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Olho vermelho

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 15 perguntas neste tema

Em resumo

O olho vermelho é um sinal, não um diagnóstico: traduz vasos da superfície ocular dilatados ou sangue no espaço subconjuntival. A grande maioria dos casos é uma conjuntivite, uma hemorragia subconjuntival ou uma irritação da margem palpebral, e resolve sem sequelas. Uma minoria ameaça a visão em horas ou dias: a queratite, a uveíte anterior, a esclerite, o glaucoma agudo de ângulo fechado e a queimadura química.

O que separa os dois grupos é a profundidade da doença. A doença da superfície dá hiperemia difusa, ardor, secreção e visão normal; a doença da córnea ou do interior do olho dá dor verdadeira, baixa da acuidade, fotofobia e hiperemia em coroa à volta da córnea. A pupila, a pressão intraocular e a fluoresceína afinam o diagnóstico: pupila pequena na uveíte, média e fixa no glaucoma agudo, córnea corada na queratite.

A abordagem é uma triagem. Mede-se sempre a acuidade visual, procura-se ativamente os sinais de alarme e, perante qualquer um, referencia-se sem tratar às cegas. A conjuntivite trata-se sem antibiótico quando é vírica; as causas graves têm tratamento específico e urgente, do antivírico na queratite herpética à iridotomia no glaucoma agudo.

Três erros custam olhos: o corticoide tópico dado sem diagnóstico, que agrava uma queratite infeciosa; o midriático num olho com ângulo estreito; e o atraso da irrigação numa queimadura química, que é a única situação em que se trata antes de examinar.

Exame por passos

  1. Acuidade visual em cada olho, com a correção habitual. É o sinal vital do olho e fica registada antes de qualquer colírio.
  2. Inspeção com luz: padrão da hiperemia (difusa ou ciliar, setorial), secreção, pálpebras, mancha hemorrágica.
  3. Pupila: tamanho, forma e reflexo fotomotor, comparando os dois olhos.
  4. Córnea com fluoresceína: defeito epitelial, dendrite, infiltrado.
  5. Câmara anterior: profundidade (câmara rasa sugere ângulo estreito), hipópion (nível de pus), hifema (nível de sangue).
  6. Pressão intraocular, por tonometria ou, na falta dela, palpação comparada dos globos.
  7. Gânglio pré-auricular e eversão da pálpebra, à procura de folículos ou de corpo estranho.

Leitura dos achados

AchadoAponta para
Hiperemia difusa, secreção, visão e pupila normaisconjuntivite
Mancha vermelha homogénea, sem dorhemorragia subconjuntival
Vermelhidão setorial que branqueia com fenilefrinaepisclerite
Infiltrado branco com defeito epitelialqueratite bacteriana ou fúngica
Úlcera ramificada com bolbos terminaisqueratite por herpes simples
Hiperemia ciliar, pupila pequena, células na câmara anterioruveíte anterior
Pupila média fixa, córnea baça, câmara rasa, globo duroglaucoma agudo de ângulo fechado
Tom violáceo, dor que acorda, não branqueia com fenilefrinaesclerite

Teste da fenilefrina

Uma gota de fenilefrina a 2,5% e nova observação 10 a 15 minutos depois: os vasos episclerais branqueiam e os esclerais não. Separa a episclerite, benigna, da esclerite.

Sem sinais de alarme

  • Conjuntivite vírica: medidas de conforto e de contenção do contágio, sem antibiótico.
  • Conjuntivite bacteriana: antibiótico tópico de curta duração.
  • Conjuntivite alérgica: evicção do alergénio e anti-histamínico tópico.
  • Hemorragia subconjuntival: tranquilizar e medir a pressão arterial.
  • Blefarite e olho seco: higiene palpebral, compressas mornas, lágrimas artificiais.
  • Episclerite: lágrimas artificiais ou anti-inflamatório não esteroide (AINE) oral.

Explica-se ao doente quando voltar: dor que aumenta, visão que baixa, fotofobia, ou ausência de melhoria no prazo esperado.

Com sinais de alarme

  • Referenciar no próprio dia, a oftalmologia ou à urgência, conforme a gravidade.
  • Retirar as lentes de contacto e não as voltar a pôr.
  • Não ocluir um olho com suspeita de infeção.
  • No glaucoma agudo, iniciar a descida da pressão enquanto se organiza a transferência.
  • Na suspeita de globo aberto, escudo rígido sem pressão sobre o olho, nada de colírios e nada de manipulação.

O que não se faz

  • Corticoide tópico sem observação com lâmpada de fenda: agrava a queratite por herpes, fungos ou Acanthamoeba, e subida da pressão e catarata são efeitos do uso prolongado.
  • Anestésico tópico para levar para casa: atrasa a cicatrização do epitélio e aumenta o risco de infeção e de úlcera.
  • Midriático ou anticolinérgico num olho com câmara estreita.
  • Neutralizar um químico com outro de pH oposto.

Referências

  1. Gervasio KA, Peck TJ, editors. The Wills Eye Manual: office and emergency room diagnosis and treatment of eye disease. 8th ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2022. Cap. 3.1-3.2, 4.11-4.15, 5.1-5.7, 8.9, 9.4, 12.1.
  2. American Academy of Ophthalmology Preferred Practice Pattern Cornea/External Disease Committee. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern 2023. San Francisco: American Academy of Ophthalmology; 2023. Ophthalmology. 2024;131(4):P134-P204.
  3. American Academy of Ophthalmology Preferred Practice Pattern Cornea/External Disease Committee. Bacterial Keratitis Preferred Practice Pattern 2023. San Francisco: American Academy of Ophthalmology; 2023. Ophthalmology. 2024;131(4):P87-P133.
  4. Gedde SJ, Chopra V, Vinod K, Bowden EC, Kolomeyer NN, Challa P, et al. Primary Angle-Closure Disease Preferred Practice Pattern 2025. San Francisco: American Academy of Ophthalmology; 2025. Ophthalmology. 2026 [publicado online a 9 de fevereiro de 2026].
  5. Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, Johnston CM, Muzny CA, Park I, et al. Sexually transmitted infections treatment guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187.
  6. Instituto Nacional de Emergência Médica. Centro de Informação Antivenenos: linha gratuita 800 250 250. Lisboa: INEM; 2019.

15 perguntas sobre Olho vermelho

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