Neoplasia do colo uterino
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 15 perguntas neste tema
O cancro do colo do útero é, entre as neoplasias ginecológicas, a que tem causa conhecida e evitável: a infeção persistente por papilomavírus humano (HPV) de alto risco, que está na origem de quase todos os casos. O vírus infeta a zona de transformação do colo e, na minoria de mulheres em que não é eliminado, produz lesões intraepiteliais que podem progredir, ao longo de anos, para carcinoma invasor.
As lesões pré-malignas descrevem-se com dois vocabulários: na citologia, lesão intraepitelial de baixo grau (LSIL) e de alto grau (HSIL); na biópsia, neoplasia intraepitelial cervical (CIN) 1, 2 e 3. O CIN 1 é infeção produtiva e vigia-se; o CIN 3 é o precursor direto e trata-se sempre, em qualquer idade; o CIN 2 fica no meio, trata-se em regra, mas pode vigiar-se na mulher com menos de 25 anos ou que receie o efeito da excisão numa gravidez futura.
São assintomáticas, e é por isso que existe rastreio. Em Portugal, a Norma DGS 09/2024 fez do teste de HPV o exame primário, dos 30 aos 69 anos e de 5 em 5 anos: os genótipos 16 e 18 vão diretamente a colposcopia e os outros genótipos de alto risco são triados por citologia com dupla marcação p16/Ki67. A vacina nonavalente, dada aos 10 anos nos dois sexos, previne a infeção mas não dispensa o rastreio.
O carcinoma é sobretudo epidermoide, também chamado espinocelular, e menos vezes adenocarcinoma. Na fase inicial pode não dar sintomas; o que deve alertar é a hemorragia depois da relação sexual, a hemorragia intermenstrual e o corrimento aquoso. O diagnóstico é histológico, e uma lesão visível no colo biopsia-se, mesmo com citologia normal. O estadiamento FIGO 2018 soma à observação a ressonância pélvica, a avaliação ganglionar e a patologia, e qualquer gânglio positivo passa o tumor para o estadio IIIC.
O tratamento segue o estadio: conização ou histerectomia simples no microinvasor, histerectomia radical com avaliação ganglionar nos tumores pequenos limitados ao colo, e quimiorradioterapia com cisplatina semanal e braquiterapia a partir do estadio IB3. O que não se pode falhar é a lesão visível que se deixa por biopsiar, a hemorragia na grávida atribuída à gravidez sem ver o colo, e a soma de cirurgia radical com radioterapia, que multiplica a morbilidade sem ganho.
Referências
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- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 010/2024, de 12/11/2024. Programa de rastreio de base populacional do cancro do colo do útero para pessoas com condição de alto risco. Lisboa: DGS; 2024.
- Direção-Geral da Saúde. Norma n.º 002/2026, de 08/04/2026. Atualização da estratégia de vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) no Programa Nacional de Vacinação. Lisboa: DGS; 2026.
- Direção-Geral da Saúde. Livro Azul de Vacinas. Parte 3, cap. 29: Infeção por vírus do papiloma humano. Lisboa: DGS; 2025 [atualizado em 2026].
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- World Health Organization. Global strategy to accelerate the elimination of cervical cancer as a public health problem. Geneva: WHO; 2020.
15 perguntas sobre Neoplasia do colo uterino
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