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Abortamento e gravidez ectópica

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 21 perguntas neste tema

Em resumo

A hemorragia e a dor no primeiro trimestre são dos motivos mais frequentes de urgência obstétrica, e a decisão joga-se entre duas hipóteses: uma gravidez intrauterina a falhar, que é comum e raramente ameaça a mulher, e uma gravidez ectópica, menos frequente e ainda hoje causa de morte materna por hemorragia. A pergunta que orienta tudo é dupla: a doente está estável, e sabe-se onde está a gravidez?

O abortamento espontâneo termina 15 a 25% das gravidezes reconhecidas, quase sempre nas primeiras 12 semanas, e em cerca de metade dos casos precoces a causa é uma aneuploidia do embrião, que não se repete. Por isso uma perda isolada não se investiga. O colo e a ecografia classificam-no (ameaça, inevitável, incompleto, completo, retido, sético), e o abortamento confirmado trata-se de forma expectante, médica ou cirúrgica, com a escolha largamente entregue à mulher. O sético é a exceção: antibiótico endovenoso e esvaziamento imediato.

A perda gestacional recorrente estuda-se a partir de duas perdas. A síndrome antifosfolipídico é a causa tratável mais importante, com ácido acetilsalicílico e heparina de baixo peso molecular; sem causa identificada, nenhum destes fármacos tem benefício.

A gravidez ectópica implanta-se fora da cavidade uterina, em mais de 90% dos casos na trompa. Metade a um terço das doentes não tem fator de risco conhecido, e a apresentação é muitas vezes atípica, pelo que qualquer mulher em idade fértil com dor abdominal ou hemorragia faz teste de gravidez. A ecografia transvaginal e a evolução da beta-hCG às 48 horas decidem o diagnóstico; um valor isolado de beta-hCG não localiza a gravidez. A doente instável vai ao bloco sem mais exames; a estável pode ser vigiada, tratada com metotrexato ou operada, conforme a dor, a beta-hCG, o tamanho da massa e a atividade cardíaca.

O que não se pode falhar: um útero vazio com teste positivo não é abortamento completo até se excluir ectópica, a imunoglobulina anti-D na mulher RhD negativo segue em Portugal a circular da DGS, e a queda de beta-hCG depois do metotrexato vigia-se até negativar.

Referências

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21 perguntas sobre Abortamento e gravidez ectópica

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