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Deficiência e excesso de vitaminas e oligominerais

Matriz PNA:D · Diagnóstico

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema

Em resumo

As vitaminas e os oligoelementos são micronutrientes que o organismo não sintetiza, ou sintetiza pouco, e de que precisa em quantidades pequenas, sobretudo como cofatores enzimáticos. Em Portugal a carência por fome é rara; o que se vê são doentes com um contexto de risco (consumo excessivo de álcool, cirurgia bariátrica, má absorção, dieta vegana estrita, nutrição parentérica, doença crónica, idade avançada) e, cada vez mais, excessos por suplementos.

As hidrossolúveis (complexo B e vitamina C) têm reservas curtas e faltam em semanas, com a exceção da vitamina B12, cujas reservas hepáticas duram anos. As lipossolúveis (A, D, E e K) precisam da bílis e das micelas para se absorverem, faltam na colestase, na insuficiência pancreática e na esteatorreia, e acumulam-se quando se tomam em excesso, que é o que torna tóxicas as vitaminas A e D.

A clínica é inespecífica no início e só no fim aparece a síndrome clássica: beribéri e encefalopatia de Wernicke na tiamina, pelagra na niacina, escorbuto na vitamina C, xeroftalmia na vitamina A, raquitismo e osteomalacia na vitamina D, hemorragia na vitamina K. Nos oligoelementos, o zinco dá dermatite periorificial e acral, o cobre dá anemia com neutropenia e mielopatia, o selénio dá miocardiopatia e o iodo dá bócio e compromete o neurodesenvolvimento do feto.

O diagnóstico parte do contexto e confirma-se com o doseamento, que se lê com a proteína C reativa ao lado, porque a inflamação baixa o zinco, o selénio e a vitamina A no sangue sem que haja carência verdadeira. Nas carências graves trata-se antes do resultado, porque o custo de tratar é baixo e o de esperar é alto.

O que não se pode falhar: a encefalopatia de Wernicke, que se trata com tiamina antes de qualquer glicose e sem esperar pela tríade completa; a carência de vitamina B12, que se exclui antes de dar ácido fólico, porque o folato corrige a anemia e deixa progredir a mielopatia; e as causas iatrogénicas, como o zinco prolongado que provoca carência de cobre, a piridoxina em dose alta que dá neuropatia e a vitamina D em excesso que dá hipercalcemia.

Referências

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