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Distúrbios das plaquetas e da parede vascular

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 22 perguntas neste tema

Em resumo

A hemostase primária forma o rolhão de plaquetas sobre a parede lesada, com o fator de von Willebrand a fazer a ponte. Quando falha, seja por poucas plaquetas, por plaquetas que não funcionam, por falta de fator de von Willebrand ou por uma parede frágil, a hemorragia é da pele e das mucosas e começa logo após o trauma: petéquias, equimoses, epistaxes, gengivorragia, menorragia. É o contrário da coagulopatia, que sangra em profundidade e mais tarde.

Perante uma contagem baixa, o primeiro passo é confirmar no esfregaço que não se trata de aglutinação pelo EDTA, e o segundo é ler o próprio esfregaço: esquizócitos apontam para microangiopatia trombótica, outras citopenias ou blastos para a medula, e uma trombocitopenia isolada num doente bem para trombocitopenia imune, fármaco ou infeção. Os fármacos são a causa mais frequente.

Quatro trombocitopenias não se podem falhar. A trombocitopenia imune é de exclusão e trata-se pela hemorragia e pelo risco, com corticoide abaixo de 30 x 10⁹/L no adulto. A púrpura trombocitopénica trombótica, por défice grave da ADAMTS13, trata-se com plasmaférese, corticoide, rituximab e caplacizumab antes de haver resultado. O síndrome hemolítico-urémico típico, da criança com diarreia por Escherichia coli produtora de toxina Shiga, trata-se com suporte e sem antibiótico. A trombocitopenia induzida pela heparina não sangra, trombosa: suspende-se toda a heparina e anticoagula-se com outro fármaco. Nas duas microangiopatias e na trombocitopenia da heparina, as plaquetas transfundidas alimentam a trombose.

Com contagem normal, a hemorragia de tipo plaquetar é quase sempre um fármaco (o ácido acetilsalicílico inibe a plaqueta por toda a vida dela), a urémia ou a doença de von Willebrand, a doença hemorrágica hereditária mais frequente, que se diagnostica pelo antigénio, pela atividade e pelo fator VIII e se trata com desmopressina no tipo 1. As púrpuras vasculares têm plaquetas e coagulação normais e diagnosticam-se pela clínica: a vasculite por IgA, o escorbuto, a púrpura senil, o Ehlers-Danlos e a telangiectasia hemorrágica hereditária. A trombocitose é quase sempre reativa; a trombocitemia essencial fica para quando não há causa e há uma mutação clonal.

Referências

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