Peritonites
Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 14 perguntas neste tema
A peritonite é a inflamação do peritoneu, quase sempre por infeção, e divide-se pela origem, porque é a origem que decide o tratamento. A secundária nasce de uma víscera perfurada, necrosada ou isquémica, é polimicrobiana e só se resolve com controlo do foco. A primária, ou peritonite bacteriana espontânea, é a infeção da ascite sem foco cirúrgico, típica do cirrótico, monomicrobiana e de tratamento médico. A terciária é a que persiste ou recorre apesar de tratamento adequado, no doente crítico ou imunodeprimido. A do doente em diálise peritoneal nasce da pele, ao longo do cateter, e trata-se com antibiótico intraperitoneal.
A secundária é a mais frequente e é uma emergência cirúrgica: dor abdominal intensa que agrava com o movimento, defesa e contratura, febre e taquicardia. A tomografia com contraste mostra o foco no doente estável; o instável vai ao bloco sem imagem. O tratamento corre em simultâneo em três frentes: ressuscitação, antibiótico precoce contra enterobactérias e anaeróbios, e controlo do foco por cirurgia ou drenagem. Com o foco controlado, a norma da DGS pede apenas 1 a 5 dias de antibiótico.
A peritonite bacteriana espontânea procura-se por paracentese diagnóstica em todo o cirrótico com ascite que é internado ou que se degrada, porque muitas vezes não dá sinais abdominais. Confirma-se com mais de 250 neutrófilos/mm³ no líquido ascítico e trata-se com ceftriaxona e albumina, que previne a lesão renal de tipo hepatorrenal e reduz a mortalidade. Quem teve um episódio fica com profilaxia com quinolona e é avaliado para transplante.
O que não se pode falhar é a peritonite secundária escondida no cirrótico. Dois de três critérios de Runyon, vários agentes na cultura ou neutrófilos que não descem pelo menos 25% às 48 horas pedem tomografia e cirurgião, porque essa peritonite não se cura com antibiótico sozinho.
Referências
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14 perguntas sobre Peritonites
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