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Vulvovaginites e doenças sexualmente transmitidas

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 18 perguntas neste tema

Em resumo

O corrimento vaginal é um dos motivos mais frequentes de consulta de ginecologia, e três infeções explicam a maioria dos casos: a vaginose bacteriana, a candidíase vulvovaginal e a tricomoníase. Distinguem-se no consultório com o pH vaginal, o teste das aminas e a microscopia, e distinguem-se também no que obrigam a fazer: só a tricomoníase é uma infeção sexualmente transmissível e só nela se trata o parceiro.

O corrimento que vem do colo e não da parede vaginal é outra doença. A cervicite por Chlamydia trachomatis ou Neisseria gonorrhoeae é muitas vezes silenciosa, confirma-se por amplificação de ácidos nucleicos e, se não for tratada, sobe ao endométrio e às trompas. A doença inflamatória pélvica que daí resulta é a principal causa evitável de infertilidade tubária e de gravidez ectópica, e é por isso que se trata empiricamente com um limiar clínico baixo.

As úlceras genitais separam-se pela dor: a dolorosa, em grupo de vesículas, é herpes; a indolor e endurecida é o cancro da sífilis primária, que cura sozinho e volta semanas depois como exantema das palmas e das plantas.

Os tratamentos mudaram na última década: a gonorreia trata-se com ceftriaxona em dose alta, a clamídia com doxiciclina durante 7 dias, e a doença inflamatória pélvica com ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol. Na grávida muda o fármaco da clamídia e a abordagem da alergia à penicilina na sífilis. O que não se pode falhar é a doença inflamatória pélvica por tratar à espera de exames, a sífilis na grávida e o parceiro esquecido.

Referências

  1. Beckmann CRB, Herbert W, Laube D, Ling F, Smith R, editores. Vulvovaginitis. In: Beckmann and Ling's obstetrics and gynecology. 8.ª ed. Filadélfia: Wolters Kluwer; 2019. cap. 28.
  2. Beckmann CRB, Herbert W, Laube D, Ling F, Smith R, editores. Sexually transmitted infections. In: Beckmann and Ling's obstetrics and gynecology. 8.ª ed. Filadélfia: Wolters Kluwer; 2019. cap. 29.
  3. Lukehart SA. Syphilis. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editores. Harrison's principles of internal medicine. 21.ª ed. Nova Iorque: McGraw Hill; 2022. cap. 182.
  4. Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, Johnston CM, Muzny CA, Park I, et al. Sexually transmitted infections treatment guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187.
  5. Unemo M, Ross JDC, Serwin AB, Gomberg M, Cusini M, Jensen JS. 2020 European guideline for the diagnosis and treatment of gonorrhoea in adults. Int J STD AIDS. 2020. doi:10.1177/0956462420949126.
  6. Bachmann LH, Barbee LA, Chan P, Reno H, Workowski KA, Hoover K, et al. CDC clinical guidelines on the use of doxycycline postexposure prophylaxis for bacterial sexually transmitted infection prevention, United States, 2024. MMWR Recomm Rep. 2024;73(2):1-8.
  7. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 001/2024, de 22 de março: Profilaxia de pré-exposição ao VIH. Lisboa: DGS; 2024.
  8. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 009/2024, de 17 de outubro: Programa de rastreio de base populacional do cancro do colo do útero. Lisboa: DGS; 2024.
  9. Direção-Geral da Saúde. Programa nacional para a vigilância da gravidez de baixo risco. Lisboa: DGS; 2015.
  10. Despacho n.º 1150/2021, de 28 de janeiro. Doenças de notificação obrigatória. Diário da República, 2.ª série. 2021.

18 perguntas sobre Vulvovaginites e doenças sexualmente transmitidas

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