Digestiva e Hepatobiliar›Doença ulcerosa péptica e distúrbios relacionadosPublicado (Premium)

Doença ulcerosa péptica e distúrbios relacionados

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema

Em resumo

A úlcera péptica é um defeito da mucosa do estômago ou do duodeno que atravessa a muscular da mucosa, e nasce quando a agressão do ácido e da pepsina vence as defesas da mucosa. Quase sempre tem uma de duas causas, que se somam: a infeção por Helicobacter pylori, que em Portugal atinge a maioria dos adultos, e os anti-inflamatórios não esteroides, incluindo o ácido acetilsalicílico em dose baixa.

A úlcera duodenal dá dor horas depois das refeições, que alivia a comer e acorda o doente de noite; a gástrica pode agravar com a comida. Muitas, sobretudo as do anti-inflamatório e as do idoso, só se revelam na primeira complicação, que por ordem de frequência é a hemorragia, a perfuração ou a obstrução da saída gástrica. Confirma-se por endoscopia, e toda a úlcera gástrica é biopsada e revista até cicatrizar, porque um adenocarcinoma pode parecer benigno.

O tratamento junta o inibidor da bomba de protões, que cicatriza, à eliminação da causa, que previne a recidiva. O Helicobacter pesquisa-se em todas as úlceras, com o inibidor suspenso há 2 semanas, e trata-se em Portugal com quádrupla com bismuto, porque a resistência à claritromicina ronda os 42%; a cura confirma-se sempre, pelo menos 4 semanas depois. Quem precisa de anti-inflamatório e tem risco recebe proteção com inibidor, e quem vai fazê-lo de forma prolongada é testado antes.

Na hemorragia por úlcera ressuscita-se com transfusão restritiva, estratifica-se pelo score de Glasgow-Blatchford, faz-se endoscopia nas primeiras 24 horas e, depois da hemostase das lesões de alto risco, inibidor em dose alta durante 72 horas.

À volta da úlcera estão os distúrbios que a imitam ou a explicam. A síndrome de Zollinger-Ellison dá úlceras múltiplas, distais e refratárias com diarreia, e diagnostica-se pela gastrina alta com pH gástrico ácido. A gastrite atrófica autoimune tem gastrina alta com acloridria, défice de vitamina B12 e risco de tumor neuroendócrino. A dispepsia funcional dá sintomas sem lesão, trata-se por passos e só se diagnostica depois de excluída a infeção.

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