Cardiovascular›Disritmias - fibrilhação e flutter auricular, taquicardia supraventicular paroxística, doença do nó sinusal, bloqueios auriculoventricularesPublicado (Premium)

Disritmias: fibrilhação e flutter, TSV, doença do nó sinusal e bloqueios AV

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 29 perguntas neste tema

Em resumo

Este tema junta as taquiarritmias supraventriculares mais frequentes (fibrilhação auricular, flutter e taquicardia supraventricular paroxística) e as duas bradiarritmias que levam a pacemaker (doença do nó sinusal e bloqueios auriculoventriculares). Distinguem-se no eletrocardiograma pela regularidade, pela largura do QRS e pela relação entre as ondas P e os QRS.

A fibrilhação auricular é a arritmia sustentada mais comum e aumenta muito com a idade. Nasce de focos nas veias pulmonares sobre uma aurícula remodelada e reconhece-se por um ritmo irregularmente irregular, sem ondas P. O risco maior é o AVC por trombo no apêndice auricular esquerdo. Trata-se em quatro frentes: comorbilidades e fatores de risco, anticoagulação pelo CHA2DS2-VA (que já não conta o sexo; 2 ou mais pontos anticoagula-se, 1 considera-se), controlo da frequência ou do ritmo, e reavaliação periódica. Os anticoagulantes orais diretos são preferidos, exceto na prótese mecânica e na estenose mitral moderada a grave. Com mais de 24 horas, a cardioversão exige 3 semanas de anticoagulação ou ecocardiograma transesofágico, e 4 semanas de anticoagulação depois.

O flutter típico é uma macrorreentrada que passa pelo istmo cavotricúspide: dente de serra com a aurícula a 240 a 300 por minuto e, em dois para um, ventrículo regular a cerca de 150. Anticoagula-se como a fibrilhação, e a ablação do istmo cura-o. A taquicardia supraventricular paroxística, sobretudo a reentrada no nó auriculoventricular, é regular, de início e fim súbitos e depende do nó: termina com manobras vagais ou adenosina, e a ablação é curativa.

A doença do nó sinusal é uma doença do idoso, e a sua forma mais comum alterna fibrilhação com pausas. O pacemaker trata os sintomas e só se indica quando estes se atribuem à bradicardia. Nos bloqueios auriculoventriculares o que decide é o nível: o bloqueio nodal (primeiro grau, Mobitz I) é benigno e responde à atropina; o infranodal (Mobitz II, a maioria dos completos) tem escape lento e instável e leva a pacemaker mesmo sem sintomas.

O que não se pode falhar: cardioversão sincronizada perante instabilidade; não bloquear o nó numa taquicardia irregular de QRS largo; a antiagregação não substitui a anticoagulação; rever os fármacos antes de implantar um pacemaker; e não dar atropina a um bloqueio de alto grau com QRS largo.

Referências

  1. Van Gelder IC, Rienstra M, Bunting KV, Casado-Arroyo R, Caso V, Crijns HJGM, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of atrial fibrillation developed in collaboration with the European Association for Cardio-Thoracic Surgery (EACTS). Eur Heart J. 2024;45(36):3314-414.
  2. Brugada J, Katritsis DG, Arbelo E, Arribas F, Bax JJ, Blomström-Lundqvist C, et al. 2019 ESC Guidelines for the management of patients with supraventricular tachycardia. Eur Heart J. 2020;41(5):655-720.
  3. Glikson M, Nielsen JC, Kronborg MB, Michowitz Y, Auricchio A, Barbash IM, et al. 2021 ESC Guidelines on cardiac pacing and cardiac resynchronization therapy. Eur Heart J. 2021;42(35):3427-520.
  4. Soar J, Böttiger BW, Carli P, Carmona Jiménez F, Cimpoesu D, Cole G, et al. European Resuscitation Council Guidelines 2025: adult advanced life support. Resuscitation. 2025;215:110769.
  5. Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editores. Harrison's principles of internal medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw-Hill; 2022. Cap. 244, The bradyarrhythmias: disorders of the sinoatrial node; cap. 245, The bradyarrhythmias: disorders of the atrioventricular node; cap. 249, Paroxysmal supraventricular tachycardias; cap. 250, Common atrial flutter and macroreentrant and multifocal atrial tachycardias; cap. 251, Atrial fibrillation.

29 perguntas sobre Disritmias - fibrilhação e flutter auricular, taquicardia supraventicular paroxística, doença do nó sinusal, bloqueios auriculoventriculares

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