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Mieloma e distúrbios de plasmócitos

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 13 perguntas neste tema

Em resumo

As doenças de plasmócitos nascem de um único clone de plasmócitos que segrega uma imunoglobulina monoclonal, inteira ou só com cadeias leves: o componente M, ou paraproteína. Formam um espetro contínuo. Numa ponta está a gamapatia monoclonal de significado indeterminado, comum no idoso, silenciosa e apenas vigiada; no meio, o mieloma indolente, com mais carga de doença mas ainda sem lesão de órgão; na outra ponta, o mieloma múltiplo ativo. O que separa vigiar de tratar é um evento definidor de mieloma: lesão de órgão atribuível ao clone (os critérios CRAB) ou um dos três biomarcadores que anunciam essa lesão (SLiM).

O mieloma ativo atinge sobretudo pessoas perto dos 70 anos e tudo o que causa vem do clone e da paraproteína: dor óssea e lesões líticas, anemia, insuficiência renal por cilindros de cadeias leves, hipercalcemia e infeções bacterianas por hipogamaglobulinemia. Confirma-se com eletroforese e imunofixação no soro e na urina, doseamento de cadeias leves livres, estudo da medula com citogenética e imagem de corpo inteiro; o prognóstico estima-se pela segunda revisão do sistema internacional de estadiamento (R2-ISS) e pela definição genómica de alto risco de 2025.

O tratamento combina um anticorpo anti-CD38, um inibidor do proteassoma, um imunomodulador e a dexametasona, com transplante autólogo e manutenção nos candidatos. Na recaída entram as terapêuticas que redirecionam as células T contra o antigénio de maturação das células B ou contra o recetor GPRC5D. O suporte (antirreabsortivo, prevenção de infeções e de trombose, proteção do rim) faz parte do tratamento e não é acessório.

Da mesma família fazem parte o plasmocitoma solitário, que se trata com radioterapia; a amiloidose AL, em que as cadeias leves se depositam como amiloide no rim, no coração e nos nervos; a macroglobulinemia de Waldenström, um linfoma com IgM monoclonal que dá hiperviscosidade e não dá lesões líticas; e a síndrome POEMS, com polineuropatia e lesões ósseas escleróticas.

O que não se pode falhar: dor dorsal com défice neurológico num doente com mieloma é compressão medular; hiperviscosidade sintomática trata-se com plasmaférese; a creatinina alta ao diagnóstico manda tratar depressa; e o bisfosfonato só entra depois de o doente estar hidratado.

Referências

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