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Leucemias

Matriz PNA:MD · MecanismosD · Diagnóstico

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 17 perguntas neste tema

Em resumo

As leucemias são neoplasias clonais das células progenitoras da medula óssea que invadem o sangue. Organizam-se por dois eixos: a linhagem, mieloide ou linfoide, e a cinética. Nas agudas acumulam-se blastos que não amadurecem e a medula falha em semanas; nas crónicas o clone produz células maduras, o curso é de anos e o diagnóstico nasce muitas vezes de um hemograma pedido por outro motivo.

A idade orienta a suspeita. A leucemia linfoblástica aguda é o cancro mais frequente da criança; no adulto, a grande maioria das leucemias agudas é mieloide, com mediana de idade perto dos 67 anos. A leucemia mieloide crónica atinge o adulto de meia-idade e a leucemia linfocítica crónica é a leucemia mais comum do adulto nos países ocidentais, uma doença do idoso.

As agudas apresentam-se com anemia, infeções e hemorragia, e os leucócitos podem estar altos, normais ou baixos: quem mostra os blastos é o esfregaço. O diagnóstico faz-se no mielograma, com citometria de fluxo, citogenética e biologia molecular, porque a classificação da Organização Mundial da Saúde de 2022 define muitas entidades pela alteração genética, e é essa alteração que escolhe o tratamento.

A leucemia promielocítica aguda é a emergência deste grupo: a coagulação intravascular disseminada mata nos primeiros dias, e o ácido all-trans-retinoico começa à suspeita, antes da confirmação genética. As outras mieloides agudas tratam-se com quimioterapia de indução e transplante alogénico conforme o risco genético, ou com venetoclax e um agente hipometilante no doente que não tolera quimioterapia intensiva. A linfoblástica aguda pede quimioterapia prolongada com profilaxia do sistema nervoso central, e inibidor da tirosina-cinase quando é Filadélfia-positiva.

Na leucemia mieloide crónica, a fusão BCR::ABL1 é o alvo direto dos inibidores da tirosina-cinase, e a esperança de vida aproxima-se da população geral; o tratamento vigia-se pelo transcrito no sangue. Na leucemia linfocítica crónica trata-se a doença ativa e não o número de linfócitos, e antes de tratar pesquisa-se a deleção 17p e a mutação de TP53, que afastam a quimioimunoterapia.

O que não se pode falhar: tomar leucócitos normais como exclusão de leucemia aguda, esperar pela genética para dar ácido retinoico, transfundir eritrócitos a um doente em leucostase, tratar uma leucemia linfocítica crónica assintomática só pela linfocitose, e atrasar o antibiótico na neutropenia febril.

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