Suporte transfusional de sangue e hemoderivados
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 13 perguntas neste tema
O suporte transfusional é a administração do componente do sangue que falta: concentrado eritrocitário para a anemia sintomática ou a hemorragia, plaquetas para a trombocitopenia que sangra ou vai sangrar, plasma para a hemorragia por défice de vários fatores e fibrinogénio para a hipofibrinogenemia. O sangue total praticamente deixou de se usar.
A decisão é médica, registada e com consentimento escrito, e segue uma estratégia restritiva: no doente estável transfunde-se abaixo de 7 g/dL de hemoglobina (a norma nacional fala em manter 7 a 8 g/dL), abaixo de 8 g/dL com doença cardiovascular, e uma unidade de cada vez, com reavaliação antes da seguinte. Na anemia crónica só a anemia sintomática é indicação, e primeiro trata-se a causa. As plaquetas têm limiares escalonados de 5 a 100 x 10⁹/L conforme o risco, e estão contraindicadas na púrpura trombocitopénica trombótica, na trombocitopenia induzida pela heparina e na trombocitopenia imune, salvo hemorragia grave. O plasma não repõe volume nem corrige análises sem tradução clínica.
A segurança assenta nas provas pré-transfusionais e na verificação da identidade à cabeceira, porque a reação mais temida, a hemólise aguda por incompatibilidade ABO, resulta quase sempre de erro de identificação. A mais frequente é a febril não hemolítica, e a principal causa de morte é hoje a sobrecarga circulatória, que se distingue da lesão pulmonar aguda pela hipertensão e pela resposta aos diuréticos. Perante qualquer reação, para-se a transfusão, mantém-se o acesso e reverifica-se a identificação.
Na hemorragia maciça ativa-se o protocolo: dois concentrados eritrocitários do grupo O em 15 minutos, depois pacotes de eritrócitos, plasma e plaquetas, fibrinogénio abaixo de 1,5 g/L, ácido tranexâmico nas primeiras 3 horas do trauma e aquecimento de tudo o que entra. O que não se pode falhar é a identificação do doente, a transfusão de plaquetas onde elas agravam a trombose e o diurético dado à lesão pulmonar aguda.
Referências
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 038/2012, de 30/12/2012: Utilização clínica de concentrado eritrocitário no adulto. Lisboa: DGS; 2012.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 010/2012, de 16/12/2012: Utilização clínica de concentrados plaquetários no adulto. Lisboa: DGS; 2012.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 009/2012, de 16/12/2012, atualizada a 02/12/2015: Utilização clínica de plasma no adulto. Lisboa: DGS; 2015.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 011/2013, de 30/07/2013, atualizada a 18/07/2017: Abordagem da transfusão maciça no adulto. Lisboa: DGS; 2017.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 011/2018, de 11/06/2018: Gestão do sangue do doente (patient blood management) em cirurgia eletiva. Lisboa: DGS; 2018.
- Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional de Vacinação 2020, anexo: reação anafilática, diagnóstico, tratamento e equipamento. Lisboa: DGS; 2020.
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13 perguntas sobre Suporte transfusional de sangue e hemoderivados
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