Abordagem ao doente com icterícia
Atualizado em 30 de setembro de 2026 · 20 perguntas neste tema
A icterícia é a coloração amarela das escleróticas, das mucosas e da pele por acumulação de bilirrubina, e raramente se vê com a bilirrubina sérica abaixo de 2,5 mg/dL. É um sinal e não um diagnóstico: por trás dela pode estar uma hemólise, uma variante benigna da conjugação, uma hepatite, uma colestase intra-hepática ou uma via biliar obstruída.
A abordagem responde a três perguntas por esta ordem. Primeiro, que bilirrubina predomina: a não conjugada não passa para a urina e aponta hemólise ou síndrome de Gilbert, que dispensam imagem das vias biliares. Depois, se é conjugada, qual é o padrão das provas: transaminases a dominar indicam lesão hepatocelular, fosfatase alcalina e gama-glutamil-transferase a dominar indicam colestase. Por fim, na colestase, se a ecografia mostra vias dilatadas: a dilatação é obstrução extra-hepática, e vias finas orientam para causas intra-hepáticas, como fármacos, colangite biliar primária, sépsis ou gravidez.
O que não se pode falhar é a colangite aguda. Febre com calafrios, dor no hipocôndrio direito e icterícia pedem hemoculturas, antibiótico e drenagem da via biliar, com uma urgência que se gradua pela gravidade: a bile infetada sob pressão não se resolve só com antibiótico. Na suspeita de tumor, a imagem e o estadiamento fazem-se antes de drenar, porque a prótese prejudica a avaliação da extensão. A vesícula palpável e indolor num doente ictérico aponta obstrução maligna distal e não cálculo.
Quase todas as colestases partilham dois cuidados: a vitamina K parentérica quando o INR está alargado, e o prurido, que tem uma escada terapêutica própria em cada doença e é muitas vezes o sintoma que mais pesa ao doente.
Não se podem falhar
| situação | pista |
|---|---|
| Colangite aguda | febre com calafrios, dor no hipocôndrio direito, icterícia; confusão e hipotensão na forma grave |
| Obstrução maligna (cabeça do pâncreas, colangiocarcinoma, ampola de Vater) | icterícia indolor e progressiva, perda de peso, vesícula palpável |
| Insuficiência hepática aguda | icterícia com INR alargado que não corrige com vitamina K, ou encefalopatia |
| Hemólise grave | anemia de instalação rápida, urina escura sem bilirrubinúria |
| Colestase da gravidez | prurido no segundo ou terceiro trimestre, com risco fetal |
| Recém-nascido com fração conjugada elevada | obriga a excluir atresia das vias biliares |
O caminho da bilirrubina
- Cerca de 80% vem da hemoglobina dos eritrócitos senescentes, destruídos pelos macrófagos do sistema reticuloendotelial; o resto vem da eritropoiese ineficaz e de outras hemoproteínas, como a mioglobina e os citocromos. Produzem-se cerca de 4 mg/kg por dia.
- No macrófago, o heme dá biliverdina e esta dá bilirrubina não conjugada, que circula firmemente ligada à albumina.
- No hepatócito há quatro passos: captação, ligação intracelular, conjugação com ácido glucurónico pela UGT1A1 (glucuroniltransferase) e excreção canalicular ativa pela MRP2 (proteína associada à multirresistência 2).
- A excreção canalicular é o passo limitante, e não a conjugação. Por isso qualquer lesão hepatocelular significativa, incluindo a insuficiência hepática aguda, faz subir sobretudo a bilirrubina conjugada.
- No intestino, as bactérias transformam a bilirrubina em urobilinogénio; até 20% é reabsorvido e parte sai na urina. Sem bile no intestino, as fezes ficam acólicas.
- O rim funciona como válvula de escape da bilirrubina conjugada: na insuficiência renal a icterícia colestática acentua-se.
Hiperbilirrubinemia não conjugada
- Hemólise (drepanocitose, esferocitose hereditária, défice de glicose-6-fosfato desidrogenase, autoimune, prótese valvular mecânica, malária) e eritropoiese ineficaz (anemias megaloblásticas, talassemia major). Com fígado normal, a hemólise sozinha não sustenta uma bilirrubina acima de 4 mg/dL; valores acima obrigam a procurar doença hepática associada. A hemólise crónica dá cálculos pigmentares.
- Síndrome de Gilbert: atividade da UGT1A1 reduzida para 10 a 35% do normal, na Europa em regra por homozigotia para uma variante do promotor do gene (transmissão autossómica recessiva). Frequente, com prevalência até 8% nas séries, e manifesta-se habitualmente na segunda ou terceira década. Bilirrubina em regra abaixo de 3 mg/dL, que sobe com o jejum, a doença intercorrente, o esforço, o álcool e o cansaço, e normaliza com o fenobarbital. Pelo menos 25% dos doentes têm valores normais nalgumas determinações.
- Crigler-Najjar: tipo I sem atividade enzimática, bilirrubina de 20 a 45 mg/dL desde o período neonatal, kernicterus habitual e transplante hepático precoce como tratamento definitivo; tipo II com atividade residual, bilirrubina de 6 a 25 mg/dL e descida de mais de 25% com o fenobarbital.
- Fármacos: a rifampicina compete pela captação; o cloranfenicol e o atazanavir inibem a conjugação. Resolve com a suspensão.
- Recém-nascido: imaturidade da UGT1A1 e maior produção de bilirrubina (icterícia fisiológica).
Hiperbilirrubinemia conjugada
- Lesão hepatocelular: hepatites víricas, alcoólica, tóxica e medicamentosa, isquémica, autoimune, doença de Wilson, cirrose de qualquer causa. Na hepatite aguda a icterícia pode ser intensa sem mau prognóstico; na doença crónica, icterícia persistente traduz perda irreversível de função.
- Colestase intra-hepática: fármacos (amoxicilina com ácido clavulânico e outras penicilinas, contracetivos orais, esteroides anabolizantes, clorpromazina, eritromicina, nitrofurantoína), colangite biliar primária, colangite esclerosante primária, infiltração (linfoma, sarcoidose, metástases, amiloidose), sépsis e insuficiência cardíaca.
- Obstrução extra-hepática: as causas mais comuns são os cálculos do colédoco e os tumores da cabeça do pâncreas; depois o colangiocarcinoma, os tumores da ampola, as estenoses pós-cirúrgicas, a colangite esclerosante primária, a pancreatite crónica e, na criança, a atresia das vias biliares.
- Defeitos hereditários da excreção: Dubin-Johnson (mutação da MRP2, bilirrubina em regra de 2 a 5 mg/dL, fígado negro, agravada pela contraceção oral e pela gravidez) e Rotor. Benignos, com o resto das provas normal.
Situações próprias
- Colestase intra-hepática da gravidez: segundo ou terceiro trimestre, prurido com pele de aspeto normal e ácidos biliares totais de 19 µmol/L ou mais; transaminases muitas vezes até 100 UI/L e bilirrubina que raramente passa 6 mg/dL. O risco de morte fetal só sobe acima da população geral com ácidos biliares de 100 µmol/L ou mais. Resolve 2 a 3 semanas depois do parto.
- Icterícia pós-operatória: surge 1 a 10 dias depois da cirurgia, em cerca de 15% das cirurgias cardíacas e 1% das abdominais eletivas. É multifatorial (transfusões, reabsorção de hematomas, citocinas que travam a conjugação e a excreção) e em regra resolve.
- Sépsis: as citocinas inflamatórias travam o transporte canalicular e dão colestase sem vias dilatadas.
- Recém-nascido: cerca de 50% dos de termo e 80% dos pré-termo ficam ictéricos, em regra entre o segundo e o quarto dia, com resolução em 1 a 2 semanas. Uma subida rápida ou valores acima de 20 mg/dL põem o recém-nascido em risco de kernicterus.
Primeira pergunta: que bilirrubina predomina
- Não conjugada (fração direta abaixo de 15%, sem bilirrubinúria):
- com reticulocitose, desidrogenase láctica alta e haptoglobina baixa: hemólise; o esfregaço e o teste de Coombs orientam a causa;
- sem hemólise, com transaminases, fosfatase alcalina e hemograma normais, num doente saudável: síndrome de Gilbert, que não precisa de mais investigação nem de biópsia.
- Conjugada (com colúria): passa-se ao padrão das provas. Se a fração direta sobe isoladamente, com o resto das provas normal, pensa-se em Dubin-Johnson ou Rotor.
Segunda pergunta: que padrão têm as provas
| padrão | transaminases | fosfatase alcalina | outras pistas |
|---|---|---|---|
| Hepatocelular | mais de 10 vezes o normal | menos de 3 vezes o normal | tempo de protrombina alargado, hipoalbuminemia, sinais de doença hepática |
| Colestático | menos de 5 a 10 vezes o normal | mais de 3 vezes o normal | prurido, má absorção de gordura e de vitaminas lipossolúveis |
| Alcoólico | AST sobre ALT acima de 2, AST raramente acima de 300 UI/L | normal ou pouco elevada | razão acima de 3 é altamente sugestiva |
- Transaminases acima de 1000 UI/L aparecem quase só na hepatite vírica, na lesão isquémica e na lesão tóxica ou medicamentosa. Até 300 UI/L são inespecíficas.
- Exceção a reter: na passagem de um cálculo para o colédoco, as transaminases podem estar por pouco tempo entre 1000 e 2000 UI/L; descem depressa e o quadro evolui para padrão colestático.
- A fosfatase alcalina também vem do osso, da placenta e do intestino: sobe no crescimento, no fim da gravidez, depois dos 60 anos (1 a 1,5 vezes o normal) e, nos grupos sanguíneos O e B, depois de uma refeição gorda. A origem hepatobiliar confirma-se com a gama-glutamil-transferase ou a 5-nucleotidase. Subidas acima de 4 vezes o normal são sobretudo colestase, infiltração ou doença óssea de alto turnover. O valor da fosfatase alcalina não distingue a colestase intra-hepática da obstrução.
- Função de síntese: o tempo de protrombina é a melhor medida aguda, porque os fatores de coagulação têm semivida de 6 horas (fator VII) a 5 dias (fibrinogénio). Se o INR alargado corrige com vitamina K parentérica, a causa é a má absorção da colestase; se não corrige, é insuficiência hepatocelular, e um tempo de protrombina mais de 5 segundos acima do controlo que não corrige é sinal de mau prognóstico. A albumina tem semivida de 18 a 20 dias e reflete cronicidade; numa hepatite, abaixo de 3 g/dL sugere doença crónica subjacente.
- Valor da bilirrubina: na coledocolitíase raramente passa 15 mg/dL; 20 mg/dL ou mais sugere obstrução neoplásica; na obstrução completa estabiliza por volta de 30 mg/dL, salvo insuficiência renal.
Padrão hepatocelular: a causa
- Serologias: IgM contra o vírus da hepatite A; antigénio de superfície e IgM anti-core do vírus da hepatite B; anticorpo e ARN do vírus da hepatite C; hepatite E conforme o contexto.
- Revisão exaustiva de fármacos e suplementos; paracetamol sérico se houver suspeita.
- Autoanticorpos e imunoglobulinas (IgG elevada na hepatite autoimune), ceruloplasmina abaixo dos 40 anos, ferro, transferrina e ferritina.
Terceira pergunta: as vias estão dilatadas
A ecografia abdominal é o primeiro exame num padrão colestático: sem radiação, mostra a dilatação das vias intra e extra-hepáticas, os cálculos, as lesões hepáticas e, muitas vezes, a cabeça do pâncreas.
Vias dilatadas: obstrução extra-hepática. Caracteriza-se o nível e a causa.
| exame | para quê |
|---|---|
| Colangiorressonância | mapa não invasivo da árvore biliar: cálculos, estenoses, colangite esclerosante |
| Tomografia computorizada com contraste | massa pancreática ou biliar, extensão e estadiamento |
| Ressonância magnética | extensão local do colangiocarcinoma peri-hilar e distal, metástases hepáticas |
| Ecoendoscopia | cálculos pequenos do colédoco distal e lesões da cabeça do pâncreas, com punção para citologia |
| Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica | exame para tratar (extração de cálculos, prótese, escovado de estenoses); invasiva, com risco de pancreatite |
- Imagem antes da drenagem: na suspeita de tumor, o estadiamento faz-se antes de colocar qualquer prótese, cujos artefactos prejudicam a avaliação da extensão.
- O CA 19-9 sobe também na colangite e na obstrução benigna e não faz diagnóstico sozinho.
Vias não dilatadas: colestase intra-hepática. A investigação passa para o sangue e para a história.
- Anticorpos antimitocondriais: positivos em cerca de 95% dos doentes com colangite biliar primária (antes chamada cirrose biliar primária), tipicamente mulheres de meia-idade, com fadiga, prurido e IgM elevada.
- Colangiorressonância para colangite esclerosante primária (estenoses multifocais), sobretudo se há doença inflamatória intestinal, presente em 50 a 80% destes doentes; a colestase com anticorpos antimitocondriais negativos obriga a pensar nela.
- Fármacos, sépsis, insuficiência cardíaca, gravidez, doenças infiltrativas.
- Biópsia hepática quando a causa continua incerta, e nunca como primeiro exame numa colestase: a via biliar avalia-se antes.
A icterícia não se trata: trata-se a causa. A pergunta que decide é uma só, se há bile obstruída a drenar.
Cuidados comuns
- Coagulopatia: na colestase prolongada falta a vitamina K; a vitamina K parentérica normaliza o tempo de protrombina quando o fígado funciona, e corrige-se antes de qualquer procedimento invasivo.
- Rever a medicação: suspender o fármaco suspeito e os suplementos, e evitar hepatotóxicos.
- Vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) na colestase crónica.
Colangite aguda
- Três gestos: reanimação com fluidos e analgesia, hemoculturas e antibiótico que cubra enterobactérias e anaeróbios, e drenagem biliar, em regra por colangiopancreatografia retrógrada endoscópica; se a via endoscópica não é possível, drenagem percutânea trans-hepática.
- A bile é positiva em cultura em cerca de 75% dos doentes. Na colangite supurativa, com pus sob pressão numa via totalmente obstruída, a resposta ao antibiótico sozinho é má e a mortalidade aproxima-se de 100% sem descompressão.
- A gravidade das guidelines de Tóquio de 2018 decide quando drenar:
| grau | definição | drenagem |
|---|---|---|
| III, grave | disfunção de pelo menos um órgão: hipotensão com dopamina de 5 µg/kg/min ou mais, ou qualquer dose de noradrenalina; alteração da consciência; PaO2/FiO2 abaixo de 300; oligúria ou creatinina acima de 2,0 mg/dL; INR acima de 1,5; plaquetas abaixo de 100 000/mm³ | logo que possível, depois de estabilizar o doente com suporte de órgão |
| II, moderada | sem disfunção de órgão, com pelo menos dois dos seguintes: leucócitos acima de 12 000 ou abaixo de 4000/mm³; febre de 39 °C ou mais; idade de 75 anos ou mais; bilirrubina total de 5 mg/dL ou mais; albumina abaixo de 0,7 vezes o limite inferior do normal | precoce, endoscópica ou percutânea; o tratamento da causa pode fazer-se no mesmo tempo ou depois de o doente melhorar |
| I, ligeira | não cumpre os critérios de II nem de III | antibiótico chega na maioria; drenar se não responder em 24 horas ou se há cálculo no colédoco |
- A guideline não fixa um prazo em horas para a drenagem precoce do grau II. Os dados observacionais em que se apoia mostram menor mortalidade na colangite moderada drenada nas primeiras 24 horas.
- Depois do controlo do foco, o antibiótico mantém-se 4 a 7 dias; com bacteriemia por enterococo ou estreptococo, pelo menos 2 semanas, pelo risco de endocardite.
- Um grau III, ou um grau II num hospital sem drenagem biliar, transfere-se para onde a haja.
Obstrução sem colangite
- Coledocolitíase: esfincterotomia endoscópica com extração dos cálculos, seguida de colecistectomia se há litíase vesicular.
- Suspeita de tumor: imagem e estadiamento antes de qualquer drenagem, e decisão em reunião multidisciplinar. A cirurgia, a drenagem pré-operatória e as próteses paliativas decidem-se aí.
Doença hepatocelular
| causa | orientação inicial |
|---|---|
| Hepatite vírica aguda | suporte na maioria; antivíricos na hepatite C e nas formas graves de hepatite B |
| Lesão medicamentosa | suspender o fármaco; N-acetilcisteína precoce na intoxicação por paracetamol |
| Hepatite alcoólica | abstinência e suporte nutricional; corticoide nas formas graves selecionadas |
| Hepatite autoimune | imunossupressão |
| Insuficiência hepática aguda | internamento e referenciação a centro de transplante antes da encefalopatia avançada |
Hiperbilirrubinemia não conjugada
- Hemólise: tratar a causa; a icterícia resolve com ela.
- Síndrome de Gilbert: nenhum tratamento. Explica-se que é benigna, que oscila com o jejum e a doença e que não justifica mais exames. O défice de UGT1A1 aumenta a toxicidade do irinotecano (diarreia e mielossupressão), e o atazanavir e o indinavir agravam a hiperbilirrubinemia.
Colestase intra-hepática crónica
- Colangite biliar primária: ácido ursodesoxicólico 13 a 15 mg/kg por dia, para toda a vida. Cerca de 20 a 30% dos doentes, até 40% nalgumas séries, têm resposta insuficiente. Nesses, a segunda linha aprovada na União Europeia é um agonista dos recetores ativados por proliferadores de peroxissomas (PPAR), associado ao ursodesoxicólico, ou sozinho quando este não é tolerado: o elafibranor (autorização condicional em setembro de 2024) ou o seladelpar (autorização condicional em fevereiro de 2025). O bezafibrato é alternativa fora da indicação aprovada. O ácido obeticólico já não está autorizado na União Europeia: a Comissão Europeia revogou a autorização em agosto de 2024, depois de a Agência Europeia do Medicamento (EMA) concluir que o benefício já não superava o risco.
- Colangite esclerosante primária: nenhum tratamento médico demonstrou mudar a história natural; tratam-se a colangite com antibiótico e drenagem, as estenoses dominantes por dilatação endoscópica e o prurido, faz-se colonoscopia com biópsias no diagnóstico quando não se conhece doença inflamatória intestinal, e o transplante é o tratamento da doença terminal.
- Colestase da gravidez: nenhum tratamento melhora o prognóstico fetal, e o ácido ursodesoxicólico não se dá por rotina para esse fim; alivia pouco o prurido. O que protege é a decisão sobre o momento do parto, guiada pelo pico de ácidos biliares: com 100 µmol/L ou mais, considera-se o parto às 35 a 36 semanas; entre 40 e 99, às 38 a 39 semanas; entre 19 e 39, sem outros fatores de risco, o risco é o da população e pondera-se o parto até às 40 semanas ou a vigilância habitual. A ecografia e a cardiotocografia não preveem nem evitam a morte fetal.
Prurido colestático
A escada é diferente nas duas colangites, e as medidas gerais (emolientes, banhos não quentes, unhas curtas) valem para ambas.
| ordem | colangite biliar primária | colangite esclerosante primária |
|---|---|---|
| Primeira | colestiramina | bezafibrato, 400 mg por dia |
| Segunda | rifampicina, 150 a 300 mg por dia | rifampicina |
| Terceira | naltrexona, em dose inicial baixa | naltrexona, começando em 12,5 mg |
| Seguinte | sertralina | sertralina, sem evidência nesta doença |
- Colestiramina: resina que sequestra ácidos biliares no intestino e trava a absorção de outros fármacos, incluindo o ursodesoxicólico. Os outros fármacos tomam-se pelo menos 1 hora antes ou 4 a 6 horas depois da resina. Pode agravar o défice de vitamina K. Nas colangites esclerosantes a evidência é fraca e deixou de ser recomendada.
- Rifampicina: pode causar hepatite, em regra entre as 4 e as 12 semanas; vigiam-se as provas hepáticas às 6 e às 12 semanas e a cada aumento de dose. Também pode alargar o INR nos doentes ictéricos.
- Naltrexona: começa-se baixo para evitar uma reação semelhante à privação de opioides.
- Na colangite biliar primária, o seladelpar reduziu o prurido nos doentes com prurido moderado a grave; o elafibranor não mostrou diferença significativa no prurido.
- Os anti-histamínicos não são tratamento específico do prurido colestático; ajudam alguns doentes pelo efeito sedativo.
- Na grávida, a colestiramina e a rifampicina (a partir do terceiro trimestre) são consideradas seguras; o bezafibrato não se recomenda, por falta de dados.
Referências
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