Doença e neoplasia trofoblástica gestacional
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 12 perguntas neste tema
A doença trofoblástica gestacional nasce do trofoblasto de uma gravidez e vai de lesões pré-malignas, a mola hidatiforme completa e a parcial, à neoplasia trofoblástica gestacional, que reúne a mola invasora, o coriocarcinoma e os dois tumores do trofoblasto intermédio (do local placentar e epitelioide). As duas molas distinguem-se pela genética: a completa é diploide e tem genoma só paterno, pelo que não há embrião; a parcial é triploide, com dois conjuntos paternos e um materno, e tem tecido fetal anómalo.
A mola apresenta-se quase sempre no primeiro trimestre, com hemorragia vaginal e uma ecografia de gravidez não evolutiva; as formas clássicas, com útero maior do que o esperado, hiperemese, hipertiroidismo e pré-eclâmpsia antes das 20 semanas, tornaram-se raras com a ecografia precoce. O diagnóstico definitivo é histológico, e por isso se examina o material de todos os abortamentos sem partes fetais identificadas. O tratamento é o esvaziamento por aspiração sob controlo ecográfico, seguido de vigilância da beta-hCG até normalizar, com contraceção eficaz.
A neoplasia surge em 13 a 20% das molas completas e em 0,5 a 5% das parciais, mas também depois de um aborto, de uma gravidez ectópica ou de uma gravidez de termo. Depois de uma mola, o diagnóstico faz-se pela curva da beta-hCG, em plateau ou a subir, e não por biópsia, que é perigosa em lesões tão vascularizadas. Estadia-se de I a IV e classifica-se pelo score FIGO (federação internacional de ginecologia e obstetrícia): 0 a 6 é baixo risco e trata-se com um só fármaco, metotrexato ou actinomicina D; 7 a 12 é alto risco e leva poliquimioterapia; 13 ou mais é risco ultra-alto.
O prognóstico é excelente: a cura aproxima-se dos 100% no baixo risco e passa dos 90% no alto risco. As exceções são os tumores do trofoblasto intermédio, que produzem pouca hCG, respondem mal à quimioterapia e se tratam por histerectomia. O que não se pode falhar: dosear a beta-hCG em qualquer mulher em idade fértil com hemorragia persistente depois de uma gravidez ou com metástases de origem desconhecida.
Referências
- Ngan HYS, Seckl MJ, Berkowitz RS, Xiang Y, Golfier F, Sekharan PK, et al. Diagnosis and management of gestational trophoblastic disease: 2025 update. Int J Gynaecol Obstet. 2025;171(Suppl 1):78-86.
- Ngan HYS, Seckl MJ, Horowitz N, Cheung ANY, Braga A, Sekharan PK, et al. FIGO staging for gestational trophoblastic neoplasia: 2026. Int J Gynaecol Obstet. 2026.
- Royal College of Obstetricians and Gynaecologists. Management of Gestational Trophoblastic Disease. Green-top Guideline No. 38. BJOG. 2021;128(3):e1-e27.
- Gestational trophoblastic neoplasia. In: Casanova R, Chuang A, Goepfert AR, Hueppchen NA, Weiss PM, editors. Beckmann and Ling's obstetrics and gynecology. 8th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2019. Cap. 45.
- Gynecologic cancer: gestational trophoblastic disease and gestational trophoblastic neoplasia. In: Wing EJ, Schiffman FJ, editors. Cecil essentials of medicine. 10th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Cap. 61.
- Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill; 2022. Principles of endocrinology; Thyroid gland physiology and testing; Hyperthyroidism.
12 perguntas sobre Neoplasia trofoblástica gestacional
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