CardiovascularDoenças vasculares da aorta e dos membrosPublicado (Premium)

Doenças vasculares da aorta e dos membros

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 14 de julho de 2026 · 27 perguntas neste tema

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Em resumo

As doenças vasculares da aorta e dos membros partilham um substrato comum (a aterosclerose e os seus fatores de risco, com o tabagismo à cabeça) e uma lógica clínica comum: distinguir a doença crónica e silenciosa, que se vigia e se otimiza, da catástrofe aguda, que se decide em minutos. No aneurisma da aorta abdominal a regra é rastrear por ecografia o homem fumador com 65 anos ou mais, vigiar enquanto é pequeno e reparar perto dos 5,5 cm (mais cedo na mulher), antes que rompa. Nos síndromes aórticos agudos, a decisão segue a classificação de Stanford: a disseção tipo A (aorta ascendente) é cirurgia urgente, a tipo B trata-se medicamente com controlo da frequência e da pressão (betabloqueante primeiro), reservando o TEVAR para a complicação. Na doença arterial periférica o exame-chave é o índice tornozelo-braço (≤ 0,90 confirma), a base é médica (cessação tabágica, estatina, antiagregante e exercício supervisionado) e a revascularização guarda-se para a claudicação incapacitante ou a isquemia que ameaça o membro. E a isquemia aguda do membro é a emergência dos 6 P: heparina imediata e revascularização urgente conforme a viabilidade.

Mecanismos

Por trás de quadros tão diversos como o aneurisma da aorta, a disseção e a claudicação está um pequeno conjunto de mecanismos que vale a pena dominar. A aterosclerose explica a maioria dos casos; a degenerescência da média e as doenças genéticas explicam os aneurismas e disseções do doente jovem; e os mecanismos de isquemia explicam por que razão a mesma artéria doente dá sintomas tão diferentes consoante a oclusão se instala devagar ou de repente.

Aterosclerose: o mecanismo partilhado

A aterosclerose é o processo de fundo da DAP e da maioria dos aneurismas da aorta abdominal. Começa com lesão e disfunção do endotélio, exposto a fatores como o tabaco, a hipertensão, a dislipidemia e a hiperglicemia. As LDL atravessam o endotélio, ficam retidas na íntima e oxidam-se. Os monócitos aderem, migram para a íntima e transformam-se em macrófagos que captam essas LDL oxidadas e se tornam células espumosas. Instala-se inflamação crónica, com recrutamento de linfócitos T e libertação de citocinas.

As células musculares lisas migram da média para a íntima, proliferam e produzem matriz, formando uma capa fibrosa sobre um núcleo lipídico. A placa cresce e estreita progressivamente o lúmen. Na DAP, esse estreitamento limita o fluxo e dá os sintomas isquémicos. Uma placa pode permanecer estável durante anos ou tornar-se instável: a capa fibrosa fina rompe, expõe o material trombogénico do núcleo e desencadeia trombose aguda sobreposta. É este mecanismo de rotura e trombose que converte uma DAP estável numa oclusão aguda.

No aneurisma da aorta abdominal, a aterosclerose acompanha-se de um processo destrutivo da parede. Há inflamação transmural intensa, com infiltrado de macrófagos e linfócitos, e ativação de metaloproteinases da matriz que degradam a elastina e o colagénio da média. A parede perde elasticidade e resistência, dilata sob a pressão arterial e, segundo a lei de Laplace, quanto maior o diâmetro maior a tensão na parede para uma dada pressão. Cria-se um ciclo: mais dilatação, mais tensão, mais dilatação, até à rotura.

Degenerescência da média e causas genéticas

Os aneurismas e disseções da aorta torácica, sobretudo da raiz e da ascendente, seguem uma via diferente. O mecanismo central é a degenerescência da média (descrita classicamente como necrose quística da média): perda e fragmentação das fibras elásticas, depleção de células musculares lisas e acumulação de material mucoide entre as lamelas. A parede perde a capacidade de suportar a tensão pulsátil de cada sístole.

Esta degenerescência é acelerada por doenças genéticas do tecido conjuntivo e da parede aórtica, que tipicamente se manifestam em doentes mais jovens e justificam vigilância e intervenção em diâmetros mais baixos:

  • Síndrome de Marfan: mutação na fibrilina-1 (gene FBN1), com desorganização da matriz elástica e sinalização aumentada de TGF-β. Aneurisma da raiz da aorta com dilatação dos seios de Valsalva e risco elevado de disseção.
  • Válvula aórtica bicúspide: a malformação valvular mais comum, associada a aortopatia intrínseca da ascendente, independente da gravidade da disfunção valvular. Predispõe a dilatação e disseção.
  • Síndrome de Ehlers-Danlos vascular (tipo IV): mutação no colagénio tipo III (COL3A1). Fragilidade arterial extrema, com risco de disseção e rotura mesmo sem grande dilatação prévia.

Outras entidades a reter neste grupo são a síndrome de Loeys-Dietz e a história familiar de aneurisma/disseção sem síndrome definida. Em todos eles, a fraqueza estrutural da média é o elo comum.

Fisiopatologia da disseção

A disseção começa com uma rotura da íntima num ponto de maior stress parietal (mais frequente na ascendente, logo acima da válvula, ou logo após a subclávia esquerda). O sangue, sob pressão sistólica, entra na média já enfraquecida e disseca-a longitudinalmente, separando as suas camadas. Forma-se um falso lúmen delimitado por uma aba (flap) de íntima-média.

A partir daqui, o que determina a gravidade é a propagação. O falso lúmen avança no sentido anterógrado ou retrógrado e pode:

  • Comprimir o lúmen verdadeiro e ocluir a origem de ramos, causando má-perfusão (enfarte do miocárdio se atinge as coronárias, AVC nos troncos supra-aórticos, isquemia mesentérica, insuficiência renal aguda, isquemia de um membro);
  • Romper para o exterior: para o pericárdio (tamponamento), pleura ou mediastino, com hemorragia maciça;
  • Comprometer a válvula aórtica, dando insuficiência aórtica aguda quando a disseção atinge a raiz.

É esta capacidade de propagação e de envolver a aorta ascendente que torna a disseção tipo A uma emergência cirúrgica imediata, ao contrário da tipo B não complicada.

Fisiopatologia da isquemia

Na isquemia, o ponto central é o desequilíbrio entre a oferta e a procura de oxigénio no músculo. Como esse desequilíbrio se instala muda completamente o quadro clínico.

Na DAP crónica, a estenose aterosclerótica reduz o fluxo de forma gradual. Em repouso, a perfusão ainda chega para as necessidades baixas do músculo, e o doente está confortável. No esforço, a procura muscular dispara, mas a artéria estenosada não consegue aumentar o débito a montante; instala-se isquemia e acumulam-se metabolitos que estimulam os nociceptores. O resultado é a claudicação intermitente, que cede em repouso quando a procura volta a cair. À medida que a doença progride e as estenoses se multiplicam, a perfusão deixa de chegar mesmo em repouso, surgindo a dor de repouso e as lesões tróficas da CLTI. A circulação colateral, desenvolvida com o tempo, pode atenuar os sintomas e explica porque uma oclusão crónica é melhor tolerada do que uma oclusão súbita no mesmo local.

Na isquemia aguda do membro, a oclusão é abrupta e não há tempo para colaterais. As duas vias são a embolia (um trombo, em geral do coração em fibrilhação auricular, viaja e impacta numa bifurcação arterial, ocluindo uma artéria muitas vezes saudável a montante) e a trombose in situ (formação aguda de trombo sobre placa aterosclerótica preexistente, num leito já com colaterais). A interrupção súbita do fluxo leva rapidamente a sofrimento neuromuscular, e o tempo de isquemia condiciona a viabilidade: o músculo e o nervo toleram mal mais do que poucas horas, daí a urgência da revascularização.

Fatores de risco

Os fatores de risco repartem-se de forma reveladora pelas várias entidades:

EntidadeFatores de risco dominantes
DAPTabaco (o mais forte), diabetes, idade, dislipidemia, hipertensão
Aneurisma da aorta abdominalTabaco (o mais forte), idade, sexo masculino, história familiar, hipertensão
Aneurisma/disseção da aorta torácicaCausas genéticas (Marfan, válvula bicúspide), hipertensão
Disseção da aortaHipertensão (sobretudo tipo B/doente idoso), doença genética da parede (doente jovem)

O tabaco é o fator modificável mais determinante na DAP e no aneurisma abdominal, e a sua remoção altera de forma substancial a história natural de ambos. A diabetes pesa especialmente na DAP, agravando a doença distal e o risco de lesões do pé. A hipertensão é o motor da disseção e contribui para o crescimento aneurismático ao aumentar a tensão parietal. A idade avançada e o sexo masculino aumentam transversalmente o risco, e a dislipidemia alimenta a aterosclerose subjacente. No doente jovem com aneurisma ou disseção da torácica, a balança inclina-se para as causas genéticas, e a ausência de fatores de risco clássicos deve precisamente levantar essa hipótese.

Diagnóstico

O raciocínio diagnóstico nestas entidades parte quase sempre da clínica e de uma decisão rápida: estou perante algo que ameaça a vida ou o membro nas próximas horas, ou perante uma doença crónica que devo caracterizar e estratificar? A disseção da aorta e a isquemia aguda do membro pertencem ao primeiro grupo e não toleram demora. O aneurisma estável e a doença arterial periférica permitem uma abordagem faseada, com confirmação por imagem e planeamento. Convém dominar o gesto inicial à cabeceira (palpar pulsos, comparar pressões entre os dois braços, auscultar sopros) antes de pedir o exame de imagem certo.

Aneurisma da aorta

A maioria dos aneurismas da aorta cresce em silêncio. O aneurisma da aorta abdominal é tipicamente um achado: aparece numa ecografia ou TC pedida por outro motivo, ou é palpado como uma massa pulsátil e expansível na linha média do abdómen, acima do umbigo. Quando dá sintomas antes de romper, costuma ser dor abdominal ou lombar surda e persistente, por vezes com sensibilidade à palpação do saco, o que sugere expansão rápida e risco iminente.

O exame de escolha para rastreio e vigilância do aneurisma abdominal é a ecografia abdominal: barata, sem radiação nem contraste, reprodutível e fiável para medir o diâmetro máximo. Serve para detetar (rastreio dirigido em homens com história de tabagismo) e para seguir a evolução do diâmetro ao longo do tempo. Quando o aneurisma atinge limiar de intervenção ou se planeia tratamento, passa-se à angio-TC, que define com precisão o diâmetro real, a extensão, a relação com as artérias renais e ilíacas e a anatomia do colo, dados indispensáveis para decidir entre reparação aberta e endovascular e para dimensionar a endoprótese.

No aneurisma da aorta torácica a ecografia transtorácica não chega para ver toda a aorta, pelo que a caracterização se faz por angio-TC ou angio-RM. A RM evita a radiação e o contraste iodado, útil em doentes jovens com vigilância prolongada ou em doença do tecido conjuntivo; a TC é mais rápida e disponível na urgência.

O aneurisma roto é uma catástrofe e o diagnóstico é clínico até prova em contrário. A tríade clássica do aneurisma abdominal roto é dor abdominal ou lombar súbita e intensa, hipotensão e massa abdominal pulsátil. Num doente instável com esta tríade não se atrasa o tratamento à espera de imagem; num doente que se mantém estável, a angio-TC confirma a rotura e o local da fuga. A rotura para o retroperitoneu pode dar dor no flanco e hematomas tardios; um quadro de hipotensão inexplicada num doente com aneurisma conhecido é rotura até se provar o contrário.

Disseção da aorta

A disseção da aorta é o grande diagnóstico a não falhar na dor torácica aguda. O quadro típico é dor torácica ou dorsal de início súbito, intensa desde o primeiro instante, descrita como a rasgar ou a dilacerar, frequentemente migratória (desloca-se à medida que a disseção progride ao longo da aorta, por exemplo do tórax anterior para o dorso ou para o abdómen). A intensidade máxima logo no início distingue-a da dor do enfarte, que costuma crescer em minutos.

O exame físico procura sinais de envolvimento dos ramos da aorta. Os mais sugestivos:

  • Assimetria de pulsos ou diferença de pressão arterial entre os dois braços (a disseção compromete o fluxo de um tronco supra-aórtico).
  • Sopro diastólico de regurgitação aórtica, quando a disseção proximal compromete a válvula.
  • Sinais de má-perfusão de órgão por extensão a um ramo: défice neurológico focal, dor abdominal por isquemia mesentérica, oligúria, isquemia de um membro.
  • Na radiografia do tórax, alargamento do mediastino e contorno aórtico anormal, achados que apoiam mas não excluem.

A distinção entre os dois tipos orienta a decisão. A classificação de Stanford é a mais prática: o tipo A envolve a aorta ascendente (com ou sem extensão distal) e é cirúrgico de urgência; o tipo B poupa a ascendente e começa habitualmente por tratamento médico, salvo complicação.

A angio-TC da aorta é o exame de eleição para confirmar: rápida, amplamente disponível, identifica o flap da íntima, as duas luzes (verdadeira e falsa), a extensão proximal e distal e o envolvimento de ramos. O ecocardiograma transesofágico é a alternativa quando o doente está demasiado instável para ir à TC ou quando esta não está disponível, com a vantagem de avaliar à cabeceira a aorta ascendente, a válvula e a função ventricular. A angio-RM fica reservada a situações estáveis e seletivas, por ser mais demorada.

Quanto aos D-dímeros, são úteis pelo seu valor preditivo negativo: num doente de baixa probabilidade clínica, um D-dímero muito baixo torna a disseção improvável e ajuda a evitar imagem desnecessária. Um D-dímero elevado é inespecífico e não confirma nada. Não se usa o D-dímero para excluir disseção quando a suspeita clínica é alta: nesse cenário pede-se imagem.

Doença arterial periférica

A doença arterial periférica dos membros inferiores manifesta-se classicamente por claudicação intermitente: dor, cãibra ou fadiga muscular que surge de forma reprodutível ao esforço (caminhar uma distância previsível), obriga a parar e alivia em poucos minutos de repouso. A localização da dor aponta o nível da lesão: a dor na barriga da perna sugere doença femoropoplítea, a dor na coxa ou na nádega sugere doença aortoilíaca. Muitos doentes, sobretudo diabéticos, são assintomáticos ou têm sintomas atípicos, pelo que a ausência de claudicação não exclui DAP.

O exame físico procura pulsos periféricos diminuídos ou ausentes (femoral, poplíteo, pedioso, tibial posterior), sopros na aorta abdominal, ilíacas ou femorais, e alterações tróficas: pele fina e brilhante, perda de pelos, unhas distróficas, atrofia muscular, arrefecimento e palidez à elevação com rubor à pendência. Nos estádios avançados surge a isquemia crónica que ameaça o membro: dor de repouso (tipicamente no antepé, à noite, que alivia ao pendurar a perna) e lesões tróficas ou gangrena.

O teste-chave é o índice tornozelo-braço (ITB): razão entre a pressão sistólica mais alta no tornozelo (pedioso ou tibial posterior, com doppler) e a pressão sistólica mais alta nos braços. É simples, barato e objetivo. A interpretação:

ITBInterpretação
> 1,40Artérias incompressíveis (calcificação da média); resultado não fiável, exige outros testes
1,00 – 1,40Normal
0,91 – 0,99Limítrofe (borderline)
≤ 0,90Confirma doença arterial periférica
0,40 – 0,90DAP ligeira a moderada
< 0,40DAP grave (isquemia crítica provável)

O limiar a memorizar é ITB ≤ 0,90 confirma DAP. Quanto mais baixo o valor, mais grave a doença e maior a probabilidade de isquemia crítica. Já um ITB > 1,40 indica artérias incompressíveis por calcificação da média (típico de diabetes e doença renal crónica): o número perde valor e há que recorrer a testes que contornam a calcificação, como o índice dedo-braço, a pressão no dedo do pé, a pressão transcutânea de oxigénio ou a análise das curvas de doppler. Um ITB normal em repouso num doente com clínica sugestiva não exclui DAP aortoilíaca: o ITB de esforço (após prova de marcha) desmascara a queda de pressão induzida pelo exercício.

Confirmado o diagnóstico, a imagem entra para mapear as lesões antes de revascularizar, não para fazer o diagnóstico. O ecodoppler arterial localiza estenoses e oclusões e avalia o seu grau sem contraste. A angio-TC e a angio-RM dão o mapa anatómico completo de toda a árvore arterial, essencial para planear angioplastia ou cirurgia de bypass. A angiografia por cateter fica em geral reservada ao momento do tratamento endovascular.

Isquemia aguda do membro

A isquemia aguda do membro é uma emergência vascular: a interrupção súbita do fluxo arterial (por embolia, trombose de placa, trombose de bypass ou trauma) deixa o membro sem perfusão e o tempo conta. O reconhecimento é clínico, à cabeceira, pelos 6 P:

Sinal (6 P)Tradução clínica
Pain (dor)Dor súbita e intensa no membro afetado
Pallor (palidez)Membro pálido, depois marmóreo/cianótico
Pulselessness (ausência de pulso)Pulsos distais ausentes ao nível da oclusão
Paraesthesia (parestesias)Dormência, formigueiro, perda de sensibilidade
Paralysis (paralisia)Perda de força, incapacidade de mover o membro
Poikilothermia (frio)Membro frio, à temperatura ambiente

Os primeiros sinais a aparecer são a dor, a palidez e a ausência de pulso. A parestesia e a paralisia surgem mais tarde e são os sinais de alarme: indicam sofrimento neuromuscular instalado e ameaça do membro, portanto urgência absoluta. A presença de défice sensitivo-motor muda a categoria de gravidade e o tempo disponível: um membro ainda viável (sem défice, doppler arterial e venoso audíveis) tolera melhor a investigação; um membro com ameaça (défice sensitivo ou motor, doppler arterial inaudível mas venoso ainda presente) exige revascularização imediata; um membro com perda irreversível (anestesia profunda, paralisia, ausência de doppler, rigidez muscular) já não se salva e a decisão muda para amputação.

À cabeceira, o doppler portátil confirma a ausência de sinal arterial e ajuda a estadiar. O exame de imagem (angio-TC, angiografia) tem lugar para definir o nível e o mecanismo da oclusão e planear a revascularização, mas nunca deve atrasar o tratamento de um membro com défice neurológico instalado: o relógio isquémico não pára enquanto se espera pela imagem. A anticoagulação inicia-se cedo, salvo contraindicação, ainda durante a avaliação.

Índice tornozelo-braço (ITB) ITB = PA sistólica no tornozelo ÷ PA sistólica no braço (o valor mais alto dos dois braços), com Doppler 1,40 0,90 0,40 > 1,40 Artérias incompressíveis (calcificação; diabetes, DRC). Valor não fiável. 0,91 – 1,40 Normal ≤ 0,90 Doença arterial periférica (DAP). Quanto menor, mais grave. < 0,40 Isquemia grave (crítica) ITB ≤ 0,90 confirma DAP. Se > 1,40, recorrer ao índice dedo-braço ou à pressão transcutânea de oxigénio.
Esquema original InovaQB, baseado nos limiares do ITB (ESC 2024).
Pain dor Pallor palidez Pulselessness ausência de pulso Isquemia aguda do membro oclusão arterial súbita (embolia ou trombose) Paraesthesia parestesias Paralysis paralisia Poikilothermia arrefecimento Parestesias + paralisia = membro ameaçado (não esperar por imagem) Emergência: heparina endovenosa imediata + revascularização urgente conforme a viabilidade (Rutherford)
Esquema original InovaQB (mnemónica dos 6 P da isquemia aguda do membro).

Prevenção e controlo de fatores de risco

As doenças vasculares da aorta e dos membros partilham o mesmo substrato aterosclerótico e os mesmos fatores de risco. Quem tem doença arterial periférica (DAP) ou aneurisma da aorta abdominal (AAA) está, quase sempre, doente em vários territórios ao mesmo tempo. A prevenção joga-se em dois planos: travar a progressão da lesão local e baixar o risco cardiovascular global, que é o que mata estes doentes.

Controlo dos fatores de risco (transversal)

O tabagismo é o fator de risco modificável mais importante tanto na DAP como no AAA. A relação é dose-dependente e mais forte aqui do que na própria doença coronária. Na DAP o tabaco acelera a progressão para isquemia crítica e amputação; no AAA aumenta a velocidade de crescimento do saco aneurismático e o risco de rotura. A cessação tabágica é a intervenção isolada com maior impacto: reduz a progressão da claudicação, melhora a permeabilidade após revascularização e abranda o crescimento do aneurisma. Não há limiar seguro nem alternativa farmacológica que substitua deixar de fumar. O reforço em cada consulta, com apoio estruturado e terapêutica de substituição de nicotina, vareniclina ou bupropiona quando indicado, é parte do tratamento.

A hipertensão é o eixo da prevenção da patologia aórtica. O controlo tensional apertado reduz o stress parietal sobre a aorta e é determinante na prevenção da disseção e no abrandamento do crescimento aneurismático. Nos doentes com aorta dilatada ou após disseção, o alvo é mais agressivo, com atenção também ao controlo da frequência cardíaca para reduzir a dP/dt (a força de cisalhamento por unidade de tempo sobre a parede). Os bloqueadores beta têm aqui papel particular, sobretudo na disseção crónica e nas aortopatias hereditárias, por baixarem em simultâneo a pressão e a frequência. Na DAP, controlar a hipertensão não agrava a claudicação ao contrário do receio antigo, e os IECA/ARA têm benefício cardiovascular demonstrado.

A dislipidemia trata-se com estatina, transversal a toda a doença aterosclerótica vascular. Além de baixar o LDL, a estatina estabiliza a placa e tem efeito favorável documentado na própria evolução do AAA e da DAP. O alvo de LDL é o de muito alto risco cardiovascular.

A diabetes multiplica o risco de DAP e, sobretudo, de doença distal e de pé diabético com perda de tecido. O controlo glicémico reduz as complicações microvasculares; o impacto nos eventos do membro é mais modesto do que o do tabaco ou das estatinas, mas o rastreio do pé e a educação do doente são essenciais. Preferir, quando possível, antidiabéticos com benefício cardiovascular comprovado.

A dieta e o exercício completam o pacote. Padrão alimentar tipo mediterrânico, controlo do peso e atividade física regular. Na DAP, o exercício tem um lugar especial que merece nota à parte (ver adiante).

Fator de riscoMedida de prevenção
TabagismoCessação completa; substituição de nicotina, vareniclina ou bupropiona; reforço em cada consulta
HipertensãoControlo tensional apertado; bloqueador beta na patologia aórtica/disseção (baixa pressão + frequência)
DislipidemiaEstatina de alta intensidade até alvo de LDL de muito alto risco; estabiliza placa e abranda AAA/DAP
DiabetesControlo glicémico; antidiabéticos com benefício CV; rastreio e cuidado do pé
SedentarismoExercício regular; na DAP, programa supervisionado de marcha
Dieta / pesoPadrão mediterrânico; redução de sal na hipertensão; controlo do peso
AntiagregaçãoAntiagregante na DAP sintomática (prevenção secundária de eventos CV)

Terapêutica médica de prevenção secundária na DAP

A mensagem-chave é que a DAP é um marcador de risco cardiovascular global elevado. Estes doentes têm aterosclerose coronária e cerebrovascular concomitante com muita frequência, e morrem mais de enfarte e de AVC do que de complicações do membro. Daí que a prevenção secundária seja, antes de mais, proteção cardiovascular sistémica.

Os três pilares:

  • Estatina de alta intensidade, em todos os doentes com DAP, sintomática ou não. Reduz eventos cardiovasculares maiores e também eventos adversos no membro (progressão para isquemia crítica, necessidade de revascularização).
  • Antiagregante na DAP sintomática, em monoterapia (ácido acetilsalicílico ou clopidogrel; o clopidogrel mostrou ligeira vantagem). Na DAP assintomática isolada, sem outra indicação, o benefício do antiagregante é menos claro.
  • Controlo apertado dos restantes fatores de risco: tensão arterial até ao alvo, glicemia, cessação tabágica obrigatória.

Nos doentes de muito alto risco, sobretudo após revascularização do membro, a associação de baixa dose de rivaroxabano com ácido acetilsalicílico reduz eventos isquémicos do membro e cardiovasculares, à custa de algum aumento hemorrágico. É uma opção a ponderar caso a caso.

O ganho desta estratégia mede-se sobretudo na redução de enfarte e AVC, mais do que nos eventos do próprio membro. É por isso que tratar uma DAP que "só" dá claudicação continua a ser uma prioridade, mesmo quando o doente está pouco limitado.

Complemento não farmacológico essencial na claudicação intermitente: o programa de exercício supervisionado de marcha melhora a distância percorrida e a qualidade de vida, e é primeira linha antes de pensar em revascularização nos casos sem isquemia crítica nem limitação incapacitante.

Rastreio do aneurisma da aorta abdominal

O AAA é uma doença silenciosa. Cresce sem sintomas e a primeira manifestação pode ser a rotura, que é catastrófica e com mortalidade muito elevada antes sequer de chegar ao hospital. Como existe uma janela longa em que o aneurisma é detetável e tratável de forma programada, o rastreio faz sentido.

A recomendação central: ecografia abdominal única nos homens com 65 anos ou mais que sejam fumadores ou ex-fumadores. A ecografia é barata, rápida, não invasiva e tem excelente sensibilidade para o diâmetro aórtico infra-renal. Uma única avaliação negativa neste grupo é suficiente, porque um aneurisma significativo é improvável de surgir de novo a partir de uma aorta de calibre normal a esta idade.

Estender o rastreio, ponderando caso a caso, a:

  • Homens com 65 anos ou mais nunca fumadores, sobretudo se outros fatores de risco cardiovascular.
  • Pessoas com história familiar de AAA em parente de primeiro grau, em que o risco é claramente superior e se pode justificar começar mais cedo.
  • Doentes com aneurisma noutro território (por exemplo, poplíteo), que têm prevalência aumentada de AAA.

Nas mulheres o rendimento do rastreio populacional é menor porque a prevalência é mais baixa, mas a fumadora idosa com fatores de risco ou história familiar não deve ser esquecida.

Detetado um aneurisma, o seguimento é por vigilância ecográfica seriada com intervalos ditados pelo diâmetro: quanto maior o saco, mais apertada a vigilância. Em paralelo, otimiza-se toda a prevenção descrita acima, com destaque absoluto para a cessação tabágica, que é o que mais abranda o crescimento. A reparação eletiva, endovascular ou aberta, entra em cena quando o diâmetro atinge o limiar de tratamento, quando o crescimento é rápido ou quando o aneurisma se torna sintomático. O objetivo do rastreio e da vigilância é precisamente reparar a tempo, de forma programada, e nunca em urgência por rotura.

Tratamento

A abordagem terapêutica das doenças vasculares da aorta e dos membros assenta em duas decisões centrais: quem precisa de intervenção e quando intervir. Na maioria das entidades, o tratamento médico (controlo tensional, estatina, antiagregação e cessação tabágica) é a base permanente, e a cirurgia ou a reparação endovascular ficam reservadas para limiares anatómicos, falência do tratamento conservador ou complicações agudas. A distinção entre situação estável (vigilância e otimização do risco) e situação aguda (decisão em minutos a horas) condiciona toda a estratégia.

Aneurisma da aorta abdominal

No aneurisma da aorta abdominal (AAA) assintomático e de pequeno diâmetro, a conduta é vigilância com imagem seriada e otimização agressiva do risco cardiovascular. A ecografia abdominal é o exame de escolha para o seguimento, com periodicidade que aperta à medida que o diâmetro aumenta (intervalos mais longos no aneurisma de 3,0–3,9 cm, mais curtos a partir de 4,0–5,4 cm). O controlo da pressão arterial, a cessação tabágica (o fator de risco modificável com maior impacto na progressão e na rotura) e a estatina integram o plano em todos os doentes.

A indicação para reparação eletiva surge quando o diâmetro atinge cerca de 5,5 cm no homem, com limiar mais baixo na mulher (em geral 5,0 cm, pela maior fragilidade da parede e maior risco de rotura para o mesmo diâmetro). Indicam também reparação o crescimento rápido (acima de cerca de 1 cm por ano) e o aneurisma sintomático (dor abdominal ou lombar atribuível ao aneurisma, sensibilidade à palpação), que sinaliza expansão ou rotura iminente. A escolha entre reparação endovascular (EVAR) e cirurgia aberta depende da anatomia (colo proximal, angulação, acesso ilíaco), da idade e da comorbilidade. A EVAR oferece menor mortalidade peri-operatória e recuperação mais rápida, mas exige vigilância imagiológica vitalícia pelo risco de endoleak e de necessidade de reintervenção; a cirurgia aberta é mais durável e preferível em doentes jovens, de baixo risco ou com anatomia desfavorável à endoprótese.

O AAA roto é uma emergência cirúrgica. A tríade clássica (dor abdominal ou lombar súbita, hipotensão e massa pulsátil) nem sempre está completa. A conduta é reparação imediata, endovascular ou aberta consoante a estabilidade hemodinâmica e a disponibilidade local, com hipotensão permissiva (manter a pressão arterial sistólica no limiar mínimo que assegure perfusão cerebral e coronária, em torno de 70–90 mmHg) até ao controlo cirúrgico, evitando ressuscitação volémica agressiva que aumenta a hemorragia.

Síndromes aórticos agudos (disseção)

Perante suspeita de disseção aórtica aguda, a prioridade imediata, antes mesmo de confirmar a topografia por angio-TC, é a estabilização médica para reduzir a força de cisalhamento sobre a parede (o produto da frequência cardíaca pela velocidade de subida da pressão, dP/dt). A sequência é deliberada: betabloqueante endovenoso primeiro (labetalol ou esmolol) para baixar a frequência cardíaca para um alvo em torno de 60 bpm, e só depois um vasodilatador (nitroprussiato) para a pressão arterial sistólica, com alvo de 100–120 mmHg. A ordem importa: introduzir o vasodilatador isoladamente provoca taquicardia reflexa, que aumenta a dP/dt e pode propagar a disseção. A analgesia com opióide é parte do controlo tensional, porque a dor alimenta a descarga adrenérgica.

A decisão definitiva segue a classificação de Stanford:

  • Disseção tipo A (envolve a aorta ascendente): cirurgia urgente. O risco de complicações fatais (tamponamento cardíaco, insuficiência aórtica aguda, isquemia coronária, rotura) é elevado e cresce a cada hora. A reparação aberta com substituição da aorta ascendente é o tratamento padrão; o tratamento médico isolado tem mortalidade proibitiva.
  • Disseção tipo B (não envolve a aorta ascendente, tipicamente distal à subclávia esquerda): tratamento médico de base, com controlo agressivo da frequência cardíaca e da pressão arterial e vigilância apertada. A intervenção, preferencialmente endovascular (TEVAR), reserva-se para a disseção tipo B complicada: má-perfusão de órgão (renal, mesentérica, dos membros), propagação da disseção, aneurisma em expansão ou rotura iminente, e dor ou hipertensão refratárias apesar de terapêutica máxima. O TEVAR cobre a porta de entrada e redireciona o fluxo para o lúmen verdadeiro.

A mesma lógica de controlo da força de cisalhamento aplica-se aos restantes síndromes aórticos agudos (hematoma intramural e úlcera aterosclerótica penetrante), que partilham a estratificação por topografia: ascendente tende para cirurgia, descendente para tratamento médico com vigilância.

Doença arterial periférica

Na doença arterial periférica (DAP) dos membros inferiores, o tratamento médico tem dois objetivos distintos que convém não confundir. O primeiro é reduzir o risco cardiovascular sistémico (a DAP é marcador de aterosclerose difusa e os doentes morrem sobretudo de enfarte e AVC); o segundo é melhorar os sintomas do membro (a claudicação).

A base, em todos os doentes, independentemente da gravidade, inclui:

  • Cessação tabágica, prioridade absoluta.
  • Estatina de alta intensidade, com alvo agressivo de LDL.
  • Antiagregação (clopidogrel ou aspirina); em doentes selecionados de alto risco, a associação de aspirina com rivaroxabano em dose vascular baixa reduz eventos major dos membros e cardiovasculares.
  • Controlo da pressão arterial e da diabetes.

Para os sintomas de claudicação, o pilar é o programa de exercício supervisionado, que melhora de forma consistente a distância de marcha e a qualidade de vida, com eficácia comparável ou superior à da revascularização na claudicação não incapacitante. O cilostazol pode acrescentar benefício sintomático em doentes sem insuficiência cardíaca (em que está contraindicado).

A revascularização (endovascular com angioplastia/stent, ou cirúrgica com bypass ou endarterectomia) não é primeira linha na claudicação. Reserva-se para duas situações: a claudicação muito limitante que persiste apesar de tratamento médico e exercício otimizados, e a isquemia crónica que ameaça o membro (CLTI) — dor de repouso, úlceras isquémicas ou gangrena. A CLTI é uma indicação formal e urgente de revascularização, porque sem restabelecimento de fluxo o desfecho é a perda do membro. A escolha entre via endovascular e cirúrgica depende da anatomia da lesão, da disponibilidade de veia autóloga para bypass, do risco operatório e da experiência do centro.

Isquemia aguda do membro

A isquemia aguda do membro é uma emergência vascular. Resulta tipicamente de embolia (origem cardíaca, como na fibrilhação auricular) ou de trombose sobre placa preexistente, e o membro está em risco de perda em horas. O reconhecimento clínico assenta nos 6 P (pain, pallor, pulselessness, paresthesia, paralysis, poikilothermia: dor, palidez, ausência de pulso, parestesias, paralisia e arrefecimento).

A conduta imediata é:

  1. Anticoagulação imediata com heparina não fracionada endovenosa, assim que se levanta a suspeita, para travar a propagação do trombo e proteger a circulação colateral. Não esperar pela imagem para anticoagular.
  2. Analgesia e proteção do membro (mantê-lo em posição neutra ou ligeiramente pendente, ao abrigo do frio e do traumatismo, sem aquecimento ativo nem elevação que comprometa a perfusão).
  3. Revascularização urgente, cuja modalidade depende da viabilidade do membro segundo a classificação de Rutherford:
    • Membro viável ou marginalmente ameaçado: há margem para trombólise dirigida por cateter ou imagem prévia que oriente a estratégia.
    • Membro imediatamente ameaçado (défice motor/sensitivo, sem sinal Doppler): impõe revascularização cirúrgica urgente (embolectomia com cateter de Fogarty, bypass) sem demora.
    • Membro inviável (anestesia profunda, paralisia, ausência de sinal arterial e venoso, rigidez muscular): a revascularização é fútil e perigosa; a conduta é amputação primária.

Após a reperfusão de um membro gravemente isquémico, vigiar a síndrome compartimental (que pode exigir fasciotomia) e as complicações metabólicas da reperfusão (hipercaliemia, mioglobinúria e lesão renal aguda).

Síntese: entidade, atitude e limiar de intervenção

EntidadeAtitude de baseLimiar / indicação de intervenção
AAA pequeno, assintomáticoVigilância ecográfica seriada; cessação tabágica, controlo tensional, estatinaReparação eletiva (EVAR ou aberta) quando o diâmetro atinge ≈ 5,5 cm no homem (≈ 5,0 cm na mulher), com crescimento rápido (> 1 cm/ano) ou sintomático
AAA rotoHipotensão permissiva, encaminhamento imediatoEmergência cirúrgica (endovascular ou aberta)
Disseção, fase inicial (todos)Betabloqueante EV primeiro, depois vasodilatador; alvo FC ≈ 60 bpm, PAS 100–120 mmHg; analgesiaReduzir a força de cisalhamento (dP/dt)
Disseção tipo AEstabilização médica como ponteCirurgia urgente (aorta ascendente)
Disseção tipo B não complicadaTratamento médico + vigilância imagiológicaSem intervenção de imediato
Disseção tipo B complicadaTratamento médico + intervençãoTEVAR se má-perfusão, propagação, rotura iminente, dor/HTA refratárias
DAP (claudicação)Cessação tabágica, estatina, antiagregante, controlo de fatores de risco, exercício supervisionadoRevascularização (endovascular ou bypass) só se muito limitante apesar do tratamento
DAP (CLTI)Otimização médica em paraleloRevascularização (dor de repouso, úlcera, gangrena) para salvar o membro
Isquemia aguda do membroHeparina EV imediata, analgesia, proteção do membroRevascularização urgente (embolectomia, trombólise por cateter, cirurgia) conforme viabilidade; amputação se inviável

O fio condutor é distinguir, em cada entidade, a janela de otimização e vigilância da janela de intervenção definitiva. Nos aneurismas e na DAP, manda o limiar anatómico e a falência do tratamento médico; nos síndromes aórticos agudos e na isquemia aguda do membro, manda a topografia e a viabilidade tecidual, com o relógio a correr.

Rastreio: ecografia abdominal homem com ≥ 65 anos, fumador ou ex-fumador (avaliação única) Diâmetro máximo da aorta abdominal? < 3,0 cm Sem aneurisma significativo: sem vigilância adicional 3,0 – 3,9 cm Vigilância ecográfica (p. ex. cada 2 a 3 anos) 4,0 – 4,9 cm Vigilância ecográfica (p. ex. anual) 5,0 – 5,4 cm Vigilância apertada (p. ex. cada 3 a 6 meses) ≥ 5,5 cm (homem) ≥ 5,0 cm (mulher) Reparação eletiva EVAR (endovascular) ou cirurgia aberta Reparar também se crescimento > 1 cm/ano ou aneurisma sintomático (dor abdominal ou lombar). AAA roto = emergência cirúrgica imediata tríade: dor abdominal/lombar súbita + hipotensão + massa pulsátil Intervalos de vigilância indicativos; o limiar de reparação é mais baixo na mulher pela maior fragilidade da parede.
Esquema original InovaQB, baseado nas recomendações ESC 2024 e nos programas de rastreio do AAA.

Referências

  1. Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, et al., editores. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2022 (doenças da aorta; doenças arteriais das extremidades).
  2. Mazzolai L, Teixidó-Tura G, Lanzi S, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of peripheral arterial and aortic diseases. Eur Heart J. 2024;45(36):3538-3700.
  3. Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Recomendações sobre doença aórtica e doença arterial periférica (alinhadas com a ESC).
  4. Direção-Geral da Saúde. Normas e orientações sobre risco cardiovascular, abordagem do pé diabético e cessação tabágica (alinhadas com as recomendações europeias).
  5. UpToDate (consultado em 2026): Clinical features and diagnosis of acute aortic dissection; Management of asymptomatic abdominal aortic aneurysm; Clinical features and diagnosis of acute lower extremity ischemia.

27 perguntas sobre Doenças vasculares da aorta e dos membros

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Doenças vasculares da aorta e dos membros — Cardiovascular · InovaQB