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Hepatite tóxica, medicamentosa e imunomediada

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema

Em resumo

A lesão hepática por fármacos e a hepatite autoimune chegam da mesma maneira, com transaminases altas, icterícia ou falência hepática aguda num fígado até então são, e separam-se pelo mecanismo e pelo tratamento. Entre as duas há uma zona de fronteira, a hepatite de tipo autoimune desencadeada por fármacos.

A lesão por fármacos pode ser intrínseca, previsível e dependente da dose, cujo exemplo é o paracetamol, ou idiossincrática, imprevisível e rara em cada doente, em que o fármaco mais frequente na Europa é a amoxicilina com clavulanato e os suplementos e produtos de ervanária pesam cada vez mais. É um diagnóstico de exclusão: pergunta-se por todos os fármacos, incluindo os de venda livre e os suplementos, calcula-se o padrão pela razão R e excluem-se as hepatites virais, a obstrução biliar e a hepatite autoimune. Trata-se suspendendo o fármaco. A icterícia numa lesão hepatocelular, a lei de Hy, anuncia cerca de 10% de morte ou transplante.

Na intoxicação por paracetamol, o metabolito reativo esgota a glutationa e necrosa a zona 3. Com hora conhecida, a paracetamolemia a partir das 4 horas, no nomograma, decide o antídoto; quando a hora é desconhecida, a ingestão foi escalonada ou já passaram 8 horas, a N-acetilcisteína começa logo. Dada nas primeiras 8 horas, protege quase sempre, e os critérios do King's College dizem quem vai precisar de transplante.

A hepatite autoimune atinge sobretudo mulheres, apresenta-se de forma assintomática, crónica ou aguda, e confirma-se com IgG elevada, autoanticorpos e biópsia. Ao contrário da lesão por fármacos, exige imunossupressão: prednisolona com azatioprina ou micofenolato na indução, e manutenção prolongada, muitas vezes para toda a vida.

O que não se pode falhar é a N-acetilcisteína adiada à espera de um resultado, o fármaco mantido num doente com icterícia e a imunossupressão parada quando as transaminases normalizam.

Referências

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