Doença ulcerosa péptica e distúrbios relacionados
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 10 perguntas neste tema
A úlcera péptica é um defeito da mucosa do estômago ou do duodeno que atravessa a muscular da mucosa, e nasce quando a agressão do ácido e da pepsina vence as defesas da mucosa. Quase sempre tem uma de duas causas, que se somam: a infeção por Helicobacter pylori, que em Portugal atinge a maioria dos adultos, e os anti-inflamatórios não esteroides, incluindo o ácido acetilsalicílico em dose baixa.
A úlcera duodenal dá dor horas depois das refeições, que alivia a comer e acorda o doente de noite; a gástrica pode agravar com a comida. Muitas, sobretudo as do anti-inflamatório e as do idoso, só se revelam na primeira complicação, que por ordem de frequência é a hemorragia, a perfuração ou a obstrução da saída gástrica. Confirma-se por endoscopia, e toda a úlcera gástrica é biopsada e revista até cicatrizar, porque um adenocarcinoma pode parecer benigno.
O tratamento junta o inibidor da bomba de protões, que cicatriza, à eliminação da causa, que previne a recidiva. O Helicobacter pesquisa-se em todas as úlceras, com o inibidor suspenso há 2 semanas, e trata-se em Portugal com quádrupla com bismuto, porque a resistência à claritromicina ronda os 42%; a cura confirma-se sempre, pelo menos 4 semanas depois. Quem precisa de anti-inflamatório e tem risco recebe proteção com inibidor, e quem vai fazê-lo de forma prolongada é testado antes.
Na hemorragia por úlcera ressuscita-se com transfusão restritiva, estratifica-se pelo score de Glasgow-Blatchford, faz-se endoscopia nas primeiras 24 horas e, depois da hemostase das lesões de alto risco, inibidor em dose alta durante 72 horas.
À volta da úlcera estão os distúrbios que a imitam ou a explicam. A síndrome de Zollinger-Ellison dá úlceras múltiplas, distais e refratárias com diarreia, e diagnostica-se pela gastrina alta com pH gástrico ácido. A gastrite atrófica autoimune tem gastrina alta com acloridria, défice de vitamina B12 e risco de tumor neuroendócrino. A dispepsia funcional dá sintomas sem lesão, trata-se por passos e só se diagnostica depois de excluída a infeção.
- Úlcera péptica: defeito focal da mucosa do estômago ou do duodeno que atravessa a muscular da mucosa e chega à submucosa ou mais fundo. A erosão fica acima da muscular da mucosa e não deixa cicatriz.
- Localiza-se sobretudo no bulbo duodenal e na pequena curvatura gástrica; pode surgir também no esófago distal, na anastomose de uma gastrectomia, ou num divertículo de Meckel com mucosa gástrica ectópica.
- Prevalência ao longo da vida de 5 a 10%. A úlcera duodenal é cerca de duas vezes mais frequente no homem; a gástrica atinge os dois sexos por igual e doentes mais velhos.
- As hospitalizações por úlcera não complicada e a cirurgia eletiva caíram muito com o recuo do Helicobacter e com os inibidores da bomba de protões (IBP). As complicações caíram menos, porque o uso de anti-inflamatórios e de ácido acetilsalicílico numa população envelhecida as mantém.
- As úlceras que não se devem nem ao Helicobacter nem aos anti-inflamatórios são uma fração crescente, precisamente porque a infeção está a diminuir.
A úlcera nasce do desequilíbrio entre a agressão do ácido e da pepsina e a defesa da mucosa: camada de muco e bicarbonato, junções apertadas do epitélio, renovação e reparação celular, fluxo sanguíneo e prostaglandinas, que sustentam todas as outras.
Secreção ácida
- A célula parietal segrega ácido pela bomba de protões (ATPase de hidrogénio e potássio), passo final comum a todos os estímulos.
- Três estímulos: gastrina das células G do antro, histamina das células semelhantes às enterocromafins, acetilcolina vagal. A gastrina atua diretamente e também libertando histamina.
- A somatostatina das células D é o travão: inibe a gastrina, a histamina e a própria célula parietal. O ácido no antro trava a gastrina por retroação.
- A hipergastrinemia autónoma e sustentada (gastrinoma) dá úlceras múltiplas, distais e refratárias.
As duas causas principais
| Helicobacter pylori | Anti-inflamatórios não esteroides | |
|---|---|---|
| Mecanismo | gastrite crónica ativa; no padrão antral, menos somatostatina, mais gastrina e mais ácido | inibição da ciclo-oxigenase 1 e perda das prostaglandinas que defendem a mucosa; lesão tópica pelo fármaco |
| Úlcera típica | duodenal (e gástrica na pangastrite) | gástrica, muitas vezes silenciosa |
| Mucosa à volta | gastrite ativa | gastropatia química, sem gastrite |
| Prevenção da recidiva | erradicar | suspender ou proteger com IBP |
- O efeito dos anti-inflamatórios é sobretudo sistémico: por isso a via parentérica e o revestimento entérico também causam úlcera.
- Nenhuma dose é segura: 75 mg por dia de ácido acetilsalicílico já pode causar úlcera grave.
- Em quem toma anti-inflamatórios de forma regular, 15 a 30% têm úlcera na endoscopia e até 1,5% por ano sofrem hemorragia ou perfuração.
- O Helicobacter e os anti-inflamatórios são fatores de risco independentes e somam-se; o consenso de Maastricht VI confirma que o ácido acetilsalicílico e os anti-inflamatórios aumentam o risco de úlcera e de complicações no infetado.
- Os seletivos da ciclo-oxigenase 2 lesam menos a mucosa, à custa de mais risco cardiovascular; o ácido acetilsalicílico em dose baixa anula parte da vantagem.
Outras causas
| grupo | exemplos |
|---|---|
| Hipersecreção | síndrome de Zollinger-Ellison, estado hipersecretor idiopático, basofilia das doenças mieloproliferativas |
| Fármacos e tóxicos | bifosfonatos, clopidogrel, cloreto de potássio, micofenolato, quimioterapia, cocaína fumada, corticoides quando associados a anti-inflamatórios |
| Infeções | citomegalovírus e herpes simples no imunodeprimido |
| Infiltração e outras | doença de Crohn, sarcoidose, infiltração eosinofílica, isquemia, radioterapia |
| Doente crítico | úlcera de stress |
- O tabaco atrasa a cicatrização e aumenta a recidiva e o risco de complicações.
- Nenhuma dieta específica demonstrou causar úlcera.
- Dor epigástrica em queimadura ou moinha, ou sensação de fome dolorosa.
- Duodenal: dor 90 minutos a 3 horas depois das refeições, que alivia com a comida ou os antiácidos. A dor que acorda o doente de noite (entre a meia-noite e as 3 horas) é o sintoma mais discriminativo e surge em dois terços, mas também em um terço dos doentes com dispepsia funcional.
- Gástrica: a comida pode desencadear a dor; náuseas e perda de peso são mais frequentes.
- O exame físico é pobre: dor à palpação do epigastro. Serve sobretudo para detetar complicações.
- A dor prediz mal a úlcera: a endoscopia encontra úlcera em menos de 30% dos doentes com dispepsia.
Quando a dor muda de padrão
| mudança | a pensar em |
|---|---|
| Passa a constante, deixa de aliviar com a comida e irradia para o dorso | penetração, sobretudo no pâncreas |
| Súbita, intensa, generalizada; abdómen em tábua | perfuração |
| Agrava com as refeições, saciedade precoce, vómitos de alimentos, perda de peso; chapinhar gástrico | obstrução da saída gástrica |
| Hematemese, vómito em borra de café, melenas; taquicardia, hipotensão ortostática | hemorragia |
Endoscopia
- É o exame de diagnóstico: vê a úlcera, biopsa e, na hemorragia, trata. O estudo baritado já quase não se usa.
- Toda a úlcera gástrica é biopsada, com várias biópsias dos bordos, e revista por endoscopia às 8 a 12 semanas para documentar a cicatrização; se não cicatrizou, nova biópsia.
- Cerca de 70% das úlceras gástricas que se revelam malignas cicatrizam em grande parte, quase sempre de forma incompleta: a melhoria não exclui cancro.
- A úlcera duodenal não se biopsa por rotina nem se revê por endoscopia, salvo se os sintomas persistirem ou houver suspeita de complicação.
Pesquisa do Helicobacter pylori
- Obrigatória em toda a úlcera, ativa ou passada, com e sem anti-inflamatório.
- Na endoscopia: teste rápido da urease e histologia.
- Falsos negativos com IBP nas 2 semanas anteriores, ou antibióticos e bismuto nas 4 semanas anteriores; na úlcera que sangra a sensibilidade dos testes de biópsia também cai. Um teste negativo nestas condições repete-se mais tarde, ou recorre-se à serologia, que não é afetada pelos fármacos.
Quando pensar em síndrome de Zollinger-Ellison
Pedir gastrina em jejum perante úlceras múltiplas, em sítios invulgares (segunda porção do duodeno e para lá dela), refratárias ou recidivantes, úlcera com esofagite grave, com diarreia ou esteatorreia inexplicada, com hipercalcemia ou história familiar de tumores endócrinos, úlcera recidivada depois de cirurgia, e úlcera sem Helicobacter nem anti-inflamatório.
Diagnóstico diferencial
Dispepsia funcional (a mais frequente), doença de refluxo gastroesofágico, adenocarcinoma gástrico ou esofágico, cólica biliar, pancreatite crónica, doença de Crohn gastroduodenal, isquemia mesentérica e síndrome coronária aguda.
Doentes que precisam de anti-inflamatórios
A estratificação do Colégio Americano de Gastrenterologia (ACG, 2009) continua a ser a que se usa:
| risco gastrointestinal | definição |
|---|---|
| Baixo | nenhum fator de risco |
| Moderado | 1 ou 2 fatores: idade acima de 65 anos, anti-inflamatório em dose alta, úlcera prévia não complicada, ácido acetilsalicílico (mesmo em dose baixa), corticoide ou anticoagulante concomitantes |
| Alto | úlcera complicada prévia, sobretudo recente, ou mais de 2 fatores |
| risco gastrointestinal baixo | moderado | alto | |
|---|---|---|---|
| Sem risco cardiovascular | anti-inflamatório menos lesivo, na menor dose eficaz | anti-inflamatório com IBP ou misoprostol | evitar; se indispensável, seletivo da ciclo-oxigenase 2 com IBP ou misoprostol |
| Com risco cardiovascular (precisa de ácido acetilsalicílico) | naproxeno com IBP ou misoprostol | naproxeno com IBP ou misoprostol | evitar anti-inflamatórios e seletivos; outra terapêutica |
- O Helicobacter é um fator de risco independente e trata-se à parte: testar e erradicar antes de começar um anti-inflamatório de longa duração, e em quem faz ácido acetilsalicílico de longa duração e tem alto risco (Maastricht VI). A erradicação isolada não chega a quem já está sob anti-inflamatório crónico ou teve úlcera: mantém-se o IBP.
- O IBP é o protetor de eleição. O misoprostol, 200 µg quatro vezes por dia, é a alternativa: dá diarreia em 10 a 30% e está contraindicado na grávida, porque provoca contrações e hemorragia uterinas.
- Na dupla antiagregação e na anticoagulação depois de uma hemorragia digestiva, associa-se IBP.
Úlcera de stress
- Profilaxia com IBP só no doente crítico de alto risco: ventilação mecânica, coagulopatia, falência multiorgânica, grandes queimados. Fora deste contexto não se usa.
Três pilares: cicatrizar com supressão ácida, eliminar a causa e confirmar que ela foi eliminada. Suprimir o ácido sem tratar a causa garante a recidiva.
Supressão ácida
- IBP é o fármaco de eleição, mais eficaz do que os antagonistas H2. Dose padrão diária: omeprazol 20 mg, pantoprazol 40 mg, esomeprazol 20 mg ou lansoprazol 30 mg.
- Toma-se antes do pequeno-almoço: as bombas têm de estar ativas para o fármaco atuar.
- Com o tratamento convencional cicatrizam mais de 90% das úlceras.
Eliminar a causa
- Erradicar o Helicobacter em toda a úlcera com infeção, seja o primeiro episódio ou não, esteja ativa ou em remissão, tome o doente anti-inflamatórios ou não. A erradicação baixa a recidiva para menos de 10 a 20%, contra 59% na úlcera gástrica e 67% na duodenal quando a infeção persiste.
- Suspender o anti-inflamatório; se não puder ser, manter o IBP enquanto durar.
- Deixar de fumar.
Úlcera refratária
- Não cicatrizada ao fim de 8 semanas (duodenal) ou 12 semanas (gástrica).
- Por ordem: adesão, Helicobacter persistente (com atenção aos falsos negativos), anti-inflamatório escondido, tabaco, neoplasia na gástrica (rebiopsar), hipersecreção e Zollinger-Ellison, e causas raras que a biópsia mostra (Crohn, citomegalovírus, tuberculose, linfoma, isquemia).
- Mais de 90% cicatrizam com IBP em dose mais alta (omeprazol 40 mg por dia) durante 8 semanas.
- A cirurgia eletiva é hoje rara.
Por ordem de frequência: hemorragia, perfuração e obstrução da saída gástrica. A penetração é uma perfuração tapada por um órgão vizinho.
Hemorragia
- A complicação mais frequente e a principal causa de morte por úlcera. A úlcera péptica é a causa mais comum de hemorragia digestiva alta.
- Hematemese, vómito em borra de café, melenas; na hemorragia maciça, sangue vivo pelo reto com instabilidade. A dor é pouco frequente.
- Cerca de três quartos param com supressão ácida e medidas gerais; o quarto que continua ou recidiva concentra quase toda a mortalidade.
- Mortalidade aos 30 dias de 2,5 a 10%; até 80% das mortes devem-se a falência multiorgânica, complicações pulmonares e neoplasia, e não à perda de sangue.
Antes da endoscopia
- Ressuscitar com cristaloides se houver instabilidade. Transfusão restritiva: transfundir com hemoglobina de 7 g/dL ou menos, para 7 a 9 g/dL; com doença cardiovascular, a partir de 8 g/dL, para 10 g/dL ou mais.
- IBP endovenoso em dose alta: reduz os estigmas de alto risco e a necessidade de hemostase, mas não pode atrasar a endoscopia. Não se usa ácido tranexâmico.
- Estratificar com o score de Glasgow-Blatchford, que não usa dados da endoscopia:
| variável | pontos |
|---|---|
| Ureia 6,5 a 7,9 mmol/L | 2 |
| Ureia 8 a 9,9 mmol/L | 3 |
| Ureia 10 a 24,9 mmol/L | 4 |
| Ureia 25 mmol/L ou mais | 6 |
| Hemoglobina no homem 12 a 12,9 g/dL (mulher: 10 a 11,9) | 1 |
| Hemoglobina no homem 10 a 11,9 g/dL | 3 |
| Hemoglobina abaixo de 10 g/dL (homem ou mulher) | 6 |
| Pressão sistólica 100 a 109 mmHg | 1 |
| Pressão sistólica 90 a 99 mmHg | 2 |
| Pressão sistólica abaixo de 90 mmHg | 3 |
| Frequência cardíaca de 100/min ou mais | 1 |
| Melenas | 1 |
| Síncope | 2 |
| Doença hepática | 2 |
| Insuficiência cardíaca | 2 |
- 0 ou 1: risco muito baixo de recidiva, intervenção ou morte; pode ter alta e fazer a endoscopia em ambulatório.
Endoscopia
- Nas primeiras 24 horas, depois da ressuscitação. Fazê-la mais cedo por rotina (nas primeiras 6 ou 12 horas) não melhora o resultado.
- Eritromicina endovenosa, 250 mg 30 a 120 minutos antes, na hemorragia grave ou ativa, para esvaziar o estômago.
| Forrest | achado | conduta endoscópica |
|---|---|---|
| Ia | hemorragia em jato | hemostase |
| Ib | hemorragia em toalha | hemostase |
| IIa | vaso visível não sangrante | hemostase |
| IIb | coágulo aderente | considerar remover o coágulo e tratar o que está por baixo |
| IIc | mancha pigmentada plana | nenhuma |
| III | base limpa | nenhuma |
- Na hemorragia ativa, a adrenalina injetada combina-se sempre com um método térmico de contacto ou mecânico (clipes); nunca sozinha.
- Depois da hemostase, e no IIb não tratado: IBP em dose alta durante 72 horas (bólus de 80 mg e perfusão de 8 mg por hora, ou bólus endovenosos ou dose alta oral duas vezes por dia); depois IBP oral durante 6 a 8 semanas.
- Recidiva: nova endoscopia; se falhar, embolização arterial; cirurgia quando esta falha ou não está disponível.
Depois do episódio
- Pesquisar o Helicobacter logo na endoscopia inicial, repetir se for negativo, erradicar e confirmar a cura: sem isso a recidiva hemorrágica é frequente.
- Ácido acetilsalicílico em prevenção primária: suspender e reavaliar. Em prevenção secundária não se interrompe; se foi interrompido, retoma-se de preferência em 3 a 5 dias. Na dupla antiagregação mantém-se o ácido acetilsalicílico e o segundo antiagregante retoma-se de preferência em 5 dias, com a cardiologia.
Perfuração
- Segunda complicação; cada vez mais por úlcera gástrica de anti-inflamatório, sobretudo no idoso.
- Dor súbita e intensa, de hora certa, que se generaliza; tríade de dor, taquicardia e rigidez abdominal. O quadro clássico falta em cerca de um terço, sobretudo acima dos 70 anos, no obeso e no imunodeprimido.
- TC é o exame mais sensível; a radiografia do tórax em pé mostra ar livre em cerca de 80%, e uma radiografia normal não exclui.
- Sonda nasogástrica, IBP endovenoso, antibiótico de largo espetro e cirurgia precoce, em regra sutura do defeito e lavagem. Mortalidade aos 30 dias acima de 20%; o atraso é o fator que se pode mudar.
Penetração
- A úlcera duodenal posterior penetra no pâncreas (pode dar pancreatite e subir a amílase); a gástrica no lobo esquerdo do fígado; há fístulas gastrocólicas.
- Dor constante, que já não cede com a comida e irradia ao dorso. Tratamento médico intensivo; cirurgia se falhar.
Obstrução da saída gástrica
- A menos frequente, em 1 a 2%; por úlcera do canal pilórico ou do bulbo. Edema e espasmo, reversíveis, ou cicatriz fibrosa, fixa.
- Saciedade precoce, vómitos de alimentos por digerir, perda de peso, chapinhar gástrico; alcalose metabólica hipoclorémica e hipocaliémica.
- Sonda nasogástrica, fluidos com cloro e potássio, IBP endovenoso durante 7 a 10 dias; se a estenose persistir, dilatação endoscópica com balão; cirurgia se falhar.
Idoso
- Mais anti-inflamatórios e antiagregantes, menos dor, e apresentação frequente já por hemorragia ou perfuração. As complicações são mais frequentes acima dos 60 anos.
Doente crítico: úlcera de stress
- Choque, sépsis, grandes queimados (úlcera de Curling), traumatismo grave e traumatismo craniano (úlcera de Cushing).
- Lesões sobretudo no fundo e no corpo, por isquemia da mucosa e quebra das defesas; não há gastrite nem Helicobacter.
- Hemorragia em regra pequena, 48 a 72 horas depois da agressão; os fatores de risco são a ventilação mecânica e a coagulopatia.
- Com os cuidados intensivos atuais a hemorragia desceu de 20 a 30% para menos de 5%, mas a que é clinicamente importante tem mortalidade acima de 40%: por isso se faz profilaxia com IBP nos de alto risco.
Grávida
- O misoprostol está contraindicado; a tetraciclina também, o que obriga a adiar ou adaptar a erradicação.
- Bacilo gram-negativo, espiralado e microaerófilo, que vive na camada de muco sobre o epitélio gástrico sem o invadir.
- Infeta mais de metade da população mundial, adquire-se na infância e persiste sem tratamento.
- Portugal tem prevalência alta: numa amostra representativa de adultos do Porto, 84% eram seropositivos.
- A infeção causa sempre gastrite, com ou sem sintomas; é uma doença infeciosa, e não parte da flora normal (Maastricht VI).
- Depois de uma erradicação bem-sucedida, a reinfeção no adulto é rara; uma infeção que reaparece nos primeiros 6 meses é, quase sempre, a mesma que nunca foi erradicada.
- A urease converte a ureia em amónia e tampona o meio à volta da bactéria. É esta enzima que os testes respiratório e rápido da urease detetam.
- O padrão da gastrite decide o que acontece ao ácido e, com ele, a doença:
| padrão | ácido | consequência |
|---|---|---|
| Predomínio antral, corpo poupado | aumentado (menos somatostatina, mais gastrina) | úlcera duodenal; metaplasia gástrica do bulbo, que a bactéria coloniza |
| Pangastrite ou predomínio do corpo | diminuído (atrofia) | úlcera gástrica, atrofia, metaplasia intestinal e adenocarcinoma |
- Com os anos a gastrite progride do antro para o corpo; a pangastrite leva 15 a 20 anos a instalar-se.
- Cascata do cancro gástrico: gastrite crónica ativa, atrofia, metaplasia intestinal, displasia, adenocarcinoma. O Helicobacter é o principal fator causal do adenocarcinoma gástrico, incluindo o proximal; a seropositividade multiplica o risco por 3 a 6.
- Linfoma MALT (linfoma do tecido linfoide associado à mucosa): a estimulação imunitária crónica sustenta o crescimento do clone B, que regride com a erradicação.
- O IBP de longa duração num infetado desloca a gastrite para o corpo; a erradicação melhora-a.
Quem pesquisar (e tratar se positivo)
- Úlcera péptica ativa ou passada.
- Linfoma MALT gástrico.
- Dispepsia não investigada, pela estratégia de testar e tratar.
- Antes de anti-inflamatório de longa duração; sob ácido acetilsalicílico de longa duração com alto risco.
- Anemia ferropénica inexplicada, púrpura trombocitopénica imune e défice de vitamina B12.
- Depois de ressecção endoscópica ou cirúrgica de cancro gástrico precoce, e familiares de primeiro grau de doentes com cancro gástrico.
- IBP de longa duração.
Testes
| teste | sensibilidade e especificidade | uso |
|---|---|---|
| Teste respiratório com ureia marcada | acima de 90% | diagnóstico e confirmação da cura; o melhor teste não invasivo |
| Antigénio fecal monoclonal validado | acima de 90% | diagnóstico e confirmação da cura |
| Teste rápido da urease em biópsia | 80 a 95% e 95 a 100% | na endoscopia |
| Histologia | 80 a 90% e acima de 95% | na endoscopia; estadia a gastrite (atrofia, metaplasia) |
| Cultura ou teste molecular em biópsia | sensibilidade aos antibióticos | |
| Serologia (IgG) | acima de 80% e acima de 90% | mede exposição, não infeção ativa; não confirma a cura |
- Preparação: sem IBP nas 2 semanas anteriores, sem antibióticos nem bismuto nas 4 semanas anteriores. Se for preciso aliviar sintomas nesse intervalo, usa-se antagonista H2 ou antiácido.
- A serologia tem lugar quando os outros testes perdem sensibilidade: úlcera que sangra, linfoma MALT, atrofia extensa, antibiótico ou IBP recentes. Se positiva, confirma-se a infeção ativa com teste respiratório ou antigénio fecal antes de tratar.
- Quando se faz endoscopia, colhem-se pelo menos duas biópsias do antro e duas do corpo, em frascos separados, mais uma da incisura, para a etiologia e para estadiar a atrofia.
- O teste de sensibilidade à claritromicina (cultura ou molecular) recomenda-se antes de qualquer esquema com claritromicina, e é o que guia as falências.
A escolha depende da resistência à claritromicina
- Portugal: resistência à claritromicina de cerca de 42% (meta-análise portuguesa de 2018), metronidazol 25%, levofloxacina 18%, tetraciclina e amoxicilina praticamente zero. Está muito acima do limiar de 15% a partir do qual a tripla com claritromicina deixa de se usar sem teste de sensibilidade.
| situação | primeira linha (Maastricht VI) |
|---|---|
| Resistência à claritromicina acima de 15% ou desconhecida, sem teste de sensibilidade | quádrupla com bismuto (IBP, bismuto, tetraciclina e metronidazol), 14 dias, ou 10 dias com um esquema de 10 dias igualmente eficaz |
| Sem bismuto disponível | quádrupla concomitante (IBP, amoxicilina, claritromicina e metronidazol), 14 dias |
| Resistência à claritromicina de 15% ou menos, ou sensibilidade confirmada | quádrupla com bismuto ou tripla com IBP, claritromicina e amoxicilina, 14 dias, se eficaz localmente |
| Alergia à penicilina | quádrupla com bismuto |
- Em Portugal a quádrupla com bismuto faz-se sobretudo com a cápsula que junta subcitrato de bismuto, metronidazol e tetraciclina: 3 cápsulas quatro vezes por dia (depois das refeições e ao deitar), durante 10 dias, com omeprazol 20 mg duas vezes por dia. Toma-se sentado e com um copo cheio de água, pelo risco de úlcera esofágica da tetraciclina.
- No registo europeu, a quádrupla com bismuto era 76% das prescrições de primeira linha em Portugal em 2022, com eficácia de 91%; a tripla com claritromicina tinha caído para zero.
- O IBP em dose alta duas vezes por dia aumenta a eficácia da tripla. As guidelines americanas de 2024 incluem esquemas com bloqueador competitivo do potássio (vonoprazano) e a tripla com rifabutina na primeira linha; na Europa a referência é a quádrupla com bismuto.
Falência
| primeira linha que falhou | segunda linha |
|---|---|
| Quádrupla com bismuto | quádrupla ou tripla com levofloxacina, ou dupla com IBP e amoxicilina em dose alta; com resistência alta às quinolonas, bismuto com outros antibióticos ou rifabutina |
| Tripla com claritromicina ou concomitante | quádrupla com bismuto ou esquema com levofloxacina |
- Depois de um esquema com claritromicina deve presumir-se resistência a ela, e não se repete.
- Depois de duas falências, o tratamento guia-se por teste de sensibilidade.
Confirmar a cura
- Sempre, com teste respiratório ou antigénio fecal, pelo menos 4 semanas depois de acabar os antibióticos e com o IBP parado há 2 semanas. A serologia não serve.
- Na úlcera complicada é obrigatório: a infeção que persiste mantém o risco de nova hemorragia.
Efeitos adversos
- O bismuto escurece as fezes e a língua; o metronidazol dá gosto metálico e efeito antabuse com o álcool; a tetraciclina não se dá na gravidez nem na criança.
- Alguns probióticos reduzem os efeitos gastrointestinais dos esquemas, sem aumentarem por si a erradicação de forma consistente.
- Úlcera péptica duodenal e gástrica, e as suas complicações.
- Adenocarcinoma gástrico: a erradicação elimina a inflamação ativa, trava a progressão para atrofia e metaplasia e pode fazer regredir a atrofia. Protege em qualquer idade adulta, e tanto mais quanto mais cedo, antes da atrofia grave.
- Depois da erradicação, a gastrite atrófica extensa ou com metaplasia intestinal extensa continua em risco e fica em vigilância endoscópica; a gastrite de estádio baixo só precisa de seguimento clínico.
- Endoscopia com biópsias a partir dos 45 anos em quem tem um familiar de primeiro grau com cancro gástrico.
- Linfoma MALT localizado de baixo grau: a erradicação é a primeira linha e dá remissão prolongada em 70 a 80%. A translocação t(11;18) prediz ausência de resposta.
- Extragástricas com causalidade aceite: anemia ferropénica inexplicada, púrpura trombocitopénica imune e défice de vitamina B12.
- Úlcera péptica grave por hipersecreção ácida causada por um gastrinoma, tumor neuroendócrino bem diferenciado que segrega gastrina de forma autónoma.
- Rara: 0,5 a 3 por milhão por ano, 0,1 a 1% das úlceras pépticas. Diagnostica-se sobretudo entre os 30 e os 50 anos.
- Cerca de 80% são esporádicos; 20 a 25% inserem-se na neoplasia endócrina múltipla tipo 1.
- O uso generalizado de IBP atrasa o diagnóstico, que pode chegar a fazer-se seis anos depois dos primeiros sintomas.
- A gastrina estimula a célula parietal diretamente e através da histamina, e é trófica: aumenta a massa de células parietais. O resultado é secreção ácida basal máxima e mantida.
- A diarreia resulta do volume de ácido que chega ao delgado, da inativação das enzimas pancreáticas pelo ácido (daí a esteatorreia) e da lesão do epitélio.
- Localização: 60 a 90% no triângulo do gastrinoma (confluência do cístico com o colédoco, junção da segunda com a terceira porção do duodeno, e junção da cabeça com o corpo do pâncreas). O duodeno é o local mais frequente fora do pâncreas; os duodenais são pequenos, lentos e metastizam menos.
- Mais de 60% são malignos, e até metade tem doença metastática ou múltipla ao diagnóstico.
- Na neoplasia endócrina múltipla tipo 1 a hipercalcemia do hiperparatiroidismo estimula também a secreção ácida.
- Úlcera péptica em mais de 90%; muitas vezes no bulbo e indistinguível da comum.
- O que faz suspeitar: úlceras múltiplas, distais (segunda porção do duodeno e para lá dela), refratárias ou recidivantes, que recidivam depois de cirurgia, que se apresentam logo complicadas, e úlceras sem Helicobacter nem anti-inflamatório.
- Diarreia em até 70%, que pode existir sem úlcera e melhora com IBP.
- Sintomas esofágicos em até dois terços: esofagite grave, estenose, esófago de Barrett.
- Pregas gástricas espessadas na endoscopia.
Bioquímica
- Gastrina sérica em jejum, repetida. O normal é abaixo de 150 pg/mL; quase todos os gastrinomas estão acima de 150 a 200 pg/mL. Duas gastrinas normais praticamente excluem.
- Gastrina acima de 10 vezes o normal com pH gástrico ácido é muito sugestiva, mas dois terços dos doentes têm valores que se sobrepõem aos das causas comuns.
- pH gástrico (aspirado na endoscopia ou por sonda): abaixo de 3 sugere gastrinoma; acima de 3 não o exclui.
- Prova da secretina nos casos duvidosos: subida paradoxal da gastrina de 120 pg/mL ou mais aos 15 minutos, com sensibilidade e especificidade acima de 90%.
Diagnóstico diferencial da hipergastrinemia
| com hipocloridria ou acloridria (as causas mais frequentes) | outras causas |
|---|---|
| IBP e antagonistas H2, gastrite atrófica autoimune com ou sem anemia perniciosa | gastrinoma, infeção por Helicobacter, antro retido depois de cirurgia, hiperplasia das células G, obstrução da saída gástrica, insuficiência renal |
Localização e estadiamento
- PET com análogo da somatostatina marcado com gálio-68: sensibilidade e especificidade acima de 90%, o exame funcional de eleição.
- TC ou ressonância para excluir metástases hepáticas; ecoendoscopia para a cabeça do pâncreas (vê mal os duodenais).
- Rastrear sempre a neoplasia endócrina múltipla tipo 1: história familiar, cálcio, paratormona, prolactina e polipeptídeo pancreático.
- IBP em dose alta controla a hipersecreção em praticamente todos: começa-se à volta de 60 mg por dia de omeprazol, esomeprazol, lansoprazol ou rabeprazol, repartidos, e ajusta-se pela clínica. Tornou a gastrectomia total desnecessária.
- Gastrinoma esporádico sem metástases: cirurgia com intenção curativa, em centro experiente.
- Neoplasia endócrina múltipla tipo 1: a cirurgia raramente cura (menos de 5% livres de doença aos 5 anos) e a sua indicação é discutida; trata-se primeiro o hiperparatiroidismo, porque corrigir a hipercalcemia baixa a gastrina e o ácido.
- Doença metastática: análogos da somatostatina, terapêutica com radionuclídeos dirigida aos recetores da somatostatina, quimioterapia e tratamentos hepáticos locais, em geral só quando há progressão.
- Sobrevivência a 5 anos de 62 a 75% no conjunto; acima de 90% quando o tumor é ressecado por inteiro; menos de 20% com metástases hepáticas.
- Pior prognóstico: tumores pancreáticos grandes (acima de 3 cm), metástases hepáticas ou ósseas, gastrina muito alta, histologia pouco diferenciada.
- Melhor prognóstico: tumor duodenal, neoplasia endócrina múltipla tipo 1, que tem evolução mais lenta.
- Gastrite é inflamação da mucosa gástrica documentada na histologia. Não é o eritema visto na endoscopia, nem sinónimo de dispepsia; a correlação entre a histologia, os sintomas e o aspeto endoscópico é fraca.
- Gastropatia é lesão da mucosa sem inflamação significativa: anti-inflamatórios, refluxo biliar depois de gastrectomia, lesão de stress do doente crítico.
| tipo | causas |
|---|---|
| Aguda | Helicobacter na fase aguda, outras infeções (gastrite flegmonosa bacteriana; citomegalovírus e herpes no imunodeprimido) |
| Crónica atrófica autoimune (tipo A) | anticorpos contra as células parietais e o fator intrínseco; corpo e fundo, antro poupado |
| Crónica por Helicobacter (tipo B) | a forma mais comum; começa no antro |
| Formas raras | linfocítica (associada à doença celíaca), eosinofílica, granulomatosa (Crohn, sarcoidose, tuberculose), induzida por inibidores de checkpoint imunitário |
- A gastrite autoimune tem prevalência de 0,5 a 4,5%.
Gastrite atrófica autoimune
- Destruição imunitária das glândulas do corpo e do fundo: anticorpos contra a bomba de protões (anticorpos anticélula parietal) e contra o fator intrínseco.
- Perdem-se as células parietais: acloridria e falta de fator intrínseco, com défice de vitamina B12 e anemia perniciosa (megaloblástica, com possível degenerescência combinada subaguda da medula).
- O antro poupado, sem o travão do ácido, produz gastrina em excesso: hipergastrinemia que pode passar os 500 pg/mL, hiperplasia das células semelhantes às enterocromafins e tumores neuroendócrinos gástricos de tipo 1.
- Os anticorpos anticélula parietal aparecem também em doentes com doença da tiroide, vitiligo e doença de Addison, e nos familiares de doentes com anemia perniciosa.
Gastrite por Helicobacter
- Começa no antro e estende-se ao corpo ao longo de décadas; atrofia multifocal e metaplasia intestinal são o terreno do adenocarcinoma.
- Endoscopia com biópsias do antro e do corpo em frascos separados, e da incisura: dá a etiologia e estadia a atrofia e a metaplasia.
- Gastrite autoimune suspeitada: gastrina, pepsinogénio I e razão pepsinogénio I/II (baixos), anticorpos antifator intrínseco (mais específicos, presentes em cerca de 40% das anemias perniciosas) e anticélula parietal (mais sensíveis, em mais de 90%), vitamina B12 e ferritina.
- Pregas gástricas gigantes: pensar em gastrinoma, linfoma, carcinoma infiltrativo, infeções e doença de Ménétrier (gastropatia hiperplásica rara, com perda de proteínas, hipoalbuminemia e edema).
- Trata-se a causa e as consequências, não a inflamação em si.
- Helicobacter: erradicar.
- Anemia perniciosa: vitamina B12 parentérica e para toda a vida; corrigir o ferro.
- Vigilância endoscópica na atrofia extensa ou com metaplasia intestinal; o Harrison propõe endoscopia de 3 em 3 anos na gastrite atrófica com metaplasia intestinal sem displasia.
- Gastropatia por anti-inflamatório: suspender, IBP.
- Critérios de Roma IV: um ou mais de plenitude pós-prandial incomodativa, saciedade precoce, dor epigástrica ou ardor epigástrico, sem doença estrutural que os explique (incluindo endoscopia alta), com sintomas ativos nos últimos 3 meses e início há pelo menos 6 meses.
| subtipo | sintomas | frequência |
|---|---|---|
| Síndrome de mal-estar pós-prandial | plenitude pós-prandial ou saciedade precoce | pelo menos 3 dias por semana |
| Síndrome de dor epigástrica | dor ou ardor epigástrico | pelo menos 1 dia por semana |
- Os dois podem coexistir. É a causa da maioria das dispepsias investigadas.
- O Helicobacter tem de ser excluído antes do diagnóstico: se a erradicação resolve os sintomas de forma mantida, a dispepsia era da gastrite por Helicobacter, e não funcional (Maastricht VI).
- Mecanismos em proporções diferentes de doente para doente: esvaziamento gástrico lento, acomodação do fundo que falha depois da refeição, hipersensibilidade visceral à distensão, ao ácido e aos lípidos, ativação imunitária discreta no duodeno (eosinófilos e mastócitos), início depois de uma gastroenterite, e o eixo intestino-cérebro, com ansiedade e depressão frequentes.
- Sobrepõe-se à síndrome do intestino irritável e à doença de refluxo.
A pergunta central da dispepsia não investigada é quem precisa de endoscopia.
- Sinais de alarme: perda de peso inexplicada, disfagia ou odinofagia, vómitos persistentes, hemorragia ou anemia ferropénica, massa ou adenopatias, icterícia, história familiar de cancro gastrointestinal alto.
- Idade: o consenso de Maastricht VI manda fazer endoscopia a partir dos 50 anos (45 a 55 conforme a região); as recomendações americanas e canadianas de 2017 põem o limiar nos 60 anos e não fazem de um sinal de alarme isolado, abaixo disso, indicação automática.
- Abaixo do limiar e sem alarme: testar e tratar o Helicobacter com teste não invasivo.
- Endoscopia normal (com biópsias para o Helicobacter): dispepsia funcional. Estudos de esvaziamento gástrico só com suspeita forte de gastroparésia.
Por ordem, e sem mudar de fármaco pelo subtipo:
| passo | opção | nota |
|---|---|---|
| 1 | erradicar o Helicobacter se positivo | benefício pequeno mas real: é preciso tratar cerca de 14 doentes para curar um; previne também úlcera e cancro |
| 2 | IBP em dose padrão, uma vez por dia, 4 a 8 semanas | se não houver resposta, suspende-se; não se mantém sem indicação |
| 3 | antidepressivo tricíclico em dose baixa: amitriptilina 10 mg ao deitar, a subir devagar até 30 a 50 mg | neuromodulador da hipersensibilidade visceral; os inibidores seletivos da recaptação da serotonina não têm benefício |
| 4 | procinético | evidência fraca |
| 5 | terapias psicológicas | nos refratários |
- Explicar a natureza benigna do quadro faz parte do tratamento. Evitam-se os opioides e a cirurgia.
Referências
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