ter gripe que a confirmação laboratorial não altera a conduta num adulto saudável. Os testes reservam-se para as situações em que o resultado muda a decisão: doente hospitalizado, imunodeprimido, grupo de risco, ou necessidade de controlo de infeção.

Apresentação clínica típica

A marca da gripe é o início súbito. O doente identifica frequentemente a hora a que adoeceu. Instala-se em poucas horas um quadro dominado por sintomas sistémicos:

  • Febre alta (38-40 °C), muitas vezes com calafrios, de início abrupto.
  • Mialgias intensas e artralgias generalizadas, um dos sintomas mais característicos.
  • Cefaleia, tipicamente frontal e marcada.
  • Prostração e mal-estar geral desproporcionados, com astenia que pode persistir semanas.

A estes juntam-se sintomas respiratórios, em regra menos proeminentes no início do que os sistémicos: tosse seca (frequente e por vezes intensa), odinofagia e coriza ligeira. Nas crianças pequenas o quadro é menos típico e pode incluir sintomas gastrintestinais (vómitos, diarreia) e febre elevada isolada. Nos idosos a apresentação pode ser frustre, sem febre alta, manifestando-se por descompensação de doença de base, confusão ou queda.

Distinção da constipação comum

Separar a gripe da constipação (rinofaringite viral por rinovírus e outros) é um clássico examinável. A regra prática: a gripe é sistémica e abrupta, a constipação é nasal e gradual.

CaracterísticaGripeConstipação comum
InícioSúbito (horas)Gradual (dias)
FebreAlta (38-40 °C), habitualRara ou baixa
MialgiasIntensas, típicasLigeiras ou ausentes
CefaleiaMarcadaLigeira
ProstraçãoAcentuada, prolongadaLigeira
Rinorreia/obstrução nasalLigeiraProeminente
EspirrosOcasionaisFrequentes
TosseSeca, comum, por vezes intensaLigeira
EvoluçãoAstenia dura semanasResolve em ~1 semana

Testes de diagnóstico

Quando a confirmação é necessária, colhe-se amostra do trato respiratório (zaragatoa nasofaríngea, nasal ou aspirado). Três abordagens laboratoriais interessam:

  • Testes rápidos de deteção de antigénio (TRDA): resultado em cerca de 15 minutos, à cabeceira. Vantagem na rapidez, mas com sensibilidade limitada (variável, muitas vezes 50-70%), pelo que um resultado negativo não exclui gripe em período de alta circulação, sobretudo num doente com clínica típica. A especificidade é boa, logo um positivo é fiável.
  • RT-PCR (amplificação de ácidos nucleicos): é o exame mais sensível e específico e o método de referência. Deteta e distingue tipos e subtipos, e permite painéis multiplex que incluem outros vírus respiratórios (SARS-CoV-2, VSR). É o teste de escolha no doente hospitalizado, no imunodeprimido e sempre que o resultado condiciona a decisão. A principal limitação é a disponibilidade e o tempo de resposta face aos testes rápidos, embora existam plataformas moleculares rápidas.
  • Cultura viral e serologia: têm sobretudo valor epidemiológico e de vigilância (a serologia é retrospetiva, exige duas amostras pareadas), não servem a decisão clínica aguda.

Quando testar

A escolha entre tratar empiricamente e testar depende do contexto:

  • No adulto saudável em ambulatório durante a época epidémica com quadro típico, o diagnóstico é clínico; testar raramente muda a conduta.
  • Testar (de preferência por RT-PCR) quando o resultado altera decisões: doente hospitalizado, imunodeprimido, grávida, doente com comorbilidade de risco, quadro grave, ou para controlo de infeção (coorte hospitalar, surto em lar). Também é útil na dúvida diagnóstica fora da época epidémica ou quando é importante distinguir de COVID-19.

Importa não atrasar o tratamento à espera do teste: nos doentes com indicação, o antiviral deve iniciar-se por suspeita clínica, idealmente nas primeiras 48 horas, sem aguardar a confirmação laboratorial.

Prevenção

A prevenção da gripe assenta na vacinação anual, complementada por medidas de etiqueta respiratória e, em situações selecionadas, por profilaxia com antivirais. A vacinação é a intervenção mais custo-eficaz e a que salva vidas nos grupos vulneráveis, pelo que a sua indicação e a identificação dos grupos prioritários são pontos de exame incontornáveis.

Vacinação anual: porquê todos os anos

A vacina da gripe é reformulada em cada época por duas razões que decorrem diretamente da biologia do vírus. Primeiro, o drift antigénico altera continuamente a hemaglutinina, pelo que a estirpe do ano anterior deixa de conferir proteção ótima. Segundo, a imunidade induzida pela vacina declina ao longo dos meses. A composição é definida anualmente pela OMS, que antecipa as estirpes prováveis para a época seguinte em cada hemisfério. A composição está a transitar de tetravalente para trivalente: as vacinas recomendadas pela OMS para a época 2025-2026 contêm duas estirpes A (H1N1 e H3N2) e uma única B, da linhagem Victoria. A linhagem B/Yamagata deixou de circular desde 2020 e a OMS recomendou a sua exclusão da composição vacinal, deixando de emitir recomendação atualizada para essa linhagem. A maioria é de vírus inativado, administrada por via intramuscular, adequada a praticamente todos os grupos, incluindo grávidas e imunodeprimidos. Existe formulação de dose alta, com maior imunogenicidade, dirigida aos mais idosos.

O momento ideal de vacinação é o outono, antes do pico epidémico, a partir de setembro/outubro, para que a proteção esteja instalada quando a circulação aumenta. Em Portugal, a campanha sazonal decorre habitualmente de finais de setembro até à primavera.

Grupos prioritários (DGS, época 2025-2026)

A vacinação está recomendada a toda a população elegível, mas é gratuita e ativamente recomendada nos grupos de maior risco de doença grave e de complicações, definidos na Norma da DGS para a campanha sazonal. Para a época 2025-2026, incluem-se:

  • Pessoas com 60 ou mais anos de idade (nota: o limiar de vacinação gratuita foi alargado dos 65 para os 60 anos).
  • Crianças dos 6 aos 23 meses (novidade da campanha 2025-2026: estas crianças têm taxas de internamento e de cuidados intensivos comparáveis às dos mais idosos).
  • Grávidas (em qualquer trimestre da gravidez).
  • Pessoas com doenças crónicas e condições de risco: doença cardiovascular, respiratória crónica (asma, DPOC), diabetes e outras doenças metabólicas, doença renal ou hepática crónica, imunossupressão (incluindo VIH e doença oncológica), doença neurológica ou neuromuscular que comprometa a função respiratória, obesidade grave, e asplenia/disfunção esplénica.
  • Residentes e profissionais de lares, estruturas residenciais para idosos, instituições similares e da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.
  • Profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados (proteção própria e dos doentes que assistem).
  • Coabitantes e cuidadores de pessoas com alto risco, para reduzir a transmissão (estratégia de "casulo").

Na época 2025-2026, a vacina de dose alta é administrada gratuitamente aos residentes em lares e instituições similares e às pessoas com 85 ou mais anos.

Contraindicações e precauções

A contraindicação absoluta é a reação anafilática prévia a uma dose da vacina ou a um dos seus componentes. A alergia ao ovo, hoje, não contraindica a vacinação com as formulações correntes: pode vacinar-se normalmente, reservando-se precauções acrescidas apenas para história de anafilaxia grave ao ovo, e mesmo nesses casos a vacinação é possível em meio vigiado. Uma doença febril aguda moderada a grave justifica adiar a vacina; uma infeção ligeira não a contraindica. A vacina inativada não causa gripe, um mito frequente: os sintomas ligeiros pós-vacinais (febrícula, mialgia local) traduzem a resposta imune, não infeção.

Profilaxia com antivirais

A vacinação é a estratégia primária; os antivirais em profilaxia têm um papel complementar e seletivo, nunca substituem a vacina. A profilaxia pós-exposição com oseltamivir (ou baloxavir) pode considerar-se em pessoas de alto risco de complicações que tiveram contacto próximo com um caso e que não estão adequadamente protegidas, por exemplo por não estarem vacinadas ou por serem imunodeprimidas com resposta vacinal duvidosa. É também usada no controlo de surtos em instituições fechadas (lares), onde se administra profilaxia a residentes durante o surto, independentemente do estado vacinal, para conter a propagação. Iniciada precocemente após a exposição, reduz o risco de doença. A alternativa preferível na maioria dos contactos saudáveis é a vigilância clínica com tratamento precoce se surgirem sintomas.

Medidas não farmacológicas

Complementam a vacinação e são importantes em surtos e em ambiente hospitalar: etiqueta respiratória (cobrir a tosse/espirro), higiene frequente das mãos, ficar em casa durante a fase sintomática, uso de máscara e precauções de gotícula no doente hospitalizado com suspeita de gripe.

Gripe: antiviral (quem/quando) e vacina 2025-2026 ANTIVIRAL — quem tratar e quando < 48 h do início dos sintomas (janela ótima) Iniciar por suspeita; não atrasar para testar. FÁRMACOS + Oseltamivir (oral) — de escolha + Baloxavir (oral) — dose única TRATAR (mesmo doença ligeira) + Grupos de risco / imunodeprimido + Doença grave ou hospitalizado tratar mesmo > 48 h de evolução + Grávidas (oseltamivir) COMPLICAÇÃO PRINCIPAL Pneumonia bacteriana secundária padrão bifásico (melhora, depois recai) S. pneumoniae · S. aureus (MRSA) VACINA 2025-2026 + Anual, no outono (antes do pico) + Vírus inativado, via IM COMPOSIÇÃO OMS 2025-2026 TRIVALENTE 2 A + 1 B + A (H1N1) + A (H3N2) + B / Victoria B/Yamagata: deixou de circular desde 2020 — excluída da vacina GRATUITA (GRUPOS PRIORITÁRIOS DGS) ≥ 60 anos Crianças 6-23 meses Grávidas (qualquer trimestre) Doença crónica / imunodeprimidos Profissionais de saúde e de lares
Esquema original InovaQB, baseado na recomendação de composição vacinal da OMS 2025-2026 e na Norma DGS 009/2025.

Abordagem terapêutica

O tratamento da gripe organiza-se à volta de uma decisão central: quem tratar com antiviral e quando. No adulto saudável e sem fatores de risco, a gripe é autolimitada e o tratamento é sintomático; nos grupos de risco e na doença grave, o antiviral está indicado e o tempo até ao seu início é determinante. Perceber a janela das 48 horas, mas também as exceções em que se trata para lá dela, é o núcleo examinável.

Tratamento sintomático e de suporte

Aplica-se a todos os doentes. Repouso, hidratação e antipiréticos/analgésicos (paracetamol como primeira linha). Nas crianças e adolescentes deve evitar-se o ácido acetilsalicílico (aspirina) pela associação ao síndrome de Reye. Os antibióticos não têm papel na gripe não complicada, reservam-se para a sobreinfeção bacteriana documentada ou fortemente suspeita, no espírito do uso racional de antimicrobianos.

Antivirais: as duas classes

Estão disponíveis duas famílias com mecanismos distintos, ambas ativas contra influenza A e B:

  • Inibidores da neuraminidase: bloqueiam a neuraminidase e impedem a libertação e propagação dos novos viriões. Incluem o oseltamivir (oral, o mais usado, o de escolha em hospitalizados e na gravidez), o zanamivir (inalado, evitar em doença respiratória obstrutiva pelo risco de broncospasmo) e o peramivir (intravenoso, útil quando a via oral não é possível). São a classe de referência, com a maior experiência clínica.
  • Inibidor da endonuclease dependente de cap: o baloxavir marboxil (oral, dose única), que bloqueia a transcrição viral numa fase mais precoce do ciclo. A toma única é uma vantagem de adesão. Mostrou eficácia pelo menos comparável à do oseltamivir e um possível benefício acrescido no influenza B. Não está recomendado em grávidas nem em amamentação (dados limitados) e a evidência na doença grave/hospitalizado é ainda limitada, pelo que nestes contextos se prefere o oseltamivir.

O benefício dos antivirais no doente ambulatório saudável é modesto (encurta a doença em cerca de um dia) e depende criticamente de começar cedo. O valor clínico maior está na prevenção de complicações e na redução de mortalidade nos grupos de risco e nos doentes graves.

A quem tratar

A decisão de prescrever antiviral segue o risco e a gravidade:

SituaçãoAntiviral?Notas
Adulto saudável, ambulatório, quadro ligeiroOpcionalMaior benefício se iniciado < 48 h; muitos ficam bem só com suporte
Grupo de risco (idoso, grávida, doença crónica, imunodeprimido, obesidade grave, criança pequena)SimTratar mesmo com doença ligeira, o mais precocemente possível
Doença grave, complicada ou progressivaSimIndependentemente do tempo de evolução
HospitalizadoSimTratar mesmo se início dos sintomas > 48 h

A janela das 48 horas (e as suas exceções)

O antiviral é mais eficaz quanto mais cedo se inicia, idealmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas, altura em que a replicação viral é máxima. Nos doentes de baixo risco e ligeiros, passada essa janela o benefício esbate-se e o tratamento deixa em regra de se justificar.

Mas há uma exceção crucial e muito testada: nos doentes hospitalizados, com doença grave ou de curso progressivo, o antiviral deve iniciar-se mesmo que já tenham passado mais de 48 horas, porque nestes casos há replicação viral persistente e o benefício mantém-se. Do mesmo modo, no doente de risco ou grave não se atrasa o início à espera da confirmação laboratorial: trata-se por suspeita clínica fundamentada. O oseltamivir é o antiviral de escolha nos hospitalizados e nos doentes graves.

Sobreinfeção bacteriana

Uma deterioração após melhoria inicial, ou febre que recrudesce com expetoração purulenta e consolidação, sugere pneumonia bacteriana secundária e obriga a antibioterapia dirigida (ver secção de complicações). A cobertura empírica deve contemplar Streptococcus pneumoniae e, sobretudo em doença grave ou pós-gripe, o Staphylococcus aureus, incluindo o MRSA, cuja pneumonia necrosante pós-influenza é particularmente grave.

Referências

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  2. Direção-Geral da Saúde. Orientação n.º 004/2025, de 09/09/2025. Vacinação contra a gripe e a COVID-19: procedimentos e grupos-alvo. Lisboa: DGS; 2025.
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  8. Loscalzo J, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Jameson JL, eds. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21ª ed. New York: McGraw-Hill; 2022. Capítulo Influenza.
  9. Bennett JE, Dolin R, Blaser MJ, eds. Mandell, Douglas, and Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases. 9ª ed. Philadelphia: Elsevier; 2020. Orthomyxoviruses (Influenza).
  10. Grohskopf LA, et al. Prevention and Control of Seasonal Influenza with Vaccines: Recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP), United States, 2024-25 Influenza Season. MMWR Recomm Rep. 2024.

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