Músculo-esqueléticaOsteoporosePublicado (Premium)

Osteoporose

Matriz PNA:D · DiagnósticoP · PrevençãoGD · Gestão

Atualizado em 17 de julho de 2026 · 10 perguntas neste tema

Fazer perguntas deste tema
Em resumo

A osteoporose é a doença óssea metabólica mais prevalente e a principal causa de fraturas de fragilidade no idoso, com impacto major em morbimortalidade e custos. É clinicamente silenciosa até à primeira fratura, o que torna a identificação do doente em risco e a instituição atempada de terapêutica os pontos decisivos da abordagem. Este capítulo cobre diagnóstico (densitometria e FRAX), prevenção/rastreio e tratamento farmacológico atual.

O diagnóstico assenta em dois pilares: a densitometria óssea (DXA) e a existência de fratura de fragilidade.

Densitometria por dupla energia (DXA): exame de referência, mede a DMO na coluna lombar e no fémur proximal (colo do fémur e anca total). O T-score menor ou igual a -2,5 em qualquer destes locais estabelece o diagnóstico. Em Portugal, a prescrição da osteodensitometria segue a Norma DGS nº 001/2010, que define as situações com indicação (por exemplo, mulher pós-menopáusica com fatores de risco, corticoterapia prolongada, antecedente de fratura de fragilidade).

Fratura de fragilidade: uma fratura da anca ou vertebral de baixo impacto estabelece o diagnóstico clínico de osteoporose e justifica tratamento independentemente do valor da DXA. Muitas fraturas vertebrais são morfométricas (assintomáticas), detetadas incidentalmente em radiografia.

Estratificação do risco a 10 anos com o FRAX: ferramenta que integra idade, sexo, IMC e fatores de risco clínicos (fratura prévia, história parental de fratura da anca, tabagismo, corticoterapia, artrite reumatoide, causas secundárias, consumo de álcool), com ou sem a DMO do colo do fémur. Estima a probabilidade a 10 anos de fratura osteoporótica major e de fratura da anca, orientando quem tratar sobretudo na zona de osteopenia. Limiares de intervenção habitualmente citados: fratura major maior ou igual a 20% ou fratura da anca maior ou igual a 3%.

Fatores de risco a valorizar: idade avançada, sexo feminino, menopausa/défice de estrogénios, corticoterapia, tabagismo, consumo excessivo de álcool, baixo peso corporal (IMC baixo), imobilização, história parental de fratura da anca e quedas de repetição.

Avaliação de osteoporose secundária: perante osteoporose grave, jovem ou desproporcionada, investigar causas com estudo analítico dirigido (cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, função renal e hepática, TSH, PTH, vitamina D (25-OH), e, se suspeita, eletroforese de proteínas para mieloma, cortisol, testosterona). Excluir osteomalácia (defeito de mineralização com vitamina D baixa) é essencial antes de assumir osteoporose.

Osteoporose — diagnóstico e abordagem Doença esquelética silenciosa: fragilidade óssea até à primeira fratura de baixo impacto Conceito Baixa massa óssea + deterioração da microarquitetura → fragilidade e fraturas de baixo impacto. Localizações típicas: anca (fémur proximal), vértebra e punho (fratura de Colles do rádio distal). Diagnóstico por duas vias Via 1 — Densitometria DXA Mede a DMO na coluna lombar e fémur proximal (colo do fémur / anca total). Classificação por T-score (OMS) Normal — T-score acima de -1,0 Osteopenia — T-score -1,0 a -2,5 Osteoporose — T-score ≤ -2,5 T-score compara com adulto jovem; Z-score com pares da mesma idade (jovem/pré-menopausa). Via 2 — Fratura de fragilidade Fratura da anca ou vertebral de baixo impacto estabelece o diagnóstico clínico e justifica tratamento independentemente do valor da DXA. Muitas fraturas vertebrais são morfométricas (assintomáticas), achado incidental na radiografia. Fratura de Colles do punho na pós-menopausa recente = frequente primeira manifestação e sinal de alerta para avaliar e tratar. FRAX — risco a 10 anos Integra idade, sexo, IMC e fatores de risco (± DMO do colo do fémur). Orienta quem tratar na zona de osteopenia. Limiares habituais: fratura major ≥ 20%fratura da anca ≥ 3% Fatores de risco Idade avançada, sexo feminino, menopausa (défice de estrogénios), corticoterapia, tabaco, álcool, baixo peso (IMC baixo), história parental de fratura da anca, quedas. Secundária: excluir osteomalácia, PTH, TSH, mieloma. Prevenção e tratamento Prevenção Cálcio e vitamina D adequados (corrigir a vitamina D antes de qualquer terapêutica). Exercício com carga e treino de equilíbrio. Cessação tabágica; moderação do álcool. Prevenção de quedas: rever sedativos, visão, casa. Tratamento farmacológico Bifosfonatos = 1.ª linha (alendronato, risedronato oral; ácido zoledrónico EV). Denosumab (anti-RANKL, SC): útil na doença renal; nunca suspender sem sequencial (rebound). Teriparatido (anabólico): risco elevado. Quando tratar: T-score ≤ -2,5, OU fratura de fragilidade prévia, OU osteopenia com FRAX elevado. Cálcio e vitamina D são a base, mas não substituem a terapêutica específica no doente de risco. ! Cascata de fraturas Uma fratura de fragilidade duplica o risco de nova fratura (risco iminente no período seguinte). Toda a fratura de fragilidade deve desencadear avaliação e início de terapêutica. DMO, densidade mineral óssea; DXA, densitometria de dupla energia; SC, subcutâneo; EV, endovenoso; anti-RANKL, anti-ligando de RANK. Prescrição de DXA em Portugal: Norma DGS n.º 001/2010. A osteoporose é assintomática até à fratura.

A prevenção visa maximizar o pico de massa óssea na juventude, minimizar a perda na idade adulta e, sobretudo, prevenir a fratura (que inclui prevenir a queda).

Medidas nutricionais e de estilo de vida (aplicáveis a toda a população em risco):

  • Cálcio e vitamina D: assegurar aporte adequado de cálcio (dieta preferencialmente; suplementação quando insuficiente) e níveis suficientes de vitamina D. A vitamina D é indispensável à mineralização e à absorção intestinal de cálcio; a sua correção é pré-requisito antes e durante qualquer terapêutica antiosteoporótica.
  • Exercício físico: atividade com carga e treino de força e equilíbrio, que estimula a formação óssea e reduz o risco de queda.
  • Cessação tabágica e redução do consumo de álcool, ambos fatores de risco modificáveis.
  • Manutenção de peso corporal adequado: o baixo peso é fator de risco.

Prevenção de quedas (determinante major do risco de fratura no idoso): revisão da medicação sedativa e hipotensora, correção de défices visuais, adaptação do domicílio (remover tapetes soltos, melhorar iluminação, colocar barras de apoio), calçado adequado e correção de défice de vitamina D (que também melhora a força muscular).

Rastreio (identificação do doente a avaliar com DXA): não existe rastreio populacional universal; a avaliação é dirigida ao risco. Consideram-se para DXA, entre outros: mulheres pós-menopáusicas com fatores de risco, doentes sob corticoterapia prolongada, antecedente de fratura de fragilidade, e situações de osteoporose secundária. O FRAX ajuda a decidir quem, dentro dos grupos intermédios, beneficia de densitometria e/ou tratamento.

Prevenção da osteoporose induzida por corticoides: é a causa mais frequente de osteoporose secundária de origem medicamentosa; quem inicia corticoterapia sistémica prolongada deve receber cálcio e vitamina D e ser avaliado precocemente para terapêutica óssea, dado que a perda é mais rápida nos primeiros meses.

O tratamento farmacológico está indicado em: osteoporose densitométrica (T-score menor ou igual a -2,5), fratura de fragilidade prévia da anca ou vertebral (independentemente da DXA), e osteopenia com risco elevado no FRAX. Cálcio e vitamina D adequados são a base sobre a qual assenta qualquer fármaco, mas isoladamente não substituem a terapêutica específica no doente de risco.

Antirreabsortivos (reduzem a reabsorção osteoclástica):

  • Bifosfonatos: primeira linha. Orais (alendronato, risedronato, ibandronato) ou endovenosos (ácido zoledrónico anual). Tomar o oral em jejum, com água, em posição ereta, para reduzir a esofagite. Reavaliar a relação benefício-risco tipicamente ao fim de cerca de 5 anos (ponderar pausa terapêutica em doentes de menor risco). Efeitos adversos raros mas relevantes: osteonecrose dos maxilares e fraturas femorais atípicas.
  • Denosumab: anticorpo monoclonal anti-RANKL, subcutâneo semestral; alternativa útil na doença renal. Ponto crítico: a suspensão provoca efeito rebound com perda óssea rápida e risco de fraturas vertebrais múltiplas, pelo que não deve ser interrompido sem terapêutica sequencial (habitualmente um bifosfonato).

Anabólicos (estimulam a formação óssea), reservados ao risco elevado/muito elevado ou falência dos anteriores:

  • Teriparatido (análogo da PTH, subcutâneo diário), que aumenta a formação óssea; duração limitada.
  • Romosozumab (anticorpo anti-esclerostina), com ação dupla (aumenta formação e reduz reabsorção). Após um curso anabólico, deve seguir-se consolidação com antirreabsortivo para manter o ganho de DMO.

Terapêutica hormonal e outros: os SERM (por exemplo, raloxifeno) e a terapêutica hormonal de substituição têm papel selecionado. Na mulher pós-menopáusica com fratura de fragilidade, deve instituir-se terapêutica antirreabsortiva mesmo sem DMO disponível.

A escolha integra idade, gravidade, função renal, via de administração e adesão. A monitorização faz-se por DXA seriada e reavaliação do risco, garantindo sempre correção prévia da vitamina D para evitar hipocalcemia (sobretudo com potentes antirreabsortivos e anabólicos).

Referências

  1. Direção-Geral da Saúde. Norma nº 001/2010: Prescrição da Osteodensitometria na Osteoporose do Adulto. Lisboa: DGS; 2010.
  2. Direção-Geral da Saúde. Tratamento Farmacológico da Osteoporose Pós-menopáusica. Portal das Normas Clínicas. Lisboa: DGS.
  3. Gregson CL, Armstrong DJ, Bowden J, et al. UK clinical guideline for the prevention and treatment of osteoporosis (NOGG). Arch Osteoporos. 2022; atualização 2024.
  4. Kanis JA, Johnell O, Oden A, et al. FRAX and the assessment of fracture probability in men and women from the UK. Osteoporos Int. 2008;19(4):385-397.
  5. World Health Organization. Assessment of fracture risk and its application to screening for postmenopausal osteoporosis. WHO Technical Report Series 843. Geneva: WHO; 1994.
  6. Loscalzo J, Fauci A, Kasper D, et al., eds. Harrison's Principles of Internal Medicine. 21st ed. New York: McGraw-Hill; 2022. Capítulo sobre Osteoporose.

10 perguntas sobre Osteoporose

Ler consolida, treinar é o que fixa. Cada pergunta tem justificação alínea a alínea, no formato da Prova Nacional de Acesso.

Criar conta e treinar