Genitourinária›Lesão vascular do rimPublicado (Premium)

Lesão vascular do rim

Matriz PNA:MD · MecanismosD · Diagnóstico

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema

Em resumo

O rim recebe 20 a 25% do débito cardíaco e a medula vive no limite da hipoxia, irrigada apenas pelos vasa recta. Por isso qualquer doença dos seus vasos, da artéria renal à veia, acaba em isquemia do parênquima e perda de função. As entidades agrupam-se pelo calibre do vaso atingido, e cada uma tem um contexto que a denuncia.

Nos grandes vasos está a estenose da artéria renal: aterosclerótica, ostial e no idoso com doença vascular noutros territórios, ou por displasia fibromuscular, médio-distal e na mulher jovem. Dá hipertensão renovascular, dependente da renina quando é unilateral e do volume quando é bilateral ou em rim único, e é este segundo cenário que explica o edema pulmonar súbito e a queda da filtração com um IECA. O eco-Doppler rastreia, a angiotomografia confirma e a arteriografia continua a ser a referência. A base do tratamento é médica; a angioplastia sem stent é a escolha na displasia, e o stent na doença aterosclerótica fica para casos selecionados.

Nas arteríolas estão a nefrosclerose hipertensiva, lenta, com rins pequenos e simétricos e proteinúria abaixo de 1 g por dia, e a hipertensão maligna, com necrose fibrinoide e retinopatia com edema da papila. Nos capilares estão as microangiopatias trombóticas, que se reconhecem pela anemia hemolítica com esquizócitos, trombocitopenia e coagulação normal: a púrpura trombocitopénica trombótica por défice grave de ADAMTS13, a síndrome hemolítica e urémica típica por toxina Shiga e a atípica por desregulação do complemento, e a crise renal esclerodérmica.

Três quadros agudos fecham o grupo. A doença ateroembólica surge dias a semanas depois de um cateterismo, com livedo, dedos azuis com pulsos presentes e eosinofilia. O enfarte renal dá dor súbita no flanco e desidrogenase láctica muito alta, em regra num doente com fibrilhação auricular. A trombose da veia renal complica a síndrome nefrótica, sobretudo a nefropatia membranosa.

O que não se pode falhar: a púrpura trombocitopénica trombótica mata mais de 90% dos doentes sem plasmaférese, a crise renal esclerodérmica trata-se com IECA mesmo em diálise, e na estenose bilateral o bloqueio do eixo renina-angiotensina pode precipitar lesão renal aguda.

Referências

  1. McEvoy JW, McCarthy CP, Bruno RM, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension. Eur Heart J. 2024;45(38):3912-4018.
  2. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) CKD Work Group. KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney Int. 2024;105(4S):S117-S314.
  3. Textor SC. Renovascular disease. In: Loscalzo J, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Jameson JL, editores. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw Hill; 2022. cap. 278.
  4. Go RS, Leung N. Vascular injury to the kidney. In: Loscalzo J, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Jameson JL, editores. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw Hill; 2022. cap. 317.
  5. Geara A, Berns JS. Vascular disorders of the kidney. In: Benjamin IJ, Griggs RC, Wing EJ, Fitz JG, editores. Andreoli and Carpenter's Cecil Essentials of Medicine. 10.ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2022. cap. 28.
  6. Agência Europeia do Medicamento. Soliris (eculizumab): resumo das características do medicamento. Amesterdão: EMA; atualizado.

10 perguntas sobre Lesão vascular do rim

Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.

Criar conta e treinar