Patologia obstrutiva do sono (SAOS)
Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 11 perguntas neste tema
A apneia obstrutiva do sono é o colapso repetido da faringe durante o sono, com o esforço respiratório mantido contra uma via aérea fechada ou estreitada. A faringe não tem osso nem cartilagem, e o sono tira o tónus aos músculos dilatadores. O colapso dá-se sobretudo no palato mole, mas também nas paredes laterais da orofaringe, na base da língua e na epiglote, e muitas vezes em mais do que um nível.
No adulto, a obesidade, o sexo masculino e a idade são os grandes fatores de risco, e a anatomia (retrognatia, amígdalas volumosas, palato baixo, obstrução nasal) decide onde a via aérea cede. Apresenta-se com roncopatia, pausas presenciadas e sonolência diurna. O diagnóstico é do estudo do sono, que mede o índice de apneia-hipopneia (IAH) e gradua a doença em ligeira (5 a 14 eventos por hora), moderada (15 a 29) e grave (30 ou mais).
A pressão positiva contínua é a primeira linha na doença moderada a grave, mesmo quando há uma alteração anatómica evidente. O otorrinolaringologista entra quando ela não é tolerada: localiza a obstrução no exame em vigília e na endoscopia sob sono induzido, e escolhe entre a cirurgia nasal (que facilita a pressão positiva), a cirurgia do palato e das amígdalas (que resulta quando há um alvo claro num doente sem obesidade grave), o avanço maxilomandibular (a cirurgia mais eficaz) e a estimulação do nervo hipoglosso.
Na criança a causa dominante é a hipertrofia adenoamigdalina, a apresentação é de comportamento mais do que de sonolência, e a adenoamigdalectomia é a primeira linha.
O que não se pode falhar: oferecer a uvulopalatofaringoplastia como alternativa equivalente à pressão positiva, implantar um estimulador do hipoglosso sem ter excluído o colapso concêntrico do véu, e operar uma criança de alto risco sem vigilância em internamento ou dar-lhe codeína no pós-operatório.
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