Endocrinológica e Metabólica›Distúrbios da neuro-hipófisePublicado (Premium)

Distúrbios da neuro-hipófise

Matriz PNA:MD · MecanismosD · Diagnóstico

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema

Em resumo

A neuro-hipófise é feita dos terminais dos axónios dos núcleos supraótico e paraventricular do hipotálamo, que libertam vasopressina (hormona antidiurética) e ocitocina diretamente na circulação. A vasopressina tem uma função que importa: poupar água, concentrando a urina através do recetor V2 do tubo coletor. A patologia deste território resume-se a duas imagens espelhadas: vasopressina a menos, ou rim que não lhe responde, dá poliúria de urina diluída; vasopressina a mais, ou inapropriada, retém água e dá hiponatremia.

Do lado da poliúria estão três entidades que se apresentam da mesma maneira, com poliúria hipotónica e sede: a diabetes insípida central, por falta de secreção de vasopressina (idiopática, pós-cirúrgica, traumática, tumoral ou infiltrativa); a diabetes insípida nefrogénica, em que o rim não responde à hormona (lítio, hipercalcemia, hipocaliemia, formas genéticas); e a polidipsia primária, em que se bebe demais e a vasopressina está suprimida de forma apropriada. Enquanto houver sede e acesso a água o sódio fica normal, e a hipernatremia aparece quando falta uma das duas.

Separá-las é o problema diagnóstico. A prova de restrição hídrica com desmopressina resolve as formas completas, mas erra muitas vezes entre a central parcial e a polidipsia primária. A copeptina, fragmento libertado em quantidade igual à vasopressina, veio melhorar isso: um valor basal alto identifica a nefrogénica, e a copeptina estimulada por solução salina hipertónica é hoje o teste mais exato para separar a central da polidipsia primária. A central trata-se com desmopressina; a nefrogénica não lhe responde e trata-se retirando a causa, com dieta pobre em sal, tiazida, amilorida ou anti-inflamatório não esteroide; na polidipsia primária a desmopressina é perigosa.

Do lado da hiponatremia está a síndrome de secreção inapropriada de hormona antidiurética (SIADH), a causa mais frequente de hiponatremia euvolémica: pneumonia, doença do sistema nervoso central, carcinoma de pequenas células do pulmão e fármacos como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina. É um diagnóstico de exclusão: hiponatremia hipotónica, urina inapropriadamente concentrada, sódio urinário alto, euvolemia, e tiroide, suprarrenal e rim normais, sem diuréticos. Trata-se a causa, restringe-se a água e, se não chegar, aumenta-se a carga de soluto com ureia oral ou com diurético de ansa e sal.

O que não se pode falhar é o ritmo. Uma hiponatremia com sintomas graves trata-se logo com bólus de solução salina a 3% para subir o sódio cerca de 5 mEq/L; uma hiponatremia crónica não pode subir mais de 10 mEq/L nas primeiras 24 horas, e não mais de 8 no doente alcoólico, desnutrido, hipocaliémico ou hepatopata, sob pena de síndrome de desmielinização osmótica. Depois da cirurgia hipofisária, a mesma lesão da haste pode dar diabetes insípida, depois hiponatremia por libertação descontrolada da hormona armazenada e, por fim, diabetes insípida permanente: é a resposta trifásica, e manter a desmopressina na segunda fase provoca hiponatremia grave.

Referências

  1. Robertson GL. Disorders of the neurohypophysis. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018. Chapter 374.
  2. Mount DB. Fluid and electrolyte disturbances. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill; 2022. Chapter 53.
  3. Wing EJ, Schiffman FJ, editors. Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Chapter 64, Hypothalamic-pituitary axis. p. 633-4.
  4. Spasovski G, Vanholder R, Allolio B, Annane D, Ball S, Bichet D, et al. Clinical practice guideline on diagnosis and treatment of hyponatraemia. Eur J Endocrinol. 2014;170(3):G1-G47.
  5. Verbalis JG, Goldsmith SR, Greenberg A, Korzelius C, Schrier RW, Sterns RH, et al. Diagnosis, evaluation, and treatment of hyponatremia: expert panel recommendations. Am J Med. 2013;126(10 Suppl 1):S1-S42.
  6. Sterns RH, Rondon-Berrios H, Adrogué HJ, Berl T, Burst V, Cohen DM, et al. Treatment guidelines for hyponatremia: stay the course. Clin J Am Soc Nephrol. 2024;19(1):129-35.
  7. Timper K, Fenske W, Kühn F, Frech N, Arici B, Rutishauser J, et al. Diagnostic accuracy of copeptin in the differential diagnosis of the polyuria-polydipsia syndrome: a prospective multicenter study. J Clin Endocrinol Metab. 2015;100(6):2268-74.
  8. Fenske W, Refardt J, Chifu I, Schnyder I, Winzeler B, Drummond J, et al. A copeptin-based approach in the diagnosis of diabetes insipidus. N Engl J Med. 2018;379(5):428-39.
  9. Refardt J, Atila C, Chifu I, Ferrante E, Erlic Z, Drummond JB, et al. Arginine or hypertonic saline-stimulated copeptin to diagnose AVP deficiency. N Engl J Med. 2023;389(20):1877-87.
  10. Choy KW, Wijeratne N, Chiang C, Don-Wauchope A. Copeptin as a surrogate marker for arginine vasopressin: analytical insights, current utility, and emerging applications. Crit Rev Clin Lab Sci. 2025;62(1):24-44.
  11. Atila C, Refardt J, Christ-Crain M. Arginine vasopressin deficiency: diagnosis, management and the relevance of oxytocin deficiency. Nat Rev Endocrinol. 2024;20(8):487-500.
  12. Flynn K, Hatfield J, Brown K, Vietor N, Hoang T. Central and nephrogenic diabetes insipidus: updates on diagnosis and management. Front Endocrinol (Lausanne). 2025;15:1479764.
  13. Non L, Brito D, Anastasopoulou C. Neurosarcoidosis-associated central diabetes insipidus masked by adrenal insufficiency. BMJ Case Rep. 2015;2015:bcr2014206390.
  14. Gonzalez MB, Silvares EA, Perez GR. Gestational diabetes insipidus: a systematic review of case reports. J Perinat Med. 2025;53(7):885-99.
  15. Fountas A, Coulden A, Fernández-García S, Tsermoulas G, Allotey J, Karavitaki N. Central diabetes insipidus (vasopressin deficiency) after surgery for pituitary tumours: a systematic review and meta-analysis. Eur J Endocrinol. 2024;191(1):S1-S13.
  16. Lee CC, Wang YC, Liu YT, Huang YC, Hsu PW, Wei KC, et al. Incidence and factors associated with postoperative delayed hyponatremia after transsphenoidal pituitary surgery: a meta-analysis and systematic review. Int J Endocrinol. 2021;2021:6659152.
  17. Yu S, Taghvaei M, Reyes M, Piper K, Collopy S, Gaughan JP, et al. Delayed symptomatic hyponatremia in transsphenoidal surgery: systematic review and meta-analysis of its incidence and prevention with water restriction. Clin Neurol Neurosurg. 2022;214:107166.
  18. Hasan D, Vermeulen M, Wijdicks EF, Hijdra A, van Gijn J. Effect of fluid intake and antihypertensive treatment on cerebral ischemia after subarachnoid hemorrhage. Stroke. 1989;20(11):1511-5.

14 perguntas sobre Distúrbios da neuro-hipófise

Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.

Criar conta e treinar