Abordagem ao doente com disfagia
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 19 perguntas neste tema
Disfagia é a sensação de que o alimento, o líquido ou a saliva não progridem da boca ao estômago, e trata-se como doença orgânica até prova em contrário. Três perguntas resolvem a maioria dos casos à cabeceira: onde para, a quê e desde quando. A orofaríngea é a dificuldade em iniciar a deglutição, com tosse, engasgo, regurgitação nasal e voz molhada, e nasce quase sempre de doença neurológica ou muscular (o acidente vascular cerebral à cabeça), com o divertículo de Zenker como principal causa estrutural. A esofágica é o bolo que para no tórax segundos depois de uma deglutição bem iniciada, e o sítio que o doente aponta não localiza a lesão.
Na esofágica, só a sólidos é obstrução mecânica e sólidos e líquidos desde o início é perturbação motora. Progressiva, com pirose antiga, é estenose péptica; progressiva e rápida, com perda de peso, numa pessoa mais velha, é neoplasia até prova em contrário; intermitente, com impactação de um bolo de carne, é anel de Schatzki ou, no jovem atópico, esofagite eosinofílica. A acalásia dá disfagia a sólidos e líquidos com regurgitação de comida não digerida e evolui em anos; quando evolui em meses num doente mais velho que emagrece, é um tumor da junção até prova em contrário.
A endoscopia alta é o primeiro exame da disfagia esofágica, porque vê a mucosa, exclui a neoplasia, biopsa e dilata na mesma sessão; com a mucosa normal, biopsa-se o esófago em dois níveis à procura da esofagite eosinofílica. O esofagograma vem antes da endoscopia quando se suspeita de Zenker e completa-a nos anéis e nas estenoses; a manometria de alta resolução entra quando a endoscopia é normal e a suspeita é motora. Na orofaríngea estuda-se a própria deglutição, por videofluoroscopia ou avaliação endoscópica, e procura-se a causa neurológica.
O tratamento é o da causa, mas antes dele vêm a via aérea e a nutrição. O que não se pode falhar: dar de comer, de beber ou comprimidos a um doente com acidente vascular cerebral agudo antes do rastreio da deglutição; atrasar a endoscopia de um doente que não consegue engolir a própria saliva; dilatar uma acalásia que é afinal um tumor; e passar o endoscópio às cegas num divertículo de Zenker.
As que não se podem falhar
| Causa | O que a denuncia | Porque urge |
|---|---|---|
| Neoplasia do esófago ou da junção | disfagia progressiva, primeiro a sólidos e depois a líquidos, com perda de peso; rouquidão, tosse ao beber | apresenta-se tarde e cada semana conta |
| Impactação com obstrução completa | início súbito depois de uma refeição, não consegue engolir a própria saliva, dor retroesternal | aspiração e necrose da parede por pressão |
| Acidente vascular cerebral agudo | défice neurológico com tosse ou voz molhada ao beber, ou nenhum sinal | a aspiração pode ser silenciosa e acaba em pneumonia |
| Pseudoacalásia | quadro de acalásia num doente mais velho, com sintomas há poucos meses e perda de peso marcada | é um tumor da junção a imitar a acalásia |
| Perfuração | dor torácica intensa, enfisema subcutâneo, febre, depois de dilatação, endoscopia, impactação ou vómitos | mediastinite |
Falha neuromuscular: disfagia orofaríngea
A fase faríngea é um reflexo do tronco cerebral, pelos pares cranianos V, VII, IX, X e XII. Basta falhar um passo para o bolo entrar na via aérea ou refluir pelo nariz.
| Nível | Doença | O que a denuncia |
|---|---|---|
| Córtex e tronco | acidente vascular cerebral | a causa aguda mais frequente; a disfagia está presente em mais de metade dos doentes na fase aguda |
| Extrapiramidal | doença de Parkinson | lentidão da língua e da faringe; instala-se devagar e o doente subestima-a |
| Neurónio motor | esclerose lateral amiotrófica | disfagia com disartria, fasciculações e atrofia da língua |
| Junção neuromuscular | miastenia gravis | fadigabilidade: piora ao longo da refeição e ao fim do dia |
| Músculo | miosites | fraqueza proximal associada |
| Estrutural | divertículo de Zenker | regurgitação de comida não digerida, halitose, gorgolejo cervical |
- O divertículo de Zenker é um falso divertículo (mucosa e submucosa) que hernia no triângulo de Killian, acima de um músculo cricofaríngeo que abre mal e aumenta a pressão na hipofaringe. Prevalência de 0,01 a 0,11%, diagnosticado sobretudo entre a sexta e a oitava décadas. O saco retém comida e devolve-a horas depois, e a aspiração é a complicação que pesa.
Estreitamento do lúmen: disfagia mecânica
| Causa | Mecanismo | Padrão |
|---|---|---|
| Estenose péptica | a esofagite de refluxo repetida cicatriza com fibrose | progressiva, só a sólidos, anos de pirose |
| Anel de Schatzki | anel mucoso fino na junção escamocolunar; dá sintomas quando o lúmen fica abaixo de 13 mm | intermitente, impactação de carne, doente acima dos 40 anos; anéis assintomáticos existem em 10 a 15% da população |
| Esofagite eosinofílica | inflamação de tipo 2 desencadeada sobretudo por alimentos, com remodelação e fibrose | jovem, muitas vezes homem, com asma, eczema, rinite ou alergia alimentar; disfagia e impactação |
| Neoplasia | o tumor ocupa e estreita o lúmen | progressiva em semanas a meses, de sólidos para líquidos, com perda de peso |
| Membrana proximal | membrana fina no esófago cervical | com anemia ferropénica na mulher de meia-idade é a síndrome de Plummer-Vinson |
| Estenose por cáusticos, rádica ou medicamentosa | cicatrização de uma lesão química ou física | história de ingestão, radioterapia torácica ou comprimido |
| Compressão extrínseca | bócio mergulhante, adenopatias, aorta ou artéria subclávia direita aberrante (disfagia lusória) | progressiva, com exame da mucosa normal |
- Os dois carcinomas do esófago diferem no sítio e no risco, e isso muda a probabilidade à cabeceira:
| Carcinoma epidermoide | Adenocarcinoma | |
|---|---|---|
| Onde | terços superior e médio | terço distal e junção, em cerca de três quartos dos casos |
| Risco | tabaco e álcool, acalásia antiga, cáusticos, Plummer-Vinson | refluxo crónico, esófago de Barrett, obesidade |
| Nota | procura-se um segundo tumor da cabeça e pescoço | vigia-se o Barrett |
O carcinoma epidermoide também se chama espinocelular.
Falha do transporte: disfagia motora
- Acalásia: perda dos neurónios inibitórios do plexo mioentérico, os que libertam óxido nítrico e péptido intestinal vasoativo. O esfíncter inferior não relaxa com a deglutição e o corpo perde a peristalse; o esófago dilata acima de uma porta que não abre. É rara (1 a 3 por 100 000) e surge sobretudo entre os 25 e os 60 anos. Secundária: doença de Chagas, opioides crónicos e a pseudoacalásia por infiltração tumoral da junção, até 5% dos casos suspeitos.
- Espasmo esofágico distal: contrações prematuras com relaxamento do esfíncter preservado. Disfagia intermitente e dor torácica que imita a angina.
- Esclerose sistémica: o músculo liso é substituído por fibrose, o corpo perde a contratilidade e o esfíncter fica hipotónico. É o contrário da acalásia no tónus, e por isso junta disfagia a refluxo grave. O mesmo padrão aparece em cerca de metade dos doentes sem doença do tecido conjuntivo.
Dor ao engolir: odinofagia
- Esofagite infeciosa (Candida, vírus herpes simples, citomegalovírus) no imunodeprimido: transplante, quimioterapia, corticoides; na infeção pelo vírus da imunodeficiência humana é rara acima de 200 linfócitos CD4 por microlitro e frequente abaixo de 100.
- Esofagite por comprimidos: o comprimido para no esófago médio, junto ao arco aórtico ou à carina, e lesa a mucosa por contacto. Doxiciclina e tetraciclina, bifosfonatos, cloreto de potássio, sulfato ferroso, anti-inflamatórios não esteroides, quinidina e fenitoína.
| Suspeita | Primeiro exame | Depois |
|---|---|---|
| Esofágica | endoscopia alta com biópsias | esofagograma se há dúvida anatómica; manometria se a endoscopia é normal |
| Divertículo de Zenker | esofagograma | endoscopia com cuidado, se for precisa |
| Motora (sólidos e líquidos) | endoscopia, para excluir tumor da junção | manometria de alta resolução e esofagograma |
| Orofaríngea | videofluoroscopia ou avaliação endoscópica da deglutição | estudo da causa neurológica ou otorrinolaringológica |
| Impactação | endoscopia, sem esofagograma | biópsias na mesma endoscopia |
Endoscopia alta
- É o primeiro exame da disfagia esofágica: é mais sensível para as lesões da mucosa, identifica o Barrett, colhe biópsias e dilata na mesma sessão.
- Lesão suspeita: 6 ou mais biópsias, para a histologia e para os biomarcadores.
- Estenose: biopsa-se sempre, para excluir neoplasia.
- Mucosa normal ou pouco alterada com disfagia sem explicação: pelo menos 6 biópsias de dois níveis (proximal ou médio e distal), à procura da esofagite eosinofílica, que pode não ter alteração visível. O diagnóstico exige sintomas de disfunção esofágica, 15 ou mais eosinófilos por campo de grande ampliação e exclusão de outras causas; a prova prévia com inibidor da bomba deixou de ser exigida.
- Achados da esofagite eosinofílica: anéis fixos, sulcos longitudinais, exsudados brancos, edema, estenose.
- Mucosa normal ou esofagite de aspeto péptico não se biopsa para diagnosticar refluxo (norma DGS 019/2017).
Esofagograma com bário
- Mais sensível do que a endoscopia para estenoses difusas e anéis, sobretudo com um comprimido de bário de 13 mm; mostra a morfologia e a dinâmica.
- Zenker: define o saco e faz-se antes da endoscopia, porque o endoscópio pode entrar no divertículo e perfurá-lo.
- Acalásia: esófago dilatado que esvazia mal, nível hidroaéreo e afilamento liso da junção em bico de pássaro; sigmoide na doença avançada. O esofagograma cronometrado, que mede o esvaziamento, é preferível ao convencional.
- Raramente dispensa a endoscopia, que se segue para biopsar, tratar ou confirmar.
- Não se faz na impactação: arrisca a aspiração e tapa a visão ao endoscopista.
Manometria de alta resolução
- Faz-se na disfagia sem lesão endoscópica e antes de cirurgia antirrefluxo (norma DGS 019/2017). É o exame mais sensível para a acalásia, porque a apanha antes de o esófago dilatar.
- Na acalásia, a endoscopia é obrigatória antes de tratar. Com suspeita de pseudoacalásia e endoscopia inconclusiva, TC ou ecoendoscopia; a suspeita sobe acima dos 55 anos, com sintomas há menos de 12 meses e perda de mais de 10 kg.
- Leitura pela classificação de Chicago 4.0, que cruza o relaxamento do esfíncter inferior (pressão de relaxamento integrada) com o padrão do corpo:
| Diagnóstico | Relaxamento do esfíncter | Corpo do esófago |
|---|---|---|
| Acalásia tipo I | insuficiente | 100% de peristalse falhada, sem pressurização |
| Acalásia tipo II | insuficiente | 100% de peristalse falhada, com pressurização panesofágica em 20% ou mais das deglutições |
| Acalásia tipo III, espástica | insuficiente | contrações prematuras em 20% ou mais, sem peristalse normal |
| Obstrução ao fluxo da junção | insuficiente | peristalse presente; só conta com sintomas e confirmação por outro exame |
| Espasmo esofágico distal | normal | contrações prematuras |
| Esófago hipercontrátil | normal | contrações de vigor excessivo |
| Ausência de contratilidade | normal | 100% de peristalse falhada |
| Motilidade esofágica ineficaz | normal | mais de 70% de deglutições ineficazes, ou 50% ou mais falhadas |
- O subtipo da acalásia pesa na escolha do tratamento. O que separa o espasmo distal da acalásia tipo III é o relaxamento do esfíncter, normal no espasmo.
Disfagia orofaríngea
- A lógica inverte-se: estuda-se o mecanismo da deglutição e persegue-se a causa.
- Videofluoroscopia: mostra as fases oral, faríngea e esofágica com consistências diferentes, se o doente aspira e porquê, e permite testar texturas, posições e manobras.
- Avaliação endoscópica da deglutição, com nasofibroscópio: faz-se à cabeceira, sem radiação, e vê a faringe, a laringe e a gestão das secreções.
- As duas completam-se. Em paralelo: exame neurológico, imagem do crânio, estudo de doença neuromuscular ou observação por otorrinolaringologia, conforme a hipótese.
Quando é neoplasia
- TC do tórax e do abdómen e PET-TC nos candidatos a esofagectomia, para metástases à distância.
- Ecoendoscopia para a profundidade e os gânglios; distingue mal as lesões T1.
- Broncoscopia nos tumores ao nível da carina ou acima.
- No epidermoide, observação da cabeça e pescoço, à procura de um segundo tumor.
Odinofagia
| Causa | Endoscopia | Onde biopsar |
|---|---|---|
| Candida | placas brancas aderentes, mucosa friável | placas |
| Herpes simples | vesículas e úlceras pequenas e superficiais | bordo da úlcera |
| Citomegalovírus | úlceras grandes, serpiginosas, no esófago distal | fundo da úlcera |
| Comprimido | úlcera localizada no esófago médio | em regra dispensável com história típica |
- Com candidíase oral e sintomas esofágicos aceita-se tratamento empírico, e a endoscopia fica para quem não responde, porque a coinfeção é frequente.
Antes da causa, duas prioridades: via aérea protegida e nutrição e hidratação seguras. Com a via oral insegura suspende-se e arranja-se alternativa enquanto se trata a doença.
Impactação alimentar
- Obstrução completa (não engole a saliva): endoscopia emergente, de preferência nas primeiras 2 horas e no máximo em 6 horas. Obstrução incompleta: nas primeiras 24 horas.
- O bolo empurra-se com cuidado para o estômago; se não passa, retira-se.
- O tratamento médico tem eficácia discutível e não pode atrasar a endoscopia. O glucagon (1 mg endovenoso) tenta-se por vezes antes da endoscopia; as enzimas amaciadoras de carne não se usam.
- A causa estuda-se sempre, com biópsias na mesma endoscopia: estenose péptica, anel de Schatzki, esofagite eosinofílica ou carcinoma.
Estreitamento mecânico
| Causa | Tratamento |
|---|---|
| Estenose péptica | biópsia para excluir neoplasia; dilatação endoscópica e inibidor da bomba de protões de manutenção, que reduz a necessidade de novas dilatações |
| Anel de Schatzki | dilatação; a recidiva é frequente e repetir a dilatação não aumenta as complicações; trata-se o refluxo, se existir |
| Esofagite eosinofílica | uma terapêutica anti-inflamatória de cada vez: inibidor da bomba de protões, corticoide tópico deglutido (budesonida orodispersível 1 mg duas vezes por dia) ou dieta de eliminação empírica; dupilumab sem resposta ao inibidor, 300 mg por semana por via subcutânea a partir dos 12 anos e 40 kg; dilatação da estenose como complemento |
| Plummer-Vinson | corrigir a ferropenia e dilatar a membrana |
| Neoplasia | estadiamento e decisão em reunião multidisciplinar |
- Na esofagite eosinofílica a resposta avalia-se com endoscopia e biópsias, e o tratamento que resulta mantém-se, porque sem ele a doença volta. Os testes alérgicos não servem para escolher a dieta.
- Na neoplasia com intenção curativa, o doente desnutrido alimenta-se por jejunostomia ou sonda nasogástrica, e não por prótese, que pode piorar o prognóstico. Na paliação, a prótese metálica autoexpansível é a forma mais rápida de devolver a deglutição.
Perturbações motoras
- Acalásia: nenhum tratamento devolve a peristalse; o objetivo é baixar a pressão do esfíncter para o esófago esvaziar.
| Opção | Nota |
|---|---|
| Dilatação pneumática graduada e repetida | balão de 3 a 4 cm; perfuração em 0,5 a 5% |
| Miotomia de Heller laparoscópica | com fundoplicatura parcial, para limitar o refluxo |
| Miotomia endoscópica peroral | secção do músculo por um túnel submucoso; mais refluxo depois |
| Toxina botulínica no esfíncter | efeito temporário, que se esgota em meses e obriga a repetir; só em quem não tem condições para as outras, ou como ponte |
| Nitratos, antagonistas do cálcio | não se recomendam |
- Dilatação graduada, miotomia de Heller e miotomia endoscópica têm eficácia comparável; escolhe-se pelo doente, pela idade, pelo subtipo e pela experiência do centro. No tipo III a dilatação rende menos do que a miotomia.
- Espasmo esofágico distal: exclui-se e trata-se primeiro o refluxo. Os fármacos (nitratos, antagonistas do cálcio, toxina botulínica) têm só estudos pequenos, e a miotomia fica para a perda de peso grave ou a dor intratável, que são raras.
- Esclerose sistémica: controlo agressivo do refluxo, porque a hipomotilidade não se corrige.
Disfagia orofaríngea
- Trata-se a doença de base, e a deglutição melhora com ela.
- Avaliação e terapia da fala: exercícios e manobras escolhidos para o defeito que os exames mostraram, posicionamento cervical.
- Texturas modificadas e líquidos espessados só depois de avaliar a deglutição, com vigilância da hidratação e da ingestão.
- Higiene oral, que reduz a pneumonia.
- Ingestão oral insuficiente: sonda nasogástrica precoce; gastrostomia quando a via oral não vai sustentar o doente a longo prazo, integrada nos objetivos de cuidados.
- Divertículo de Zenker sintomático: miotomia do cricofaríngeo, sozinha nos pequenos, com diverticulectomia ou suspensão nos maiores, por via cervical ou endoscópica. Não se dilata.
Acidente vascular cerebral agudo
- Rastreio formal da deglutição em todos, o mais cedo possível depois da admissão, com teste de água ou de várias consistências.
- Nada pela boca, incluindo medicação, até o rastreio dizer que é seguro.
- Rastreio falhado ou sinais de risco (paralisia facial, disartria ou afasia graves, défice neurológico grave): avaliação da deglutição, clínica e instrumental.
- Ingestão insuficiente: alimentação por sonda nasogástrica cedo. Não se dá antibiótico profilático.
Esofagites da odinofagia
| Agente | Tratamento |
|---|---|
| Candida | fluconazol oral 400 mg no primeiro dia e depois 200 mg por dia, 14 a 21 dias |
| Herpes, imunodeprimido | aciclovir 400 mg cinco vezes por dia, 14 a 21 dias; odinofagia grave, 5 mg/kg endovenoso de 8 em 8 horas |
| Citomegalovírus | ganciclovir 5 mg/kg endovenoso de 12 em 12 horas ou valganciclovir 900 mg oral de 12 em 12 horas, até cicatrizar (3 a 6 semanas) |
| Comprimido | suspender ou trocar o fármaco, antissecretor para tirar o refluxo como agravante; tomar os comprimidos de pé, com água abundante, e não se deitar logo a seguir |
Idoso e demência
- A disfagia do idoso raramente tem uma só causa: lentificação da deglutição com a idade, fármacos que secam a boca ou dão parkinsonismo, dentição, demência, sequelas vasculares. Rever a medicação e tratar a boca rende antes de escalar exames.
- Na demência grave e na fase terminal, a nutrição por sonda ou gastrostomia não se recomenda; a alternativa é a alimentação assistida com texturas adaptadas, discutida com a família.
Complicações do tratamento
- Dilatação: perfuração, com dor torácica, enfisema e febre depois do procedimento.
- Miotomia: troca a disfagia por refluxo; por isso o Heller leva fundoplicatura parcial e depois da miotomia endoscópica vigia-se e trata-se o refluxo.
- Prótese: migra, obstrui com tumor ou comida, dói; na junção esofagogástrica causa refluxo intenso.
- Gastrostomia: não elimina a aspiração de saliva nem de conteúdo refluído.
Referências
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