Dislipidemias e distúrbios do metabolismo das lipoproteínas
Atualizado em 18 de julho de 2026 · 9 perguntas neste tema
As dislipidemias são um tema de relevância A na matriz PNA — alto rendimento — e uma das poucas áreas da Medicina em que a prova pode testar simultaneamente fisiopatologia molecular, cálculo laboratorial, estratificação de risco e algoritmo terapêutico na mesma vinheta. O que distingue o candidato preparado não é saber que a estatina baixa o colesterol, mas conseguir reconhecer uma hipercolesterolemia familiar num doente de 35 anos com xantomas tendinosos e história de morte súbita paterna, saber que o LDL calculado por Friedewald deixa de ser fiável com triglicéridos elevados, e recitar sem hesitar os alvos de LDL por categoria de risco (muito alto <55, alto <70, moderado <100, baixo <116 mg/dL). Domine três eixos: (1) as vias exógena, endógena e de transporte reverso, com o eixo receptor de LDL–PCSK9; (2) o diagnóstico e o rastreio em cascata da hipercolesterolemia familiar; (3) a estratificação SCORE2/SCORE2-OP com os alvos e o escalonamento terapêutico. A regra de ouro clínica atravessa todo o capítulo: excluir sempre causa secundária antes de rotular uma dislipidemia como primária.
Arquitetura de uma lipoproteína
Os lípidos são hidrofóbicos e o plasma é aquoso — daí a necessidade de veículos. Uma lipoproteína é uma partícula esférica com núcleo apolar (ésteres de colesterol e triglicéridos) e superfície anfipática (fosfolípidos, colesterol livre e apolipoproteínas). As apolipoproteínas não são meros invólucros: são o endereço da partícula, determinando que receptor a capta e que enzima a processa.
| Classe | Densidade | Apo estrutural | Conteúdo dominante | Aterogénica? |
|---|---|---|---|---|
| Quilomícra | Muito baixa | ApoB-48 | Triglicéridos da dieta | Remanescentes sim |
| VLDL | Baixa | ApoB-100 | Triglicéridos endógenos | Sim |
| IDL (remanescentes) | Intermédia | ApoB-100 | Misto | Muito |
| LDL | Baixa-densidade | ApoB-100 | Ésteres de colesterol | Sim — a principal |
| HDL | Alta | ApoA-I | Colesterol (transporte reverso) | Não |
| Lp(a) | Variável | ApoB-100 + apo(a) | Ésteres de colesterol | Sim, independente |
Uma noção unificadora e muito testável: cada partícula aterogénica contém exatamente uma molécula de ApoB. Por isso a ApoB é uma contagem direta do número de partículas aterogénicas circulantes, e é um marcador de risco superior ao LDL-C quando o conteúdo de colesterol por partícula varia (diabetes, hipertrigliceridemia, LDL pequenas e densas).
Via exógena — do prato ao fígado
O colesterol e os triglicéridos da dieta são absorvidos no enterócito; a captação do colesterol depende do transportador NPC1L1 (alvo molecular da ezetimiba). O enterócito monta quilomícra contendo ApoB-48 (produzida por edição do mesmo gene da ApoB-100, que é hepática) e exporta-as pelo canal linfático torácico, o que explica que entrem na circulação sistémica sem primeira passagem hepática.
No capilar, as quilomícra adquirem ApoC-II e ApoE das HDL. A ApoC-II é o cofator obrigatório da lipoproteína lipase (LPL), ancorada ao endotélio pela proteína GPIHBP1 — a LPL hidrolisa os triglicéridos, libertando ácidos gordos para o músculo e o tecido adiposo. A partícula empobrecida em triglicéridos torna-se um quilomícron remanescente, rico em colesterol, que é captado pelo fígado através do receptor de remanescentes/receptor de LDL, via ApoE.
A ApoC-III é o travão fisiológico deste sistema: inibe a LPL e a captação hepática. Variantes com perda de função da ApoC-III associam-se a triglicéridos baixos e menor risco cardiovascular — é a base racional de terapêuticas dirigidas à ApoC-III na quilomicronemia. A ANGPTL3 é outro inibidor da LPL, também explorado como alvo.
Via endógena — o fígado como exportador
O hepatócito monta VLDL com ApoB-100 (a montagem depende da proteína microsomal de transferência, MTP) e exporta triglicéridos endógenos. Na circulação, a mesma LPL delipida a VLDL, gerando IDL/remanescentes e depois LDL — partículas cada vez mais pobres em triglicéridos e proporcionalmente mais ricas em ésteres de colesterol.
A LDL é depurada sobretudo pelo receptor de LDL (LDLR) hepático, que reconhece a ApoB-100. Este é o eixo central de todo o capítulo, porque explica praticamente toda a farmacologia:
- O LDLR liga a LDL na superfície do hepatócito e internaliza-a por endocitose.
- No endossoma acidificado, o receptor liberta o ligando e recicla para a membrana — cada receptor faz múltiplos ciclos.
- A PCSK9, secretada pelo fígado, liga-se ao LDLR extracelular e desvia-o para degradação lisossomal, impedindo a reciclagem.
Daqui decorre uma lógica inteiramente previsível:
- Menos LDLR funcionante → mais LDL circulante (hipercolesterolemia familiar).
- Mais PCSK9 (variantes de ganho de função) → menos receptores → mais LDL.
- Menos PCSK9 (perda de função) → mais receptores → menos LDL e menos eventos — a observação genética humana que originou os inibidores de PCSK9.
E explica também porque é que as estatinas funcionam. Ao inibirem a HMG-CoA redutase (enzima limitante da síntese de colesterol), reduzem o colesterol intracelular hepático; isto ativa o fator de transcrição SREBP-2, que aumenta a expressão do LDLR — o efeito hipolipemiante das estatinas é, sobretudo, um efeito de aumento da depuração de LDL, não de redução da síntese per se.
Transporte reverso do colesterol e o problema do HDL
A ApoA-I pobre em lípidos capta colesterol livre dos macrófagos da parede arterial através do transportador ABCA1 (e ABCG1 para partículas mais maduras), formando HDL discoidal. A LCAT esterifica o colesterol, tornando-o apolar e empurrando-o para o núcleo — a partícula esfericiza. O colesterol regressa ao fígado diretamente via receptor SR-BI ou indiretamente, através da CETP, que troca ésteres de colesterol das HDL por triglicéridos das lipoproteínas com ApoB.
Esta última via explica um fenómeno clínico central: quando os triglicéridos sobem, a CETP enriquece as HDL e as LDL em triglicéridos; a lipase hepática hidrolisa-os e o resultado são HDL pequenas que se catabolizam depressa (HDL-C baixo) e LDL pequenas e densas, mais suscetíveis à oxidação e à retenção subendotelial. É por isto que a hipertrigliceridemia, o HDL baixo e as LDL pequenas e densas aparecem sempre juntos — a tríade aterogénica da diabetes e da síndrome metabólica. E é por isto que o HDL baixo é um marcador de um processo, não um alvo: os ensaios que elevaram farmacologicamente o HDL não traduziram esse aumento em benefício: a niacina foi neutra, vários inibidores da CETP foram neutros ou deletérios, e o único positivo — o anacetrapib no REVEAL (2017), com redução de 9% dos eventos coronários major — deveu o benefício à redução do colesterol não-HDL/ApoB e não ao aumento do HDL. Fica assim sepultada a hipótese causal simples do "colesterol bom".
Lp(a) — uma lipoproteína à parte
A Lp(a) é uma partícula tipo LDL à qual se liga covalentemente a apolipoproteína(a), uma proteína com homologia estrutural com o plasminogénio. As suas concentrações são determinadas em >90% geneticamente pelo número de repetições kringle IV tipo 2 — praticamente não variam com a dieta, o peso ou o exercício, e são estáveis ao longo da vida. Contribui para o risco por três vias: aterogénica (transporta colesterol), pró-trombótica (competição com o plasminogénio) e pró-inflamatória (transporta fosfolípidos oxidados). É também fator de risco para estenose valvular aórtica calcificada. Isto justifica a recomendação de a dosear pelo menos uma vez na vida.
Como se forma a placa — do lípido à clínica
A partícula com ApoB atravessa o endotélio e é retida na íntima por ligação aos proteoglicanos — a retenção é o passo iniciador, e é proporcional ao número de partículas e ao tempo de exposição. Retida, a lipoproteína sofre oxidação; os monócitos recrutados diferenciam-se em macrófagos, captam LDL oxidada por receptores scavenger (não regulados por retroação, daí a captação ilimitada) e convertem-se em células espumosas. Segue-se a formação do núcleo necrótico, a migração de células musculares lisas e a formação da cápsula fibrosa.
Dois corolários de alto rendimento:
- O risco é função do produto concentração × duração da exposição — daí a hipercolesterolemia familiar, com exposição desde o nascimento, causar eventos décadas mais cedo.
- A relação entre a redução do LDL e a redução de eventos é log-linear e sem limiar inferior conhecido de benefício — não se identificou um valor de LDL abaixo do qual reduzir mais deixe de beneficiar. É o princípio "lower is better", embora o benefício absoluto dependa do risco basal.
O perfil lipídico — o que mudou
O perfil lipídico padrão inclui colesterol total, HDL-C, triglicéridos e LDL-C (calculado ou medido). Duas mudanças de prática merecem ser nomeadas explicitamente porque a PNA gosta de as testar:
1. O jejum deixou de ser obrigatório por rotina. Antes exigia-se 9 a 12 horas de jejum; hoje, o consenso europeu (EAS/EFLM, incorporado nas ESC/EAS 2019) aceita a colheita sem jejum para o rastreio e a monitorização de rotina. Os triglicéridos sobem modestamente no estado pós-prandial e o colesterol total e o HDL praticamente não se alteram. Mantém-se indicação para repetir em jejum quando os triglicéridos sem jejum vêm >440 mg/dL (≈5 mmol/L), na avaliação de hipertrigliceridemia conhecida e na investigação de dislipidemias genéticas.
2. O LDL-C deixou de ser sempre calculado da mesma forma. Ver abaixo.
Como se obtém o LDL — e quando é que o cálculo falha
A equação de Friedewald estima o colesterol da VLDL como TG/5 (em mg/dL):
LDL-C = Colesterol total − HDL-C − (TG/5)
(em mmol/L, o divisor é 2,2.)
Esta fórmula assume uma razão fixa entre colesterol e triglicéridos na VLDL — assunção que se desmorona em duas situações:
- TG >400 mg/dL: o cálculo torna-se inválido e não deve ser reportado. É o limiar clássico de exame.
- LDL muito baixo (<70 mg/dL, tipicamente sob terapêutica intensiva): Friedewald subestima o LDL real, o que pode dar a falsa impressão de alvo atingido.
Alternativas em uso: a equação de Martin-Hopkins, que substitui o fator fixo de 5 por um fator ajustável, mais exata a LDL baixo; e a equação de Sampson, validada para triglicéridos mais elevados. Existe ainda a medição direta de LDL e a ultracentrifugação (referência, não usada na clínica).
A solução prática e robusta é usar o colesterol não-HDL:
Não-HDL-C = Colesterol total − HDL-C
O não-HDL não requer cálculo dependente dos triglicéridos, é válido sem jejum e válido com hipertrigliceridemia, e captura todo o colesterol transportado em partículas com ApoB (LDL + VLDL + remanescentes + Lp(a)). É por isso o alvo secundário recomendado e o alvo preferencial em doentes com TG elevados, diabetes, obesidade ou LDL muito baixo. Regra mnemónica dos alvos: não-HDL = LDL + 30 mg/dL.
A ApoB é a medida mais direta de todas (uma partícula, uma ApoB) e está recomendada como alternativa ao não-HDL, sobretudo em hipertrigliceridemia, diabetes, obesidade e LDL muito baixo.
Quando dosear a Lp(a)
A recomendação atual (ESC/EAS 2019, reforçada pelo consenso EAS 2022 e pelo Focused Update de 2025) é medir a Lp(a) pelo menos uma vez na vida em todos os adultos. A lógica é simples: sendo geneticamente determinada e estável, uma única medição classifica o doente para sempre. Uma Lp(a) muito elevada (a partir de >50 mg/dL, que o Focused Update de 2025 das ESC/EAS faz corresponder a >105 nmol/L; o corte de 125 nmol/L vem do consenso EAS de 2022, que usa outro fator de conversão) reclassifica o risco para cima e deve levar a maior agressividade sobre os fatores modificáveis, já que não existe ainda terapêutica com benefício demonstrado em eventos dirigida especificamente à Lp(a). Dosear obrigatoriamente perante: história familiar de doença cardiovascular prematura, doença aterosclerótica prematura sem explicação, hipercolesterolemia familiar, ou progressão de eventos apesar de LDL bem controlado.
Diagnóstico da hipercolesterolemia familiar — o núcleo do capítulo
A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma doença autossómica dominante (as formas por variantes em LDLR, APOB e PCSK9), com prevalência da forma heterozigótica de cerca de 1/250 a 1/300 — é, em rigor, uma das doenças monogénicas mais comuns na Europa — e da forma homozigótica rara (da ordem de 1/300 000 ou menos). A esmagadora maioria dos doentes está por diagnosticar e por tratar, e é isso que a torna um tema de exame recorrente.
Genética:
- LDLR (cerca de 85–90% dos casos identificados) — perda de função do receptor.
- APOB (variante do ligando defeituoso) — a ApoB-100 liga-se mal ao receptor.
- PCSK9 — variante de ganho de função, que degrada os receptores em excesso.
- Formas autossómicas recessivas raras (LDLRAP1) fogem ao padrão dominante — é a armadilha genética clássica.
Achados clínicos:
- LDL-C muito elevado desde o nascimento: tipicamente >190 mg/dL no adulto não tratado; na criança, os critérios revistos (consenso EAS 2026) são estratificados pelo cenário de deteção — >135 mg/dL no rastreio em cascata antes dos 10 anos, >115 mg/dL a partir dos 10 anos e >175 mg/dL no rastreio universal/oportunista.
- Xantomas tendinosos — tendão de Aquiles (espessamento, por vezes doloroso à corrida) e tendões extensores dos dedos. São altamente específicos: a sua presença torna a HF muito provável. A sua ausência não a exclui, porque são pouco sensíveis e cada vez mais raros na era do tratamento precoce.
- Arco corneano antes dos 45 anos — em idoso é achado banal, em jovem é sinal de alerta.
- Xantelasmas — sugestivos mas inespecíficos (ocorrem com lípidos normais).
- Doença cardiovascular prematura, pessoal ou familiar: <55 anos no homem, <60 anos na mulher.
- Na forma homozigótica: LDL frequentemente >500 mg/dL, xantomas cutâneos planos e tuberosos na infância, estenose aórtica supravalvular e eventos coronários na primeira ou segunda década.
Critérios diagnósticos — usar um sistema, não misturar. O mais usado na Europa é o Dutch Lipid Clinic Network (DLCN), que pontua cinco domínios:
| Domínio | Exemplos pontuados |
|---|---|
| História familiar | Familiar de 1.º grau com doença coronária prematura, ou com LDL elevado; filho com LDL elevado |
| História pessoal | Doença coronária ou vascular periférica/cerebral prematura |
| Exame objetivo | Xantomas tendinosos (a pontuação mais alta) · arco corneano <45 anos |
| LDL-C | Pontuação crescente por escalões, máxima com LDL muito elevado |
| Genética | Variante patogénica em LDLR, APOB ou PCSK9 → pontuação máxima |
Interpretação da pontuação total: >8 = HF definitiva; 6–8 = provável; 3–5 = possível; <3 = improvável.
Os critérios de Simon Broome (Reino Unido) são uma alternativa, categórica em vez de pontuada: combinam o valor de colesterol total/LDL com a presença de xantomas tendinosos (no próprio ou em familiar) para "HF definitiva", ou com a história familiar de doença coronária prematura/hipercolesterolemia para "HF possível". Não misture os dois sistemas na mesma resposta.
O teste genético confirma o diagnóstico e é particularmente valioso porque habilita o rastreio em cascata (ver secção da prevenção); um teste negativo não exclui HF clínica, dado que nem todas as variantes causais são detetadas.
Reconhecer as outras dislipidemias primárias
Hiperlipidemia familiar combinada — é a dislipidemia primária mais frequente (da ordem de 1 em 100 a 1 em 200). Herança poligénica complexa. Caracteriza-se pela variabilidade do fenótipo ao longo do tempo e entre familiares: o mesmo doente pode apresentar hipercolesterolemia numa avaliação e dislipidemia mista noutra, e os familiares afetados apresentam padrões diferentes. Marcadores: ApoB desproporcionadamente elevada para o LDL-C (excesso de partículas pequenas), associação a síndrome metabólica, e ausência de xantomas tendinosos — este é o discriminador clínico mais útil face à HF.
Disbetalipoproteinemia (tipo III) — acumulação de remanescentes por homozigotia ApoE2/E2, que se liga mal ao receptor hepático. Nota crucial: a homozigotia E2/E2 é relativamente comum mas a doença só se manifesta perante um segundo fator (diabetes, obesidade, hipotiroidismo, álcool, menopausa) — é uma penetrância dependente do ambiente. Perfil: colesterol e triglicéridos elevados em paralelo, tipicamente ambos na ordem dos 300–500 mg/dL. Sinais patognomónicos de exame: xantomas palmares (depósitos alaranjados nas pregas palmares — xanthoma striatum palmare) e xantomas tuberoeruptivos nos cotovelos e joelhos. Risco elevado de doença arterial periférica. Confirmação por genotipagem da ApoE.
Síndrome de quilomicronemia familiar — rara, autossómica recessiva, por défice de LPL ou dos seus cofatores (ApoC-II, GPIHBP1, LMF1, ApoA-V). Manifesta-se na infância com triglicéridos extremamente elevados (frequentemente >1000 mg/dL), pancreatites de repetição, xantomas eruptivos (pápulas amareladas em base eritematosa, no tronco e nas superfícies extensoras), hepatosplenomegalia e lipemia retinalis (vasos retinianos de aspeto leitoso à fundoscopia). O soro em repouso apresenta um sobrenadante cremoso. Distingue-se da hipertrigliceridemia multifactorial grave (muito mais comum, do adulto, com contributo de álcool, diabetes ou fármacos) pela idade de início e pela ausência de resposta a fibratos.
Armadilha analítica: com triglicéridos muito elevados pode ocorrer pseudo-hiponatrémia (nos métodos que medem o sódio em soro diluído) e interferência na amilase — não persiga uma hiponatrémia inexistente.
A quem e quando rastrear
O rastreio lipídico é uma intervenção de rendimento elevado porque a dislipidemia é assintomática durante décadas e o tratamento é eficaz e barato. As recomendações europeias (ESC 2021 de prevenção cardiovascular) apontam para avaliação sistemática do perfil lipídico:
- Homens a partir dos 40 anos e mulheres a partir dos 50 anos ou após a menopausa, no contexto de uma avaliação global do risco cardiovascular.
- Em qualquer idade, se existir: doença aterosclerótica estabelecida, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crónica, doença inflamatória crónica (artrite reumatoide, lúpus, psoríase), tabagismo, obesidade abdominal, doença arterial periférica, VIH, doença hipertensiva da gravidez ou pré-eclâmpsia prévia, ou história familiar de doença cardiovascular prematura ou de dislipidemia genética.
- Sinais clínicos sugestivos — xantomas, xantelasmas, arco corneano em jovem — obrigam a perfil imediato, independentemente da idade.
Em Portugal, a Norma da DGS sobre abordagem das dislipidemias enquadra o rastreio na avaliação periódica de saúde do adulto, articulada com a determinação do risco cardiovascular global.
Estratificação de risco: SCORE2 e SCORE2-OP
O SCORE2 substituiu o antigo SCORE. Duas diferenças fundamentais que a PNA pode testar:
- O SCORE original estimava apenas o risco de mortalidade cardiovascular a 10 anos; o SCORE2 estima o risco combinado de eventos fatais e não fatais (enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral) a 10 anos — os números não são comparáveis entre as duas ferramentas.
- O SCORE2 usa o colesterol não-HDL (não o colesterol total) como variável lipídica, a par da idade, sexo, tabagismo e pressão arterial sistólica.
Existe em duas versões etárias: SCORE2 para os 40–69 anos e SCORE2-OP (Older Persons) para os ≥70 anos, esta última calibrada para o risco competitivo de morte por outras causas, que é elevado nesta faixa. As tabelas estão calibradas por região de risco (baixo, moderado, alto, muito alto); Portugal está atribuído à região de risco moderado — o que importa reter é que a mesma combinação de fatores dá um risco diferente conforme o país, e que se deve usar a tabela da região correta.
Limites de aplicação: o SCORE2 destina-se a doentes aparentemente saudáveis, ou seja, sem doença aterosclerótica estabelecida, sem doença renal crónica, sem hipercolesterolemia familiar e sem hipertensão grave — estas condições já colocam o doente numa categoria de risco por definição e calcular a tabela é um erro conceptual clássico. A diabetes tipo 2 é hoje a exceção a reter: sem doença aterosclerótica clínica nem lesão de órgão-alvo grave, estratifica-se com o SCORE2-Diabetes (ESC 2023), que acrescenta ao SCORE2 a idade ao diagnóstico da diabetes, a HbA1c e a TFGe.
Limiares de risco dependentes da idade (ESC 2021), porque um risco absoluto de 6% significa coisas muito diferentes aos 45 e aos 75 anos:
| Idade | Risco baixo a moderado | Alto risco | Muito alto risco |
|---|---|---|---|
| <50 anos | <2,5% | 2,5–<7,5% | ≥7,5% |
| 50–69 anos | <5% | 5–<10% | ≥10% |
| ≥70 anos | <7,5% | 7,5–<15% | ≥15% |
Categorias de risco cardiovascular — a tabela a decorar
Esta é a tabela mais rentável de todo o capítulo, porque determina diretamente os alvos terapêuticos.
| Categoria | Quem pertence |
|---|---|
| Muito alto risco | Doença aterosclerótica documentada (clínica ou inequívoca em imagem: síndrome coronária aguda ou crónica, revascularização, AVC/AIT, doença arterial periférica, placa significativa em angio-TC ou ecografia carotídea) · Diabetes com lesão de órgão-alvo ou ≥3 fatores de risco major, ou diabetes tipo 1 de longa duração (>20 anos) · Doença renal crónica grave (TFGe <30 mL/min/1,73 m²) · HF com doença aterosclerótica ou com outro fator de risco major · SCORE2 acima do limiar de muito alto risco para a idade |
| Alto risco | Fator de risco isolado marcadamente elevado (colesterol total >310 mg/dL, LDL-C >190 mg/dL, ou PA ≥180/110 mmHg) · Hipercolesterolemia familiar sem outro fator de risco major · Diabetes sem lesão de órgão-alvo com ≥10 anos de duração ou outro fator de risco · DRC moderada (TFGe 30–59) · SCORE2 na faixa de alto risco |
| Risco moderado | SCORE2 na faixa intermédia; tipicamente jovens com diabetes de curta duração e sem outros fatores |
| Baixo risco | SCORE2 abaixo do limiar para a idade |
Modificadores de risco que reclassificam para cima um doente de risco moderado (a chamada "zona cinzenta"): história familiar de doença cardiovascular prematura, Lp(a) elevada, obesidade central, sedentarismo, stress psicossocial, doença inflamatória crónica, fibrilhação auricular, hipertrofia ventricular esquerda, pré-eclâmpsia prévia. O score de cálcio coronário (CAC) e a deteção de placa carotídea ou femoral por ecografia são úteis para reclassificar: um CAC de zero num doente de risco moderado tem valor preditivo negativo elevado e permite adiar a terapêutica; um CAC alto reclassifica para cima. Ressalva essencial: esse valor preditivo negativo não se aplica à hipercolesterolemia familiar, ao doente jovem, nem na presença de Lp(a) muito elevada — nestes casos a placa pode já ser extensa mas ainda não calcificada, e um CAC de zero não autoriza adiar a terapêutica. Na HF, a indicação de estatina é independente do CAC.
Rastreio em cascata familiar na hipercolesterolemia familiar
Este é o tópico de prevenção mais testável do capítulo, e a intervenção de saúde pública com melhor relação custo-benefício em genética clínica.
A lógica: sendo a HF autossómica dominante, cada familiar de 1.º grau de um caso índex tem 50% de probabilidade de estar afetado. Identificado um caso, testar sistematicamente os familiares tem um rendimento diagnóstico extraordinariamente alto comparado com o rastreio da população geral.
Como se faz:
- Identificar o caso índex (clínica + DLCN ou Simon Broome, idealmente com confirmação genética).
- Contactar em cascata os familiares de 1.º grau (pais, irmãos, filhos); a partir de cada novo caso identificado, alargar ao anel seguinte de familiares. Por razões éticas e legais, o contacto é habitualmente mediado pelo próprio caso índex, não pelo clínico diretamente.
- Testar por perfil lipídico e, se a variante familiar for conhecida, por teste genético dirigido — que é mais barato, inequívoco e evita a zona de sobreposição de valores de LDL entre afetados e não afetados.
- Tratar os identificados, incluindo crianças.
Rastreio em crianças: na HF, o rastreio de familiares deve ser feito na primeira década de vida — a janela de melhor desempenho situa-se entre 1 e 9 anos (consenso EAS 2026) —, o mais cedo possível se houver suspeita de forma homozigótica, em que a intervenção é urgente. Alguns programas nacionais aplicam ainda o rastreio invertido ou reverse cascade screening: identificada uma criança com LDL elevado, rastreiam-se os pais, cujo diagnóstico é frequentemente mais consequente a curto prazo — em algumas famílias é a criança que leva ao diagnóstico do progenitor ainda assintomático.
Prevenção primordial — estilo de vida
A base é comum a toda a prevenção cardiovascular, mas o efeito específico sobre os lípidos merece precisão:
- Padrão alimentar mediterrânico — o que melhor evidência tem em desfechos cardiovasculares na Europa.
- Substituir gorduras saturadas por insaturadas — esta substituição, e não a mera restrição de gordura total, é o que reduz o LDL. Reduzir os saturados para <10% do valor energético total.
- Eliminar gorduras trans — o efeito mais desfavorável de todos por unidade consumida (sobem o LDL e descem o HDL).
- Fibra solúvel (aveia, leguminosas, psílio) e fitoesteróis (2 g/dia) — reduções modestas mas reais do LDL.
- Restrição de álcool e de açúcares simples/frutose — o alvo prioritário quando o problema são os triglicéridos, em que a resposta ao estilo de vida é muito superior à da hipercolesterolemia.
- Perda ponderal e exercício aeróbio regular — atuam sobretudo nos triglicéridos e no HDL; o efeito sobre o LDL é modesto.
- Cessação tabágica — não altera muito o perfil lipídico, mas é a intervenção com maior impacto no risco global.
Expectativa realista, e uma armadilha: o estilo de vida raramente reduz o LDL mais de 10–15%. Num doente com hipercolesterolemia familiar ou em prevenção secundária, adiar a terapêutica farmacológica para "tentar primeiro a dieta" é um erro — o estilo de vida é complemento, não alternativa.
O princípio organizador
O tratamento das dislipidemias segue uma lógica de metas, não de doses fixas: estratificar o risco → definir o alvo de LDL → escolher a intensidade capaz de o atingir → reavaliar → escalonar até ao alvo. É o oposto da lógica "prescrever e esquecer".
Os alvos — a tabela mais testável do capítulo
ESC/EAS 2019, confirmados pelas ESC 2021 de prevenção e mantidos no Focused Update de 2025:
| Categoria de risco | LDL-C | Não-HDL-C | ApoB |
|---|---|---|---|
| Muito alto | <55 mg/dL (<1,4 mmol/L) E redução ≥50% do basal | <85 mg/dL | <65 mg/dL |
| Alto | <70 mg/dL (<1,8 mmol/L) E redução ≥50% do basal | <100 mg/dL | <80 mg/dL |
| Moderado | <100 mg/dL (<2,6 mmol/L) | <130 mg/dL | <100 mg/dL |
| Baixo | <116 mg/dL (<3,0 mmol/L) | — | — |
Dois pormenores que separam quem estudou de quem decorou:
- Nas categorias de alto e muito alto risco o alvo é duplo e conjuntivo: atingir o valor absoluto e reduzir pelo menos 50% do LDL basal. Um doente de muito alto risco com LDL basal de 100 mg/dL tem de descer abaixo de 50, não de 55.
- Existe um alvo mais agressivo — LDL <40 mg/dL — a considerar em doentes com doença aterosclerótica que sofrem um segundo evento vascular em menos de 2 anos sob estatina em dose máxima tolerada.
O não-HDL é o alvo secundário e, na prática, o mais útil em doentes com triglicéridos elevados. Mnemónica: não-HDL = LDL + 30.
Estatinas — a base de tudo
Inibem a HMG-CoA redutase, aumentam a expressão do receptor de LDL e são o único grupo com benefício em desfechos demonstrado de forma consistente e proporcional à redução do LDL (meta-análises do Cholesterol Treatment Trialists' Collaboration: por cada redução de aproximadamente 1 mmol/L (≈40 mg/dL) de LDL, obtém-se uma redução de cerca de um quinto dos eventos vasculares major por ano de tratamento).
Intensidade — classificar pela redução esperada do LDL, não pela dose absoluta:
| Intensidade | Redução esperada do LDL | Fármacos e doses |
|---|---|---|
| Alta | ≥50% | Atorvastatina 40–80 mg · Rosuvastatina 20–40 mg |
| Moderada | 30–50% | Atorvastatina 10–20 mg · Rosuvastatina 5–10 mg · Sinvastatina 20–40 mg · Pravastatina 40 mg · Pitavastatina 2–4 mg |
| Baixa | <30% | Sinvastatina 10 mg · Pravastatina 10–20 mg · Fluvastatina 20–40 mg |
Regra farmacológica útil: duplicar a dose de uma estatina acrescenta apenas cerca de 6% de redução adicional do LDL ("regra dos seis") — a curva dose-resposta é logarítmica. Daqui decorre que associar um segundo fármaco rende muito mais do que titular a estatina até ao topo, e é a razão pela qual as guidelines escalonam por associação e não por dose.
Notas práticas: sinvastatina e lovastatina têm semivida curta e devem ser tomadas ao deitar; atorvastatina e rosuvastatina têm semivida longa e podem ser tomadas a qualquer hora. Sinvastatina 80 mg não deve ser usada pelo risco de miopatia. Rosuvastatina e pravastatina são as menos dependentes do CYP3A4 — vantajosas em polimedicação.
Escalonamento por metas — o algoritmo
- Estilo de vida em todos, sempre, em simultâneo (não antes).
- Estatina de alta intensidade na dose máxima tolerada, em qualquer doente de alto ou muito alto risco.
- Reavaliar o perfil lipídico às 4–6 semanas (o efeito é estável a partir de 4 semanas). Se em alvo, monitorizar depois anualmente.
- Combinação de início quando a distância ao alvo o justifica — o Focused Update de 2025 das ESC/EAS abandonou o escalonamento estritamente sequencial no alto e muito alto risco: se a redução esperada com a estatina isolada não permitir prever o alcance do alvo, iniciar desde logo estatina de alta intensidade + ezetimiba (redução adicional do LDL da ordem de 15–20%; IMPROVE-IT, 2015), em vez de esperar por um ciclo de reavaliação.
- Inibidor de PCSK9 precocemente no doente de muito alto risco que permaneça longe do alvo, sem obrigatoriedade de um ciclo prévio de reavaliação. Na síndrome coronária aguda, a intensificação faz-se ainda durante o internamento índex. O escalonamento passo-a-passo mantém-se como opção razoável sobretudo no risco moderado.
- Alternativas e adjuvantes conforme o contexto (ácido bempedoico, resinas, inclisirano).
Terapêutica não-estatina
Ezetimiba — inibe o transportador NPC1L1 no enterócito, bloqueando a absorção intestinal de colesterol (dietético e biliar). Dose única de 10 mg/dia, muito bem tolerada, sem necessidade de titulação. É o primeiro passo de associação em praticamente todos os cenários. Muito útil também no doente intolerante a estatinas.
Inibidores de PCSK9 — anticorpos monoclonais: evolocumab e alirocumab, administrados por via subcutânea de 2 em 2 semanas ou mensalmente. Reduzem o LDL em cerca de 50–60% adicionais sobre a estatina, permitindo atingir valores de LDL muito baixos. Reduziram eventos cardiovasculares em prevenção secundária (FOURIER com evolocumab, 2017; ODYSSEY OUTCOMES com alirocumab, 2018). Tolerância excelente; o efeito adverso mais frequente é a reação no local de injeção. Não se identificaram sinais de segurança relevantes com os valores muito baixos de LDL alcançados.
Inclisirano — um pequeno RNA de interferência (siRNA) que silencia a tradução hepática do mRNA da PCSK9. Reduz o LDL em cerca de 50%, com um esquema que é a sua característica distintiva: administração subcutânea inicial, aos 3 meses e depois de 6 em 6 meses — duas administrações por ano, o que resolve o problema da adesão. O programa ORION demonstrou a eficácia sobre o LDL; os desfechos cardiovasculares em ensaio dedicado eram ainda aguardados quando das recomendações vigentes, pelo que o posicionamento atual se baseia sobretudo no efeito sobre o LDL.
Ácido bempedoico — pró-fármaco que inibe a ATP-citrato liase, um passo a montante da HMG-CoA redutase na mesma via. A sua vantagem conceptual é elegante e muito testável: é ativado por uma enzima (ACSVL1) presente no fígado mas ausente no músculo esquelético, o que explica a ausência de sintomas musculares. Reduz o LDL em cerca de 15–25% (mais em associação com ezetimiba em comprimido combinado). O CLEAR Outcomes (2023) demonstrou redução de eventos cardiovasculares major em doentes intolerantes a estatinas — o que o coloca como opção com evidência de desfechos neste nicho. Efeitos adversos a conhecer: ↑ácido úrico e gota, e aumento discreto do risco de tendinopatia.
Resinas sequestradoras de ácidos biliares (colestiramina, colesevelam) — impedem a reabsorção ileal de ácidos biliares, forçando o fígado a consumir colesterol para os repor e a aumentar os receptores de LDL. Hoje pouco usadas pela intolerância digestiva (obstipação, distensão) e pela interferência na absorção de outros fármacos e de vitaminas lipossolúveis. Mas têm um nicho importante: não são absorvidas sistemicamente, pelo que são a opção na gravidez. Podem agravar a hipertrigliceridemia.
Abordagem dos triglicéridos e do risco residual
A primeira decisão é qual o objetivo:
Se TG >500 mg/dL — o objetivo prioritário passa a ser prevenir a pancreatite, não a aterosclerose. Intervir sobre álcool, açúcares simples, diabetes descontrolada e fármacos precipitantes, e iniciar fibrato (fenofibrato é o preferido, ver interações). Verificar a taxa de filtração glomerular antes de prescrever fenofibrato: é eliminado por via renal, exige redução de dose com TFGe reduzida e está contraindicado na doença renal grave (TFGe <30 mL/min/1,73 m²), pelo risco de acumulação e de miopatia ou rabdomiólise, sobretudo em associação com estatina. Note ainda que o fenofibrato provoca uma elevação reversível da creatinina que não traduz lesão renal.
Se TG 135–499 mg/dL (1,5–5,6 mmol/L) com LDL já em alvo — trata-se de risco residual. A estatina continua a ser a base; sobre ela:
- Icosapent etil (éster etílico do EPA puro) 4 g/dia: o REDUCE-IT (2019) demonstrou redução significativa de eventos cardiovasculares em doentes de alto risco com TG elevados sob estatina. É a opção com melhor evidência de desfechos neste cenário. Nota de segurança: aumento do risco de fibrilhação auricular e ligeiro aumento de eventos hemorrágicos. Atenção — os suplementos de óleo de peixe combinando EPA+DHA não mostraram o mesmo benefício; não são intermutáveis.
- Fenofibrato — reduz os TG de forma robusta (agonista PPAR-α, aumenta a expressão da LPL e reduz a ApoC-III), mas o benefício em desfechos cardiovasculares é modesto e limitado, na análise de subgrupos, aos doentes com TG altos e HDL baixo. O PROMINENT (2022), com pemafibrato em diabéticos, foi neutro apesar de reduzir os TG — um resultado importante que reforça que reduzir triglicéridos não é, por si só, garantia de reduzir eventos.
Monitorização e adesão
- Perfil lipídico: às 4–6 semanas após o início ou qualquer alteração; depois anualmente se estável e em alvo.
- ALT/AST: antes de iniciar. Repetir por rotina não é necessário; dosear se surgirem sintomas. Elevações <3× o limite superior do normal não obrigam a suspender.
- CK: dosear antes de iniciar (para ter valor basal) e apenas se houver sintomas musculares — não é exame de rotina.
- HbA1c ou glicémia: vigiar em doentes com risco elevado de diabetes.
A não adesão é a causa mais frequente de "falência terapêutica" e supera largamente a verdadeira resistência farmacológica. Antes de escalonar, verifique sempre se o doente está efetivamente a tomar o fármaco.
Erros clássicos de exame: (1) titular a estatina em vez de associar ezetimiba, ignorando a regra dos seis; (2) parar a estatina perante uma elevação ligeira e assintomática das transaminases; (3) tratar um HDL baixo isolado com fármacos; (4) esquecer o critério de redução ≥50% quando o LDL absoluto parece aceitável.
Referências
- Mach F, Baigent C, Catapano AL, et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk. Eur Heart J. 2020;41(1):111-188.
- Visseren FLJ, Mach F, Smulders YM, et al. 2021 ESC Guidelines on cardiovascular disease prevention in clinical practice. Eur Heart J. 2021;42(34):3227-3337.
- SCORE2 working group and ESC Cardiovascular Risk Collaboration. SCORE2 risk prediction algorithms: new models to estimate 10-year risk of cardiovascular disease in Europe. Eur Heart J. 2021;42(25):2439-2454.
- Wiegman A, Bourbon M, Freiberger T, et al. Familial hypercholesterolaemia in children and adolescents: a European Atherosclerosis Society consensus statement. Eur Heart J. 2026;47(26):3324-3346.
- Kronenberg F, Mora S, Stroes ESG, et al. Lipoprotein(a) in atherosclerotic cardiovascular disease and aortic stenosis: a European Atherosclerosis Society consensus statement. Eur Heart J. 2022;43(39):3925-3946.
- Mach F, Koskinas KC, Roeters van Lennep JE, et al. 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. Eur Heart J. 2025;46(42):4359-4378.
- Cholesterol Treatment Trialists' (CTT) Collaboration. Efficacy and safety of more intensive lowering of LDL cholesterol: a meta-analysis of data from 170 000 participants in 26 randomised trials. Lancet. 2010;376(9753):1670-1681.
- Cannon CP, Blazing MA, Giugliano RP, et al. Ezetimibe added to statin therapy after acute coronary syndromes (IMPROVE-IT). N Engl J Med. 2015;372(25):2387-2397.
- Sabatine MS, Giugliano RP, Keech AC, et al. Evolocumab and clinical outcomes in patients with cardiovascular disease (FOURIER). N Engl J Med. 2017;376(18):1713-1722.
- Nissen SE, Lincoff AM, Brennan D, et al. Bempedoic acid and cardiovascular outcomes in statin-intolerant patients (CLEAR Outcomes). N Engl J Med. 2023;388(15):1353-1364.
- Bhatt DL, Steg PG, Miller M, et al. Cardiovascular risk reduction with icosapent ethyl for hypertriglyceridemia (REDUCE-IT). N Engl J Med. 2019;380(1):11-22.
- Direção-Geral da Saúde. Norma nº 019/2011 de 28/09/2011, atualizada a 11/05/2017 — Abordagem Terapêutica das Dislipidemias no Adulto. Lisboa: DGS.
9 perguntas sobre Dislipidemias e distúrbios do metabolismo das lipoproteínas
Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.
Criar conta e treinar