CardiovascularTromboembolismo venoso e trombeombolismo pulmonarPublicado (Premium)

Tromboembolismo venoso e tromboembolismo pulmonar

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 14 de junho de 2026 · 22 perguntas neste tema

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Em resumo

O tromboembolismo venoso (TEV) é um espectro único que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP), e é uma causa frequente e evitável de morte hospitalar. Nasce da tríade de Virchow (estase, lesão endotelial, hipercoagulabilidade). No diagnóstico, parte-se da probabilidade pré-teste (Wells): no doente estável, D-dímeros negativos com baixa probabilidade excluem, e a angio-TC pulmonar confirma; no instável, o ecocardiograma à cabeceira e a TC urgente orientam. O tratamento é a anticoagulação (DOAC em 1.ª linha; HBPM na neoplasia e na gravidez; heparina não fracionada na instabilidade), durante pelo menos 3 meses (prolongada se não provocado, recorrente ou com fator persistente). O TEP de alto risco (instável) exige trombólise; o de risco intermédio, anticoagulação com vigilância apertada; o de baixo risco pode ser tratado em ambulatório. A tromboprofilaxia no doente internado de risco é a intervenção que evita o problema.

Mecanismos

A tríade de Virchow

Tudo no TEV se organiza à volta de três condições que favorecem a trombose, descritas há mais de um século e ainda o melhor mapa mental para a doença: estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. Raramente um fator de risco atua só por um destes mecanismos; a maioria combina dois ou os três. Saber encaixar cada situação clínica na tríade explica por que é que aquele doente concreto trombosou, e ajuda a antecipar quem vai trombosar.

Estase venosa. O sangue parado coagula. Quando o fluxo abranda, os fatores de coagulação ativados não são diluídos nem arrastados, acumulam-se localmente e iniciam a cascata. As válvulas venosas e os seios da barriga da perna são zonas de baixo fluxo onde o trombo começa tipicamente. A estase explica a trombose na imobilização, no acamamento prolongado, na paralisia de um membro, na insuficiência cardíaca com débito baixo, na compressão venosa por uma massa, e nas viagens longas em que se fica horas sentado sem mexer as pernas.

Lesão endotelial. O endotélio intacto é antitrombótico. Quando é lesado, expõe-se o subendotélio e o fator tecidular, e a superfície deixa de inibir a coagulação para passar a promovê-la. A lesão pode ser mecânica direta (cirurgia, trauma, fratura, cateter venoso) ou funcional, sem rotura visível da parede, por inflamação, hipoxia, toxinas ou citocinas, que tornam o endotélio pró-coagulante. É por aqui que entram a cirurgia, o trauma ortopédico, os cateteres centrais e estados inflamatórios sistémicos.

Hipercoagulabilidade. O sangue em si está mais propenso a coagular, por desequilíbrio entre fatores pró-coagulantes e anticoagulantes naturais. Pode ser herdado (trombofilias hereditárias) ou adquirido (neoplasia, gravidez, estrogénios, síndrome antifosfolipídico, síndrome nefrótico). É o braço da tríade que explica as tromboses sem fator mecânico óbvio e as tromboses recorrentes ou em locais atípicos.

Fatores de risco

Os fatores de risco do TEV diferem na força. Alguns são major, transitórios e potentes (uma cirurgia ortopédica major multiplica enormemente o risco durante semanas); outros são fracos mas crónicos (idade, obesidade) e somam-se. Na prática, o que conta é a acumulação: vários fatores fracos em simultâneo, ou um fator forte sobre um terreno predisposto, é o que precipita o episódio. A tabela enquadra cada fator no(s) braço(s) da tríade que melhor o explica.

Fator de riscoMecanismo dominante na tríadeNotas práticas
Cirurgia major e cirurgia ortopédica (anca, joelho)Estase + lesão endotelial + hipercoagulabilidade pós-opDos fatores transitórios mais potentes; justifica tromboprofilaxia sistemática
Trauma major e fraturas dos membros inferioresLesão endotelial + estase (imobilização)Risco prolongado durante a imobilização
Imobilização e internamento prolongadoEstaseDoente médico acamado também precisa de profilaxia, não só o cirúrgico
Neoplasia ativaHipercoagulabilidade (estado pró-trombótico tumoral)TEV pode ser a primeira manifestação de cancro oculto; recidiva frequente
Gravidez e puerpérioHipercoagulabilidade + estase (compressão pélvica)Risco maior no puerpério; estase agravada pelo útero gravídico
Contracetivos orais e terapêutica hormonalHipercoagulabilidade (estrogénios)Risco multiplica-se se associado a trombofilia ou tabaco
Viagens longas (avião, carro)EstaseSobretudo relevante quando há outros fatores associados
TEV prévioPredisposição residual / persistenteForte preditor de recidiva; pesa muito na duração do tratamento
Idade avançadaMultifatorial (todos os braços)Risco sobe progressivamente com a idade
ObesidadeEstase + estado pró-inflamatórioFator crónico que se soma aos restantes
Fator V de LeidenHipercoagulabilidade hereditária (resistência à proteína C ativada)Trombofilia hereditária mais comum nas populações europeias
Mutação do gene da protrombina (G20210A)Hipercoagulabilidade hereditáriaAumento dos níveis de protrombina
Deficiências de antitrombina, proteína C, proteína SHipercoagulabilidade hereditáriaMenos frequentes, mas com risco trombótico mais elevado
Síndrome antifosfolipídicoHipercoagulabilidade adquirida (autoimune)Trombose arterial e venosa, abortos de repetição; anticorpos antifosfolipídicos

Sobre as trombofilias: o rastreio sistemático não está indicado em todos os doentes com TEV, e o resultado raramente muda a conduta aguda. A pesquisa pondera-se em situações selecionadas (TEV não provocado em jovem, história familiar marcada, trombose em local atípico, recidiva), porque pode influenciar a decisão sobre prolongar a anticoagulação. O síndrome antifosfolipídico é a exceção com peso clínico imediato, porque condiciona a escolha do anticoagulante.

Fisiopatologia do TEP

Quando o trombo encrava na circulação pulmonar, o problema central é mecânico e hemodinâmico, não tanto respiratório de início. A obstrução de parte do leito arterial pulmonar, somada à vasoconstrição reflexa mediada por substâncias libertadas localmente (a serotonina e o tromboxano dos próprios trombos), faz subir bruscamente a resistência vascular pulmonar. Isso traduz-se num aumento súbito da pós-carga do ventrículo direito.

O ventrículo direito é uma câmara de parede fina, desenhada para bombear contra resistências baixas. Tolera mal uma sobrecarga de pressão aguda. Perante a subida abrupta da pós-carga, dilata para tentar manter o débito (mecanismo de Frank-Starling), e a tensão na sua parede sobe. Essa dilatação tem consequências em cadeia. A parede sob tensão consome mais oxigénio ao mesmo tempo que a perfusão coronária do próprio VD diminui (a pressão de perfusão cai e a sistólica do VD sobe), o que gera isquemia do ventrículo direito, justamente o substrato da elevação da troponina nestes doentes. O VD dilatado empurra o septo interventricular para a esquerda, e esse desvio septal compromete o enchimento do ventrículo esquerdo (interdependência ventricular). Com o VD a falhar e o VE mal cheio, o débito cardíaco cai, a pressão arterial desce, e instala-se o choque obstrutivo. A perfusão coronária piora ainda mais, fechando um ciclo vicioso que pode evoluir para colapso e paragem.

Esta cascata é a razão de a estratificação se basear no estado do VD. A disfunção do ventrículo direito na imagem e a troponina elevada são marcadores de que esta espiral já começou, mesmo num doente ainda normotenso. No plano respiratório, a hipoxemia surge por alteração da relação ventilação-perfusão (áreas ventiladas mas não perfundidas, espaço morto aumentado) e pela queda do débito; a taquipneia e a hipocapnia são habituais.

Fisiopatologia da TVP

Na TVP o processo é mais lento e local. O trombo forma-se nas zonas de baixo fluxo, geralmente nos seios valvulares da barriga da perna, e cresce por aposição de camadas de fibrina, plaquetas e eritrócitos. À medida que ocupa a luz da veia, dificulta o retorno venoso a montante, e daí vêm o edema, o aumento de volume, a dor e o calor do membro. O risco que torna a TVP perigosa é o de embolização: um fragmento do trombo, sobretudo a sua extremidade ainda mal aderente, solta-se e parte para o pulmão. Por isso o trombo proximal, maior e em veia de maior fluxo, é o que mais emboliza. Quando o trombo não emboliza nem resolve por completo, organiza-se e pode lesar definitivamente as válvulas venosas, deixando a sequela tardia de síndrome pós-trombótica (edema crónico, dor, alterações cutâneas e, nos casos graves, úlcera de estase).

TEV provocado vs não provocado

Esta distinção decide a duração do tratamento, por isso classificar o episódio é parte essencial da avaliação. O TEV provocado ocorre na presença de um fator de risco identificável, e separa-se conforme esse fator é transitório (cirurgia recente, trauma, imobilização por doença aguda, gravidez/puerpério, estrogénios) ou persistente (neoplasia ativa). Quando o fator desencadeante é transitório e já desapareceu, o risco de recidiva após suspender a anticoagulação é baixo, e basta em regra um curso definido de tratamento (tipicamente cerca de três meses).

O TEV não provocado (idiopático) surge sem qualquer fator precipitante reconhecível. Tem risco de recidiva substancialmente mais elevado depois de parar a anticoagulação, e por isso pondera-se anticoagulação prolongada, reavaliando periodicamente o equilíbrio entre o risco de recidiva e o risco hemorrágico. O TEV associado a neoplasia ativa comporta-se, na prática, como persistente: anticoagula-se enquanto o cancro estiver ativo ou em tratamento. Perante um primeiro TEV não provocado convém manter a suspeita de uma causa oculta, designadamente neoplásica, ajustando a investigação ao quadro clínico e à idade.

Estase venosa Imobilização, internamento Cirurgia recente, viagem longa Insuficiência cardíaca Gravidez (compressão), varizes Lesão endotelial Cirurgia e trauma Cateteres venosos Trombose venosa prévia Tabagismo, inflamação Hipercoagulabilidade Neoplasia ativa Gravidez, estrogénios Trombofilias (fator V Leiden, protrombina, antifosfolipídico) Trombose venosa tríade de Virchow → TVP / TEP
Esquema original InovaQB (tríade de Virchow).

Diagnóstico

O tromboembolismo venoso é uma única doença com duas apresentações que partilham fatores de risco e estratégia diagnóstica: a trombose venosa profunda e o tromboembolismo pulmonar. Em qualquer das duas, a clínica isolada é insuficiente para confirmar ou excluir o diagnóstico. O raciocínio assenta sempre na mesma sequência: estimar a probabilidade pré-teste, escolher o teste seguinte com base nessa probabilidade e na estabilidade hemodinâmica, e só depois pedir o exame de imagem que confirma.

Trombose venosa profunda

A apresentação típica é um membro inferior com edema unilateral, dor, calor e rubor. O empastamento da gemelar (a barriga da perna tensa e dolorosa à palpação ou à dorsiflexão do pé) é um sinal sugestivo mas pouco específico. Muitas TVP, sobretudo as distais, são pauci-sintomáticas, e nenhum sinal isolado tem sensibilidade ou especificidade suficientes para decidir. O diagnóstico diferencial inclui celulite, rotura de quisto de Baker, hematoma muscular, linfedema e insuficiência venosa crónica, todos capazes de mimetizar o quadro.

O primeiro passo formal é estabelecer a probabilidade pré-teste através do escore de Wells para TVP. O escore soma pontos por achados como cancro ativo, paralisia ou imobilização recente do membro, acamamento prolongado ou cirurgia major, dor localizada no trajeto venoso profundo, edema de todo o membro, diferença de perímetro da gemelar superior a 3 cm em relação ao contralateral, edema com godet limitado ao membro sintomático e veias colaterais superficiais. Subtrai-se 2 pontos quando existe um diagnóstico alternativo tão ou mais provável que a TVP. O resultado estratifica em TVP improvável ou TVP provável (versão dicotómica, a mais usada na prática), e essa categoria define o teste seguinte.

Achado (Wells TVP)Pontos
Cancro ativo (tratamento em curso ou nos últimos 6 meses)+1
Paralisia, parésia ou imobilização gessada recente do membro+1
Acamamento ≥ 3 dias ou cirurgia major nas últimas 12 semanas+1
Dor localizada ao longo do território venoso profundo+1
Edema de todo o membro inferior+1
Gemelar com perímetro > 3 cm em relação ao membro contralateral+1
Edema com godet confinado ao membro sintomático+1
Veias colaterais superficiais (não varicosas)+1
Diagnóstico alternativo tão ou mais provável que TVP−2

Interpretação dicotómica: ≥ 2 pontos → TVP provável; < 2 pontos → TVP improvável.

Na TVP improvável, pede-se D-dímeros. O valor deste teste está no seu alto valor preditivo negativo: D-dímeros normais num doente de baixa probabilidade excluem a TVP com segurança e dispensam imagem. São um produto de degradação da fibrina, pelo que sobem em qualquer estado com formação e lise de trombo, mas também na gravidez, no pós-operatório, na sépsis, no cancro e na idade avançada. Daí a regra prática: usam-se para excluir, nunca para confirmar, e só fazem sentido quando a probabilidade pré-teste é baixa ou intermédia. Em idosos, o limiar ajustado à idade (idade × 10 µg/L acima dos 50 anos) reduz falsos positivos sem perder sensibilidade.

Quando a TVP é provável, ou quando os D-dímeros são positivos numa probabilidade baixa, avança-se diretamente para o ecodoppler venoso dos membros inferiores, que é o exame de confirmação. O critério diagnóstico é a não compressibilidade da veia sob a sonda (uma veia normal colapsa por completo com a pressão; uma veia com trombo não colapsa). O ecodoppler é sensível e específico para a TVP proximal (femoral e poplítea). Nas veias distais a sensibilidade é menor; perante alta suspeita com um primeiro ecodoppler negativo, repete-se o exame ao fim de cinco a sete dias para detetar a eventual extensão proximal de um trombo distal.

Tromboembolismo pulmonar

A clínica do TEP é variável e enganadora, o que explica por que tantos casos passam despercebidos. A apresentação mais frequente é a dispneia súbita, acompanhada ou não de dor pleurítica (sugestiva de enfarte pulmonar periférico), taquipneia e taquicardia. A hipoxemia é comum mas a sua ausência não exclui nada: doentes jovens com bom débito podem manter saturação normal. Nas formas graves, com obstrução vascular extensa, surge síncope ou choque por falência aguda do ventrículo direito. O espectro vai do doente quase assintomático ao colapso hemodinâmico, e é precisamente essa amplitude que obriga a uma abordagem estruturada em vez de confiar na impressão clínica.

Os exames de base apoiam a suspeita mas não confirmam nem excluem o diagnóstico. O ECG mostra com frequência taquicardia sinusal, o achado mais comum. O padrão clássico S1Q3T3 (onda S em DI, onda Q e inversão da onda T em DIII) traduz sobrecarga aguda do ventrículo direito; é específico mas pouco sensível, presente numa minoria. Outros sinais de sobrecarga direita incluem inversão das ondas T nas precordiais direitas (V1-V3), bloqueio de ramo direito de novo e desvio do eixo para a direita. A gasometria revela tipicamente hipoxemia com hipocapnia e alcalose respiratória, e um gradiente alvéolo-arterial alargado, mas pode ser normal. A radiografia de tórax é muitas vezes normal ou inespecífica; serve sobretudo para afastar diagnósticos alternativos (pneumonia, pneumotórax, edema agudo). Sinais radiográficos clássicos como a oligémia focal (sinal de Westermark) ou a opacidade triangular de base pleural (corcova de Hampton) são raros. Nenhum destes exames substitui a imagem vascular dedicada.

Abordagem diagnóstica por probabilidade e estabilidade

O algoritmo do TEP organiza-se em torno de duas perguntas feitas por ordem: o doente está hemodinamicamente estável? e, se sim, qual a probabilidade pré-teste? A resposta a estas duas perguntas determina toda a investigação subsequente.

O primeiro passo é sempre estabelecer a probabilidade pré-teste, com o escore de Wells ou o escore de Genebra revisto. Ambos integram fatores de risco e achados clínicos e classificam o doente em probabilidade baixa, intermédia ou alta (ou, na versão dicotómica do Wells, em TEP improvável vs. provável). Esta estimativa é o que dá significado a todos os testes seguintes; pedir um D-dímero ou interpretar uma angio-TC sem ter a probabilidade pré-teste em mente é a principal fonte de erros de diagnóstico.

No doente estável com probabilidade baixa ou intermédia, o passo seguinte são os D-dímeros. Se negativos, excluem o TEP e a investigação termina, pela mesma lógica de alto valor preditivo negativo que se aplica à TVP. Se positivos, ou se a probabilidade pré-teste é alta (caso em que os D-dímeros nem se pedem, porque um resultado negativo não seria suficiente para excluir), avança-se para a angio-TC pulmonar, que é o exame de confirmação de eleição. A angio-TC visualiza diretamente o trombo como falha de enchimento na árvore arterial pulmonar, avalia a extensão e fornece informação sobre sobrecarga do ventrículo direito (relação VD/VE), além de poder revelar diagnósticos alternativos. A cintigrafia de ventilação/perfusão é a alternativa quando a angio-TC está contraindicada, nomeadamente na gravidez, na alergia ao contraste iodado e na insuficiência renal; um resultado normal exclui o TEP e um padrão de alta probabilidade (defeitos de perfusão segmentares com ventilação preservada, o chamado mismatch) confirma-o, embora uma fração dos exames seja não-diagnóstica.

No doente instável, com suspeita de TEP de alto risco (hipotensão sustentada, choque, paragem iminente), a prioridade inverte-se. Não há tempo nem segurança para transportar o doente para a TC antes de orientar o tratamento. Faz-se o ecocardiograma à cabeceira: a presença de sobrecarga ou disfunção do ventrículo direito (dilatação do VD, hipocinésia da parede livre, septo paradoxal, dilatação da veia cava inferior) num doente em choque com suspeita clínica apoia o diagnóstico e, por si só, justifica a instituição de tratamento de reperfusão sem esperar pela confirmação por imagem. A angio-TC pulmonar faz-se logo que o doente esteja suficientemente estabilizado e seja seguro transportá-lo, para confirmar o diagnóstico e definir a estratégia.

CenárioPrimeiro passoSe favorávelConfirmação
Estável, probabilidade baixa/intermédiaD-dímerosNegativos → exclui TEPPositivos → angio-TC pulmonar
Estável, probabilidade altaAngio-TC pulmonar diretamente(D-dímeros dispensados)Angio-TC (ou cintigrafia V/Q se TC contraindicada)
TC contraindicada (gravidez, alergia ao contraste, insuficiência renal)Cintigrafia ventilação/perfusãoNormal → exclui TEPPadrão de alta probabilidade confirma
Instável (suspeita de alto risco)Ecocardiograma à cabeceiraDisfunção do VD apoia e justifica tratamentoAngio-TC logo que estabilizado

Existe ainda uma ferramenta para o extremo de baixo risco: a regra PERC (Pulmonary Embolism Rule-out Criteria). Aplica-se ao doente em que o clínico já tem uma suspeita de muito baixa probabilidade. Reúne oito critérios (idade inferior a 50 anos, frequência cardíaca abaixo de 100 bpm, saturação periférica de oxigénio igual ou superior a 95%, ausência de hemoptises, sem terapêutica estrogénica, sem antecedentes de TEV, sem cirurgia ou trauma recentes com necessidade de hospitalização, e ausência de edema unilateral do membro). Se todos os oito critérios estão presentes e a probabilidade clínica já é muito baixa, o TEP fica excluído sem necessidade sequer de pedir D-dímeros. A PERC evita exames desnecessários e a cascata de falsos positivos que um D-dímero geraria numa população de baixíssima prevalência. Falha em qualquer dos critérios devolve o doente ao algoritmo normal, começando pelos D-dímeros.

Suspeita de TEP Doente instável? choque ou hipotensão persistente TEP de alto risco Ecocardiograma à cabeceira (sobrecarga do VD) + angio-TC urgente; tratar de imediato Probabilidade pré-teste (Wells) Alta probabilidade? D-dímeros Positivos? TEP excluído (negativos + baixa prob.) Angio-TC pulmonar Positiva → confirma e trata Negativa → exclui (na maioria dos casos) Sim Não Não (baixa/interm.) Sim Não Sim
Esquema original InovaQB, baseado no algoritmo diagnóstico das guidelines ESC 2019 do TEP agudo.

Prevenção (tromboprofilaxia)

O tromboembolismo venoso é uma das principais causas evitáveis de morte em meio hospitalar. Uma proporção significativa dos doentes internados desenvolve trombose venosa profunda subclínica, e parte desses eventos progride para embolia pulmonar fatal, muitas vezes sem aviso e como primeira manifestação. O internamento concentra os três vértices da tríade de Virchow: estase pela imobilização, lesão endotelial pela cirurgia ou pelos acessos vasculares, e hipercoagulabilidade pela doença aguda, pela neoplasia ou pela própria resposta inflamatória. A boa notícia é que a profilaxia bem indicada reduz de forma marcada a incidência de TVP e de EP. O problema clínico raramente é a falta de fármaco eficaz; é a falha em avaliar o risco e em prescrever a medida certa ao doente certo.

Avaliar o risco

A regra prática é simples: todo o doente internado deve ter o risco de TEV avaliado à entrada, e essa avaliação deve ser repetida quando a situação clínica muda. A decisão de fazer ou não profilaxia, e de que tipo, resulta sempre do confronto entre o risco trombótico e o risco hemorrágico. Nenhum dos dois se assume por defeito.

A estratificação faz-se com escores validados, diferentes consoante o contexto:

  • Doente médico agudo: o escore de Padua é o mais usado. Pontua fatores como neoplasia ativa, TEV prévio, mobilidade reduzida, trombofilia conhecida, trauma ou cirurgia recente, idade avançada, insuficiência cardíaca ou respiratória, enfarte ou AVC agudo, infeção aguda, obesidade e terapêutica hormonal. Uma pontuação de 4 ou mais identifica alto risco e indica profilaxia farmacológica na ausência de contraindicação.
  • Doente cirúrgico: o escore de Caprini soma fatores de risco individuais e do tipo de cirurgia para classificar o doente em categorias crescentes de risco, das quais depende a intensidade e a duração da profilaxia.

A par do risco trombótico, avalia-se sempre o risco hemorrágico: hemorragia ativa ou recente, trombocitopenia grave, coagulopatia, hipertensão não controlada, cirurgia do neuroeixo ou punção lombar recente, e uso concomitante de anticoagulantes. Quando o risco de hemorragia é proibitivo, a profilaxia farmacológica fica contraindicada e recorre-se à mecânica.

Profilaxia

Profilaxia farmacológica

É a base da prevenção nos doentes de risco moderado a alto sem contraindicação hemorrágica. A heparina de baixo peso molecular (HBPM) em dose profilática, por via subcutânea uma vez por dia, é a opção preferida na maioria dos contextos: tem farmacocinética previsível, dispensa monitorização de rotina e administra-se com comodidade. Alternativas incluem a heparina não fraccionada (sobretudo na insuficiência renal grave ou quando se quer um efeito rapidamente reversível), o fondaparinux, e os anticoagulantes orais diretos em indicações específicas, com destaque para a profilaxia após artroplastia da anca e do joelho. No doente com insuficiência renal grave, a HBPM exige ajuste de dose ou substituição por heparina não fraccionada, pela acumulação e risco hemorrágico.

As situações que mais consistentemente justificam profilaxia farmacológica são:

  • Cirurgia major, em particular a cirurgia ortopédica da anca e do joelho (artroplastias, fratura da anca), que está entre os contextos de maior risco trombótico.
  • Cirurgia oncológica abdominal e pélvica, pela combinação de cirurgia extensa com o estado pró-trombótico da neoplasia.
  • Doente médico agudo acamado com mobilidade reduzida e Padua de alto risco (insuficiência cardíaca ou respiratória descompensada, sépsis, doença inflamatória aguda).
  • Trauma major e lesão medular.
  • Doente oncológico internado, e em casos selecionados em ambulatório sob quimioterapia de alto risco.

Profilaxia mecânica

Atua sobre a estase venosa sem aumentar o risco de hemorragia. Inclui a deambulação precoce (a medida mais simples e subvalorizada, a privilegiar em todos os doentes que a toleram), as meias de compressão graduada e a compressão pneumática intermitente, esta última a mais eficaz das opções mecânicas.

Usa-se em duas situações: como alternativa quando a profilaxia farmacológica está contraindicada pelo alto risco hemorrágico, e como complemento da farmacológica nos doentes de muito alto risco, somando os dois mecanismos. As meias de compressão graduada estão contraindicadas na doença arterial periférica significativa e na neuropatia grave dos membros inferiores. Logo que o risco hemorrágico permita, faz-se a transição para profilaxia farmacológica.

Duração

A duração ajusta-se ao risco e ao contexto, não a um calendário fixo:

  • No doente médico, mantém-se enquanto persiste o risco, em regra durante o internamento e até o doente readquirir mobilidade.
  • Na cirurgia geral, cobre o período peri-operatório e os primeiros dias após a alta na maioria dos casos.
  • Após artroplastia da anca, recomenda-se profilaxia prolongada (várias semanas após a alta), pelo risco trombótico que se mantém elevado bem além do internamento. A artroplastia do joelho e a fratura da anca também beneficiam de extensão.
  • Em alguns doentes oncológicos cirúrgicos de alto risco (cirurgia abdomino-pélvica major), a profilaxia farmacológica estende-se por cerca de quatro semanas após a operação.

Grupo de risco e medida recomendada

Grupo de riscoExemplosMedida de profilaxia
Baixo riscoCirurgia minor em doente jovem sem fatores; doente médico com boa mobilidadeDeambulação precoce; sem profilaxia farmacológica de rotina
Médico agudo de alto riscoPadua ≥ 4 (IC/insuficiência respiratória, sépsis, doença inflamatória, neoplasia, mobilidade reduzida)HBPM em dose profilática enquanto persiste o risco
Cirurgia geral / oncológicaCirurgia abdominal ou pélvica major, sobretudo por neoplasiaHBPM peri-operatória; prolongar ~4 semanas na oncológica de alto risco
Ortopedia major (anca/joelho)Artroplastia da anca ou do joelho, fratura da ancaHBPM ou anticoagulante oral direto; anca com profilaxia prolongada (semanas)
Alto risco hemorrágicoHemorragia ativa, trombocitopenia grave, pós-neurocirurgia, coagulopatiaProfilaxia mecânica (compressão pneumática intermitente); passar a farmacológica quando seguro
Muito alto risco trombóticoPolitrauma, lesão medular, oncológico cirúrgico complexoFarmacológica + mecânica em combinação

Situações específicas

Gravidez e puerpério. A gravidez é um estado pró-trombótico fisiológico, e o puerpério é o período de maior risco de TEV de toda a vida da mulher. A avaliação do risco faz-se no início da gravidez, em cada internamento e após o parto, ponderando antecedentes de TEV, trombofilia, cesariana, idade, obesidade, multiparidade e imobilização. Nas mulheres de risco usa-se HBPM em dose ajustada ao peso, que não atravessa a placenta e é segura na gravidez e na amamentação. Os anticoagulantes orais diretos e a varfarina estão, em regra, evitados na gravidez. A duração estende-se frequentemente até várias semanas após o parto nas mulheres de maior risco, porque é nesse período que mais eventos ocorrem.

Viagens prolongadas. O risco de TEV associado a voos longos é real mas baixo, e sobe com a duração da viagem (sobretudo acima de quatro a seis horas) e com a presença de fatores de risco. Para a generalidade dos viajantes basta hidratação adequada, mobilização frequente dos membros inferiores e levantar-se periodicamente, evitando a imobilidade prolongada e o excesso de álcool. Nos viajantes com fatores de risco acrescido (TEV prévio, neoplasia ativa, cirurgia recente, gravidez), acrescentam-se meias de compressão graduada; a profilaxia farmacológica com uma dose de HBPM reserva-se para os casos de risco particularmente elevado, decidida caso a caso. Não se recomenda ácido acetilsalicílico como profilaxia de TEV na viagem.

Anticoagulação (a base do tratamento)

A maioria do TEV trata-se com anticoagulação. O objetivo é travar a extensão do trombo e prevenir a recorrência enquanto o sistema fibrinolítico endógeno reabsorve o que já está formado. A anticoagulação não dissolve o trombo existente de forma ativa; impede que cresça e que surjam novos episódios.

Quando a suspeita clínica de TEP é alta e o doente está estável, inicia-se a anticoagulação antes de obter a confirmação imagiológica. O atraso à espera da angio-TC pode custar caro num doente com carga embólica significativa.

Os anticoagulantes orais diretos (DOAC) são a primeira linha na maioria dos doentes. Há dois padrões de início, conforme a molécula:

  • Início oral direto (rivaroxabano, apixabano): começa-se logo por via oral, com uma fase inicial de dose mais alta nas primeiras 1-3 semanas e depois dose de manutenção.
  • Após HBPM (dabigatrano, edoxabano): primeiro 5 a 10 dias de heparina de baixo peso molecular parentérica e só depois se passa ao DOAC oral.

A heparina de baixo peso molecular (HBPM) é preferida em situações específicas:

  • Neoplasia ativa em muitos casos, sobretudo com doença gastrointestinal, risco hemorrágico elevado ou interações medicamentosas com a terapêutica oncológica. Nos restantes doentes oncológicos, um DOAC é uma alternativa razoável.
  • Gravidez e período periparto. Os DOAC e os antagonistas da vitamina K estão contraindicados na gravidez (os DOAC por falta de dados de segurança e passagem placentária; a varfarina por teratogenicidade). A HBPM não atravessa a placenta e é o anticoagulante de eleição em toda a gestação.

A heparina não fracionada reserva-se para:

  • Instabilidade hemodinâmica ou doente em que se prevê trombólise, cirurgia ou procedimento invasivo iminente (semivida curta, efeito revertido rapidamente ao parar a perfusão).
  • Insuficiência renal grave (clearance de creatinina baixo), onde a HBPM e os DOAC acumulam.
  • Situações em que se quer titulação fina com monitorização (aPTT ou anti-Xa).

Os antagonistas da vitamina K (varfarina, acenocumarol) mantêm-se úteis em cenários onde os DOAC não são adequados: doença renal terminal, síndrome antifosfolipídico (sobretudo triplo positivo), válvulas mecânicas. Exigem ponte com heparina no início (o efeito anticoagulante pleno demora vários dias e há um estado pró-trombótico transitório por queda das proteínas C e S) e monitorização do INR (alvo 2,0-3,0).

Situação clínicaAnticoagulante preferido
TEV não complicado, função renal preservadaDOAC (1.ª linha)
Neoplasia ativa (muitos casos)HBPM; DOAC como alternativa em casos selecionados
Gravidez / peripartoHBPM
Instabilidade, trombólise prevista, procedimento iminenteHeparina não fracionada
Insuficiência renal graveHeparina não fracionada; varfarina
Síndrome antifosfolipídico, válvula mecânicaAntagonista da vitamina K

Duração

A anticoagulação dura pelo menos 3 meses. Aos 3 meses faz-se a decisão sobre continuar ou suspender, pesando o risco de recorrência contra o risco hemorrágico. A distinção central é entre TEV provocado e não provocado.

TEV provocado por fator transitório major (cirurgia recente com anestesia geral, trauma major, imobilização prolongada, internamento): o risco de recorrência após remover o fator é baixo. Suspende-se aos 3 meses.

TEV não provocado, recorrente, ou associado a fator de risco persistente (neoplasia ativa, trombofilia major): o risco de recorrência mantém-se elevado depois dos 3 meses. Faz-se anticoagulação prolongada (sem data de fim pré-definida), reavaliando periodicamente o risco hemorrágico e a adesão. Em muitos destes doentes pode usar-se dose reduzida de DOAC (rivaroxabano ou apixabano) na fase de extensão, que mantém a proteção com menos hemorragia.

Os fatores de risco transitórios minor (viagem longa, terapêutica hormonal, gravidez já resolvida) ocupam uma zona intermédia: a decisão individualiza-se com o doente. Na neoplasia ativa, mantém-se a anticoagulação enquanto o cancro estiver ativo ou em tratamento.

Tratamento por gravidade do TEP

A estratégia no TEP agudo organiza-se pela estratificação de risco de morte precoce. O ponto de partida é a presença ou ausência de instabilidade hemodinâmica, que define o alto risco. Nos doentes estáveis, combina-se a disfunção do ventrículo direito (na imagem) com os biomarcadores de sobrecarga/lesão miocárdica (troponina, BNP/NT-proBNP) para separar o risco intermédio do baixo risco.

TEP de alto risco (choque ou hipotensão persistente, ou seja, instabilidade hemodinâmica): é uma emergência com mortalidade elevada. O tratamento é a trombólise sistémica (fibrinólise), salvo contraindicação, para desobstruir rapidamente a circulação pulmonar e descomprimir o ventrículo direito. Em paralelo: anticoagulação com heparina não fracionada, suporte hemodinâmico (fluidos com cautela porque sobrecarregam um VD já em falência, vasopressores como a noradrenalina, inotrópicos) e oxigénio/suporte ventilatório. Se a trombólise sistémica falha ou está contraindicada, avança-se para embolectomia (cirúrgica ou por cateter), conforme a disponibilidade e a experiência local.

TEP de risco intermédio (estável, mas com disfunção do VD e/ou biomarcadores positivos): a base é a anticoagulação com vigilância apertada, idealmente em ambiente monitorizado nas primeiras horas a dias. A trombólise não é rotineira neste grupo, porque o benefício não compensa o excesso de hemorragia grave, incluindo intracraniana. Reserva-se para a situação de agravamento hemodinâmico sob anticoagulação, como terapêutica de resgate (o doente "converte" para alto risco). O subgrupo de risco intermédio-alto (disfunção do VD e biomarcadores positivos) é o que exige vigilância mais estreita.

TEP de baixo risco (estável, sem disfunção do VD nem biomarcadores de sobrecarga): trata-se com anticoagulação. Em doentes selecionados, com critérios de baixo risco validados (por exemplo PESI/sPESI baixo), bom suporte social e ausência de comorbilidades descompensadas, é possível alta precoce e tratamento ambulatório sob DOAC, com instruções claras de retorno.

Gravidade do TEPCritério-chaveTratamento
Alto riscoInstabilidade hemodinâmica (choque/hipotensão)Trombólise sistémica (salvo contraindicação) + HNF + suporte hemodinâmico + O2; se falha/contraindicada → embolectomia cirúrgica ou por cateter
Risco intermédioEstável + disfunção do VD e/ou biomarcadores positivosAnticoagulação + vigilância apertada; trombólise só no agravamento (resgate), não de rotina
Baixo riscoEstável, sem disfunção do VD nem biomarcadores positivosAnticoagulação; alta precoce/ambulatório em doentes selecionados

Outras medidas

Filtro da veia cava inferior: indicado apenas quando a anticoagulação está contraindicada (por exemplo hemorragia ativa) ou falha (TEV recorrente apesar de anticoagulação correta e em dose plena). Não substitui a anticoagulação nem se coloca por rotina, porque previne a embolização mas não trata o trombo e, a longo prazo, aumenta o risco de TVP. Sempre que possível usa-se um filtro removível e retira-se assim que a anticoagulação puder ser retomada.

Tratamento da TVP: a base é a mesma anticoagulação do TEP, com as mesmas regras de escolha de fármaco e de duração. A deambulação precoce é encorajada. A terapêutica de compressão (meias elásticas) alivia os sintomas e o edema; o seu papel na prevenção da síndrome pós-trombótica é menos claro, mas mantém-se útil no controlo sintomático. Nos casos de TVP iliofemoral extensa e muito sintomática, com risco de membro ameaçado (flegmasia), ponderam-se técnicas dirigidas por cateter em centros com experiência.

A profilaxia do TEV no doente internado de risco (cirúrgico e médico agudo) é parte do mesmo continuum: HBPM em dose profilática, ou medidas mecânicas quando a farmacológica está contraindicada, reduzem a incidência da doença que aqui se trata.

TEP confirmado → estratificar o risco precoce de morte instabilidade hemodinâmica · disfunção do VD (imagem) · biomarcadores (troponina, BNP) Alto risco — instabilidade hemodinâmica (choque/hipotensão) → Trombólise sistémica (salvo contraindicação) + heparina não fracionada + suporte hemodinâmico Se falha ou contraindicação: embolectomia (cirúrgica ou por cateter) Risco intermédio — estável, com disfunção do VD e/ou biomarcadores positivos → Anticoagulação com vigilância apertada (ambiente monitorizado) Trombólise NÃO de rotina; só como resgate se houver agravamento hemodinâmico Baixo risco — estável, sem disfunção do VD nem biomarcadores → Anticoagulação; alta precoce e tratamento ambulatório em doentes selecionados (sPESI baixo) Base em todos: anticoagulação durante pelo menos 3 meses DOAC em 1.ª linha; HBPM na neoplasia e na gravidez; heparina não fracionada na instabilidade. Prolongada se TEV não provocado, recorrente ou com fator de risco persistente.
Esquema original InovaQB, baseado nas guidelines ESC 2019 do TEP agudo.

Referências

  1. Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, et al., editores. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2022 (trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar).
  2. Konstantinides SV, Meyer G, Becattini C, et al. 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism developed in collaboration with the ERS. Eur Heart J. 2020;41(4):543-603.
  3. Sociedade Portuguesa de Cardiologia / Direção-Geral da Saúde. Recomendações sobre tromboembolismo venoso e tromboprofilaxia.

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