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Abordagem ao doente com alterações hematológicas

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 8 perguntas neste tema

Em resumo

O hemograma mede três linhagens, e qualquer alteração se lê com a mesma pergunta: a medula produz pouco, a periferia destrói ou consome, ou o baço retém? Nas citoses a pergunta muda para reativa ou clonal. A esmagadora maioria das alterações que chegam ao médico é reativa, ligeira e explica-se pela história; a minoria que importa é a que esconde uma leucemia, uma microangiopatia, uma neoplasia mieloproliferativa ou uma infiltração da medula.

Antes de investigar confirma-se que a alteração é real, com a pseudotrombocitopenia por EDTA à cabeça, e compara-se com hemogramas antigos: a mesma hemoglobina de 10 g/dL estável há anos ou a descer há semanas são problemas diferentes. O esfregaço de sangue periférico é o exame mais rentável de toda a hematologia, e os reticulócitos dividem a anemia entre a medula que não produz e a periferia que perde ou destrói. Pancitopenia, blastos ou quadro leucoeritroblástico mandam estudar a medula.

O mesmo raciocínio serve para as adenopatias e a esplenomegalia, sinais que na maioria são reativos, e para a hemorragia e a trombose: o padrão da hemorragia (mucocutânea ou profunda) diz se o defeito está nas plaquetas ou nos fatores, e o tempo de protrombina, o tempo de tromboplastina parcial ativada e o fibrinogénio completam a triagem.

O que não se pode falhar: febre com neutrófilos abaixo de 0,5 × 10⁹/L é neutropenia febril, que se trata com hemoculturas e antibiótico de largo espectro na primeira hora; esquizócitos com plaquetas baixas são microangiopatia trombótica até prova em contrário; blastos no esfregaço, sobretudo com hemorragia e fibrinogénio baixo, podem ser leucemia promielocítica, que se trata à suspeita; e na leucostase não se transfundem eritrócitos antes de baixar a contagem.

Referências

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