Reações cutâneas graves a fármacos
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema
As reações cutâneas graves a fármacos são reações de hipersensibilidade retardada, mediadas por linfócitos T, que aparecem dias a semanas depois de começar um fármaco novo. São três: a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica, que são a mesma doença em graus diferentes; a reação a fármacos com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS); e a pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA). A urticária, o angioedema e a anafilaxia são reações imediatas e ficam fora deste grupo.
O que as separa à cabeceira é sobretudo a latência. A pustulose aparece em menos de 48 horas, com inúmeras pústulas estéreis sobre eritema nas pregas, febre e neutrofilia, e resolve em duas semanas. A síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise aparecem entre 5 e 28 dias, com pródromo febril, dor cutânea, lesões em alvo atípicas que confluem, sinal de Nikolsky positivo e duas ou mais mucosas atingidas; separam-se pela área de epiderme descolada, abaixo de 10% e acima de 30% da superfície corporal. A DRESS aparece entre 2 e 8 semanas, com exantema extenso, edema da face, adenopatias, eosinofilia e atingimento de órgãos, sobretudo do fígado, e é a víscera, não a pele, que a torna fatal.
Em todas, o gesto que muda o prognóstico é suspender de imediato o fármaco suspeito. A necrólise trata-se como uma falência cutânea aguda, com suporte em unidade de queimados ou cuidados intensivos, oftalmologia desde a avaliação inicial e a gravidade estimada pelo SCORTEN; a imunomodulação continua sem benefício demonstrado de forma sólida. A DRESS com órgão atingido trata-se com corticoide sistémico e desmame lento.
O que não se pode falhar é o fármaco que fica a correr, a área contada pelo eritema em vez da epiderme descolada, o olho que não é visto a tempo e a reexposição ao culpado. Algumas destas reações evitam-se com um teste genético antes da primeira dose: HLA-B57:01 antes do abacavir, HLA-B15:02 antes da carbamazepina e HLA-B*58:01 antes do alopurinol, nas populações de risco.
Referências
- Micheletti RG, Rosenbach M, Wintroub BU, Shinkai K. Cutaneous drug reactions. In: Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, Hauser S, Longo D, Jameson JL, editors. Harrison's principles of internal medicine. 21st ed. New York: McGraw Hill; 2022. p. 407-17 (cap. 60).
- Creamer D, Walsh SA, Dziewulski P, Exton LS, Lee HY, Dart JK, et al. U.K. guidelines for the management of Stevens-Johnson syndrome/toxic epidermal necrolysis in adults 2016. Br J Dermatol. 2016;174(6):1194-227.
- Bastuji-Garin S, Fouchard N, Bertocchi M, Roujeau JC, Revuz J, Wolkenstein P. SCORTEN: a severity-of-illness score for toxic epidermal necrolysis. J Invest Dermatol. 2000;115(2):149-53.
- Sassolas B, Haddad C, Mockenhaupt M, Dunant A, Liss Y, Bork K, et al. ALDEN, an algorithm for assessment of drug causality in Stevens-Johnson syndrome and toxic epidermal necrolysis: comparison with case-control analysis. Clin Pharmacol Ther. 2010;88(1):60-8.
- Frantz R, Huang S, Are A, Motaparthi K. Stevens-Johnson syndrome and toxic epidermal necrolysis: a review of diagnosis and management. Medicina (Kaunas). 2021;57(9):895.
- Jacobsen A, Olabi B, Langley A, Beecker J, Mutter E, Shelley A, et al. Systemic interventions for treatment of Stevens-Johnson syndrome (SJS), toxic epidermal necrolysis (TEN), and SJS/TEN overlap syndrome. Cochrane Database Syst Rev. 2022;3(3):CD013130.
- Heuer R, Paulmann M, Mockenhaupt M, Nast A. Systemic immunomodulating therapies for epidermal necrolysis (Stevens-Johnson syndrome/toxic epidermal necrolysis): a systematic review and meta-analysis. J Dtsch Dermatol Ges. 2026;24(1):34-42.
- Schunkert EM, Divito SJ. Updates and insights in the diagnosis and management of DRESS syndrome. Curr Dermatol Rep. 2021;10(4):192-204.
- Cho YT, Yang CW, Chu CY. Drug reaction with eosinophilia and systemic symptoms (DRESS): an interplay among drugs, viruses, and immune system. Int J Mol Sci. 2017;18(6):1243.
- Kuyucu S, Blanca-Lopez N, Caubet JC, Mori F, Atanaskovic-Markovic M, Gomes E, et al. Clinical diagnosis and management of drug reaction with eosinophilia and systemic symptoms (DRESS) in children: an EAACI position paper. Pediatr Allergy Immunol. 2025;36(7):e70103.
- Feldmeyer L, Heidemeyer K, Yawalkar N. Acute generalized exanthematous pustulosis: pathogenesis, genetic background, clinical variants and therapy. Int J Mol Sci. 2016;17(8):1214.
- Guerrero-Fernández J, Cartón Sánchez A, Barreda Bonis A, Menéndez Suso J, Ruiz Domínguez J, editores. Manual de diagnóstico y terapéutica en pediatría. 6.ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017. cap. 132 (síndrome de Stevens-Johnson, necrólisis epidérmica tóxica y DRESS).
- Liotti L, Caimmi S, Bottau P, Bernardini R, Cardinale F, Saretta F, et al. Clinical features, outcomes and treatment in children with drug induced Stevens-Johnson syndrome and toxic epidermal necrolysis. Acta Biomed. 2019;90(3-S):52-60.
- FitzGerald JD, Dalbeth N, Mikuls T, Brignardello-Petersen R, Guyatt G, Abeles AM, et al. 2020 American College of Rheumatology guideline for the management of gout. Arthritis Care Res (Hoboken). 2020;72(6):744-60.
14 perguntas sobre Reacções cutâneas graves a fármacos
Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.
Criar conta e treinar