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Insuficiência cardíaca (aguda e crónica)

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 32 perguntas neste tema

Em resumo

A insuficiência cardíaca é uma síndrome, não um diagnóstico: sintomas e sinais de congestão ou de baixo débito causados por uma alteração estrutural ou funcional do coração, que obriga sempre a procurar a causa. Atinge 1 a 3% dos adultos, sobe com a idade até mais de um em cada dez depois dos 80 anos, e cerca de metade dos doentes morre nos cinco anos seguintes ao diagnóstico. As causas dominantes são a doença coronária e a hipertensão, com a diabetes, a obesidade, as valvulopatias e as miocardiopatias por trás de muitos casos.

As recomendações europeias de 2026 simplificaram a classificação pela fração de ejeção: passou a haver só fração reduzida (abaixo de 50%) e fração preservada (50% ou mais), e a antiga categoria intermédia, ligeiramente reduzida, de 41 a 49%, desapareceu, porque partilha a fisiopatologia e a resposta aos fármacos da reduzida. Na mesma revisão, a insuficiência cardíaca aguda passou a chamar-se descompensada e adotaram-se os estádios A a D, da pessoa em risco à doença avançada.

O motor da doença crónica é a ativação neuro-hormonal (sistema renina-angiotensina-aldosterona, simpático, hormona antidiurética), que compensa a curto prazo e remodela o coração a longo prazo. É por a bloquear que quatro classes de fármacos prolongam a vida na fração reduzida: inibidor da enzima de conversão ou sacubitril com valsartan (ou antagonista do recetor da angiotensina, na intolerância), betabloqueante, antagonista dos recetores mineralocorticoides e inibidor do SGLT2 (cotransportador de sódio e glicose tipo 2), iniciados cedo, em conjunto, e titulados a cada uma ou duas semanas. Na fração preservada, o inibidor do SGLT2 e o antagonista mineralocorticoide (incluindo a finerenona) passaram a ser terapêutica fundamental. O diurético alivia a congestão mas não prolonga a vida; o cardioversor-desfibrilhador e a ressincronização entram com fração de 35% ou menos.

O diagnóstico assenta na clínica, no eletrocardiograma e nos peptídeos natriuréticos, que excluem quando são baixos (com limiares ajustados à idade) e descem na obesidade, e confirma-se no ecocardiograma. Na forma descompensada, o doente classifica-se por congestão e perfusão, procura-se sempre o precipitante (síndrome coronária aguda, emergência hipertensiva, arritmia, causa mecânica, embolia pulmonar, infeção, tamponamento), e trata-se com diurético de ansa endovenoso, vasodilatador quando a pressão o permite e, no choque cardiogénico, inotrópico, vasopressor e suporte mecânico em doentes selecionados. O que não se pode falhar: um peptídeo baixo num obeso não exclui, o betabloqueante não se inicia em congestão, o frio e húmido perfunde-se antes de se descongestionar, e a terapêutica fundamental deve estar a subir antes da alta.

Referências

  1. Køber L, Adamo M, Ruwald AC, Tomasoni D, Anderson LJ, Andersson C, et al. 2026 ESC Guidelines for the management of heart failure. Eur Heart J. 2026. doi:10.1093/eurheartj/ehag100.
  2. McDonagh TA, Metra M, Adamo M, Gardner RS, Baumbach A, Böhm M, et al. 2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. Eur Heart J. 2021;42(36):3599-726.
  3. McDonagh TA, Metra M, Adamo M, Gardner RS, Baumbach A, Böhm M, et al. 2023 Focused Update of the 2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. Eur Heart J. 2023;44(37):3627-39.
  4. Givertz MM, Mehra MR. Heart failure: pathophysiology and diagnosis. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill; 2022. Cap. 257.
  5. Desai AS, Mehra MR. Heart failure: management. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill; 2022. Cap. 258.
  6. Wing EJ, Schiffman FJ, editors. Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Heart failure and cardiomyopathy; Acute myocardial infarction (cardiogenic shock).

32 perguntas sobre Insuficiência cardíaca (aguda e crónica)

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