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Refluxo gastroesofágico e hérnia do hiato

Matriz PNA:MD · MecanismosD · DiagnósticoGD · Gestão

Atualizado em 28 de setembro de 2026 · 15 perguntas neste tema

Em resumo

A doença de refluxo gastroesofágico é o refluxo de conteúdo gástrico que causa sintomas incomodativos ou complicações, e a hérnia do hiato é a passagem do estômago, e às vezes de outras vísceras, pelo hiato esofágico para o mediastino. As duas andam juntas porque a barreira antirrefluxo é a soma do esfíncter esofágico inferior com os pilares do diafragma, e a hérnia de deslizamento, que é pelo menos 95% das hérnias do hiato, separa-os e tira o esfíncter do abdómen.

Pirose e regurgitação sem sinais de alarme chegam para o diagnóstico: trata-se com inibidor da bomba de protões e, havendo resposta, não se pedem exames. A endoscopia fica para os sinais de alarme, para a falência do tratamento e para a recidiva depois dos 50 anos em quem nunca a fez. Como a maioria dos doentes tem doença não erosiva, uma endoscopia normal não exclui refluxo, e é a monitorização ambulatória, pHmetria ou impedância-pHmetria, que o prova.

A cirurgia antirrefluxo, em regra uma fundoplicatura laparoscópica, é para doença objetivamente comprovada: em quem precisa de tratamento prolongado e no refratário com correlação entre sintomas e refluxo documentada. Antes de operar, a manometria é obrigatória, para excluir a acalásia e a ausência de contratilidade, que uma fundoplicatura agravaria.

As hérnias paraesofágicas, dos tipos II a IV, têm além disso um problema mecânico: o estômago roda à medida que sobe, com risco de volvo, estrangulamento e perfuração, e as erosões de Cameron no colo da hérnia dão anemia ferropénica. As sintomáticas reparam-se de forma eletiva, porque a mortalidade da reparação eletiva é inferior a 1% e a da urgente é muito maior.

O que não se pode falhar é a acalásia operada como se fosse refluxo, a tríade de Borchardt (dor epigástrica súbita, esforço de vómito sem vómito e impossibilidade de passar a sonda nasogástrica) num doente com hérnia volumosa, e a disfagia, a anemia ou a perda de peso que pedem endoscopia em vez de mais inibidor da bomba de protões.

Referências

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