Ginecologia›Patologia do pavimento pélvico, incontinência urinária e infeção do trato urinárioPublicado (Premium)

Patologia do pavimento pélvico, incontinência urinária e infeção do trato urinário

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 20 perguntas neste tema

Em resumo

O prolapso dos órgãos pélvicos, a incontinência urinária e a infeção urinária encontram-se muitas vezes na mesma mulher e partilham fatores: o parto vaginal, a idade, a menopausa com o hipoestrogenismo, a obesidade e o aumento crónico da pressão abdominal.

O prolapso é a descida da parede vaginal anterior (cistocelo), do útero ou da cúpula, ou da parede posterior (retocelo, enterocelo), por falha dos músculos elevadores do ânus, da fáscia endopélvica e dos ligamentos. Sente-se como peso ou bola vaginal, quantifica-se pelo POP-Q, com o hímen como referência, e trata-se a doente com sintomas e não o estadio: treino do pavimento pélvico, pessário ou cirurgia.

A incontinência de esforço é a perda com a tosse ou o esforço, sem urgência, por hipermobilidade uretral ou deficiência do esfíncter; a de urgência é a perda precedida de desejo súbito, no quadro da bexiga hiperativa, que só se rotula sem infeção; a mista junta as duas e trata-se primeiro a que predomina. A primeira linha é sempre conservadora: treino supervisionado do pavimento pélvico durante pelo menos 3 meses no esforço, treino vesical durante pelo menos 6 semanas na urgência. Depois vêm o sling médio-uretral ou a colposuspensão no esforço, e os antimuscarínicos ou o mirabegrom na urgência, com cuidado com a carga anticolinérgica na idosa.

A cistite não complicada da mulher diagnostica-se pela história e trata-se sem urocultura, com fosfomicina em dose única ou nitrofurantoína; as quinolonas não são empíricas em Portugal. A pielonefrite pede urocultura e um antibiótico que atinja o rim. A bacteriúria assintomática só se procura e trata na grávida, e na pós-menopausa com infeções recorrentes o estrogénio vaginal é a primeira medida preventiva.

Referências

  1. Pelvic support defects, urinary incontinence, and urinary tract infection. In: Beckmann and Ling's obstetrics and gynecology. 8th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2019. cap. 30.
  2. Gupta K, Trautner BW. Urinary tract infections, pyelonephritis, and prostatitis. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. cap. 135.
  3. Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 015/2011: Terapêutica de infeções do aparelho urinário (comunidade). Lisboa: DGS; 2011 (atualizada em 2014).
  4. European Association of Urology. EAU guidelines on urological infections. Arnhem: EAU; 2026.
  5. National Institute for Health and Care Excellence. Urinary incontinence and pelvic organ prolapse in women: management. NICE guideline NG123. London: NICE; 2019 (atualizada).
  6. Woodley SJ, Lawrenson P, Boyle R, Cody JD, Mørkved S, Kernohan A, et al. Pelvic floor muscle training for preventing and treating urinary and faecal incontinence in antenatal and postnatal women. Cochrane Database Syst Rev. 2020;5:CD007471.
  7. European Medicines Agency. Vesicare, trospio e (solifenacina, trospio e mirabegrom): resumos das características do medicamento.

20 perguntas sobre Patologia do pavimento pélvico, incontinência urinária e infeção do trato urinário

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