Cardiovascular›Doenças do pericárdio e miocarditePublicado (Premium)

Doenças do pericárdio e miocardite

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 18 perguntas neste tema

Em resumo

O pericárdio e o miocárdio inflamam-se muitas vezes juntos, pelas mesmas causas, e a separação faz-se pelo que domina. A pericardite atinge o saco: dá dor torácica pleurítica que alivia sentado e inclinado para a frente, e trata-se com anti-inflamatório e colquicina. A miocardite atinge o músculo: dá troponina elevada sem doença coronária que a explique, por vezes disfunção ventricular e arritmias, e o tratamento é sobretudo de suporte. Entre as duas fica a miopericardite, uma pericardite com troponina elevada mas sem perda de função, que se trata como pericardite.

A pericardite aguda é na maioria viral ou idiopática e remite em 4 a 6 semanas. A complicação mais frequente é a recorrência, em 20 a 30% dos doentes não tratados com colquicina, e é por isso que a colquicina entra desde o primeiro episódio e o corticoide não. As formas com febre, derrame volumoso, instalação subaguda, tamponamento ou falta de resposta ao anti-inflamatório têm mais probabilidade de causa específica e internam-se.

O derrame só passa a tamponamento quando a pressão dentro do saco impede o enchimento do coração, e aí conta mais a velocidade do que o volume. O tamponamento reconhece-se por hipotensão, jugulares ingurgitadas, bulhas abafadas e pulso paradoxal, confirma-se no ecocardiograma e trata-se com pericardiocentese urgente; diuréticos e ventilação com pressão positiva agravam-no. A pericardite constritiva é o extremo crónico: um pericárdio rígido que dá insuficiência cardíaca direita com ventrículos que contraem bem, e cuja forma definitiva se opera.

A miocardite suspeita-se num doente novo com dor torácica e troponina elevada depois de uma infeção viral, e confirma-se pela ressonância magnética cardíaca com os critérios de Lake Louise ou pela biópsia endomiocárdica, que se reserva às formas graves ou que não respondem. O que não se pode falhar: excluir a síndrome coronária aguda, reconhecer cedo a forma fulminante e as de células gigantes, eosinofílica e por inibidores dos pontos de controlo imunitário, que precisam de imunossupressão, e restringir o esforço até à remissão completa, que se mede e não se conta em meses fixos.

Referências

  1. Schulz-Menger J, Collini V, Gröschel J, Adler Y, Brucato A, Christian V, et al. 2025 ESC Guidelines for the management of myocarditis and pericarditis. Eur Heart J. 2025;46(40):3952-4041.
  2. Ferreira VM, Schulz-Menger J, Holmvang G, Kramer CM, Carbone I, Sechtem U, et al. Cardiovascular magnetic resonance in nonischemic myocardial inflammation: expert recommendations. J Am Coll Cardiol. 2018;72(24):3158-76.
  3. Loscalzo J. Pericardial disease. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill; 2022. p. 2019-25.
  4. Lakdawala NK, Stevenson LW, Loscalzo J. Cardiomyopathy and myocarditis. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill; 2022. p. 1954-73.

18 perguntas sobre Doenças do pericárdio e miocardite

Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.

Criar conta e treinar