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Osteoporose

Matriz PNA:D · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 27 de setembro de 2026 · 17 perguntas neste tema

Em resumo

A osteoporose é uma doença esquelética sistémica em que a massa óssea baixa e a deterioração da microarquitetura tornam o osso frágil. Não dói nem se vê até à primeira fratura de fragilidade, a que resulta de uma queda da própria altura ou de um traumatismo equivalente, e é essa fratura, e não o número da densitometria, que dá à doença a sua importância. Atinge sobretudo a mulher depois da menopausa e o idoso de ambos os sexos; em Portugal estimou-se uma prevalência de 17% nas mulheres e de 2,6% nos homens adultos, com mais de 10 000 fraturas da anca por ano.

O diagnóstico faz-se por duas vias que não se substituem: um T-score igual ou inferior a -2,5 na densitometria, ou uma fratura de fragilidade da anca ou vertebral. A decisão de tratar, porém, já não se toma pelo T-score: toma-se pelo risco absoluto de fratura a 10 anos, calculado com o FRAX adaptado a Portugal, e pelos antecedentes de fratura. A densitometria serve para desempatar quem fica perto do limiar. Antes de tratar procura-se causa secundária quando o quadro não encaixa (homem, mulher antes da menopausa, Z-score baixo, fratura precoce) e exclui-se osteomalacia e hipofosfatasia, que se confundem com a osteoporose e se tratam de outra forma.

O tratamento assenta sempre em cálcio, vitamina D, exercício com carga e prevenção de quedas. O fármaco de primeira linha é o bifosfonato oral, sobretudo o alendronato; o ácido zoledrónico e o denosumab entram quando a via oral não serve, e os anabólicos, teriparatida e romosozumab, reservam-se para o risco muito elevado e são sempre seguidos de um antirreabsortivo. O que não se pode falhar: tratar quem acabou de fraturar a anca ou uma vértebra, porque o risco de nova fratura é máximo nos 2 anos seguintes; nunca parar o denosumab sem passar a um bifosfonato; corrigir a vitamina D e o cálcio antes de um antirreabsortivo potente; e investigar a dor na coxa de quem toma bifosfonatos há anos.

O diagnóstico faz-se por densitometria (T-score igual ou inferior a -2,5) ou por uma fratura de fragilidade. A decisão de tratar é outra coisa e assenta no risco absoluto de fratura.

Avaliação do risco: FRAX adaptado a Portugal

  • O risco de fratura avalia-se regularmente em todas as mulheres e homens acima dos 50 anos; abaixo dessa idade só se houver fatores de risco relevantes.
  • Usa-se preferencialmente o FRAX (ferramenta de avaliação do risco de fratura) na versão validada para Portugal, que dá a probabilidade a 10 anos de fratura osteoporótica major (vertebral clínica, anca, punho e úmero proximal) e de fratura da anca.
  • Integra idade, sexo, peso, altura, fratura prévia, fratura da anca num dos pais, tabagismo, corticoides, artrite reumatoide, osteoporose secundária e álcool, com ou sem a densidade do colo do fémur. Está validado entre os 40 e os 90 anos, em quem nunca foi tratado.
  • Limitações: não conta as quedas, não usa a densidade da coluna, não pesa a dose de corticoide nem o número de fraturas prévias, e subestima o risco na doença renal crónica e na diabetes.

Limiares portugueses (recomendações de 2018, iguais às recomendações multidisciplinares de 2016):

FRAX adaptado a Portugalfratura majorfratura da anca
Tratar, sem densitometria11% ou maisou3% ou mais
Tratar, com densitometria9% ou maisou2,5% ou mais
Pedir densitometria (estimativa sem ela)entre 7% e 11%eentre 2% e 3%
  • Os limiares de tratamento são de custo-efetividade para o alendronato genérico. A faixa em que se pede densitometria é uma margem de incerteza de 2% (major) e 0,5% (anca) à volta dos limiares com densitometria: é onde o resultado do exame pode mudar a decisão.
  • A densitometria justifica-se também para estudar osteoporose secundária, para avaliar fatores de risco que o FRAX não inclui e para avaliar a resposta ao tratamento.

Densitometria

  • Absorciometria de raios X de dupla energia (DXA) na coluna lombar e no fémur proximal (colo e anca total). A anca é o local que melhor prediz a fratura da anca.
  • T-score: desvios-padrão em relação ao adulto jovem do mesmo sexo. Z-score: em relação a pessoas da mesma idade e sexo; é o que se usa na mulher antes da menopausa.
  • Na coluna, os osteófitos da artrose, as calcificações da aorta e as fraturas vertebrais elevam falsamente a densidade: no idoso vale mais o valor do fémur. As pessoas pequenas e magras têm valores mais baixos por a técnica ser bidimensional.
  • Não se repete antes de 2 anos, salvo se os fatores de risco mudarem de forma significativa.

Imagem vertebral

Procuram-se fraturas vertebrais silenciosas (radiografia de perfil ou avaliação vertebral na própria densitometria) perante perda de estatura de 4 cm ou mais, cifose, corticoterapia oral prolongada, T-score igual ou inferior a -2,5, ou dor dorsal aguda com fatores de risco.

Fratura como critério de tratamento

Trata-se, salvo contraindicação, qualquer pessoa acima dos 50 anos com:

  • uma ou mais fraturas de fragilidade da anca, ou uma ou mais fraturas vertebrais de fragilidade sintomáticas;
  • duas ou mais fraturas de fragilidade, em qualquer local e mesmo assintomáticas (por exemplo, duas vertebrais morfométricas).

Nestes casos não é preciso FRAX nem densitometria para decidir tratar.

Causa secundária

Suspeita-se perante: doença ou fármaco reconhecidamente indutor, fratura de fragilidade antes dos 70 anos no homem ou antes da menopausa na mulher, Z-score igual ou inferior a -2,0, fraturas múltiplas, densidade muito baixa ou fratura sob tratamento.

estudoo que procura
Básicocálcio, fósforo, fosfatase alcalina, creatinina, hemograma, velocidade de sedimentação, proteína C reativa, transaminases e gama-glutamiltransferase, glicemia em jejum, hormona estimulante da tiroide, paratormona, eletroforese das proteínas
Dirigido25-hidroxivitamina D, calciúria das 24 horas, testosterona total e livre com LH e FSH no homem, cortisol, anticorpos antitransglutaminase, cadeias leves livres
  • Hiperparatiroidismo primário: das causas secundárias mais frequentes; cálcio alto ou no limite superior com paratormona alta ou inapropriadamente normal (medir o cálcio mais de uma vez e corrigir para a albumina).
  • Mieloma: pode apresentar-se como osteoporose difusa, sem lesões líticas.

Diagnóstico diferencial

entidadeo que a distingue
Osteomalaciadefeito de mineralização; dor óssea, fraqueza muscular proximal, 25-hidroxivitamina D baixa, fósforo baixo, fosfatase alcalina e paratormona altas, pseudofraturas (zonas de Looser) no colo do fémur, bacia e omoplata
Hipofosfatasia do adultofosfatase alcalina baixa; fraturas de stress dos metatarsos e pseudofraturas femorais que consolidam mal
Mieloma e metástasesdor persistente, anemia, velocidade de sedimentação alta, pico monoclonal; lesões líticas
Hiperparatiroidismohipercalcemia com paratormona não suprimida; perda sobretudo cortical
Doença mineral e óssea da doença renal crónicaalterações do cálcio, fósforo e paratormona com filtração glomerular baixa
Osteogénese imperfeitaescleróticas azuis, fraturas desde a infância, história familiar
Osteoporose: diagnóstico e abordagem Doença esquelética silenciosa: fragilidade óssea até à primeira fratura de baixo impacto Conceito Baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura dão fragilidade e fraturas de baixo impacto. Localizações típicas: anca (fémur proximal), vértebra e punho (fratura de Colles do rádio distal). Diagnóstico por duas vias Via 1: densitometria (DXA) Mede a DMO na coluna lombar e fémur proximal (colo do fémur / anca total). Classificação por T-score (OMS) Normal: T-score acima de -1,0 Osteopenia: T-score entre -1,0 e -2,5 Osteoporose: T-score ≤ -2,5 T-score compara com adulto jovem; Z-score com pares da mesma idade (jovem/pré-menopausa). Via 2: fratura de fragilidade Uma fratura da anca ou vertebral sintomática, ou duas fraturas de fragilidade em qualquer local, fazem o diagnóstico clínico e justificam tratamento independentemente da DXA. Muitas fraturas vertebrais são morfométricas (assintomáticas), achado incidental na radiografia. A fratura do punho na pós-menopausa é muitas vezes a primeira manifestação: é o sinal para avaliar o risco e tratar. FRAX adaptado a Portugal: risco a 10 anos Integra idade, sexo, IMC e fatores de risco, com ou sem a DMO do colo do fémur. Tratar sem DXA: major ≥ 11% ou anca ≥ 3% Tratar com DXA: major ≥ 9% ou anca ≥ 2,5% Pedir DXA: major 7 a 11% e anca 2 a 3% Fatores de risco Idade avançada, sexo feminino, menopausa (défice de estrogénios), corticoterapia, tabaco, álcool, baixo peso (IMC baixo), história parental de fratura da anca, quedas. Secundária: excluir osteomalacia, PTH, TSH, mieloma. Prevenção e tratamento Prevenção Cálcio e vitamina D adequados (corrigir a vitamina D antes de qualquer terapêutica). Exercício com carga e treino de equilíbrio. Cessação tabágica; moderação do álcool. Prevenção de quedas: rever sedativos, visão, casa. Tratamento farmacológico Bifosfonatos: 1.ª linha (alendronato, risedronato oral; ácido zoledrónico EV). Denosumab (anti-RANKL, SC): útil na doença renal; nunca suspender sem sequencial (rebound). Teriparatida (anabólico): risco muito elevado. Quando tratar: fratura da anca, vertebral sintomática ou duas de fragilidade, ou FRAX acima do limiar. Cálcio e vitamina D são a base, mas não substituem a terapêutica específica no doente de risco. ! Cascata de fraturas Uma fratura de fragilidade aumenta o risco de nova fratura, sobretudo nos 2 anos seguintes. Toda a fratura de fragilidade deve desencadear avaliação e início de terapêutica. DMO, densidade mineral óssea; DXA, densitometria de dupla energia; SC, subcutâneo; EV, endovenoso; anti-RANKL, anti-ligando de RANK. Limiares das recomendações portuguesas de 2018 (FRAX adaptado a Portugal). A osteoporose é assintomática até à fratura.

Na população geral

  • Dieta equilibrada, exposição solar adequada e exercício regular com carga em todas as idades. Na infância e adolescência o objetivo é chegar ao pico de massa óssea que a genética permite: um pico 10% mais alto atrasa a osteoporose, em estimativa, 13 anos.
  • Os laticínios são a principal fonte de cálcio; três porções por dia dão a maior parte da necessidade diária.

Na pessoa em risco ou com osteoporose

As medidas não farmacológicas implementam-se sempre, com ou sem fármaco:

  • Cálcio: 1000 a 1200 mg por dia, de preferência pela dieta; suplementar só o que falta. Os suplementos podem aumentar o risco de litíase renal. O carbonato toma-se com a refeição; o citrato a qualquer hora.
  • Vitamina D: doseia-se a 25-hidroxivitamina D em quem tem risco de défice grave (idade avançada, obesidade, insuficiência renal, malabsorção, doença hepática, antiepiléticos, antirretrovirais, corticoides). Com valores abaixo de 30 ng/mL suplementa-se com 800 a 2000 UI por dia ou equivalente. Não se dão doses únicas muito altas de forma intermitente, que se associaram a mais quedas e fraturas.
  • Exercício com carga e de fortalecimento muscular, adaptado a cada pessoa; treino de equilíbrio para quem cai.
  • Tabaco: cessação. Álcool: no máximo 2 unidades por dia.
  • Peso adequado; o baixo peso é fator de risco.

Prevenção de quedas

Avaliar o risco de queda em todas as pessoas com osteoporose ou fratura de fragilidade:

  • rever hipnóticos, ansiolíticos e fármacos que causem hipotensão ortostática;
  • reduzir a noctúria (levantar-se de noite é causa frequente de queda);
  • corrigir a visão;
  • adaptar a casa: tapetes soltos, fios, iluminação do caminho para a casa de banho, barras de apoio, calçado;
  • programas de exercício de equilíbrio e força.

Rastreio

As recomendações portuguesas não propõem densitometria por rotina a partir de uma certa idade. O que se rastreia é o risco: FRAX a partir dos 50 anos e densitometria apenas na faixa de incerteza ou nas outras indicações.

Quem trata

Os critérios de fratura e de FRAX estão no diagnóstico. Na osteopenia sem fratura e com risco abaixo dos limiares não há fármaco: medidas gerais e reavaliação.

Escolha do fármaco

  • Primeira linha: bifosfonato oral, nomeadamente o alendronato genérico, por custo-efetividade.
  • Ácido zoledrónico endovenoso ou denosumab: intolerância oral, malabsorção, demência, falta de adesão. O denosumab prefere-se na insuficiência renal.
  • Anabólico (teriparatida; romosozumab na mulher pós-menopáusica): risco muito elevado, sobretudo com fraturas vertebrais múltiplas ou recentes (nos 2 anos anteriores), T-score igual ou inferior a -3,5 ou corticoides em dose alta. Aí dá-se de início, porque reduz o risco de fratura mais depressa e mais do que alguns antirreabsortivos.
  • Começa-se logo a seguir a uma fratura de fragilidade: o risco de nova fratura é máximo nos 2 anos seguintes.
fármacodosenotas
Alendronato70 mg por via oral, 1 vez por semanareduz fraturas vertebrais, não vertebrais e da anca
Risedronato35 mg por via oral, 1 vez por semanareduz fraturas vertebrais e não vertebrais; anca em mulheres com osteoporose confirmada
Ibandronato150 mg por via oral por mês, ou 3 mg endovenoso de 3 em 3 mesessó demonstrou reduzir fraturas vertebrais
Ácido zoledrónico5 mg endovenoso 1 vez por ano, em perfusão de pelo menos 15 minutosreduz fraturas vertebrais, não vertebrais e da anca; depois de uma fratura da anca reduz novas fraturas e a mortalidade
Denosumab60 mg subcutâneo de 6 em 6 mesesanti-ligando do RANK; reduz fraturas vertebrais, não vertebrais e da anca; sem eliminação renal
Teriparatida20 microgramas subcutâneo por dia, no máximo 24 mesesanálogo da paratormona (fragmento 1-34); anabólico
Romosozumab210 mg subcutâneo por mês (duas injeções de 105 mg), durante 12 mesesanti-esclerostina; forma osso e reduz a reabsorção; só na mulher pós-menopáusica
Raloxifeno60 mg por via oral por diamodulador seletivo dos recetores de estrogénio; só reduz fraturas vertebrais

Bifosfonatos

  • Análogos do pirofosfato que se fixam no osso e levam à apoptose dos osteoclastos; ficam retidos no esqueleto anos depois de parar.
  • Toma oral: em jejum, com um copo de água, pelo menos 30 minutos antes de comer, beber outra coisa ou tomar outros fármacos (incluindo o cálcio), de pé ou sentado e sem se deitar durante 30 minutos (60 minutos com o ibandronato).
  • Contraindicações: hipocalcemia, gravidez e amamentação; na via oral, esófago que esvazia mal (estenose, acalasia) e incapacidade de ficar direito. Na função renal: ácido zoledrónico contraindicado com depuração da creatinina de 35 mL/min ou menos, risedronato com 30 mL/min ou menos, e alendronato desaconselhado com 35 mL/min ou menos.
  • Ácido zoledrónico: reação de fase aguda (febre, mialgias, cefaleias) nos 3 dias seguintes, quase só na primeira perfusão, que o paracetamol atenua; hidratar antes; depois de uma fratura da anca, não antes de 2 semanas após a cirurgia.

Férias terapêuticas dos bifosfonatos

  • Só existem para os bifosfonatos, porque o efeito persiste depois de parar.
  • Ao fim de 5 anos de via oral ou 3 anos de via endovenosa reavalia-se o risco. Pode suspender-se durante 2 a 3 anos se se cumprirem as três condições ao mesmo tempo: adesão rigorosa durante esse período, nenhuma fratura de fragilidade sob tratamento e T-score do fémur acima de -2,5.
  • Continua-se, até 10 anos, em quem mantém risco alto: fratura da anca ou vertebral, fratura sob tratamento, T-score do fémur igual ou inferior a -2,5, idade de 70 anos ou mais, corticoides em dose alta.
  • Durante a pausa reavalia-se o risco e retoma-se se surgir fratura ou a densidade cair.

Denosumab e o efeito rebound

  • Anticorpo monoclonal humano contra o ligando do RANK: impede a formação, a ativação e a sobrevida dos osteoclastos.
  • Doseia-se o cálcio antes de cada dose; com depuração da creatinina abaixo de 35 mL/min o risco de hipocalcemia é maior e confirma-se o cálcio nas 2 semanas seguintes à primeira dose.
  • Ao parar, os precursores dos osteoclastos acumulados amadurecem de uma vez: a remodelação dispara acima do nível anterior ao tratamento e a densidade cai em poucos meses. As fraturas vertebrais, muitas vezes múltiplas, surgem sobretudo no ano seguinte à dose em falta; entre quem fraturou depois de parar, 61% teve fraturas múltiplas.
  • Transição: ácido zoledrónico 5 mg 6 meses depois da última injeção, com marcadores de remodelação aos 3 e 6 meses e nova dose se continuarem altos (sem marcadores, segunda perfusão aos 6 meses). Com menos de 2,5 anos de denosumab e risco baixo, alternativa de bifosfonato oral (alendronato) durante 1 a 2 anos, começado também aos 6 meses.
  • Por isso pensa-se no fim antes de começar, sobretudo na mulher pós-menopáusica jovem e no homem.

Anabólicos

  • Teriparatida: a administração intermitente estimula diretamente os osteoblastos e forma osso novo, com melhoria da microarquitetura. Reduz fraturas vertebrais e não vertebrais. Um só curso de 24 meses na vida. Contraindicada na hipercalcemia, na doença renal grave, na doença de Paget e noutras doenças ósseas metabólicas, com fosfatase alcalina elevada sem explicação, com neoplasia óssea ou metástases e depois de radioterapia do esqueleto (risco teórico de osteossarcoma). Efeitos adversos: náuseas, tonturas, hipotensão postural, cãibras, hipercalcemia ligeira e transitória. Aprovada também no homem e na osteoporose induzida por corticoides.
  • Romosozumab: contraindicado com enfarte do miocárdio ou acidente vascular cerebral prévios e na hipocalcemia; pesa-se o risco cardiovascular do ano seguinte antes de o usar. Não está aprovado no homem.
  • Depois de qualquer anabólico segue-se, sem intervalo, um antirreabsortivo (alendronato, ácido zoledrónico ou denosumab), senão o ganho perde-se. A ordem conta: o anabólico primeiro e o antirreabsortivo depois dá mais densidade do que o inverso; quando se passa do denosumab para a teriparatida, o ganho de densidade na anca fica muito reduzido.

Terapêutica hormonal e raloxifeno

  • Terapêutica hormonal de substituição: opção de primeira linha na mulher pós-menopáusica com 60 anos ou menos; reduz fraturas vertebrais, não vertebrais e da anca. A via oral aumenta o risco de tromboembolismo; qualquer via aumenta o de cancro da mama.
  • Raloxifeno: reduz fraturas vertebrais e o cancro da mama invasivo com recetores de estrogénio; não reduz as da anca. Aumenta o risco de tromboembolismo venoso e de morte por acidente vascular cerebral; contraindicado com antecedentes de tromboembolismo, hemorragia uterina por esclarecer e insuficiência hepática ou renal grave. Agrava os afrontamentos.
  • A calcitonina já não tem indicação na osteoporose, pelo risco de cancro com o uso prolongado.

Segurança: osteonecrose da mandíbula e fratura atípica do fémur

osteonecrose da mandíbulafratura atípica do fémur
Frequência com as doses da osteoporosemuito rara: 10 a 100 por 100 000 doentes-ano com bifosfonatosrara: 3,2 a 50 por 100 000 doentes-ano; aumenta com a duração
Fármacosbifosfonatos e denosumab (e, muito raramente, romosozumab); muito mais frequente com as doses oncológicasbifosfonatos e denosumab
Fatores de riscomá higiene oral, doença dentária, extrações e implantes, tabaco, cancro, quimioterapia, corticoidesuso prolongado, corticoides, arqueamento do fémur, ascendência asiática
Como se apresentaosso exposto na boca, dor, tumefação, dentes que abanamdor na coxa ou na virilha durante semanas a meses; depois fratura subtrocantérica ou diafisária, transversal, com espícula medial, por traumatismo mínimo; bilateral em cerca de metade
O que fazerhigiene oral e consultas dentárias regulares; tratar a doença dentária grave antes de começar, sem atrasar o fármaco depois de uma fraturainvestigar qualquer dor na coxa (radiografia de todo o fémur, cintigrafia ou ressonância); estudar o outro fémur; suspender o antirreabsortivo; limitar a carga; fixação com cavilha endomedular

O benefício supera largamente estes riscos em quem tem indicação: o número de fraturas da anca evitadas é muito maior do que o de fraturas atípicas.

Monitorização

  • Anualmente: fatores de risco, novas fraturas, estatura, adesão ao fármaco e às medidas gerais; imagem vertebral se houver suspeita de fratura nova.
  • Densitometria não antes de 2 anos. Resposta satisfatória: sem fratura nova de baixo traumatismo, densidade estável ou a subir e adesão garantida.
  • Os marcadores de remodelação óssea têm pouco papel no doente individual, exceto na transição do denosumab.
  • Fratura sob tratamento: confirmar a adesão e procurar causa secundária antes de mudar de fármaco. Muda-se também perante efeito adverso significativo ou comorbilidade nova (por exemplo, insuficiência renal sob bifosfonato). A idade, só por si, não é motivo para parar.

Fratura vertebral dolorosa

  • Analgesia oral pela escada habitual; evitar anti-inflamatórios no idoso; laxante se houver opioide.
  • Mobilização precoce, que evita mais perda óssea; repouso curto e, às vezes, ortótese leve.
  • Fisioterapia com fortalecimento dos extensores do tronco.
  • A vertebroplastia e a cifoplastia (injeção de cimento no corpo vertebral) aliviam a dor em alguns doentes, mas os ensaios controlados puseram a eficácia em dúvida, e há risco de extravasão de cimento e de fratura das vértebras adjacentes.

Referências

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  2. Marques A, Lucas R, Simões E, Verstappen SMM, Jacobs JWG, da Silva JAP. Recomendações multidisciplinares portuguesas sobre o pedido de DXA e indicação de tratamento de prevenção das fraturas de fragilidade. Rev Port Med Geral Fam. 2016;32(6):390-9.
  3. Gregson CL, Armstrong DJ, Bowden J, Cooper C, Edwards J, Gittoes NJL, et al. The 2024 UK clinical guideline for the prevention and treatment of osteoporosis. Arch Osteoporos. 2025;20(1):119.
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  5. Lindsay R, Cosman F. Osteoporosis. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018. Chap. 404.
  6. Favus MJ, Vokes TJ. Paget's disease and other dysplasias of bone. In: Jameson JL, Fauci AS, Kasper DL, Hauser SL, Longo DL, Loscalzo J, editors. Harrison's principles of internal medicine. 20th ed. New York: McGraw-Hill; 2018. Chap. 405.
  7. Brunicardi FC, Andersen DK, Billiar TR, Dunn DL, Hunter JG, Matthews JB, et al., editors. Schwartz's principles of surgery. 11th ed. New York: McGraw-Hill; 2019. Chap. 43, Orthopedic surgery.
  8. European Medicines Agency. Evenity (romosozumab): EPAR, resumo das características do medicamento. Amsterdão: EMA; 2019.
  9. European Medicines Agency. Forsteo (teriparatida): EPAR, resumo das características do medicamento. Amsterdão: EMA.
  10. European Medicines Agency. Aclasta (ácido zoledrónico): EPAR, resumo das características do medicamento. Amsterdão: EMA.

17 perguntas sobre Osteoporose

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