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Prevenção primária e secundária em ginecologia

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 25 perguntas neste tema

Em resumo

A prevenção primária impede que a doença apareça, atuando sobre a causa ou a exposição: a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), a cessação tabágica, o preservativo, o controlo do peso, a atividade física, a moderação do álcool, a amamentação e, no risco elevado, os fármacos e a cirurgia redutores de risco. A prevenção secundária procura a doença, ou a lesão que a precede, em pessoas sem sintomas, numa fase em que tratar muda o desfecho: são os rastreios. A terciária limita as sequelas da doença já instalada.

O cancro do colo do útero é o modelo de doença prevenível pelos dois lados. O HPV de alto risco causa quase todos os casos e a lesão precursora demora anos a progredir, o que dá lugar à vacina nonavalente, dada aos 10 anos a raparigas e rapazes em duas doses, e a um rastreio por teste de HPV dos 30 aos 69 anos, repetido de 5 em 5 anos se negativo. Um teste positivo não é diagnóstico: os genótipos 16 e 18 vão diretamente à consulta de patologia cervical e os restantes são triados por citologia com dupla marcação p16/Ki67.

O cancro da mama não tem um agente causal único, mas tem prevenção primária e secundária. Moderar o álcool, evitar o excesso de peso depois da menopausa, manter atividade física e amamentar reduzem o risco; nas mulheres de risco elevado juntam-se a quimioprevenção e a mastectomia redutora de risco. O rastreio português faz-se por tomossíntese dos 45 aos 74 anos, de 2 em 2 anos em toda a faixa etária.

O cancro do ovário não tem rastreio populacional útil: nem a ecografia nem o CA-125 servem para isso. A prevenção faz-se pela contraceção oral, que suprime a ovulação, e, nas portadoras de variantes hereditárias, pela anexectomia bilateral redutora de risco. O endométrio também não se rastreia: previne-se evitando o estrogénio sem oposição de progestativo e o excesso de peso, e investiga-se a hemorragia uterina anómala. As infeções sexualmente transmissíveis entram nos dois níveis, com o preservativo, a vacinação e o rastreio dirigido.

O que não se pode falhar: o rastreio destina-se a quem não tem sintomas, e uma mulher com sintoma segue para avaliação diagnóstica; a vacinada continua a ser rastreada; e o rastreio do colo pára depois de uma histerectomia total por doença benigna sem lesão de alto grau prévia.

Referências

  1. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 09/2024, de 17/10/2024: Programa de rastreio de base populacional do cancro do colo do útero. Lisboa: DGS; 2024.
  2. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 010/2024, de 12/11/2024: Programa de rastreio de base populacional do cancro do colo do útero para pessoas com condição de alto risco. Lisboa: DGS; 2024.
  3. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 012/2024, de 06/12/2024: Programa de rastreio de base populacional do cancro da mama. Lisboa: DGS; 2024.
  4. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 004/2024, de 12/07/2024: Metodologia geral dos rastreios oncológicos em Portugal. Lisboa: DGS; 2024.
  5. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 002/2026, de 08/04/2026: Atualização da estratégia de vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) no Programa Nacional de Vacinação. Lisboa: DGS; 2026.
  6. Direção-Geral da Saúde. Livro Azul de Vacinas. Parte 3, cap. 29: Infeção por vírus do papiloma humano. Lisboa: DGS; 2025.
  7. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 001/2024, de 22/03/2024: Profilaxia de pré-exposição ao VIH. Lisboa: DGS; 2024.
  8. Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco. Lisboa: DGS; 2015.
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