Avaliação nutricional e desnutrição
Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema
A desnutrição associada à doença é a falta de aporte ou de assimilação de nutrientes que altera a composição corporal, sobretudo à custa do músculo, e piora a função e a evolução clínica. Atinge 30 a 50% dos adultos internados e agrava-se muitas vezes durante o internamento, com jejuns para exames, dor, náusea e refeições que ficam no tabuleiro.
O que distingue as formas é a inflamação. Na inanição simples o organismo adapta-se, baixa o gasto energético e poupa proteína, e a nutrição reverte o quadro; na desnutrição da doença, crónica ou aguda, a inflamação tira o apetite, acelera o catabolismo muscular e reduz o benefício da alimentação. O peso e o IMC enganam, porque o edema e a gordura escondem a perda de músculo, e a albumina baixa mede a inflamação, não a fome.
O diagnóstico faz-se em dois passos: rastreio com um instrumento validado (NRS 2002 no hospital, MUST no hospital e na comunidade) e, se for positivo, os critérios GLIM (iniciativa global de liderança sobre a desnutrição), que exigem um critério fenotípico e um etiológico ao mesmo tempo. O tratamento usa o intestino sempre que ele funciona: via oral otimizada e suplementos, depois sonda, e a nutrição parentérica só quando a via entérica não chega ou não é possível.
O que não se pode falhar é a síndrome de realimentação. No doente muito desnutrido, reintroduzir hidratos de carbono depressa faz entrar fósforo, potássio e magnésio nas células e consome tiamina, com arritmias, insuficiência cardíaca e encefalopatia de Wernicke. Previne-se reconhecendo o risco, dando tiamina antes das calorias, começando devagar e doseando os iões nos primeiros dias.
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