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Dismenorreia e dor pélvica crónica

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema

Em resumo

Dismenorreia é dor com a menstruação. Na primária não há lesão pélvica: a dor nasce da prostaglandina F2α libertada pelo endométrio que descama, que contrai o miométrio até à isquemia. Por depender de ciclos ovulatórios, começa 6 a 12 meses depois da menarca, acompanha o fluxo durante 2 a 3 dias, repete-se de ciclo para ciclo e tem exame normal. É a queixa ginecológica mais frequente da adolescente e da mulher jovem, e uma causa importante de faltas à escola e ao trabalho.

Trata-se sem exames. Os anti-inflamatórios não esteroides, começados antes da dor e tomados a horas certas, e a contraceção hormonal, de preferência em regime contínuo, são ambos de primeira linha; a escolha depende sobretudo de a mulher querer contraceção. A falta de resposta ao fim de 3 a 6 meses é o principal sinal de que a dismenorreia pode não ser primária.

Na secundária há uma causa: a endometriose na maioria, depois a adenomiose, os leiomiomas, a doença inflamatória pélvica, o dispositivo intrauterino de cobre e, na adolescente, as anomalias obstrutivas do trato genital. Suspeita-se quando a dor surge depois de anos de ciclos indolores, se agrava de ano para ano, extravasa a menstruação ou se acompanha de dispareunia profunda, hemorragia anómala ou infertilidade. A ecografia transvaginal é a primeira imagem, e a supressão hormonal começa sem esperar pelo diagnóstico.

A dor pélvica crónica dura 6 meses ou mais e não acontece só com a menstruação ou com o coito. É um sintoma, raramente com uma causa única: somam-se muitas vezes endometriose, síndrome do intestino irritável, síndrome da bexiga dolorosa, dor miofascial do pavimento pélvico e sensibilização central. Trata-se em paralelo e em equipa, com o objetivo de recuperar a função. O que não se pode falhar: teste de gravidez em qualquer dor pélvica em idade fértil, inspeção da vulva na adolescente com dor cíclica sem menstruação, opioides de fora e laparoscopia só como segunda linha.

Referências

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