GenitourináriaDesequilíbrios hidroeletrolíticos e distúrbios do equilíbrio ácido-basePublicado (Premium)

Desequilíbrios hidroelectrolíticos e ácido-base

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 14 de junho de 2026 · 39 perguntas neste tema

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Em resumo

Os desequilíbrios hidroelectrolíticos e ácido-base são transversais a toda a medicina e muito cobrados na PNA. Concentra-te em três áreas. No sódio, domina a hiponatremia, classificada pela osmolalidade e pela volémia, com especial atenção ao risco da correção demasiado rápida. No potássio, a hipercaliemia é uma emergência: cálcio endovenoso primeiro para estabilizar a membrana, depois deslocar (insulina+glicose, beta-agonista) e remover. No ácido-base, segue sempre a mesma abordagem sistemática à gasometria: pH, distúrbio primário, compensação esperada e hiato aniónico. Reconhecer o padrão e a primeira medida é o que separa a resposta certa.

Introdução

A água, os eletrólitos e os hidrogeniões obedecem todos a uma lógica comum: o organismo defende variáveis muito mais agressivamente do que o senso comum sugere. A osmolalidade plasmática é mantida numa janela apertada (≈ 285-295 mOsm/kg) à custa de mecanismos independentes dos que controlam o volume. O potássio sérico é regulado em torno de 4 mEq/L apesar de 98% do potássio total viver dentro das células. E o pH arterial não se afasta de 7,40 sem que tampões, pulmão e rim entrem em ação quase imediatamente. Perceber estes três sistemas (água/sódio, potássio, ácido-base) e, sobretudo, perceber que são parcialmente independentes, é o que permite ler uma gasometria ou um ionograma sem decorar listas de causas.

Uma distinção que vale a pena fixar logo no início, porque é fonte de erros clássicos no exame:

  • A regulação da osmolalidade (logo, da concentração de sódio) faz-se por entrada e saída de água: sede e hormona antidiurética (ADH).
  • A regulação do volume (logo, do conteúdo total de sódio do corpo) faz-se por retenção ou excreção de sódio: sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), peptídeos natriuréticos e hemodinâmica renal.

Na prática isto significa que a natrémia diz-nos sobre a água, não sobre o sódio total. Um doente com hiponatrémia pode estar hipervolémico (insuficiência cardíaca), euvolémico (SIADH) ou hipovolémico (perdas digestivas): o sódio sérico baixo é, antes de mais, um problema de excesso relativo de água livre.

Compartimentos e movimento da água

A água corporal total ronda 60% do peso no homem e 50% na mulher (a massa gorda tem pouca água). Distribui-se em dois grandes compartimentos: cerca de dois terços intracelular e um terço extracelular. O extracelular, por sua vez, reparte-se entre interstício (≈ 3/4) e plasma (≈ 1/4).

A membrana celular é livremente permeável à água mas não aos solutos que a bomba Na⁺/K⁺-ATPase mantém segregados. Daí a regra que governa tudo o resto: a água move-se para onde a osmolalidade é maior, até equilibrar. O sódio é o principal osmol do extracelular; o potássio, do intracelular. Por isso uma queda da natrémia significa hipotonicidade do extracelular e entrada de água nas células (incluindo os neurónios, com o risco de edema cerebral), enquanto uma subida da natrémia desidrata as células.

Osmolalidade: medida e calculada

A osmolalidade plasmática pode ser medida no laboratório (por descida do ponto de crioscopia) ou estimada por fórmula. A estimativa habitual:

Osm calculada (mOsm/kg) = 2 × [Na⁺] + glicose/18 + ureia (BUN)/2,8

com a glicose e a ureia/BUN em mg/dL. Se trabalhar em unidades SI (mmol/L), a fórmula simplifica para 2 × [Na⁺] + glicose + ureia, porque já não há que converter de mg/dL.

Nota conceptual importante: a ureia atravessa livremente as membranas e por isso, apesar de contar para a osmolalidade medida, não cria gradiente osmótico efetivo nem desloca água entre compartimentos. É um osmol inefetivo. A tonicidade (osmolalidade efetiva) depende dos solutos que ficam de fora da célula, sobretudo o sódio e, em hiperglicémia, a glicose. Por isso um doente urémico com ureia muito alta tem osmolalidade elevada mas não fica com as células desidratadas pela ureia.

O hiato osmolar (osmolalidade medida menos calculada) é normalmente < 10 mOsm/kg. Quando está alargado, sinaliza a presença de um osmol não contabilizado pela fórmula: metanol, etilenoglicol, etanol, manitol. É uma pista preciosa nas intoxicações.

Sódio e água: ADH, sede e o eixo renina-angiotensina-aldosterona

ADH e sede defendem a osmolalidade

Osmorreceptores no hipotálamo anterior detetam variações de osmolalidade da ordem de 1%. Acima de um limiar de cerca de 280-285 mOsm/kg, a neuro-hipófise liberta ADH (vasopressina, AVP), que atua nos receptores V2 do túbulo coletor inserindo aquaporinas-2 na membrana luminal. O resultado é reabsorção de água livre e urina concentrada. A sede ativa-se a um limiar ligeiramente superior e é a defesa final: um doente consciente, com acesso a água, raramente desenvolve hipernatrémia, porque bebe. A hipernatrémia significa quase sempre que algo travou esse reflexo (alteração do estado de consciência, criança, idoso acamado, sede ausente por lesão hipotalâmica).

A ADH tem ainda um estímulo não osmótico que importa para entender a hiponatrémia: a depleção de volume eficaz. Quando a perfusão cai (hemorragia, insuficiência cardíaca, cirrose), barorreceptores carotídeos e aórticos disparam libertação de ADH mesmo com osmolalidade baixa. O corpo prioriza o volume sobre a tonicidade, e o preço é a retenção de água livre, logo a hiponatrémia. É também por aqui que se entende a SIADH, em que a ADH é secretada de forma inapropriada (sem estímulo osmótico nem hipovolémia real).

SRAA, peptídeos natriuréticos e o controlo do volume

O volume depende do conteúdo total de sódio, e quem o regula é principalmente o rim sob comando do SRAA:

  • A célula justaglomerular liberta renina em resposta a três sinais: queda da pressão de perfusão na arteríola aferente, redução da chegada de cloreto de sódio à mácula densa e estímulo simpático (β1).
  • A renina cliva o angiotensinogénio em angiotensina I, convertida pela ECA (sobretudo pulmonar) em angiotensina II.
  • A angiotensina II é vasoconstritora potente, estimula a sede e a libertação de ADH, promove reabsorção de sódio no túbulo proximal e desencadeia a secreção de aldosterona.
  • A aldosterona, no túbulo coletor, reabsorve sódio (canais ENaC) em troca de excreção de potássio e hidrogeniões. Retém sódio, e a água vem atrás; espolia potássio e acidifica a urina.

A contrabalançar, a distensão auricular e ventricular liberta peptídeos natriuréticos (ANP, BNP), que promovem natriurese, vasodilatação e inibem o SRAA. O equilíbrio entre estes dois braços define se o doente retém ou elimina sal e, portanto, o seu estado de volume.

Fixe a ligação clínica que daqui resulta: o hiperaldosteronismo (primário ou secundário) tende a dar hipertensão, hipocaliémia e alcalose metabólica; o hipoaldosteronismo e o bloqueio do SRAA (IECA, ARA, espironolactona) tendem ao oposto, hipercaliémia e acidose.

Potássio: distribuição transcelular e excreção renal

O potássio é o catião intracelular dominante. A caliémia normal (3,5-5,0 mEq/L) representa uma fração minúscula do total, pelo que o valor sérico pode mudar depressa por redistribuição entre compartimentos, sem que o conteúdo corporal se tenha alterado. Dois eixos de regulação coexistem.

Equilíbrio interno (redistribuição, minutos)

Vários fatores empurram o potássio para dentro das células, baixando a caliémia:

  • Insulina (estimula a Na⁺/K⁺-ATPase): a base do tratamento agudo da hipercaliémia com insulina + glicose.
  • Estímulo β2-adrenérgico (adrenalina, salbutamol): também desloca potássio para dentro.
  • Alcalose: em troca de hidrogeniões que saem da célula para tamponar o meio, entra potássio.

E o inverso eleva a caliémia: acidose (sobretudo mineral/não-orgânica), deficit de insulina, bloqueio β, e a saída maciça de potássio na lise celular (rabdomiólise, síndrome de lise tumoral, hemólise). Regra prática útil: na acidose metabólica mineral, espere uma caliémia mais alta do que o conteúdo corporal real faz prever; ao corrigir o pH, o potássio volta para dentro das células e pode descobrir-se uma hipocaliémia escondida.

Equilíbrio externo (excreção renal, horas a dias)

A homeostasia a médio prazo é renal. A reabsorção do potássio filtrado é quase completa no túbulo proximal e na ansa; a secreção regulada faz-se no túbulo coletor, pelas células principais, e depende de:

  • Aldosterona (principal sinal: mais aldosterona, mais excreção de potássio).
  • Chegada de sódio e de fluxo ao néfron distal (daí o efeito caliurético dos diuréticos de ansa e tiazídicos).
  • Caliémia em si (a hipercaliémia estimula diretamente a aldosterona e a secreção tubular).

É esta dependência da aldosterona e do fluxo distal que explica por que tantos distúrbios do potássio andam de mãos dadas com o estado de volume e o ácido-base.

Equilíbrio ácido-base

O pH arterial normal situa-se em 7,38-7,42. É defendido por três linhas de defesa com velocidades muito diferentes: tampões (instantâneos), resposta respiratória (minutos) e resposta renal (horas a dias).

Tampões

O sistema dominante no extracelular é o bicarbonato/ácido carbónico, regido pela equação de Henderson-Hasselbalch e, na sua forma de cabeceira, pela equação de Henderson:

[H⁺] (nEq/L) ≈ 24 × pCO₂ / [HCO₃⁻]

O que torna este par tão eficaz não é o seu pK (que está longe do pH fisiológico) mas o facto de ser um sistema aberto: o pulmão ajusta o pCO₂ e o rim ajusta o bicarbonato, ambos os componentes são reguláveis. Existem ainda tampões não-bicarbonato relevantes (hemoglobina, fosfato, proteínas, e o osso, que liberta carbonato de cálcio na acidose crónica).

Papel do pulmão

Quimiorreceptores centrais (sensíveis ao pH do LCR) e periféricos ajustam a ventilação para regular o pCO₂. Perante uma acidose metabólica, a hiperventilação (respiração de Kussmaul, em casos graves) baixa o pCO₂ e atenua a queda do pH; perante alcalose metabólica, hipoventila-se para reter CO₂. Esta compensação começa em minutos mas leva horas a completar-se, e nunca normaliza totalmente o pH: uma gasometria com pH rigorosamente em 7,40 perante um distúrbio franco deve fazer suspeitar de um distúrbio misto.

Papel do rim

O rim é mais lento mas é quem fecha as contas. Faz duas coisas distintas:

  1. Reabsorve o bicarbonato filtrado (sobretudo no túbulo proximal, via anidrase carbónica), evitando perdê-lo na urina.
  2. Gera bicarbonato novo ao excretar a carga ácida diária (≈ 1 mEq/kg/dia de ácidos não-voláteis), tamponando-a na urina com amónia (NH₄⁺) e acidez titulável (sobretudo fosfato). A capacidade de aumentar a amoniogénese é o principal mecanismo de defesa contra uma acidose mantida.

Quando este sistema falha, surgem as acidoses tubulares renais; quando a carga ácida excede a capacidade excretora, como na doença renal crónica avançada, instala-se acidose metabólica.

Hiato aniónico: a ferramenta de triagem

O hiato aniónico (anion gap, AG) mede os aniões não rotineiramente doseados, partindo do princípio de electroneutralidade do plasma:

AG = [Na⁺] − ([Cl⁻] + [HCO₃⁻])

Valor normal ≈ 8-12 mEq/L (varia com o método laboratorial; alguns laboratórios incluem o potássio na fórmula e referem 12-16). O conceito é simples: numa acidose metabólica, ou se acrescentaram aniões ácidos novos (lactato, cetoácidos, tóxicos), e então o AG alarga; ou se perdeu bicarbonato e o cloreto subiu para manter a neutralidade, e então o AG fica normal (acidose hiperclorémica). Esta bifurcação organiza todo o diagnóstico diferencial da acidose metabólica.

Dois ajustes que o exame gosta de testar:

  • Albumina baixa reduz o AG (a albumina é o principal anião não medido). Corrige-se somando ≈ 2,5 mEq/L ao AG por cada 1 g/dL de albumina abaixo de 4 g/dL. Um doente hipoalbuminémico pode ter uma acidose de AG alargado mascarada por um AG "normal".
  • Delta-delta: comparar o aumento do AG com a queda do bicarbonato ajuda a detetar distúrbios mistos (por exemplo, uma acidose de AG alargado a coexistir com alcalose metabólica ou com acidose hiperclorémica).

Com estes três sistemas em mente (água defendida por ADH e sede, volume defendido pelo SRAA, pH defendido por tampões, pulmão e rim) qualquer distúrbio específico passa a ser uma variação sobre um tema conhecido, e não um facto isolado para memorizar.

O sódio é um problema de água, não de sal

O erro conceptual mais comum é ler a natremia como se fosse uma medida do conteúdo corporal de sódio. Não é. A concentração de sódio plasmático reflete sobretudo a relação entre o sódio e a água no compartimento extracelular. Quem regula essa relação é a água: a hormona antidiurética (ADH, também dita vasopressina) e a sede. Por isso, perante uma natremia anormal, a pergunta clínica certa não é "quanto sal tem este doente", mas sim "o que está a acontecer à água".

Valor de referência habitual: sódio sérico 135 a 145 mEq/L.


Hiponatremia

Definição: sódio sérico inferior a 135 mEq/L. É a alteração eletrolítica mais frequente no internamento e a mais cobrada em exame. Gravidade bioquímica orientadora:

  • Ligeira: 130 a 134 mEq/L
  • Moderada: 125 a 129 mEq/L
  • Grave: inferior a 125 mEq/L

O que faz mal ao doente não é só o número, é a velocidade de instalação. Uma hiponatremia que se instala em horas (aguda, menos de 48 horas) não dá tempo ao cérebro para se adaptar e provoca edema cerebral; uma hiponatremia crónica (mais de 48 horas) é osmoticamente compensada pelos neurónios e costuma ser bem mais silenciosa para o mesmo valor.

Passo 1: confirmar que é hiponatremia verdadeira (osmolalidade plasmática)

Nem toda a hiponatremia traduz excesso de água. O primeiro passo é medir a osmolalidade plasmática e classificar:

  • Hiponatremia hipotónica (osmolalidade inferior a 275 mOsm/kg): a verdadeira hiponatremia, com excesso relativo de água livre. É aqui que vive 95% da clínica e todo o resto do algoritmo.
  • Hiponatremia isotónica (275 a 295 mOsm/kg), a chamada pseudo-hiponatremia: artefacto laboratorial por hiperproteinemia grave ou hipertrigliceridemia marcada, que aumentam a fração não aquosa do plasma e enganam métodos antigos. A osmolalidade real está normal.
  • Hiponatremia hipertónica (superior a 295 mOsm/kg): há um soluto osmoticamente ativo a puxar água do meio intracelular para o extracelular e a diluir o sódio. O exemplo clássico é a hiperglicemia: por cada 100 mg/dL de glicose acima do normal, o sódio medido desce cerca de 1,6 mEq/L (correção que convém saber). Manitol é a outra causa típica.

Regra mental: sódio baixo com osmolalidade normal ou alta não é problema de água livre. Trata-se a causa (lípidos, proteínas, glicose, manitol), não se dá soro.

Passo 2: avaliar a volémia (na hiponatremia hipotónica)

Confirmada a hipotonicidade, classifica-se pelo estado de volémia extracelular examinado à cabeceira (turgor, mucosas, pressão venosa jugular, edemas, ortostatismo). Daqui sai a tabela que estrutura todo o diagnóstico e tratamento.

Tabela. Classificação da hiponatremia hipotónica por volémia

Estado de volémiaMecanismo dominanteSódio urinárioCausas típicasLinha de tratamento
HipovolémicaPerda de água e sódio, com sódio em défice maior; ADH sobe por estímulo de volumeRenal: Na urinário superior a 30 mEq/L (diuréticos, hipoaldosteronismo, perda de sal cerebral) / Extra-renal: Na urinário inferior a 20 mEq/L (vómitos, diarreia, terceiro espaço, sudação)Diuréticos tiazídicos (causa clássica), gastrenterite, hemorragia, queimadosSoro fisiológico 0,9% (repor volume; suprimido o estímulo de volume, a ADH cai e o rim excreta água livre)
EuvolémicaExcesso isolado de água, sem alteração franca do volumeGeralmente Na urinário superior a 30 mEq/L e osmolalidade urinária superior a 100 mOsm/kgSIADH (a mais importante), hipotiroidismo, insuficiência suprarrenal/défice de glicocorticóides, polidipsia primária, potomania da cervejaRestrição hídrica; tratar a causa
HipervolémicaSobrecarga de água e sódio, com a água em excesso maior; volume circulante eficaz baixo ativa a ADHNa urinário inferior a 20 mEq/L (rim ávido de sódio); exceção: doença renal crónica, em que sobeInsuficiência cardíaca, cirrose com ascite, síndrome nefróticoRestrição hídrica e de sódio; diurético de ansa; tratar a doença de base

SIADH: a euvolémica que cai sempre

Na síndrome de secreção inapropriada de ADH há libertação de vasopressina apesar de o doente estar normovolémico e a osmolalidade plasmática baixa, situação em que a ADH deveria estar suprimida. O resultado é retenção de água livre, hiponatremia diluicional e urina inapropriadamente concentrada.

Critérios práticos de SIADH:

  • Hiponatremia hipotónica (osmolalidade plasmática inferior a 275 mOsm/kg)
  • Osmolalidade urinária superior a 100 mOsm/kg (urina que não está maximamente diluída como devia)
  • Sódio urinário superior a 30 a 40 mEq/L com ingestão normal de sódio e água
  • Clinicamente euvolémico (sem edemas, sem sinais de desidratação)
  • Função tiroideia e suprarrenal normais; ausência de diuréticos recentes
  • Ácido úrico tipicamente baixo (pista útil)

Causas frequentes de SIADH: doença do sistema nervoso central (AVC, hemorragia, infeção, traumatismo), patologia pulmonar (pneumonia, tuberculose, carcinoma de pequenas células do pulmão, que produz ADH ectópica) e fármacos (ISRS, carbamazepina, antipsicóticos, ciclofosfamida, entre outros).

Abordagem diagnóstica resumida

A sequência laboratorial é sempre a mesma e vale a pena automatizá-la:

  1. Osmolalidade plasmática → hipotónica, isotónica ou hipertónica?
  2. Se hipotónica, avaliar volémia clinicamente.
  3. Osmolalidade urinária → distingue polidipsia primária/potomania (urina diluída, inferior a 100 mOsm/kg, o rim funciona) de estados com ADH ativa (urina concentrada, superior a 100 mOsm/kg).
  4. Sódio urinário → separa perdas renais (superior a 30 mEq/L) de extra-renais (inferior a 20 mEq/L) e ajuda a fechar o diagnóstico de SIADH.
  5. Excluir hipotiroidismo e insuficiência suprarrenal antes de assumir SIADH.

Tratamento e o limite que não se ultrapassa

A decisão terapêutica depende de duas coisas: o doente está sintomático? E a hiponatremia é aguda ou crónica?

Hiponatremia sintomática grave (convulsões, alteração do estado de consciência, coma, vómitos persistentes, sinais de edema cerebral) é uma emergência. Trata-se com soro salino hipertónico a 3%, em bólus controlados (por exemplo 100 a 150 mL em 10 a 20 minutos, repetíveis), com o objetivo de subir a natremia 2 a 6 mEq/L de forma rápida, o suficiente para reverter o edema cerebral. Não é preciso normalizar o sódio: basta tirar o cérebro do perigo.

Hiponatremia crónica ou assintomática corrige-se devagar e tratando a causa: restrição hídrica na euvolémica e hipervolémica, soro fisiológico na hipovolémica.

O erro mais perigoso, e dos mais penalizados em exame, é corrigir depressa demais uma hiponatremia crónica. Os neurónios, adaptados à hipotonicidade crónica, não toleram uma subida brusca da osmolalidade e sofrem desmielinização.

Síndrome de desmielinização osmótica

A correção excessivamente rápida do sódio (sobretudo em hiponatremia crónica) provoca a síndrome de desmielinização osmótica, classicamente a mielinólise central da ponte. Manifesta-se de forma diferida, dias depois, com disartria, disfagia, paraparésia ou tetraparésia, alterações da consciência e, no extremo, síndrome do encarceramento (locked-in). É frequentemente irreversível. Por isso existem limites de velocidade rígidos:

  • Não exceder 8 mEq/L em 24 horas na maioria dos doentes.
  • Não exceder 4 a 6 mEq/L em 24 horas em doentes de alto risco (sódio inicial inferior a 105 mEq/L, alcoolismo, desnutrição, hipocaliemia, doença hepática avançada).
  • Vigilância apertada nos casos de autocorrecção rápida: quando a causa cessa de repente (reposição de volume na hipovolémica, suspensão de tiazida, resolução da causa de SIADH), o rim começa subitamente a eliminar grandes volumes de urina diluída e o sódio pode disparar sozinho. Pode ser preciso travar a subida com água livre (glicose a 5%) e até desmopressina.

Fármacos específicos para SIADH refratário em doente assintomático: além da restrição hídrica, podem usar-se ureia oral, comprimidos de sal com diurético de ansa ou antagonistas do receptor da vasopressina (vaptanos), sempre com a mesma vigilância da velocidade de correção.


Hipernatremia

Definição: sódio sérico superior a 145 mEq/L. É quase sempre um problema de défice de água livre em relação ao sódio, ou seja, água a menos, e não sal a mais. Implica obrigatoriamente hipertonicidade, com saída de água das células e risco de lesão cerebral por desidratação neuronal e tracção dos vasos.

Um ponto decisivo de fisiologia: uma pessoa com sede intacta e acesso a água não desenvolve hipernatremia mantida, porque bebe e corrige. Por isso a hipernatremia surge tipicamente em quem não controla a própria ingesta de água: idosos dependentes, doentes acamados ou com alteração da consciência, lactentes e doentes entubados.

Causas

  • Perda de água superior à de sódio (a regra):
    • Perdas extra-renais: febre e sudação intensa, queimaduras, perdas gastrintestinais com água mais pobre em sódio.
    • Perdas renais: diabetes insípida, central (défice de produção de ADH, por exemplo pós-cirurgia hipofisária, traumatismo, tumor) ou nefrogénica (rim não responde à ADH, por exemplo lítio, hipercalcemia, hipocaliemia, doença renal). Cursa com poliúria de urina diluída e sede intensa; se o acesso a água falhar, a natremia sobe.
    • Diurese osmótica: hiperglicemia, manitol, alta carga de ureia.
  • Ganho de sódio (raro): administração de soluções hipertónicas, bicarbonato de sódio em reanimação, ingestão maciça de sal.

Na cabeceira, a história de poliúria orienta para diabetes insípida; nesse caso a prova de privação de água e a resposta à desmopressina distinguem a forma central (urina concentra com desmopressina) da nefrogénica (não concentra).

Clínica

Dominam os sintomas neurológicos por desidratação cerebral, proporcionais à velocidade de instalação: sede intensa (se o mecanismo da sede estiver preservado), letargia, irritabilidade, fraqueza, fasciculações, e nos casos graves convulsões e coma. Em crianças e idosos os sinais são inespecíficos e o diagnóstico exige suspeição.

Correção cuidada

O princípio espelha o do sódio baixo: a pressa é inimiga do cérebro. Numa hipernatremia crónica, os neurónios acumularam osmólitos para se protegerem; baixar o sódio depressa demais puxa água para dentro da célula e causa edema cerebral, com convulsões e lesão.

  • Repor primeiro a volémia com soro fisiológico se houver instabilidade hemodinâmica; só depois corrigir o défice de água livre (via oral/sonda quando possível, ou glicose a 5%/soro hipotónico).
  • Não baixar o sódio mais do que cerca de 10 mEq/L por 24 horas (alvo prudente de aproximadamente 0,5 mEq/L por hora na forma crónica).
  • Estimar e repor o défice de água livre, e não esquecer as perdas em curso (urina, perdas insensíveis).
  • Tratar a causa: desmopressina na diabetes insípida central; corrigir o fator responsável e rever fármacos na nefrogénica.

A hipernatremia aguda (instalada em horas, por exemplo erro de soluto) pode e deve ser corrigida mais depressa, porque o cérebro ainda não se adaptou. A regra lenta aplica-se à hipernatremia crónica, que é a esmagadora maioria.

HIPONATREMIA Na⁺ < 135 mmol/L Osmolalidade sérica? > 295 (hipertónica) Hiperglicemia, manitol (translocacional) 275–295 (isotónica) Pseudo-hiponatremia: ↑ lípidos, ↑ proteínas < 275 — HIPOTÓNICA Hiponatremia verdadeira (a esmagadora maioria) Avaliar a volémia HIPOVOLÉMIA Perdas de água e sódio U Na < 20: extrarrenais vómitos, diarreia, 3.º espaço U Na > 20: renais diuréticos, hipoaldosteronismo EUVOLÉMIA SIADH (mais comum) Hipotiroidismo Insuficiência suprarrenal Polidipsia primária (U osm e U Na orientam) HIPERVOLÉMIA Estados edematosos Insuficiência cardíaca Cirrose hepática Síndrome nefrótica Doença renal crónica Corrigir o sódio devagar: no máximo cerca de 8 a 10 mmol/L em 24 h. A correção demasiado rápida pode causar síndrome de desmielinização osmótica.
Esquema original InovaQB, baseado em Spasovski G, Vanholder R, Allolio B, et al. Clinical practice guideline on diagnosis and treatment of hyponatraemia. Eur J Endocrinol. 2014;170(3):G1-G47.

Distúrbios do potássio, cálcio, magnésio e fósforo

Os iões intracelulares dominantes (potássio, magnésio, fósforo) e o cálcio circulante condicionam a excitabilidade das membranas, a contração muscular e a condução cardíaca. Pequenas variações na concentração sérica traduzem-se em arritmias, fraqueza ou tetania, pelo que o reconhecimento rápido e a sequência terapêutica correta são matéria de alto rendimento na PNA.

Hipercaliemia

Definida por potássio sérico > 5,0 mEq/L, é a alteração eletrolítica com maior potencial letal imediato, porque despolariza de forma sustentada a membrana e pode precipitar paragem cardíaca em assistolia ou fibrilhação. É o ponto de maior rendimento de toda esta secção.

Causas

O potássio total do organismo é maioritariamente intracelular, por isso a hipercaliemia resulta de três mecanismos, frequentemente combinados:

  • Redução da excreção renal (a causa crónica mais comum): lesão renal aguda e doença renal crónica, hipoaldosteronismo (incluindo o hiporreninémico do diabético), insuficiência supra-renal (doença de Addison).
  • Fármacos que retêm potássio: IECA e ARA, diuréticos poupadores de potássio (espironolactona, amilorido), AINEs, trimetoprim, heparina, digitálicos em sobredosagem.
  • Saída do potássio das células (redistribuição): acidose metabólica, deficit de insulina/hiperglicémia, lise celular maciça (rabdomiólise, síndrome de lise tumoral, hemólise, queimaduras, esmagamento), bloqueio beta-adrenérgico, succinilcolina.

Atenção à pseudo-hipercaliemia: hemólise da amostra, garrote prolongado ou trombocitose/leucocitose extremas elevam o potássio in vitro. Se o valor é inesperado e o doente está assintomático com ECG normal, repete-se a colheita antes de tratar.

Achados no ECG (sequência progressiva)

As alterações acompanham grosseiramente a gravidade e evoluem por uma sequência reconhecível. Esta progressão é o clássico de exame:

  1. Ondas T apiculadas (altas, simétricas, de base estreita), tipicamente a partir de ~5,5–6,5 mEq/L: o achado mais precoce.
  2. Achatamento e desaparecimento da onda P e prolongamento do intervalo PR (~6,5–7,5 mEq/L).
  3. Alargamento progressivo do QRS (~> 7,5–8,0 mEq/L).
  4. Onda sinusoidal (fusão do QRS alargado com a onda T): pré-paragem, precede a fibrilhação ventricular ou a assistolia.

Pontos práticos: a gravidade clínica não se mede só pelo valor absoluto, mas pela velocidade de instalação e pelo ECG. Qualquer alteração do ECG (a começar nas T apiculadas) transforma a hipercaliemia numa emergência e obriga a tratar de imediato, sem esperar pela repetição analítica.

Sequência de tratamento

A lógica em três tempos é o que distingue respostas certas de erradas: primeiro estabilizar a membrana do miocárdio, depois deslocar o potássio para dentro das células (medida temporária) e só por fim remover potássio do organismo (a única que baixa o potássio total).

TempoObjetivoAgenteInício / notas
1. EstabilizarAntagonizar o efeito do K⁺ na membrana cardíacaGluconato de cálcio EV (ou cloreto de cálcio)Início em minutos; não baixa o potássio, só protege o coração. Indicado se houver alterações do ECG. Cautela na intoxicação digitálica
2. Deslocar (shift)Empurrar K⁺ para o intracelularInsulina rápida + glicose EVInício 10–20 min, dura horas. Glicose para evitar hipoglicémia
Beta-2-agonista (salbutamol nebulizado/inalado)Sinérgico com a insulina; cuidado com a taquicardia
Bicarbonato de sódioSó útil se houver acidose metabólica associada; não usar isolado por rotina
3. RemoverReduzir o potássio corporal totalDiuréticos de ansa (furosemida) se função renal preservadaAumentam a caliurese
Resinas permutadoras (poliestirenossulfonato; novos ligantes: patiromer, ciclossilicato de zircónio-sódio)Removem K⁺ pelo tubo digestivo; início mais lento
HemodiáliseDefinitiva; indicada na hipercaliemia grave refratária ou na insuficiência renal

A regra de ouro: perante hipercaliemia com repercussão no ECG, a primeira medida é o cálcio EV. O cálcio compra tempo, mas o potássio mantém-se alto enquanto não se desloca e remove, por isso as três etapas encadeiam-se sem pausa. Suspender sempre as fontes exógenas e os fármacos hipercaliemiantes.

Hipocaliemia

Potássio sérico < 3,5 mEq/L. Compromete a repolarização e predispõe a arritmias, sobretudo no doente digitalizado ou com QT longo.

Causas

  • Perdas digestivas: vómitos (com alcalose metabólica associada), diarreia, aspiração nasogástrica, abuso de laxantes.
  • Perdas renais: diuréticos de ansa e tiazídicos (causa mais frequente), hiperaldosteronismo, hipercortisolismo, hipomagnesémia, acidose tubular renal, poliúria.
  • Redistribuição para o intracelular: alcalose, insulina, beta-2-agonistas, paralisia periódica hipocaliémica, refeeding.
  • Aporte insuficiente (isolado, raro).

Achados no ECG

A repolarização prolonga-se e surgem, por ordem aproximada de gravidade:

  • Achatamento/inversão da onda T.
  • Depressão do segmento ST.
  • Ondas U proeminentes (deflexão a seguir à onda T): o achado mais característico.
  • Em casos graves, prolongamento do QT aparente e risco de torsade de pointes e outras arritmias ventriculares.

Correção e papel do magnésio

  • Repor potássio, de preferência por via oral quando a hipocaliemia é ligeira a moderada e o doente tolera. A via EV reserva-se para hipocaliemia grave, sintomática ou com arritmia, sempre diluído e em acesso de bom calibre, com monitorização e ritmo de perfusão controlado (a administração rápida ou concentrada é perigosa).
  • Corrigir sempre a hipomagnesémia concomitante. Este é o ponto mais negligenciado: na presença de hipomagnesémia, a hipocaliemia torna-se refratária à reposição de potássio, porque o deficit de magnésio aumenta a excreção renal de potássio. Sem repor magnésio, o potássio não normaliza por mais que se administre.
  • Procurar e tratar a causa (rever diuréticos, tratar a alcalose, etc.).

Hipercalcemia

Cálcio sérico total > 10,5 mg/dL (ou cálcio ionizado elevado). Confirmar sempre o valor corrigindo para a albumina (a hipoalbuminémia baixa o cálcio total sem alterar o ionizado, que é a fração fisiologicamente ativa).

Causas

Duas entidades explicam a grande maioria dos casos e devem orientar o raciocínio inicial:

  • Hiperparatiroidismo primário: causa mais frequente no ambulatório, habitualmente assintomática e detetada em análises de rotina. Adenoma da paratiroide com PTH elevada ou inapropriadamente normal.
  • Hipercalcemia maligna: causa mais frequente no doente internado e a forma mais grave/aguda. Mecanismos: secreção de PTHrP (péptido relacionado com a PTH, típico de carcinomas espinocelulares, da mama, renal), metástases osteolíticas e produção de calcitriol em linfomas. A PTH está suprimida (baixa).

Outras causas a reconhecer: intoxicação por vitamina D, doenças granulomatosas (sarcoidose), imobilização prolongada, tiazidas, lítio, hipertiroidismo, síndrome leite-álcalis.

Clínica e tratamento

O quadro clássico resume-se em "ossos, pedras, gemidos abdominais e alterações psíquicas": dor óssea, litíase e nefrocalcinose com poliúria (a hipercalcémia causa diabetes insípida nefrogénica), obstipação, náuseas, dor abdominal, e fadiga, confusão ou depressão. No ECG, encurtamento do intervalo QT.

O tratamento da hipercalcemia grave sintomática assenta em:

  1. Hidratação EV vigorosa com soro fisiológico (a base do tratamento): corrige a desidratação induzida pela poliúria e promove a calciúria.
  2. Bifosfonatos EV (ácido zoledrónico, pamidronato): inibem os osteoclastos; são o pilar na hipercalcemia maligna, mas o efeito demora 1–2 dias.
  3. Calcitonina: ação rápida mas transitória, útil como ponte nas primeiras horas.
  4. Corticóides nas causas mediadas por calcitriol (linfoma, granulomatoses) e diálise nos casos extremos ou com insuficiência renal.

Nota: os diuréticos de ansa já não são recomendados por rotina e só têm lugar após reposição volémica adequada, em contexto de sobrecarga de volume.

Hipocalcemia

Cálcio sérico total < 8,5 mg/dL (corrigido para a albumina) ou cálcio ionizado baixo.

Causas

  • Hipoparatiroidismo (PTH baixa): sobretudo pós-cirúrgico (tiroidectomia, paratiroidectomia), autoimune.
  • Deficit de vitamina D e doença renal crónica (com hiperfosfatemia e calcitriol baixo).
  • Hipomagnesémia (induz resistência e baixa secreção de PTH).
  • Pancreatite aguda, hiperfosfatemia (lise tumoral), alcalose (a alcalose respiratória aguda baixa o cálcio ionizado por aumento da ligação à albumina, precipitando tetania com cálcio total normal), transfusões maciças (quelação pelo citrato).

Clínica de tetania e sinais

A marca da hipocalcemia é a hiperexcitabilidade neuromuscular, que se manifesta por tetania: parestesias peri-orais e das extremidades, cãibras, espasmo carpopedal, e nos casos graves laringospasmo e convulsões. Dois sinais clínicos clássicos confirmam a irritabilidade neuromuscular latente:

  • Sinal de Chvostek: a percussão do nervo facial à frente do pavilhão auricular provoca contração dos músculos faciais ipsilaterais.
  • Sinal de Trousseau: a insuflação da braçadeira de tensão acima da pressão sistólica durante cerca de 3 minutos induz espasmo carpal (mais específico que o de Chvostek).

No ECG, prolongamento do intervalo QT, com risco de arritmia. O tratamento da hipocalcemia sintomática (tetania, laringospasmo, convulsões, QT longo) é cálcio EV (gluconato de cálcio diluído); nos casos ligeiros e crónicos, cálcio oral com vitamina D. Repor magnésio se houver hipomagnesémia, sob pena de refractariedade.

Magnésio e fósforo

Magnésio

  • Hipomagnesémia (Mg < 1,7 mg/dL): causas frequentes são o alcoolismo, perdas digestivas (diarreia), diuréticos e inibidores da bomba de protões em uso prolongado. Provoca tetania, tremor, arritmias (incluindo torsade de pointes) e, sobretudo, hipocaliemia e hipocalcemia refratárias enquanto não for corrigida. Por isso, perante um potássio ou um cálcio que não normalizam, dosear e repor o magnésio.
  • Hipermagnesémia: quase sempre por insuficiência renal ou aporte excessivo (antiácidos/laxantes com magnésio, sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia). Cursa com hiporreflexia progressiva, hipotensão, depressão respiratória e bloqueio cardíaco. O antídoto funcional na intoxicação grave é o cálcio EV.

Fósforo

  • Hipofosfatemia (P < 2,5 mg/dL): destaca-se a síndrome de realimentação (refeeding), a cetoacidose diabética em tratamento, o alcoolismo e a alcalose respiratória. Quando grave (< 1,0 mg/dL) causa fraqueza muscular, rabdomiólise, insuficiência respiratória por fraqueza diafragmática e disfunção hematológica.
  • Hiperfosfatemia: típica da doença renal crónica e da lise tumoral/rabdomiólise. Liga-se ao cálcio e contribui para a hipocalcemia; o controlo crónico faz-se com restrição dietética e quelantes do fósforo.
Normal K⁺ 3,5–5,0 mmol/L P, QRS e T normais Ligeira (5,5–6,5) Ondas T apiculadas, altas, estreitas e simétricas Moderada (6,5–8,0) P achatada ou ausente, PR longo, QRS alargado Grave (> 8,0) Onda sinusoidal; risco de FV / assistolia ↑ K⁺ → agravamento progressivo das alterações
Esquema original InovaQB (representação estilizada). A correlação entre o valor de potássio e as alterações do ECG é variável e depende da rapidez de instalação.

Conceitos fundamentais

O pH arterial normal situa-se entre 7,35 e 7,45, mantido dentro desta janela estreita pelo sistema-tampão bicarbonato/ácido carbónico, pela ventilação alveolar e pela excreção renal de ácido. A relação central é a equação de Henderson-Hasselbalch, que na prática se resume a uma ideia simples: o pH depende do rácio entre bicarbonato (componente metabólico, regulado pelo rim) e PaCO₂ (componente respiratório, regulado pelo pulmão).

$$pH \propto \frac{[HCO_3^-]}{PaCO_2}$$

Daqui saem as definições operacionais que vais usar em toda a interpretação:

  • Acidémia: pH < 7,35. Alcalémia: pH > 7,45. (Referem-se ao sangue.)
  • Acidose / alcalose: o processo fisiopatológico que tende a baixar ou subir o pH (pode existir sem alterar o pH final, se houver compensação ou distúrbios mistos).
  • Distúrbio metabólico: alteração primária do HCO₃⁻.
  • Distúrbio respiratório: alteração primária da PaCO₂.

Valores de referência úteis na gasometria arterial: pH 7,35–7,45; PaCO₂ 35–45 mm Hg; HCO₃⁻ 22–26 mmol/L.

Regra de ouro: o organismo nunca sobre-compensa. A compensação aproxima o pH do normal mas, por si só, não o ultrapassa nem o normaliza por completo. Se o pH está "demasiado bem" para o grau de alteração, ou ultrapassou o lado oposto, há um segundo distúrbio.


Abordagem sistemática à gasometria (passo a passo)

Interpretar uma gasometria sem método leva a erros. Segue sempre a mesma sequência de cinco passos.

Passo 1: olhar o pH (acidémia ou alcalémia?)

  • pH < 7,35 → predomina uma acidose.
  • pH > 7,45 → predomina uma alcalose.
  • pH normal não exclui doença: pode haver distúrbio compensado ou dois distúrbios opostos a anularem-se.

Passo 2: identificar o distúrbio primário (metabólico ou respiratório)

Vê qual o parâmetro (HCO₃⁻ ou PaCO₂) que se move no mesmo sentido do pH e explica a alteração:

pHHCO₃⁻PaCO₂Distúrbio primário
↓ (acidémia)(↓)Acidose metabólica
↓ (acidémia)(↑)Acidose respiratória
↑ (alcalémia)(↑)Alcalose metabólica
↑ (alcalémia)(↓)Alcalose respiratória

Regra mnemónica: nos distúrbios metabólicos, pH e PaCO₂ andam no mesmo sentido (ambos descem na acidose); nos respiratórios, pH e PaCO₂ andam em sentidos opostos (PaCO₂ sobe, pH desce).

Passo 3: a compensação é adequada?

Calcula a compensação esperada e compara com a real (fórmulas na tabela e no high-yield). Três desfechos possíveis:

  • Compensação dentro do esperado → distúrbio simples com compensação apropriada.
  • Compensação insuficiente (PaCO₂ mais alta do que o previsto numa acidose metabólica, por ex.) → coexiste acidose respiratória.
  • Compensação excessiva (PaCO₂ mais baixa do que o previsto) → coexiste alcalose respiratória.

O ponto crítico: a compensação respiratória de um distúrbio metabólico é rápida (minutos a horas); a compensação renal de um distúrbio respiratório é lenta (24–72 h), o que distingue formas agudas de crónicas.

Passo 4: calcular o hiato aniónico (sempre, mesmo se o pH é normal)

$$HA = Na^+ - (Cl^- + HCO_3^-)$$

Valor normal 8–12 mmol/L (depende do laboratório; alguns usam 6–12). O hiato representa os aniões não medidos (sobretudo albumina, fosfatos, sulfatos, aniões orgânicos). É obrigatório calcular o HA em qualquer acidose metabólica para a separar em dois grandes grupos (com e sem hiato aumentado) e, mesmo num pH normal, pode desmascarar uma acidose com HA elevado escondida.

Correção pela albumina (passo que muitos esquecem): o HA "normal" assume albumina ≈ 4 g/dL. Por cada 1 g/dL de albumina abaixo de 4, o HA medido subestima o real em cerca de 2,5 mmol/L. Num doente hipoalbuminémico (cirrótico, séptico, crítico), um HA aparentemente "normal" pode esconder uma verdadeira acidose com hiato aumentado.

$$HA_{corrigido} = HA_{medido} + 2,5 \times (4 - albumina\ em\ g/dL)$$

Passo 5: nas acidoses com HA aumentado, o delta-delta

Quando há acidose metabólica com hiato aumentado, compara-se o aumento do hiato (ΔHA = HA − 12) com a queda do bicarbonato (ΔHCO₃⁻ = 24 − HCO₃⁻). A lógica: cada anião não medido que se acumula deveria consumir uma molécula de bicarbonato, pelo que os dois deltas deveriam ser semelhantes.

$$\Delta\Delta = \frac{\Delta HA}{\Delta HCO_3^-} = \frac{HA - 12}{24 - HCO_3^-},$$

Interpretação:

  • Rácio ≈ 1 a 2 → acidose metabólica com HA aumentado pura.
  • Rácio < 1 (a queda do HCO₃⁻ é maior do que a subida do HA) → coexiste uma acidose metabólica sem hiato aniónico (hiperclorémica).
  • Rácio > 2 (o HA sobe mais do que o HCO₃⁻ desce) → coexiste alcalose metabólica ou acidose respiratória crónica (HCO₃⁻ basal já estava elevado).

Tabela dos distúrbios primários e compensação esperada

Distúrbio primárioAlteração primáriaResposta compensatóriaFórmula da compensação esperada
Acidose metabólica↓ HCO₃⁻↓ PaCO₂ (hiperventilação)Winter: PaCO₂ = (1,5 × HCO₃⁻) + 8 ± 2
Alcalose metabólica↑ HCO₃⁻↑ PaCO₂ (hipoventilação)PaCO₂ sobe ≈ 0,7 mm Hg por cada 1 mmol/L de HCO₃⁻ (≈ +0,7 × ΔHCO₃⁻)
Acidose respiratória aguda↑ PaCO₂↑ ligeiro do HCO₃⁻ (tamponamento celular)HCO₃⁻ sobe 1 mmol/L por cada 10 mm Hg de ↑ PaCO₂
Acidose respiratória crónica↑ PaCO₂↑ HCO₃⁻ (retenção renal)HCO₃⁻ sobe 3,5–4 mmol/L por cada 10 mm Hg de ↑ PaCO₂
Alcalose respiratória aguda↓ PaCO₂↓ ligeiro do HCO₃⁻HCO₃⁻ desce 2 mmol/L por cada 10 mm Hg de ↓ PaCO₂
Alcalose respiratória crónica↓ PaCO₂↓ HCO₃⁻ (excreção renal)HCO₃⁻ desce 4–5 mmol/L por cada 10 mm Hg de ↓ PaCO₂

Atalho clínico (regra dos pares): num distúrbio respiratório crónico bem compensado, o pH "recupera" muito mais do que no agudo, porque o rim teve tempo de reter ou excretar bicarbonato. A diferença entre uma subida de HCO₃⁻ de 1 (agudo) e de 4 por cada 10 mm Hg (crónico) é o que distingue uma agudização aguda de uma DPOC estável.


Acidose metabólica

Caracteriza-se por HCO₃⁻ baixo e pH baixo, com hiperventilação compensatória (respiração de Kussmaul nas formas graves). O passo decisivo é o hiato aniónico, que divide as causas em dois grupos.

Acidose metabólica com hiato aniónico aumentado

Acumula-se um ácido não medido, cujo anião conjugado eleva o hiato enquanto o ião H⁺ consome bicarbonato. Mnemónica clássica GOLD MARK (substituiu a antiga MUDPILES):

  • G: Glicóis (etilenoglicol, propilenoglicol)
  • O: Oxoprolina (5-oxoprolina, associada a paracetamol crónico)
  • L: acidose Láctica (tipo A: hipoperfusão/choque/sépsis; tipo B: metformina, fármacos, neoplasias, disfunção hepática)
  • D: D-lactato (síndrome do intestino curto)
  • M: Metanol
  • A: Aspirina (salicilatos: tipicamente acidose metabólica com HA + alcalose respiratória)
  • R: insuficiência Renal (urémica: retenção de fosfatos, sulfatos, uratos)
  • K: Ketoacidose / cetoacidose (diabética, alcoólica, jejum prolongado)

Na prática diária, as três causas mais frequentes são cetoacidose, acidose láctica e urémica. Pistas úteis:

  • Hiato osmolar elevado (osmolalidade medida − calculada > 10–15) aponta para intoxicação por álcoois (metanol, etilenoglicol): pesquisar sempre nestes casos.
  • Cetoacidose diabética: hiperglicémia, cetonémia/cetonúria, doente jovem com DM1 ou stress agudo.
  • Acidose láctica tipo A: lactato elevado + sinais de má perfusão (choque, isquémia mesentérica).

Acidose metabólica sem hiato aniónico (hiperclorémica)

O bicarbonato perde-se e é substituído por cloro (o hiato mantém-se normal). As causas resumem-se a perdas digestivas ou renais de bicarbonato. Mnemónica HARDASS (ou "USED CARP"); na prática, pensa em dois eixos:

  • Perdas gastrointestinais (a causa mais comum): diarreia, fístulas e drenagens intestinais/pancreáticas, ureterosigmoidostomia.
  • Perdas renais / acidoses tubulares renais (ATR):
    • ATR tipo 1 (distal): incapacidade de excretar H⁺ no túbulo distal → pH urinário > 5,5, hipocalémia, risco de litíase/nefrocalcinose.
    • ATR tipo 2 (proximal): perda proximal de HCO₃⁻ → frequentemente parte de síndrome de Fanconi, hipocalémia.
    • ATR tipo 4 (hipoaldosteronismo): hipercalémia (a única ATR que cursa com K⁺ alto); típica na nefropatia diabética.
  • Outras: inibidores da anidrase carbónica (acetazolamida), administração excessiva de soro fisiológico (acidose hiperclorémica dilucional).

Hiato aniónico urinário distingue as duas grandes causas de acidose hiperclorémica: HAU = (Na⁺ + K⁺) − Cl⁻ na urina. Negativo ("NEgative = GI") sugere perda digestiva (rim a excretar amónio normalmente); positivo sugere causa renal (ATR, defeito de excreção de amónio).


Alcalose metabólica

Caracteriza-se por HCO₃⁻ elevado e pH alto, com hipoventilação compensatória (que raramente leva a PaCO₂ acima de ~55 mm Hg, pelo estímulo hipoxémico). Para se manter, exige um fator que gere o excesso de bicarbonato e outro que o perpetue (tipicamente o rim, na presença de depleção de volume, cloro ou potássio). Classifica-se pela resposta ao cloro, medida pelo cloro urinário.

Alcalose metabólica cloro-sensível (Cl⁻ urinário < 20 mmol/L)

Responde à reposição de soro fisiológico (cloreto de sódio). Há depleção de volume e de cloro:

  • Vómitos / aspiração nasogástrica (perda de HCl): causa clássica.
  • Diuréticos (de ansa e tiazídicos), na fase pós-diurética.
  • Pós-hipercápnia (correção rápida de acidose respiratória crónica com HCO₃⁻ ainda elevado).

Alcalose metabólica cloro-resistente (Cl⁻ urinário > 20 mmol/L)

Não responde ao soro fisiológico; o motor é geralmente excesso de mineralocorticóides ou depleção grave de potássio:

  • Hiperaldosteronismo primário (Conn), síndrome de Cushing, estenose da artéria renal.
  • Síndromes de Bartter e Gitelman (tubulopatias perdedoras de sal, com pressão arterial normal/baixa).
  • Hipocalémia grave, abuso de alcaçuz (efeito mineralocorticóide).

Pista de exame: alcalose metabólica + hipertensão + hipocalémia → pensar em excesso de mineralocorticóides (cloro-resistente). Alcalose metabólica + tensão normal/baixa + história de vómitos ou diuréticos → cloro-sensível.


Acidose e alcalose respiratórias

O problema é sempre da ventilação alveolar, refletido na PaCO₂. A chave é distinguir agudo de crónico pelo grau de compensação renal (ver tabela).

Acidose respiratória (hipoventilação, ↑ PaCO₂)

Retenção de CO₂ por ventilação insuficiente:

  • Aguda: depressão do centro respiratório (opióides, sedativos), obstrução aguda da via aérea, crise asmática grave, pneumotórax. HCO₃⁻ quase normal (sobe só ~1 por cada 10 mm Hg).
  • Crónica: DPOC (causa mais típica), síndrome de hipoventilação-obesidade, doenças neuromusculares, cifoscoliose. O rim retém bicarbonato (sobe 3,5–4 por cada 10 mm Hg), pelo que o pH se aproxima do normal.

Uma agudização aguda sobre crónica (ex.: infeção respiratória num doente com DPOC) mostra HCO₃⁻ elevado de base (crónico) mas pH desproporcionadamente baixo (componente agudo sobreposto).

Alcalose respiratória (hiperventilação, ↓ PaCO₂)

Eliminação excessiva de CO₂. É o distúrbio mais comum em doentes hospitalizados/críticos:

  • Aguda: ansiedade/dor, hipóxia (altitude, embolia pulmonar, pneumonia precoce), febre, sépsis precoce, salicilatos (estimulam diretamente o centro respiratório), ventilação mecânica excessiva.
  • Crónica: gravidez (progesterona), doença hepática, exposição prolongada a altitude, hipóxia crónica.

Exemplos práticos de interpretação

Exemplo 1. Homem de 60 anos, DPOC, dispneia há 3 dias. Gasometria: pH 7,30, PaCO₂ 60 mm Hg, HCO₃⁻ 29 mmol/L.

  • Passo 1: pH 7,30 → acidémia.
  • Passo 2: PaCO₂ alta e pH baixo (sentidos opostos) → acidose respiratória.
  • Passo 3: aguda ou crónica? Se fosse puramente crónica, o HCO₃⁻ deveria estar ~32–34 (subida de 3,5–4 por cada 10 mm Hg acima de 40, ou seja +7 a +8). Está em 29 (subida de ~5). A compensação é intermédia: trata-se de acidose respiratória aguda sobre crónica (agudização da DPOC).

Exemplo 2. Mulher de 25 anos, DM1, náuseas e polidipsia. Na⁺ 138, Cl⁻ 100, HCO₃⁻ 10 mmol/L; glicémia 480 mg/dL; pH 7,20, PaCO₂ 24 mm Hg.

  • Passo 1: pH 7,20 → acidémia.
  • Passo 2: HCO₃⁻ baixo, pH baixo → acidose metabólica.
  • Passo 4: HA = 138 − (100 + 10) = 28 → acidose metabólica com hiato aniónico aumentado (cetoacidose diabética).
  • Passo 3 (Winter): PaCO₂ esperada = 1,5 × 10 + 8 = 23 ± 2 (21–25). Real 24 → compensação respiratória adequada, sem distúrbio respiratório associado.
  • Passo 5 (delta-delta): ΔHA = 28 − 12 = 16; ΔHCO₃⁻ = 24 − 10 = 14; rácio ≈ 1,1 → acidose com HA aumentado pura.

Exemplo 3. Homem de 40 anos, vómitos há vários dias. Na⁺ 140, Cl⁻ 88, HCO₃⁻ 38 mmol/L; pH 7,52, PaCO₂ 48 mm Hg; Cl⁻ urinário 8 mmol/L.

  • Passo 1: pH 7,52 → alcalémia.
  • Passo 2: HCO₃⁻ alto, pH alto → alcalose metabólica.
  • Passo 3: compensação esperada PaCO₂ ≈ 40 + 0,7 × (38 − 24) ≈ 50. Real 48 → compensação respiratória adequada.
  • Cloro urinário 8 (< 20) → alcalose metabólica cloro-sensível, por perda gástrica de HCl. Responde a soro fisiológico.

Exemplo 4 (intoxicação por salicilatos). pH 7,44, PaCO₂ 22 mm Hg, HCO₃⁻ 15 mmol/L, HA 22.

  • pH quase normal mas PaCO₂ muito baixa e HCO₃⁻ muito baixo: dois processos. Há acidose metabólica com HA aumentado (HA 22) e alcalose respiratória (PaCO₂ 22, demasiado baixa para a mera compensação de Winter, que daria ~30). Padrão típico de intoxicação por aspirina no adulto.
1 · Avaliar o pH < 7,35 → acidemia · > 7,45 → alcalemia 2 · Distúrbio primário — observar HCO₃⁻ e PaCO₂ Metabólica (HCO₃⁻) Respiratória (PaCO₂) ACIDOSE ↓ HCO₃⁻ ↑ PaCO₂ ALCALOSE ↑ HCO₃⁻ ↓ PaCO₂ 3 · A compensação é adequada? Acidose metabólica → fórmula de Winter: PaCO₂ esperado = 1,5 × HCO₃⁻ + 8 (± 2) Se o PaCO₂ medido for diferente do esperado, coexiste um distúrbio misto. 4 · Hiato aniónico = Na⁺ − (Cl⁻ + HCO₃⁻) Elevado (> 12): cetoacidose, acidose láctica, urémia, tóxicos (metanol, etilenoglicol). Normal (hiperclorémica): perdas digestivas (diarreia) ou acidose tubular renal. Calcular sobretudo perante uma acidose metabólica.
Esquema original InovaQB, baseado em Berend K, de Vries APJ, Gans ROB. Physiological approach to assessment of acid-base disturbances. N Engl J Med. 2014;371(15):1434-1445.

Referências

  1. Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, et al., editores. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2022 (distúrbios hidroelectrolíticos e do equilíbrio ácido-base).
  2. Spasovski G, Vanholder R, Allolio B, et al. Clinical practice guideline on diagnosis and treatment of hyponatraemia. Eur J Endocrinol. 2014;170(3):G1-G47.
  3. Berend K, de Vries APJ, Gans ROB. Physiological approach to assessment of acid-base disturbances. N Engl J Med. 2014;371(15):1434-1445.
  4. Mount DB. Disorders of potassium and sodium balance. UpToDate (consultado em 2026).

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