Doenças das glândulas paratiroideias e homeostase do cálcio
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema
As quatro paratiroides mantêm o cálcio ionizado dentro de uma faixa estreita através da paratormona, que atua no osso e no rim e, ao ativar a vitamina D no rim, também no intestino. O recetor sensor do cálcio da célula paratiroideia funciona como termóstato: cálcio alto trava a secreção, cálcio baixo solta-a. Quase toda a doença da glândula se lê com dois valores colhidos ao mesmo tempo, o cálcio (corrigido para a albumina ou ionizado) e a paratormona, com o fósforo e o magnésio a desempatar.
O hiperparatiroidismo primário é a causa habitual de hipercalcemia no ambulatório. Deve-se a um adenoma único em 85% dos casos e hoje é quase sempre descoberto numa análise, sem queixas. Confirma-se com cálcio alto e paratormona alta ou inapropriadamente normal; a imagem não diagnostica e só se pede para localizar a glândula depois de decidido operar. A paratiroidectomia cura quase todos e opera-se quem tem menos de 50 anos, cálcio mais de 1 mg/dL acima do limite, osteoporose, fratura vertebral ou atingimento renal; os restantes podem ser vigiados.
Duas situações imitam-no e não se operam: a hipercalcemia hipocalciúrica familiar, que se reconhece pela calciúria baixa e pela família com o mesmo cálcio, e o efeito do lítio e das tiazidas. O hiperparatiroidismo secundário é a resposta adequada da glândula a um cálcio que tende a descer, na doença renal crónica e no défice de vitamina D, e tem cálcio normal ou baixo. O terciário é a glândula que se tornou autónoma depois desse estímulo prolongado, tipicamente depois do transplante renal, e volta a dar hipercalcemia.
No polo oposto, o hipoparatiroidismo é em três quartos dos casos consequência de cirurgia cervical e dá hipocalcemia com fósforo alto e paratormona baixa. Trata-se com cálcio e vitamina D ativa, com um alvo deliberadamente baixo para proteger o rim, e há paratormona de substituição para os casos mal controlados. O pseudo-hipoparatiroidismo tem a mesma bioquímica com paratormona alta, porque o defeito é de resistência à hormona.
O que não se pode falhar: a crise hipercalcémica, que começa pelo soro fisiológico e nunca pela furosemida; a hipomagnesemia, que impede a secreção de paratormona e deixa a hipocalcemia por corrigir; o feocromocitoma na neoplasia endócrina múltipla tipo 2A, excluído antes de qualquer cirurgia cervical; e, depois de uma paratiroidectomia, a distinção entre osso faminto e hipoparatiroidismo, que se faz pelo fósforo e pela paratormona.
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