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Leiomiomas uterinos e neoplasia do corpo uterino

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema

Em resumo

O corpo do útero dá origem a um tumor benigno muito frequente, o leiomioma, e a um conjunto de neoplasias malignas dominado pelo carcinoma do endométrio, com os sarcomas uterinos como raridade. Separam-se na clínica por uma pergunta simples: a hemorragia acontece antes ou depois da menopausa?

O leiomioma é um tumor clonal do músculo liso, dependente das hormonas ováricas, presente em até 80% dos úteros examinados com cuidado e mais precoce e sintomático nas mulheres negras. Na maioria não dá queixas. Quando dá, é hemorragia menstrual abundante, sobretudo nos miomas que fazem saliência para a cavidade (tipos 0 a 2 da classificação FIGO), ou sintomas de volume. O diagnóstico é ecográfico, e o tratamento decide-se pelos sintomas, pelo tipo de mioma e pelo desejo de engravidar: vigilância no mioma calado; sistema intrauterino de levonorgestrel, ácido tranexâmico ou os antagonistas orais da GnRH com terapêutica de reposição no tratamento médico; ressecção histeroscópica, miomectomia, embolização ou histerectomia quando é preciso intervir.

O carcinoma do endométrio é a neoplasia maligna mais frequente do aparelho genital feminino nos países de rendimento elevado. O tipo mais comum, endometrioide, nasce do estrogénio sem oposição de progesterona, e é isso que o liga à obesidade, à anovulação, à nuliparidade, ao tamoxifeno e ao estrogénio dado sem progestativo; o seu precursor é a hiperplasia com atipia. Anuncia-se cedo por hemorragia, e por isso cerca de três quartos são diagnosticados no estádio I. Toda a hemorragia depois da menopausa se investiga com ecografia transvaginal e biópsia do endométrio.

O tratamento é a histerectomia total com anexectomia bilateral e gânglio sentinela. A classificação molecular (mutação da polimerase épsilon, deficiência de reparação de emparelhamentos, perfil inespecífico e p53 anormal) faz-se em todos os tumores, entrou no estadiamento FIGO de 2023 e decide, com o estádio, o grupo de risco e a adjuvância: nada, braquiterapia vaginal, radioterapia pélvica ou quimioterapia com radioterapia. Na doença avançada com deficiência de reparação, a imunoterapia associada à quimioterapia é o tratamento de primeira linha. A deficiência de reparação obriga ainda a pensar na síndrome de Lynch, em que o endométrio é muitas vezes o primeiro cancro.

O que não se pode falhar: mulher com útero não leva estrogénio sem progestativo; a citologia do colo não exclui carcinoma do endométrio; uma massa uterina que cresce depois da menopausa é sarcoma até prova em contrário; e perante suspeita de sarcoma não se morcela.

Referências

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