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Hipertensão arterial e doença vascular hipertensiva

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 30 perguntas neste tema

Em resumo

A hipertensão arterial é o principal fator de risco cardiovascular modificável e o mais prevalente na população portuguesa: no estudo nacional de referência da norma da DGS, 42% dos adultos eram hipertensos. Atinge mais de mil milhões de pessoas no mundo e duplica o risco de doença coronária, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, doença renal crónica e doença arterial periférica. Quase nunca dá sintomas, pelo que só se encontra medindo.

Define-se pelo valor no consultório igual ou superior a 140/90 mmHg, e deve confirmar-se fora dele, com automedição (AMPA) ou medição ambulatória de 24 horas (MAPA), onde os limiares são mais baixos. Medir fora do consultório é também o que separa a hipertensão de bata branca, de risco baixo, da mascarada, de risco próximo da sustentada. A ESC (sociedade europeia de cardiologia) 2024 chama pressão não elevada a menos de 120/70 e pressão elevada ao intervalo de 120 a 139 de sistólica ou de 70 a 89 de diastólica; a ESH (sociedade europeia de hipertensão) 2023 e a norma da DGS mantêm as categorias de ótima, normal, normal-alta e os graus 1 a 3.

Entre 80 e 95% dos casos são primários, da interação entre genes, sal, peso, idade e rigidez arterial. A hipertensão secundária suspeita-se pela idade jovem, pela resistência ao tratamento, pelo início ou agravamento súbitos, pela lesão de órgão desproporcionada e por pistas próprias de cada causa; a doença renal parenquimatosa é a mais frequente e o hiperaldosteronismo primário a endócrina mais comum, e hoje considera-se rastreá-lo em todos os hipertensos.

A doença vascular hipertensiva é a lesão que a pressão provoca no coração (hipertrofia ventricular, insuficiência cardíaca, fibrilhação auricular, doença coronária), no cérebro, no rim, na retina e nas artérias. Procura-se em todos os doentes com creatinina e taxa de filtração glomerular, razão albumina/creatinina na urina e eletrocardiograma.

O tratamento assenta no estilo de vida e em quatro classes de primeira linha: inibidores da enzima de conversão, antagonistas do recetor da angiotensina, bloqueadores dos canais de cálcio di-hidropiridínicos e tiazídicos. Começa-se, na maioria, com dois fármacos num só comprimido, e o alvo de sistólica é 120 a 129 mmHg se tolerado. O betabloqueante não é primeira linha sem indicação própria, e na hipertensão resistente o quarto fármaco é a espironolactona.

O que não se pode falhar é a emergência hipertensiva, definida pela lesão aguda de órgão e não pelo número: interna-se, trata-se por via endovenosa e a descida é controlada, com alvo e ritmo ditados pelo órgão atingido; a disseção da aorta é a exceção que obriga a descer depressa. Sem lesão aguda, a pressão muito alta trata-se por via oral e sem pressa, e a nifedipina de ação curta não se usa.

Referências

  1. McEvoy JW, McCarthy CP, Bruno RM, Brouwers S, Canavan MD, Ceconi C, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension. Eur Heart J. 2024;45(38):3912-4018.
  2. Mancia G, Kreutz R, Brunström M, Burnier M, Grassi G, Januszewicz A, et al. 2023 ESH Guidelines for the management of arterial hypertension. J Hypertens. 2023;41(12):1874-2071.
  3. van den Born BJH, Lip GYH, Brguljan-Hitij J, Cremer A, Segura J, Morales E, et al. ESC Council on hypertension position document on the management of hypertensive emergencies. Eur Heart J Cardiovasc Pharmacother. 2019;5(1):37-46.
  4. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 020/2011, de 28/09/2011, atualizada a 19/03/2013. Hipertensão arterial: definição e classificação. Lisboa: DGS; 2013.
  5. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 026/2011, de 29/09/2011, atualizada a 19/03/2013. Abordagem terapêutica da hipertensão arterial. Lisboa: DGS; 2013.
  6. Kotchen TA. Hypertension. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editores. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2022. p. 2072-87.
  7. Intracranial hemorrhage. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editores. Harrison's Principles of Internal Medicine. 20.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2018. Capítulo 421.
  8. Benjamin IJ, Griggs RC, Wing EJ, Fitz JG, editores. Andreoli and Carpenter's Cecil Essentials of Medicine. 10.ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2022. Capítulo 12, Vascular diseases and hypertension.
  9. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) Blood Pressure Work Group. KDIGO 2021 Clinical Practice Guideline for the Management of Blood Pressure in Chronic Kidney Disease. Kidney Int. 2021;99(3S):S1-S87.
  10. McCarthy CP, Bruno RM, Rahimi K, Touyz RM, McEvoy JW. What's new and different in the 2024 ESC guideline for the management of elevated BP and hypertension? Hypertension. 2025.

30 perguntas sobre Hipertensão arterial e doença vascular hipertensiva

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