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Doença hepática crónica e cirrose

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 37 perguntas neste tema

Em resumo

A cirrose é a fase final comum de quase todas as doenças crónicas do fígado. A agressão repetida ativa as células estreladas, que depositam colagénio; formam-se septos fibrosos e nódulos de regeneração, perde-se massa de hepatócitos e distorce-se a circulação dentro do fígado. Nos países industrializados as causas mais frequentes são o álcool, a esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e a hepatite C; a hepatite B domina na Ásia e em África.

Toda a clínica sai de dois motores. A hipertensão portal, que nasce da resistência ao fluxo dentro do fígado e se agrava com a vasodilatação esplâncnica, dá as varizes, a esplenomegalia com trombocitopenia e, pela ativação dos sistemas que retêm sódio, a ascite e a síndrome hepatorrenal. A insuficiência hepatocelular dá a icterícia, a queda da albumina e dos fatores da coagulação e, com os shunts portossistémicos, a encefalopatia.

Durante anos a doença é compensada e silenciosa, e descobre-se por plaquetas baixas, por uma ecografia ou pela elastografia. Hoje o diagnóstico da doença hepática crónica avançada e da hipertensão portal clinicamente significativa faz-se sem biópsia, juntando a rigidez hepática às plaquetas. O ponto de viragem é a descompensação (ascite, hemorragia varicosa, encefalopatia ou icterícia), depois da qual a sobrevida mediana desce para menos de dois anos.

Tratar a causa é o que mais muda a história natural, e a fibrose pode regredir; quem trata a causa e resolve as complicações pode mesmo recompensar. Na doença compensada com hipertensão portal significativa, o carvedilol previne a primeira descompensação. Na descompensada, cada complicação tem tratamento próprio e a pergunta passa a ser o transplante, avaliado desde a primeira complicação grave.

O que não se pode falhar: a hemorragia varicosa trata-se com fármaco vasoativo, antibiótico e laqueação nas primeiras 12 horas, com transfusão restritiva; toda a ascite nova e todo o internamento de um cirrótico com ascite levam paracentese diagnóstica, e mais de 250 neutrófilos por mm³ bastam para tratar uma peritonite bacteriana espontânea, com albumina associada ao antibiótico; a encefalopatia tem quase sempre um precipitante, que se procura; e a vigilância do carcinoma hepatocelular faz-se com ecografia de seis em seis meses.

Referências

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37 perguntas sobre Doença hepática crónica e cirrose

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