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Patologia médica e cirúrgica na gravidez

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 46 perguntas neste tema

Em resumo

A gravidez não protege da doença: sobrepõe-lhe uma fisiologia diferente. O débito cardíaco sobe 30 a 50%, a filtração glomerular cerca de 50%, o volume plasmático cresce mais do que a massa eritrocitária e o sangue fica mais coagulável. Por isso a creatinina normal é mais baixa, a hemoglobina desce por diluição, a fosfatase alcalina sobe por origem placentária e a gasometria mostra uma alcalose respiratória compensada. Um valor que seria normal fora da gravidez pode já ser doença, e cada decisão pesa ao mesmo tempo a mãe e o feto.

Há doenças que só existem por causa da placenta. A pré-eclâmpsia é hipertensão de novo depois das 20 semanas com proteinúria ou disfunção de órgão; trata-se a tensão para proteger a mãe do acidente vascular cerebral, previne-se a convulsão com sulfato de magnésio e cura-se com o parto. A diabetes gestacional nasce da resistência à insulina que as hormonas placentárias induzem e trata-se com dieta, exercício e, se não chegar, insulina ou metformina. A colestase intra-hepática dá prurido sem lesões cutâneas no terceiro trimestre e mede-se pelos ácidos biliares, porque o risco é a morte fetal. O fígado gordo agudo e a síndrome de hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetas baixas são emergências que só o parto resolve.

Outras doenças já existiam e a gravidez muda-lhes o curso. A estenose mitral e a hipertensão pulmonar descompensam com o aumento do volume; a asma e a epilepsia correm mal sobretudo quando se suspende a medicação por receio; o hipotiroidismo precisa de mais levotiroxina logo no início; o lúpus e a síndrome antifosfolipídico aumentam a perda fetal e a pré-eclâmpsia. As infeções urinárias progridem mais facilmente para pielonefrite, e algumas infeções maternas passam ao feto.

O tratamento segue duas regras. Primeiro, a doença materna mal tratada é quase sempre mais perigosa para o feto do que o fármaco certo ou o exame necessário. Segundo, há fármacos que não se dão: inibidores da enzima de conversão, antagonistas dos recetores da angiotensina, varfarina fora das próteses mecânicas, anticoagulantes orais diretos, valproato quando há alternativa, e iodo radioativo.

O que não se pode falhar: tratar a hipertensão grave em minutos e não em horas; dar sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia grave e na eclâmpsia; tratar a suspeita de tromboembolismo com heparina de baixo peso molecular enquanto se confirma; não adiar a cirurgia nem a imagem de que a mãe precisa; e numa grávida em paragem depois das 20 semanas, desviar o útero para a esquerda e preparar cedo a histerotomia de reanimação.

Referências

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