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Amiloidose

Matriz PNA:MD · MecanismosD · Diagnóstico

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema

Em resumo

A amiloidose é um grupo de doenças em que uma proteína perde a sua conformação normal, se agrega em fibrilhas insolúveis em folha beta-pregueada e se deposita no espaço extracelular dos tecidos, alterando a função dos órgãos. Todas partilham a mesma assinatura histológica, a coloração pelo vermelho do Congo com birrefringência verde-maçã em luz polarizada, e classificam-se pela proteína precursora, não pelo órgão atingido.

Três formas sistémicas dominam a prática. A AL nasce de um clone de plasmócitos que produz uma cadeia leve instável, é rapidamente progressiva e atinge sobretudo o rim e o coração. A ATTR deposita transtirretina: na forma hereditária, uma variante do gene TTR causa polineuropatia com disautonomia e miocardiopatia, e em Portugal a variante Val30Met é a causa da paramiloidose que Corino de Andrade descreveu na Póvoa de Varzim; na forma de tipo selvagem, a proteína normal deposita-se com a idade no coração de homens idosos, e é hoje considerada a forma mais frequente de amiloidose cardíaca. A AA complica a inflamação crónica mantida e atinge primeiro o rim.

Suspeita-se perante síndrome nefrótico, insuficiência cardíaca com paredes espessas e fração de ejeção preservada, polineuropatia de pequenas fibras com disautonomia, túnel cárpico bilateral, macroglossia ou equimoses periorbitárias. O diagnóstico segue três passos: demonstrar amiloide numa biópsia, tipar a proteína e estadiar os órgãos. Na suspeita de amiloidose cardíaca, a cintigrafia óssea com captação de grau 2 ou 3, com a pesquisa de proteína monoclonal negativa no soro e na urina, diagnostica a ATTR sem biópsia.

O tratamento dirige-se ao precursor. Na AL suprime-se o clone, com daratumumab associado a bortezomib, ciclofosfamida e dexametasona em primeira linha e transplante autólogo em doentes selecionados. Na ATTR estabiliza-se o tetrâmero (tafamidis, acoramidis) ou silencia-se a síntese hepática (patisiran, vutrisiran, eplontersen). Na AA controla-se a doença de base. O que não se pode falhar: uma gamopatia monoclonal num doente com amiloide não prova AL, e só a tipagem decide; a AL cardíaca não tratada mata em meses; e na miocardiopatia amiloide a fibrilhação auricular anticoagula-se sempre, seja qual for o risco calculado.

Referências

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11 perguntas sobre Amiloidose

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