Digestiva e Hepatobiliar›Abordagem ao doente com diarreia ou obstipação intestinalPublicado (Premium)

Abordagem ao doente com diarreia ou obstipação

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 25 perguntas neste tema

Em resumo

Diarreia e obstipação são das queixas mais frequentes em medicina geral e familiar e em gastrenterologia, e quase sempre benignas. O trabalho do médico é separar a minoria que esconde doença grave, com sinais de alarme e exames dirigidos, e tratar bem a maioria, que precisa de pouco ou nenhum exame.

Diarreia é a passagem de fezes moles ou líquidas com frequência aumentada. Diz-se aguda até 2 semanas, persistente entre 2 e 4 e crónica depois de 4. A aguda é infeciosa em mais de 90% dos casos, autolimitada e trata-se com reidratação oral; investiga-se só quando há desidratação, sangue, febre de 38,5 °C ou mais, antibiótico recente, idade avançada ou imunodepressão. O antibiótico empírico fica para a disenteria febril e para o doente grave, e evita-se na diarreia com sangue sem febre, que pode ser Escherichia coli produtora de toxina Shiga. A infeção por Clostridioides difficile, que se procura em quem fez antibiótico ou está internado, trata-se com fidaxomicina ou vancomicina oral; o metronidazol saiu da primeira linha.

A diarreia crónica raramente é infeciosa no imunocompetente. Pensa-se por mecanismo, osmótica, secretora, inflamatória, gordurosa ou por dismotilidade, e estuda-se com hemograma, serologia da doença celíaca e calprotectina fecal antes da colonoscopia, que se pede com sinais de alarme e se faz sempre com biópsias, porque a colite microscópica tem mucosa normal. A diarreia por ácidos biliares é frequente e esquecida.

Obstipação define-se pelos critérios de Roma IV, que valorizam o esforço, as fezes duras, a evacuação incompleta e as manobras manuais tanto quanto a frequência. Na maioria não há causa orgânica e responde à fibra, à água e ao macrogol, com estimulante em reforço. Os fármacos, o hipotiroidismo, a hipercalcémia e a neoplasia do cólon excluem-se primeiro, e a obstipação que não cede leva à procura da dissinergia defecatória, que se trata com biofeedback e não com laxantes. Quem começa um opioide começa um laxante no mesmo dia.

A síndrome do intestino irritável liga as duas queixas: dor abdominal recorrente associada à defecação e à mudança das fezes, diagnosticada por critérios e sem alarmes, e tratada conforme predomina a diarreia ou a obstipação.

Referências

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