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Abordagem ao doente com febre

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 8 perguntas neste tema

Em resumo

Febre é uma subida regulada da temperatura: citocinas libertadas por monócitos e macrófagos em resposta a infeção, inflamação ou lesão fazem o hipotálamo produzir prostaglandina E2, o ponto de referência sobe e o corpo passa a defender ativamente um valor mais alto. Na hipertermia o ponto de referência está normal e a temperatura sobe porque a produção de calor ultrapassa a dissipação, como no golpe de calor, na hipertermia maligna ou na síndrome neuroléptica maligna. A diferença decide a conduta: o antipirético baixa a febre e é inútil na hipertermia, que se trata arrefecendo.

Perante um doente febril, a primeira pergunta é se há tempo para investigar. Sépsis, meningite bacteriana e meningococemia, neutropenia febril, febre no asplénico e malária no viajante tratam-se antes de haver diagnóstico. Afastado o risco imediato, é a história de exposições e o estado imunitário que orientam, e os exames pedem-se para confirmar hipóteses. A ausência de febre não exclui infeção grave no idoso, no urémico, no cirrótico ou sob corticoides.

A febre de origem indeterminada é a febre de 38,3 °C ou mais, repetida, durante pelo menos três semanas, num doente imunocompetente que ficou sem diagnóstico depois de um conjunto mínimo de exames. As causas dividem-se em infeções, doenças inflamatórias não infeciosas, neoplasias, causas diversas e casos sem diagnóstico, que hoje são muitas vezes a maior fatia e têm, em regra, bom prognóstico. A tomografia por emissão de positrões com fluorodesoxiglicose entra cedo quando não há pistas, e o tratamento empírico fica reservado para quem está demasiado doente para esperar.

O antipirético trata o desconforto e protege quem tolera mal a taquicardia; no adulto, o paracetamol faz-se até 4 g por dia. Num doente estável em investigação, baixar sistematicamente a febre apaga um sinal que se quer seguir.

Temperatura normal e febre

  • A temperatura central normal ronda os 37 °C, com oscilação diária de cerca de 0,4 °C para cada lado; o máximo é ao fim da tarde e o ritmo mantém-se durante a febre. A média medida hoje é mais baixa, perto de 36,7 °C.
  • A temperatura retal é a que melhor reflete a central: é cerca de 0,4 °C mais alta do que a oral e 0,8 °C mais alta do que a axilar.
  • A definição de febre mais usada é uma temperatura central de 38,3 °C ou mais, herdada dos estudos da febre de origem indeterminada. O valor de 38,0 °C é tido como o limite superior do normal e é o limiar de várias definições operacionais, como a da neutropenia febril.
  • Hiperpirexia é a febre acima de 41,5 °C. Vê-se em infeções graves, mas a causa mais frequente é a hemorragia do sistema nervoso central.

Como se produz a febre

  • Pirogénios exógenos (componentes e toxinas de microrganismos, produtos de lesão tecidular) ativam monócitos e macrófagos.
  • Estes libertam pirogénios endógenos: interleucina-1, interleucina-6 e fator de necrose tumoral.
  • As citocinas atuam no órgão vasculoso da lâmina terminal, uma zona do hipotálamo anterior sem barreira hematoencefálica, e induzem a produção de prostaglandina E2 na área pré-ótica, que eleva o ponto de referência.
  • O corpo passa a sentir frio em relação ao novo alvo: vasoconstrição periférica, com mãos e pés frios, que por si só sobe a temperatura central 1 a 2 °C, e depois tremor e calafrios. Quando o ponto de referência desce, surgem vasodilatação e sudorese.
  • A prostaglandina E2 produzida nos tecidos periféricos explica as mialgias e as artralgias que acompanham a febre.
  • Os antipiréticos (paracetamol, ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroides) bloqueiam a síntese de prostaglandinas e baixam a temperatura.

O que a febre faz ao doente

  • Tem valor defensivo: efeito antimicrobiano direto em algumas infeções e reforço da resposta imunitária humoral e celular. Em idosos com pneumonia, a mortalidade foi de 29% nos que não fizeram febre contra 4% nos que a fizeram.
  • Tem custo: a frequência cardíaca sobe 15 a 20 batimentos por minuto por cada grau. O aumento de trabalho cardíaco pode precipitar insuficiência cardíaca ou enfarte em doentes com cardiopatia, e a febre pode causar desorientação no idoso e em quem tem doença cerebral.
  • Bradicardia relativa é um pulso mais lento do que o esperado para a temperatura. É pouco sensível e pouco específica, mas é uma pista barata.
Causas de bradicardia relativaExemplos
Bactérias intracelularesfebre tifoide, brucelose, febre Q, leptospirose, legionelose, Mycoplasma pneumoniae
Transmitidas por carraçasrickettsioses, babesiose
Outras infeçõesmalária, dengue, febre amarela
Não infeciosasfebre medicamentosa, bloqueadores beta, lesões do sistema nervoso central, linfoma, febre factícia

Hipertermia

Na hipertermia o ponto de referência não mudou: a temperatura sobe porque se produz calor a mais ou porque não se consegue perdê-lo. Pode passar os 41 °C, não responde a antipiréticos e pode matar depressa.

  • Golpe de calor: temperatura central acima de 40 °C, sintomas neurológicos (confusão, convulsões, coma) e exposição a calor ambiental (forma clássica) ou esforço intenso (forma de esforço). A mortalidade ronda os 10% e aproxima-se de um terço quando há hipotensão.
  • Hipertermia maligna: reação hereditária a anestésicos voláteis ou à succinilcolina.
  • Síndrome neuroléptica maligna: rigidez muscular, hipertermia, alteração do estado mental e instabilidade autonómica sob antipsicóticos, ou ao suspender bruscamente fármacos dopaminérgicos.
  • Síndrome serotoninérgica: confusão, hipertermia, taquicardia, tremor, rigidez e sobretudo mioclonias, com dois fármacos serotoninérgicos em associação ou, em pessoas sensíveis, com um só.
  • Tóxicos: simpaticomiméticos, ecstasy e anfetaminas, anticolinérgicos e salicilatos.
  • Incapacidade de perder calor em doentes com lesão medular ou dermatoses extensas.
FebreHipertermia
Ponto de referênciaelevadonormal
Mecanismocitocinas e prostaglandina E2produção de calor acima da dissipação
Temperaturasubida reguladapode passar os 41 °C
Antipiréticoeficazineficaz
Tratamentoa causa, e antipirético se útilarrefecimento ativo e agente específico
Febre e hipertermia A distinção que muda a conduta Febre Hipertermia Ponto de referência Elevado (subida regulada) Normal (subida não regulada) Mecanismo Citocinas e prostaglandina E2 Produção de calor acimada dissipação Antipiréticos Eficazes Ineficazes Exemplos etratamento Infeção, inflamação, neoplasia.Tratar a causa; antipirético se útil. Golpe de calor, hipertermia maligna,síndrome neuroléptica maligna. Na hipertermia: arrefecimento ativo e, quando existe, o agente específico (dantroleno na hipertermia maligna).
Esquema InovaQB.

Primeiro, a gravidade

  • A impressão geral conta: agitação ou ansiedade num doente febril pode anunciar doença crítica.
  • Sinais vitais completos, com saturação de oxigénio, e avaliação da via aérea quando há infeção orofaríngea.
  • Um doente crítico pode estar hipotérmico, e isso associa-se a falência de órgão e maior mortalidade.

Sinais de alarme

  • Pressão arterial sistólica de 100 mmHg ou menos, frequência respiratória de 22 por minuto ou mais, alteração do estado mental: são os três itens do qSOFA (avaliação sequencial rápida de falência de órgão); dois ou mais anunciam mau prognóstico.
  • Hipoxemia, oligúria, má perfusão periférica, lactato elevado.
  • Petéquias ou púrpura, eritrodermia, rigidez da nuca, défice neurológico focal.
  • Dor, edema ou alteração da cor de partes moles desproporcionadas.
  • Contextos: neutropenia, asplenia, transplante e imunossupressão, infeção por VIH avançada, viagem a área de malária, idade avançada, cirrose, alcoolismo, diabetes, drogas endovenosas.

História

EixoO que perguntar
Início e evoluçãoduração, ritmo, calafrios, antipiréticos tomados e a que horas
Sintomas localizadoresrevisão por aparelhos, sobretudo neurológicos, pele, dor focal
Viagensitinerário, datas, meio rural ou urbano, vacinas e profilaxia da malária
Animais e vetoresanimais de estimação e de quinta, carraças, mosquitos, roedores
Alimentação e águacarne mal cozinhada, leite e queijo não pasteurizados, marisco, água não tratada
Contactospessoas doentes, tuberculose, contactos sexuais
Ocupação e passatemposexposição profissional, jardinagem, água doce
Fármacosinício recente, imunossupressores, quimioterapia, antibióticos, drogas
Dispositivos e cirurgiacateteres, próteses, drenos, cirurgia recente
Estado imunitárioneutropenia, VIH, transplante, esplenectomia, doença de base

Exame objetivo

  • Pele inteira, à frente e atrás: petéquias, escara de inoculação, eritrodermia, hemorragias subungueais, nódulos de Osler, lesões de Janeway, úlceras de pressão.
  • Mucosas e conjuntivas (petéquias da meningococemia e da endocardite).
  • Gânglios de todas as regiões: gânglios epitrocleares palpáveis são sempre patológicos.
  • Sopros cardíacos, fígado e baço, articulações.
  • Sinais meníngeos, estado mental, pares cranianos, défices focais.
  • Cateteres, drenos e feridas.
  • Repetir o exame: os sinais localizadores aparecem muitas vezes mais tarde.

O padrão da febre

  • Vale pouco, sobretudo sob antipiréticos.
  • Oscilações amplas da temperatura sugerem abcesso.
  • Febre alta com calafrios separada por 1 a 3 dias sem febre, depois de estadia em área endémica, sugere malária.

Febre aguda

  • Adulto saudável com quadro viral e sem sinais de alarme: muitas vezes nenhum exame.
  • Suspeita de infeção bacteriana: hemograma com fórmula e plaquetas, bioquímica com função renal e hepática, proteína C reativa, lactato, urina, hemoculturas e radiografia de tórax. Esfregaço de sangue em quem esteve em área de malária.
  • Hemoculturas antes do antibiótico, sem que isso o atrase; três séries se há suspeita de endocardite aguda.
  • Suspeita de meningite: punção lombar antes do antibiótico. Com défice focal, depressão da consciência ou edema papilar, colhem-se hemoculturas, dá-se o antibiótico e só depois se faz a tomografia, seguida da punção lombar se for segura.
  • Suspeita de abcesso: tomografia ou ressonância imediata, a pensar na drenagem.

Interpretação

  • Neutrofilia com formas jovens aponta para bactérias, linfocitose para vírus, eosinofilia para parasitas; muitas viroses dão leucopenia.
  • A proteína C reativa muda em horas e pode seguir-se dia a dia; a velocidade de sedimentação muda devagar e não vale a pena repeti-la mais do que uma vez por semana. Uma velocidade de sedimentação acima de 100 mm/h tem valor preditivo de 90% para doença grave subjacente.
  • A procalcitonina é um adjuvante: não decide sozinha.

Febre de origem indeterminada

Definição atual: febre de 38,3 °C ou mais em várias ocasiões, durante pelo menos três semanas, num doente imunocompetente, sem explicação depois de um conjunto mínimo de exames. O conjunto mínimo substituiu o critério de tempo das definições antigas. Baixar o limiar para 38,0 °C foi proposto e não reuniu consenso.

Investigação mínima obrigatória

  • Hemograma com fórmula, bioquímica com cálcio e provas hepáticas, velocidade de sedimentação, proteína C reativa, ferritina, tirotropina, fator reumatoide, anticorpos antinucleares e anticorpos anticitoplasma dos neutrófilos.
  • Serologia do VIH, urina com sedimento, prova tuberculínica ou teste de libertação de interferão gama, três séries de hemoculturas.
  • Imagem: ecografia abdominal e radiografia de tórax, ou, de preferência, tomografia computorizada de tórax, abdómen e pélvis.

Classificação clássica, de 1991, ainda usada para o contexto:

TipoCritério
Clássicamais de 38,3 °C em várias ocasiões, mais de 3 semanas, sem diagnóstico após 3 consultas, 3 dias de internamento ou 1 semana de investigação invasiva em ambulatório
Nosocomialmais de 38,3 °C em várias ocasiões num internado em cuidados agudos, sem infeção presente ou em incubação à entrada; 3 dias de investigação, com pelo menos 2 dias de incubação das culturas
Neutropénicamais de 38,3 °C em várias ocasiões com neutrófilos abaixo de 500/µL ou com descida prevista para esse valor em 1 a 2 dias
Associada ao VIHmais de 38,3 °C em várias ocasiões durante mais de 4 semanas em ambulatório, ou mais de 3 dias internado

Confirmar que há febre: numa série de 347 doentes enviados por febre prolongada, até 35% não tinham febre significativa ou tinham febre factícia. Desconfiar quando falta variação diurna, não há taquicardia, a temperatura oral e a retal simultâneas não batem certo, ou a defervescência é súbita.

Causas, em cinco grupos:

GrupoExemplos
Infeçõesabcessos abdominais e pélvicos, endocardite, tuberculose, infeção urinária complicada, doença das vias biliares, osteomielite, citomegalovírus, VIH, brucelose
Inflamatórias não infeciosasno jovem, doença de Still do adulto e lúpus; no idoso, arterite de células gigantes e polimialgia reumática; sarcoidose
Neoplasiaslinfoma, leucemia, carcinoma de células renais, carcinoma hepatocelular, metástases
Diversastromboembolismo venoso, febre medicamentosa, hipertiroidismo, febres periódicas
Sem diagnósticonuma série holandesa, 51%; infeção 16%, inflamatórias 22%, neoplasia 7%, diversas 4%

Sequência

  • Reler a história e repetir o exame à procura de pistas: são elas que escolhem o exame seguinte. Pedir tudo às cegas gera falsos positivos, custos e atrasos.
  • Sem pistas, a tomografia por emissão de positrões com fluorodesoxiglicose é um exame precoce depois da investigação mínima. Quando é negativa, a remissão espontânea é mais provável.
  • Ecocardiograma se há sopro e suspeita de endocardite com culturas negativas ou de mixoma.
  • Biópsias (gânglio, medula óssea, artéria temporal) quando há suspeita dirigida; a biópsia da artéria temporal considera-se a partir dos 55 anos.

Febre no imunodeprimido e neutropenia febril

  • Os sinais inflamatórios estão atenuados: pneumonia sem infiltrado, infeção urinária sem piúria, abdómen sem dor sob corticoides. A febre pode ser o único sinal.
  • Neutropenia febril: temperatura oral acima de 38,3 °C, ou duas leituras acima de 38,0 °C ao longo de 2 horas, com neutrófilos abaixo de 500/µL ou com descida prevista para esse valor. As orientações americanas usam 38,3 °C numa medição ou 38,0 °C mantidos durante 1 hora. É uma emergência: hemoculturas, incluindo de cada lúmen do cateter central, e antibiótico na primeira hora, sem esperar por foco. O tratamento e a estratificação de risco estão em febre e infeção no doente imunodeprimido.
  • Com défice da imunidade celular a febre prolongada deve-se muitas vezes a fungos e citomegalovírus, e não a bactérias piogénicas.
  • Infeção por VIH, pela contagem de linfócitos T CD4:
CD4Infeção a considerar e profilaxia primária
Abaixo de 200/µLPneumocystis jirovecii; profilaxia também com candidíase orofaríngea
Abaixo de 100/µL, com IgG anti-Toxoplasma positivatoxoplasmose cerebral
Abaixo de 50/µLcomplexo Mycobacterium avium, se a terapêutica antirretroviral não começar logo; citomegalovírus

Febre no viajante

  • Excluir malária primeiro em qualquer doente febril que tenha estado em área de malária: a malária por Plasmodium falciparum mata se não for tratada a tempo.
  • Gota espessa e esfregaço, que dão a espécie e a parasitemia. Se forem negativos, repetir de 12 em 12 ou de 24 em 24 horas até três séries antes de excluir. O teste rápido de antigénio confirma-se sempre por microscopia.
  • As causas mais frequentes continuam a ser as comuns, como infeções respiratórias e urinárias; entre as importadas, dengue, febre tifoide e abcesso hepático amebiano.
PistaPensar em
Exantemadengue, chikungunya, rickettsioses, febre entérica, VIH agudo, sarampo, esquistossomose aguda
Leucócitos normais ou baixosdengue, malária, rickettsioses, febre entérica, chikungunya
Hemorragiadengue e outras febres hemorrágicas, meningococemia, leptospirose, rickettsioses
Eosinofiliaesquistossomose aguda, reação a fármacos, outras parasitoses
Alteração do estado mentalmalária cerebral, meningoencefalite
Início mais de 6 semanas após a viagemmalária por Plasmodium vivax, hepatite aguda B, C ou E, tuberculose, abcesso hepático amebiano

O diagnóstico diferencial por destino e incubação está em doenças associadas ao viajante e o da malária em zoonoses e infeções transmitidas por artrópodes.

Doente grave: tratar sem esperar pelo diagnóstico

  • Choque sético possível ou sépsis provável: antibiótico imediato, idealmente na primeira hora. Sépsis possível sem choque: investigação rápida e antibiótico nas primeiras 3 horas se a suspeita se mantiver.
  • Hipoperfusão ou choque: pelo menos 30 mL/kg de cristaloide nas primeiras 3 horas, noradrenalina como primeiro vasopressor, alvo de pressão arterial média de 65 mmHg, lactato para guiar a reanimação.
  • Controlo do foco: drenar o abcesso, retirar o cateter infetado, desbridar. Na fasceíte necrotizante, a cirurgia precede tudo o resto.
  • Meningite bacteriana: dexametasona antes ou com a primeira dose de antibiótico.
  • Meningococemia: ceftriaxona 2 g de 12 em 12 horas.
  • Asplénico com febre: ceftriaxona 2 g de 12 em 12 horas com vancomicina 15 mg/kg de 12 em 12 horas, pelo risco de sépsis fulminante por pneumococo, Haemophilus influenzae e meningococo.
  • Neutropenia febril: beta-lactâmico com atividade anti-Pseudomonas em monoterapia (cefepima, piperacilina com tazobactam ou um carbapenemo). Índice de risco de 21 ou mais no score da associação multinacional de cuidados de suporte no cancro identifica o baixo risco, candidato a ciprofloxacina com amoxicilina e ácido clavulânico por via oral. A vancomicina não se junta por rotina, e o antifúngico empírico considera-se se a febre persistir 4 a 7 dias.

A sépsis tem tratamento detalhado em sépsis e choque sético.

Doente estável

  • Tratar a causa. Numa virose autolimitada, a atitude é sintomática e de vigilância.
  • Na febre de origem indeterminada, não dar antibiótico nem corticoide empíricos ao doente estável e imunocompetente: raramente curam e atrasam o diagnóstico. A prova terapêutica fica para quem falhou todas as abordagens ou está demasiado doente para esperar. O imunodeprimido e o neutropénico são a exceção.
  • Num doente em investigação, o antipirético pode suspender-se para seguir a curva e a resposta ao tratamento.

Antipiréticos no adulto

Quando usar: desconforto, doença cardiopulmonar que tolera mal a taquicardia, doença cerebral ou idoso que fica confuso com a febre.

FármacoDose no adultoCautelas
Paracetamol oral1 g por toma, 2 a 4 vezes por dia, com intervalo de 4 a 8 horas; máximo 4 g por diareduzir a dose ou alargar o intervalo na insuficiência hepática ou renal e na doença de Gilbert
Paracetamol endovenosoacima de 50 kg: 1 g até 4 vezes por dia, intervalo mínimo de 4 horas, máximo 4 g; entre 33 e 50 kg: 15 mg/kg por toma, máximo 60 mg/kg sem passar 3 gmáximo 3 g por dia na insuficiência hepatocelular, alcoolismo crónico, desnutrição e desidratação; intervalo mínimo de 6 horas com depuração da creatinina de 30 mL/min ou menos
Ibuprofeno oral400 mg até 3 vezes por dia, depois das refeições; máximo 1200 mg por dia sem receitacontraindicado com úlcera ativa ou hemorragia digestiva com anti-inflamatórios, insuficiência cardíaca grave, insuficiência renal ou hepática, doença cardiovascular estabelecida, desidratação importante; interage com anticoagulantes, lítio, metotrexato e anti-hipertensores
Metamizolautorizado em Portugal para dor e febreagranulocitose não dependente da dose, em qualquer altura do tratamento ou pouco depois; suspender perante febre, dor de garganta ou úlceras das mucosas
  • O ácido acetilsalicílico não se usa como antipirético em crianças e adolescentes, pelo risco de síndrome de Reye.
  • Febre que dura mais de 3 dias sob automedicação justifica avaliação médica.

Hipertermia

  • Golpe de calor: arrefecer primeiro. Imersão do corpo, do pescoço para baixo, em água fria (1 a 26 °C), até a temperatura central ficar abaixo de 39 °C, idealmente entre 38,5 e 38,0 °C, com o objetivo de lá chegar nos primeiros 30 minutos. Sem temperatura central, manter cerca de 15 minutos ou até os sintomas neurológicos resolverem. Sem imersão, combinar gelo, água pulverizada, ventilação e duche frio. Paracetamol e ácido acetilsalicílico não têm benefício.
  • Hipertermia maligna: suspender o agente desencadeante, dantroleno 2,5 mg/kg endovenoso logo que possível, oxigénio a 100% e arrefecimento ativo.
  • Síndrome neuroléptica maligna: suspender o antipsicótico; dantroleno, benzodiazepina ou agonista dopaminérgico; suporte em cuidados intensivos.
  • Síndrome serotoninérgica: suspender os fármacos serotoninérgicos; benzodiazepinas e ciproheptadina.

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