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Doenças da vesícula biliar e das vias biliares

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema

Em resumo

As doenças da vesícula e das vias biliares dividem-se em duas famílias: a litíase e as suas complicações, que enchem as urgências, e as colangiopatias crónicas imunomediadas, que se descobrem numa fosfatase alcalina alta.

A litíase atinge 10 a 15% dos adultos, sobretudo mulheres, e no Ocidente é quase toda de colesterol, formada por sobressaturação, nucleação e esvaziamento lento da vesícula. A maioria nunca dá sintomas e não se trata. Quando o cálculo obstrui o cístico por instantes surge a cólica biliar, uma dor constante que cede em menos de 5 horas; a partir daí oferece-se a colecistectomia laparoscópica.

Se a obstrução persiste, instala-se a colecistite aguda: dor que não cede, sinal de Murphy, febre e leucocitose, com espessamento da parede e líquido perivesicular na ecografia. Os critérios de Tóquio 2018 confirmam-na e graduam-na, e o tratamento é antibiótico e colecistectomia laparoscópica precoce; quem não pode ser operado drena a vesícula por via percutânea. No doente crítico, a colecistite pode surgir sem cálculos.

Se o cálculo migra para o colédoco, dá icterícia obstrutiva e pode infetar a bílis retida: a colangite aguda, que evolui depressa para sépsis porque a pressão nos ductos lança as bactérias no sangue. Trata-se com antibiótico e drenagem biliar, em regra por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, tanto mais urgente quanto mais grave; drenado o foco, o antibiótico é curto. A mesma migração explica a pancreatite biliar.

A colangite biliar primária é a da mulher de meia-idade, com fadiga, prurido e anticorpo antimitocondrial positivo, que dispensa biópsia; trata-se com ácido ursodesoxicólico, e na falta de resposta com elafibranor, seladelpar ou fibratos. A colangite esclerosante primária é a do homem jovem com colite ulcerosa, diagnosticada por colangiorressonância; nenhum fármaco lhe muda o curso, e o que se não pode falhar é o colangiocarcinoma, que atinge até um em cada cinco doentes.

Nas urgências, o que não se pode falhar é a colangite grave por drenar, a perfuração da vesícula e a colangite associada a IgG4 confundida com cancro.

Referências

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