Lesão renal aguda
Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 22 perguntas neste tema
A lesão renal aguda é a descida abrupta da filtração glomerular, em horas a dias, que retém ureia e creatinina e desregula o volume extracelular, os eletrólitos e o equilíbrio ácido-base. Define-se pelos critérios KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) de 2012, que continuam em vigor: aumento da creatinina de 0,3 mg/dL em 48 horas, aumento para 1,5 vezes o basal em 7 dias, ou débito urinário abaixo de 0,5 mL/kg/h durante 6 horas. Complica 5 a 7% dos internamentos e até 30% das admissões em cuidados intensivos, e mesmo um aumento pequeno da creatinina se associa a mais mortalidade.
Raciocina-se por mecanismo. A pré-renal, a mais frequente, é hipoperfusão de um rim íntegro e reverte quando a perfusão se repõe. A renal intrínseca é sobretudo necrose tubular aguda, por isquemia, sépsis ou nefrotóxicos, e mais raramente nefrite intersticial, glomerulonefrite ou doença vascular. A pós-renal exige obstrução bilateral, ou de um rim único, e é a mais reversível de todas.
Confirma-se a causa com as creatininas prévias, a avaliação da volemia, a revisão da medicação, o sedimento e os índices urinários e a ecografia renovesical. O tratamento é da causa e de suporte: repor volume a quem está depletado, descongestionar quem está congestionado, suspender nefrotóxicos, desobstruir e corrigir a hipercaliemia, a acidose e a sobrecarga. A diálise urgente decide-se por complicações refratárias, e não por um valor de ureia.
Algumas situações têm regras próprias: a síndrome hepatorrenal, que se trata com terlipressina e albumina; a síndrome cardiorrenal, em que uma subida modesta da creatinina durante a descongestão se tolera; a rabdomiólise e a lise tumoral, que pedem volume cedo; e o contraste iodado, cuja prevenção é a hidratação isotónica. O que não se pode falhar é a obstrução por excluir, a hipercaliemia com alterações no eletrocardiograma e o doente congestionado a quem se dá mais volume. Mesmo com recuperação completa, o episódio aumenta o risco de doença renal crónica.
Critérios KDIGO 2012
Basta um:
- aumento da creatinina sérica de 0,3 mg/dL ou mais em 48 horas;
- aumento para 1,5 vezes o basal ou mais, conhecido ou presumido, nos 7 dias anteriores;
- débito urinário abaixo de 0,5 mL/kg/h durante 6 horas.
Estádios
| estádio | creatinina | débito urinário |
|---|---|---|
| 1 | 1,5 a 1,9 vezes o basal, ou aumento de 0,3 mg/dL ou mais | abaixo de 0,5 mL/kg/h durante 6 a 12 horas |
| 2 | 2,0 a 2,9 vezes o basal | abaixo de 0,5 mL/kg/h durante 12 horas ou mais |
| 3 | 3,0 vezes o basal; ou creatinina de 4,0 mg/dL ou mais; ou início de substituição da função renal; ou, abaixo dos 18 anos, taxa de filtração glomerular estimada abaixo de 35 mL/min/1,73 m² | abaixo de 0,3 mL/kg/h durante 24 horas ou mais, ou anúria durante 12 horas ou mais |
- Atribui-se o estádio mais alto que qualquer dos dois critérios der.
- A creatinina atrasa-se em relação à filtração: enquanto sobe, as equações de filtração estimada sobrestimam a função real.
- A KDIGO pôs em revisão pública, em 2026, uma atualização que acrescenta a cistatina C e os biomarcadores de lesão tubular aos critérios. Até ser publicada, os critérios em uso são os de 2012, que a atualização mantém no essencial.
Doença renal aguda
- Designa a alteração da função ou da estrutura renal que dura entre os 7 e os 90 dias, entre o episódio agudo e a doença renal crónica, que só se define acima dos 3 meses.
- Serve para não perder de vista o doente que saiu do hospital sem ter recuperado.
Débito urinário
| termo | débito |
|---|---|
| Oligúria | abaixo de 400 mL/dia |
| Oligoanúria | abaixo de 100 mL/dia |
| Anúria | abaixo de 50 mL/dia |
Epidemiologia
- Complica 5 a 7% dos internamentos e até 30% das admissões em cuidados intensivos; atinge mais de metade dos doentes com sépsis grave.
- Um aumento da creatinina de apenas 0,3 mg/dL no doente internado associa-se a cerca de quatro vezes mais mortalidade hospitalar.
- Na comunidade, a causa é pré-renal em cerca de 70%, obstrutiva em 17% e intrínseca em 11%. Quase metade dos casos é lesão aguda sobre doença renal crónica.
- No hospital, a necrose tubular aguda é mais de 80% da lesão intrínseca.
Pré-renal
- Hipoperfusão com rim íntegro: a lesão reverte logo que a perfusão e a hemodinâmica glomerular se repõem.
- A filtração defende-se por vasodilatação da arteríola aferente (prostaglandinas, reflexo miogénico, retroação tubuloglomerular) e vasoconstrição da eferente pela angiotensina II. A autorregulação costuma falhar abaixo de 80 mmHg de pressão sistólica, e mais cedo no idoso, no hipertenso e na doença renal crónica.
- Os anti-inflamatórios não esteroides (AINE) tiram a vasodilatação aferente; os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) e os antagonistas dos recetores da angiotensina (ARA) tiram a vasoconstrição eferente. A associação dos dois é de risco particular, e um diurético num doente depletado soma-lhe a hipovolemia.
- Causas: hipovolemia (hemorragia, vómitos, diarreia, queimaduras, diuréticos, glicosúria), baixo débito cardíaco, vasodilatação da sépsis e da anafilaxia, cirrose e insuficiência cardíaca.
- Se a hipoperfusão se prolonga, passa a necrose tubular isquémica: são dois pontos do mesmo contínuo.
Renal intrínseca
| compartimento | causas |
|---|---|
| Túbulo (necrose tubular aguda) | isquemia (choque, cirurgia cardíaca e vascular), sépsis; nefrotóxicos exógenos (aminoglicosídeos, anfotericina B, contraste iodado, cisplatina, vancomicina, tenofovir, zoledronato) e endógenos (mioglobina, hemoglobina, cadeias leves); cristais (ácido úrico, aciclovir, metotrexato, etilenoglicol) |
| Interstício (nefrite intersticial aguda) | beta-lactâmicos, inibidores da bomba de protões, AINE, rifampicina, sulfonamidas, quinolonas, alopurinol, inibidores dos checkpoints imunitários; infeções (Legionella, leptospirose); sarcoidose, síndrome de Sjögren |
| Glomérulo | glomerulonefrite rapidamente progressiva (imunocomplexos, pauci-imune com ANCA, anticorpos antimembrana basal glomerular); microangiopatia trombótica |
| Vasos | ateroembolismo de colesterol; inibidores da calcineurina; trombose, embolia ou disseção da artéria renal; trombose da veia renal; crise renal esclerodérmica; hipertensão maligna |
- A glomerulonefrite é só cerca de 5% das lesões renais agudas, mas é das que mais ganham com tratamento precoce.
- A medula externa é das regiões mais hipóxicas do corpo, e o segmento S3 do túbulo proximal, de metabolismo oxidativo intenso, é o primeiro a sofrer.
- A filtração cai por vasoconstrição pré-glomerular persistente, por obstrução dos túbulos com células descamadas e por retrofiltração do filtrado através do epitélio desnudado.
- Aminoglicosídeos: a lesão surge ao fim de 5 a 7 dias, é não oligúrica em 10 a 30% dos tratamentos, mesmo com níveis terapêuticos, e acompanha-se de hipomagnesemia.
- A vancomicina associada a piperacilina-tazobactam aumenta o risco face à vancomicina isolada.
- A mioglobina e a hemoglobina precipitam com a uromodulina (proteína de Tamm-Horsfall), sobretudo em urina ácida.
Pós-renal
- Só dá lesão relevante quando a obstrução é bilateral, ou unilateral num rim único funcionante ou com o outro rim doente.
- Causas baixas: hiperplasia ou carcinoma da próstata, bexiga neurogénica, anticolinérgicos, algália obstruída, coágulos, estenose uretral. Causas altas: litíase, coágulos, necrose papilar, neoplasia, fibrose retroperitoneal, lesão cirúrgica.
- O aumento súbito da pressão intratubular anula o gradiente de filtração e, depois de uma fase de hiperemia, provoca vasoconstrição intrarrenal.
- Muitas vezes é assintomática e descobre-se por uma creatinina alterada.
- O exame começa pela volemia: ortostatismo, taquicardia, jugulares colapsadas e mucosas secas apontam para depleção; edema, fervores e galope em S3 para congestão; ascite e asterixe para cirrose. Edema periférico e pressão arterial baixa podem coexistir.
Pistas da causa
| achado | pensar em |
|---|---|
| Púrpura palpável, hemorragia pulmonar, sinusite | vasculite com glomerulonefrite |
| Febre, exantema, artralgias, fármaco recente | nefrite intersticial |
| Livedo reticular, isquemia digital, cateterismo ou anticoagulação recentes | ateroembolismo de colesterol |
| Cólica lombar irradiada à virilha | obstrução ureteral |
| Hesitação, noctúria, globo vesical | obstrução prostática |
| Esmagamento, imobilização, convulsões, isquemia de membro | rabdomiólise |
| Urina vermelha ou castanha com sobrenadante corado após centrifugação | pigmentos (mioglobina ou hemoglobina) |
| Abdómen tenso depois de reanimação volumosa | síndrome compartimental abdominal, com pressão intra-abdominal acima de 20 mmHg |
| Gravidez ou pós-parto | pré-eclâmpsia, microangiopatia trombótica |
O débito urinário
- A oligúria indica lesão mais grave e pior prognóstico.
- A anúria completa tem um diferencial curto: obstrução completa, oclusão arterial renal, choque séptico grave, isquemia grave com necrose cortical, glomerulonefrite proliferativa grave.
- Um débito muito variável de dia para dia sugere obstrução parcial.
É aguda?
- Procurar creatininas prévias é o primeiro gesto e resolve a maioria dos casos.
- Sugerem doença crónica: rins pequenos com córtex fino na ecografia, anemia normocítica sem perdas, hiperparatiroidismo secundário com hiperfosfatemia e hipocalcemia. A nefropatia diabética e a infiltrativa mantêm rins de tamanho normal.
- Rins aumentados numa lesão aguda sugerem nefrite intersticial ou infiltração.
- Nenhum exame exclui lesão aguda sobre doença crónica; uma creatinina que continua a subir em análises seriadas é prova de lesão aguda.
Sequência
- Processo clínico: creatininas prévias, hipotensão, contraste, cirurgia, fármacos, incluindo os de venda livre e os produtos naturais.
- Exame físico, com a volemia.
- Tira-teste e sedimento urinário.
- Índices urinários.
- Algaliação e resíduo pós-miccional se houver suspeita de obstrução do colo vesical.
- Prova de volume se a causa provável for pré-renal.
- Ecografia renovesical.
- Biópsia renal, quando o resto não explica.
Laboratório
- Ureia, creatinina, ionograma, gasometria, cálcio, fósforo, ácido úrico e hemograma; creatina-cinase se houver suspeita de rabdomiólise; desidrogenase láctica e haptoglobina se houver anemia.
- Anemia microangiopática e trombocitopenia orientam para microangiopatia trombótica ou coagulação intravascular disseminada.
- Padrão glomerular ou vascular: anticorpos antinucleares, anti-DNA de dupla cadeia, ANCA, antimembrana basal glomerular, complemento, crioglobulinas, serologias das hepatites B e C, hemoculturas.
- Suspeita de mieloma: eletroforese e imunofixação do soro e da urina e cadeias leves livres séricas. O hiato aniónico baixo é uma pista.
- Hiato aniónico e hiato osmolar ambos aumentados, com cristais de oxalato: intoxicação por etilenoglicol.
- A razão azoto ureico/creatinina acima de 20 sugere causa pré-renal. Com a ureia total, que é a que os laboratórios portugueses reportam, o limiar corresponde a cerca de 40. Também sobe com hemorragia digestiva alta, corticoides, nutrição parentérica e catabolismo.
Urina e sedimento
| padrão | tira-teste e densidade | sedimento |
|---|---|---|
| Pré-renal | densidade alta; sem sangue nem proteína | normal ou cilindros hialinos |
| Necrose tubular aguda | isostenúria | cilindros granulosos castanhos («lama»), células e cilindros de epitélio tubular |
| Nefrite intersticial | proteína e sangue em vestígios, esterase leucocitária | leucócitos e cilindros leucocitários (piúria estéril) |
| Glomerulonefrite ou vasculite | sangue e proteína positivos | eritrócitos dismórficos, cilindros hemáticos |
| Pós-renal | isotónica | normal; leucócitos ou eritrócitos conforme a causa |
- Os cilindros castanhos faltam em mais de 20% das necroses tubulares.
- A eosinofilúria tem pouco valor diagnóstico na nefrite intersticial.
- Tira-teste positiva para sangue com poucos eritrócitos no sedimento: mioglobina ou hemoglobina.
- Cristais de oxalato de cálcio apontam para etilenoglicol; cristais de ácido úrico abundantes para lise tumoral.
- A tira-teste deteta albumina e não deteta cadeias leves.
Índices urinários
| índice | pré-renal | necrose tubular aguda |
|---|---|---|
| Densidade | acima de 1,020 | abaixo de 1,010 |
| Osmolalidade urinária | acima de 500 mOsm/kg | abaixo de 400 mOsm/kg |
| Sódio urinário | abaixo de 20 mEq/L | acima de 20 mEq/L |
| Excreção fracionada de sódio | abaixo de 1% | acima de 2% |
| Excreção fracionada de ureia | abaixo de 35% | acima de 50% |
- A excreção fracionada de sódio é o sódio urinário vezes a creatinina plasmática, a dividir pelo sódio plasmático vezes a creatinina urinária, em percentagem. A de ureia calcula-se da mesma forma com a ureia.
- Alta numa causa pré-renal: diuréticos, glicosúria, alcalose metabólica com bicarbonatúria, nefropatias perdedoras de sal, doença renal crónica. Sob diuréticos usa-se a excreção fracionada de ureia.
- Baixa numa necrose tubular: pigmentúria, sépsis precoce, contraste, insuficiência cardíaca ou hepática grave, necrose tubular não oligúrica; e também na glomerulonefrite inicial.
Imagem
- Ecografia renovesical em quase todos: tamanho, ecogenicidade e dilatação do sistema excretor. Tem sensibilidade e especificidade de cerca de 90% para a obstrução.
- A hidronefrose pode faltar na obstrução com menos de 48 a 72 horas, na depleção grave de volume e quando a doença retroperitoneal envolve os ureteres. Se a suspeita persistir, TC e, em último caso, pielografia retrógrada.
- Doppler e angio-TC ou angio-RM para doença arterial ou venosa. O gadolínio usa-se com cautela na lesão grave, pelo risco de fibrose sistémica nefrogénica.
Biópsia renal
- Quando a causa pré-renal, a necrose tubular e a obstrução são improváveis: lesão sem causa evidente, oligúria que se prolonga mais de 2 a 3 semanas, suspeita de glomerulonefrite, vasculite, nefrite intersticial, mieloma ou microangiopatia trombótica.
Prova de esforço com furosemida
- Na lesão oligúrica, furosemida endovenosa de 1,0 a 1,5 mg/kg: menos de 200 mL em 2 horas identifica os doentes com maior risco de progressão e de diálise.
Quem está em risco
- Doença renal crónica, idade avançada, diabetes, insuficiência cardíaca, cirrose, sépsis, hipovolemia, cirurgia cardíaca, vascular ou de urgência, e exposição a nefrotóxicos.
- Nestes doentes, vigiar a creatinina e o débito urinário e rever a medicação todos os dias.
Fluidos e hemodinâmica
- Para expandir o volume, cristaloides em vez de coloides, e cristaloides tamponados em vez de soro fisiológico, exceto no traumatismo cranioencefálico. O excesso de cloreto dá acidose hiperclorémica.
- Os amidos hidroxietílicos aumentam a lesão renal grave e estão contraindicados.
- No doente crítico, pressão arterial média acima de 65 mmHg; mais alta no hipertenso crónico.
- No doente crítico, uma glicemia entre 140 e 180 mg/dL é aceitável e evita a hipoglicemia de alvos mais apertados.
- A dopamina em dose baixa não protege o rim e não se usa. Os diuréticos de ansa também não previnem a lesão.
- Evitar a sobrecarga de volume, que congestiona o rim: é o erro simétrico da hipovolemia.
Medicação
- Evitar ou limitar AINE, incluindo os inibidores seletivos da ciclo-oxigenase 2, aminoglicosídeos, anfotericina B convencional (as formulações lipídicas são menos nefrotóxicas), a vancomicina associada a piperacilina-tazobactam e os restantes nefrotóxicos no doente de risco.
- Monitorizar os níveis dos fármacos que o permitem, como aminoglicosídeos e vancomicina, e encurtar a duração.
- Na doença aguda que desidrata (vómitos, diarreia, febre), suspender temporariamente os fármacos que agravam a hipovolemia ou a perfusão renal, como diuréticos, IECA, ARA e AINE, e combinar por escrito quando se retomam.
- Não suspender por rotina IECA ou ARA antes de cirurgia major nem antes de contraste iodado.
- Ajustar a posologia pela tendência da creatinina e do débito urinário, e não por uma filtração estimada com a creatinina fora do estado estacionário.
- Trata-se a causa e dá-se suporte. Nenhum fármaco trata a necrose tubular estabelecida: falharam os diuréticos de ansa, a dopamina, os peptídeos natriuréticos e a eritropoietina, entre outros.
- Em todos: otimizar a hemodinâmica, suspender nefrotóxicos, ajustar doses e iniciar diálise quando indicada.
Volume
- Depleção: repor o tipo de fluido perdido, concentrado eritrocitário na hemorragia. A oligúria só por si não é indicação para fluidos; a indicação é a hipovolemia.
- Choque: vasopressores com fluidos quando a hipotensão não responde ao volume inicial.
- Sobrecarga: restringir sódio e água e dar diurético de ansa, primeiro em bólus intermitentes. Na sobrecarga grave, furosemida 200 mg em bólus seguida de perfusão de 10 a 40 mg/h, com ou sem tiazida. Suspende-se se não houver resposta.
- Tentar o diurético antes de remover volume por técnica extracorporal, se não houver outra indicação de diálise.
- Converter uma lesão oligúrica em não oligúrica facilita a gestão de fluidos, mas não melhora o prognóstico.
Pós-renal
- Algália, ou cistostomia suprapúbica, na obstrução baixa; cateter ureteral ou nefrostomia percutânea na obstrução alta.
- Depois de desobstruir há poliúria, que é sobretudo fisiológica mas pode causar depleção: repor com critério, sem perseguir o débito.
Causas intrínsecas com tratamento próprio
| causa | tratamento |
|---|---|
| Nefrite intersticial por fármaco | suspender o fármaco; corticoides controversos, com mais benefício se começados nas primeiras 2 semanas |
| Glomerulonefrite ou vasculite | imunossupressão, plasmaférese nalgumas |
| Crise renal esclerodérmica | IECA |
| Púrpura trombocitopénica trombótica | plasmaférese urgente |
| Síndrome hemolítica urémica atípica | bloqueio do complemento |
Hipercaliemia
Hipercaliemia moderada entre 6,0 e 6,4 mmol/L, grave a partir de 6,5 mmol/L. Primeiro suspender potássio, diuréticos poupadores de potássio, IECA, ARA e AINE.
| objetivo | medida |
|---|---|
| Estabilizar a membrana, se houver alterações no eletrocardiograma | cloreto de cálcio a 10%, 10 mL endovenoso em 5 minutos, ou gluconato de cálcio a 10%, 30 mL em 10 minutos |
| Deslocar o potássio para dentro das células | insulina rápida 10 unidades com 25 g de glicose endovenosa; salbutamol nebulizado 10 a 20 mg como adjuvante |
| Remover potássio | ciclossilicato de zircónio sódico 10 g oral; diurético de ansa se houver diurese; diálise se refratária |
- O cálcio não baixa o potássio: ganha tempo.
- Depois da insulina, vigiar a glicemia; se a glicemia antes do tratamento era inferior a 7 mmol/L (126 mg/dL), perfusão de glicose a 10% a 50 mL/h durante 5 horas.
- O poliestireno sulfonato é mal tolerado e tem toxicidade gastrointestinal.
Acidose, cálcio e fósforo
- Acidose metabólica: trata-se se for grave. Com pH abaixo de 7,20, bicarbonato endovenoso de preferência à diálise, se não houver outra indicação urgente de diálise. Evitar a correção excessiva, que dá alcalose, hipocalcemia, hipocaliemia e sobrecarga de volume.
- Hiperfosfatemia: restringir o fósforo da dieta e dar quelantes às refeições.
- Hipocalcemia: só se trata quando é sintomática, com gluconato ou cloreto de cálcio. Com hipoalbuminemia, seguir o cálcio ionizado.
Nutrição e fármacos
- Via entérica sempre que possível; 20 a 30 kcal/kg/dia.
- Proteínas: 0,8 a 1,0 g/kg/dia sem diálise, 1,0 a 1,5 g/kg/dia em diálise, até 1,7 g/kg/dia no doente hipercatabólico em técnica contínua. Não restringir proteínas para adiar a diálise.
- Na técnica contínua, rever e suplementar vitaminas hidrossolúveis e oligoelementos.
- A hemorragia urémica pode responder à desmopressina. As heparinas de baixo peso molecular e os inibidores do fator Xa têm farmacocinética imprevisível na lesão grave.
Substituição da função renal
Indicações urgentes, quando o tratamento médico falha (AEIOU):
-
Acidose metabólica grave e refratária.
-
Eletrólitos: hipercaliemia refratária.
-
Intoxicação por tóxico dialisável: metanol, etilenoglicol, lítio, salicilatos, metformina com acidose láctica.
-
Sobrecarga de volume refratária, com edema pulmonar (O, de «overload»).
-
Urémia com complicações: pericardite, encefalopatia com asterixe, convulsões, hemorragia urémica.
-
Não há valor de ureia que, só por si, obrigue a dialisar.
-
Sem indicação urgente, prefere-se adiar a diálise: começar cedo não melhora a sobrevida, expõe a cateteres e hipotensão, e muitos doentes recuperam sem nunca dialisar. No doente que provavelmente vai precisar, planeia-se antes, incluindo a transferência para um centro com nefrologia.
-
Modalidade: técnicas contínuas (ou diálise peritoneal) no doente hemodinamicamente instável, e também na lesão cerebral aguda e no edema cerebral; hemodiálise intermitente, de 3 a 4 horas, 3 a 4 vezes por semana, no doente estável.
Complicações
| área | complicações |
|---|---|
| Potássio | hipercaliemia e arritmias |
| Volume e sódio | sobrecarga, edema pulmonar; hiponatremia com fluidos hipotónicos |
| Ácido-base | acidose metabólica, habitualmente com hiato aniónico aumentado |
| Minerais | hiperfosfatemia, hipocalcemia, hipermagnesemia, hiperuricemia |
| Urémia | náuseas, vómitos, prurido; asterixe, confusão, convulsões, coma; pericardite e derrame pericárdico; disfunção plaquetária com hemorragia |
| Outras | anemia, infeção, desnutrição, acumulação de fármacos |
- Hipercaliemia: as alterações do eletrocardiograma sucedem-se por ondas T apiculadas, alargamento do PR e do QRS, padrão sinusoidal e, por fim, fibrilhação ventricular ou assistolia. Na hipercaliemia aguda surgem por volta de 6 mEq/L; na crónica, o traçado pode manter-se normal até 8 a 9 mEq/L. O eletrocardiograma guia melhor o tratamento do que um valor isolado.
- A hipercaliemia marcada é típica da rabdomiólise, da hemólise e da lise tumoral.
- A infeção é a principal causa de morte: imunodepressão urémica, edema, lesões da pele e cateteres.
- A anemia é multifatorial e não melhora com eritropoietina no doente crítico.
- A fase de recuperação anuncia-se por poliúria, por diurese osmótica da ureia retida e por atraso da recuperação da reabsorção tubular: há risco de depleção e de hipocaliemia.
Prognóstico
- A mortalidade depende da gravidade e das falências associadas: sobe de menos de 40% sem outros órgãos em falência para mais de 90% com quatro.
- Após cirurgia cardiovascular, a mortalidade dos que precisam de diálise chega a 40 a 70%.
- A lesão pré-renal, exceto na síndrome cardiorrenal e na hepatorrenal, e a pós-renal têm melhor prognóstico do que a maioria das intrínsecas.
- Mesmo quando recupera, a lesão aumenta o risco de doença renal crónica, de eventos cardiovasculares e de morte. Até 10% dos que precisaram de diálise acabam em doença renal terminal.
Seguimento
- Reavaliar a creatinina e a albuminúria depois da alta, que prediz a progressão, e de novo aos 3 meses, quando se decide se ficou doença renal crónica.
- Retomar os fármacos suspensos com um plano conhecido pelo doente e pelos médicos, e evitar novas exposições a nefrotóxicos.
- Idoso: menor reserva e autorregulação mais frágil (hialinose arteriolar), por isso a hipotensão e os fármacos bastam para desencadear a lesão.
- Grávida: pensar em pré-eclâmpsia e em microangiopatia trombótica na gravidez e no pós-parto.
- Criança: o estádio 3 inclui a filtração estimada abaixo de 35 mL/min/1,73 m². A síndrome hemolítica urémica típica segue-se a uma diarreia por Escherichia coli produtora de toxina Shiga, com anemia hemolítica microangiopática e trombocitopenia.
- Mieloma: doente acima dos 60 anos com dor óssea, anemia, hipercalcemia e hiato aniónico baixo. As cadeias leves formam cilindros com a uromodulina e lesam o túbulo; a tira-teste não as deteta, e pedem-se eletroforese e cadeias leves livres. A hipercalcemia agrava a lesão por vasoconstrição e depleção de volume.
- Cirurgia cardíaca e vascular: cerca de 1% precisa de diálise; a circulação extracorporal prolongada aumenta o risco.
- Queimados: a lesão atinge cerca de 25% dos que têm mais de 10% da superfície corporal queimada.
- Lesão renal funcional da cirrose avançada com ascite, e também da insuficiência hepática aguda grave, por vasoconstrição renal intensa num rim sem lesão estrutural.
- Nomenclatura do consenso de 2024 do Clube Internacional da Ascite (ICA, International Club of Ascites) com a iniciativa ADQI (Acute Disease Quality Initiative):
| termo | o que é |
|---|---|
| Síndrome hepatorrenal com lesão renal aguda | cumpre os critérios KDIGO; corresponde ao antigo tipo 1, de evolução rápida |
| Síndrome hepatorrenal com doença renal aguda | menos de 90 dias, sem critérios de lesão aguda |
| Síndrome hepatorrenal com doença renal crónica | mais de 90 dias; corresponde em grande parte ao antigo tipo 2, associado à ascite refratária |
- A mortalidade é alta, e é das formas pré-renais de pior prognóstico.
- A hipertensão portal provoca vasodilatação arterial esplâncnica, que baixa o volume arterial efetivo.
- Ativam-se o sistema renina-angiotensina-aldosterona, o simpático e a hormona antidiurética: retém-se sódio e água, forma-se ascite, e o rim entra em vasoconstrição intensa.
- Na doença avançada, a translocação bacteriana agrava a vasodilatação e o débito cardíaco deixa de compensar.
- Precipitantes: peritonite bacteriana espontânea e outras infeções, depleção de volume (hemorragia, diuréticos, diarreia) e paracentese de grande volume sem albumina.
Critérios do consenso ICA e ADQI de 2024
- Cirrose com ascite.
- Lesão renal aguda pelos critérios KDIGO: aumento da creatinina de 0,3 mg/dL em 48 horas ou de 50% em 7 dias, e ou débito urinário até 0,5 mL/kg/h durante 6 horas ou mais.
- Sem melhoria da creatinina ou do débito urinário 24 horas depois de uma reposição de volume adequada, quando clinicamente indicada.
- Sem evidência forte de outra causa principal: choque, nefrotóxicos, doença renal estrutural.
- A antiga exigência de 48 horas de albumina a 1 g/kg por dia antes do diagnóstico caiu. Se a volemia for incerta, faz-se uma prova com 250 a 500 mL de cristaloide ou 1 a 1,5 g/kg de albumina a 20 a 25%.
- Uma excreção fracionada de sódio de 0,1 a 0,2% ou menos reforça o diagnóstico, junto com o resto do quadro.
Diagnóstico diferencial
- Pré-renal por hipovolemia: responde ao volume.
- Necrose tubular aguda: é a distinção mais difícil e a que mais importa, porque o tratamento e o prognóstico são diferentes. O sedimento com cilindros e células tubulares favorece a necrose.
- Nefrotoxicidade por fármacos ou contraste.
- Peritonite bacteriana espontânea: albumina a 20 a 25% com o antibiótico, 1,5 g/kg no 1.º dia e 1,0 g/kg no 3.º dia.
- Paracentese de grande volume: albumina a 20 a 25%, 6 a 8 g por cada litro retirado acima de 5 L.
- Evitar nefrotóxicos, sobretudo AINE, e suspender os diuréticos se houver hipovolemia; se houver sobrecarga, podem manter-se.
- Tratar o precipitante, suspender nefrotóxicos e rever os diuréticos.
- Terlipressina com albumina é o tratamento de primeira linha. A noradrenalina é a alternativa quando a terlipressina está contraindicada ou indisponível; a midodrina com octreótido fica para quando nenhuma das duas existe.
| fármaco | dose |
|---|---|
| Terlipressina em perfusão contínua | 2 a 12 mg/dia; subir pelo menos 2 mg/dia a cada 24 horas se a creatinina não tiver descido 25%, até 12 mg/dia |
| Terlipressina em bólus | 1 a 2 mg de 6 em 6 horas |
| Albumina a 20 a 25%, com o vasoconstritor | 20 a 40 g/dia, ajustada à volemia |
| Noradrenalina | 0,5 a 3 mg/h; subir 0,5 mg/h a cada 4 horas, até 3 mg/h, se a pressão arterial média não subir mais de 10 mmHg |
Quando parar
- A creatinina volta a menos de 0,3 mg/dL do basal.
- Efeito adverso grave.
- Sem melhoria após 48 a 72 horas na dose máxima tolerada.
- Indicação para diálise.
- Ao fim de 14 dias.
Segurança da terlipressina
- Efeitos adversos: isquemia cardíaca, periférica ou mesentérica e edema pulmonar. Nos doentes tratados houve insuficiência respiratória em cerca de 11% e sépsis em cerca de 7%.
- A Agência Europeia do Medicamento recomenda evitá-la com creatinina de 5,0 mg/dL (442 µmol/L) ou mais, com insuficiência hepática aguda sobre crónica de grau 3 e com pontuação MELD (modelo para a doença hepática terminal) de 39 ou mais, salvo se o benefício superar o risco.
- Estabilizar antes qualquer dificuldade respiratória, usar com cautela na sobrecarga de volume e vigiar a infeção. A perfusão contínua pode reduzir os efeitos adversos graves face ao bólus.
Tratamento definitivo
- O transplante hepático, isolado ou combinado com o renal, independentemente da resposta ao vasoconstritor, que serve de ponte.
- Termo que abrange as disfunções simultâneas do coração e do rim; tem cinco tipos, e a lesão adquirida no hospital é quase sempre do tipo 1, a insuficiência cardíaca aguda que lesa o rim.
- Contribuem o baixo débito, o subenchimento arterial, as pressões auriculares altas e a congestão venosa, que sobe a pressão venosa renal e a intra-abdominal e baixa a filtração.
- A ativação simpática, do sistema renina-angiotensina, da vasopressina e da endotelina retém sódio e água, aumenta a pós-carga e agrava o ciclo.
- Estes doentes também podem ter lesão pré-renal verdadeira por diurese excessiva, ou necrose tubular.
- Melhorar a função cardíaca e aliviar a congestão pulmonar e renal, com diurético de ansa.
- Um aumento pequeno a moderado da creatinina, até 0,5 mg/dL, durante uma descongestão eficaz é aceitável e acompanha-se de melhores resultados aos 30 dias: não obriga a parar o diurético.
- Resistência aos diuréticos: associar uma tiazida; a ultrafiltração raramente é necessária.
- Na lesão avançada, diálise pela urémia, pelas complicações metabólicas ou pela sobrecarga.
- Rabdomiólise: esmagamento, isquemia muscular em cirurgia vascular ou ortopédica, compressão no coma ou na imobilização, convulsões prolongadas, exercício excessivo, golpe de calor, hipertermia maligna, infeções, hipofosfatemia, hipotiroidismo grave e miopatias, incluindo as por fármacos.
- A mioglobina lesa o rim por vasoconstrição intrarrenal, toxicidade direta no túbulo proximal e obstrução distal por cilindros com a uromodulina, favorecida pela urina ácida e pela depleção de volume.
- Síndrome de lise tumoral: depois de iniciar citotóxicos em linfomas de alto grau e na leucemia linfoblástica aguda, ou espontânea. A libertação maciça de ácido úrico, muitas vezes acima de 15 mg/dL, precipita nos túbulos.
- A hemólise intravascular maciça lesa o túbulo pelo mesmo tipo de mecanismo, através da hemoglobina.
- Rabdomiólise: creatina-cinase e mioglobina elevadas, urina escura com tira-teste positiva para sangue e poucos eritrócitos, excreção fracionada de sódio que pode ser baixa.
- Hipercaliemia marcada, hiperfosfatemia e hipocalcemia são comuns às duas.
- A creatina-cinase elevada aponta para rabdomiólise; na lise tumoral é normal ou pouco elevada, e o ácido úrico é muito alto.
- Hemólise: anemia, desidrogenase láctica elevada, haptoglobina baixa.
- Na síndrome de lise tumoral, e no risco dela, expansão de volume com cristaloides sem alcalinizar a urina.
- Risco elevado: rasburicase em vez de alopurinol ou febuxostat, salvo défice de glicose-6-fosfato desidrogenase.
- Risco mais baixo, ou rasburicase contraindicada: inibidores da xantina oxidase.
Rabdomiólise
- Cristaloides endovenosos precoces e abundantes; no início podem ser precisos até 10 L por dia.
- O alvo é um débito urinário de 200 a 300 mL/h; se o volume for adequado e o débito não chegar lá, podem juntar-se diuréticos.
- A alcalinização com bicarbonato tem benefício incerto e pode agravar a hipocalcemia.
- O cálcio precipita no músculo lesado e volta à circulação quando este cicatriza: a hipocalcemia assintomática não se corrige, e vigiam-se o cálcio e o fósforo ao longo da recuperação.
- Tratar a hipercaliemia e dialisar quando há indicação. A maioria recupera uma função próxima do basal.
- Aumento da creatinina que começa 24 a 48 horas depois do contraste, atinge o pico em 3 a 5 dias e resolve em 5 a 7 dias. A excreção fracionada de sódio pode ser baixa e o sedimento pouco alterado.
- O risco é desprezível com função renal normal e aumenta com a doença renal crónica, sobretudo a nefropatia diabética, a depleção de volume, a idade avançada, outros nefrotóxicos, o mieloma, os grandes volumes e os agentes de alta osmolalidade.
- A lesão grave com diálise é rara, exceto em doença renal crónica avançada com insuficiência cardíaca ou outra causa de isquemia.
- Antes de a atribuir ao contraste, procurar outras causas: muitas lesões depois de um exame não se devem a ele.
- Mecanismo: hipoxia da medula externa, toxicidade tubular direta com radicais livres e obstrução tubular transitória.
Quem está em risco
- Filtração estimada abaixo de 45 mL/min/1,73 m² antes de contraste intra-arterial com primeira passagem renal (por exemplo, angiografia coronária ou renal).
- Filtração estimada abaixo de 30 mL/min/1,73 m² antes de contraste endovenoso ou intra-arterial com segunda passagem renal.
- Lesão renal aguda em curso.
Medidas
- Não adiar um exame cujo benefício supera o risco; considerar alternativas sem contraste iodado nos doentes de risco.
- Contraste iso-osmolar ou de baixa osmolalidade, na menor dose que dê um exame útil.
- Hidratação isotónica peri-procedimento no doente de risco sem sobrecarga: soro fisiológico a 0,9%, por exemplo 1 mL/kg/h durante 3 a 4 horas antes e 4 a 6 horas depois. É preferível a soluções hipotónicas e a não hidratar, e o bicarbonato de sódio não traz vantagem sobre ele.
- Suspender os diuréticos enquanto se hidrata, se não houver sobrecarga.
- Com lesão aguda ou filtração abaixo de 30, suspender os nefrotóxicos não essenciais 24 a 48 horas antes e 48 horas depois.
- Metformina: com filtração acima de 30 e sem lesão aguda, não se suspende; com lesão aguda ou filtração até 30, suspende-se e só se retoma depois de 48 horas, se a função estiver estável.
- Não suspender IECA ou ARA por rotina.
Referências
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- Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) AKI/AKD Work Group. KDIGO 2026 clinical practice guideline for acute kidney injury and acute kidney disease: public review draft. Brussels: KDIGO; 2026 Mar.
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- Perazella MA, Turner JM. Acute kidney injury. In: Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. p. 324-33.
- Fluid and electrolyte disorders. In: Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. p. 268-81.
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- European Resuscitation Council. European Resuscitation Council guidelines 2025: special circumstances in resuscitation. Resuscitation. 2025.
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- Juurlink DN, Gosselin S, Kielstein JT, Ghannoum M, Lavergne V, Nolin TD, et al. Extracorporeal treatment for salicylate poisoning: systematic review and recommendations from the EXTRIP workgroup. Ann Emerg Med. 2015;66(2):165-81.
22 perguntas sobre Lesão renal aguda
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